sábado, setembro 29, 2007

A(a) criança

Estou aqui pensando no estrago que uma criança raivosa pode fazer... Se não tem seus desejos atendidos, no mínimo faz muito barulho. E quando a criança quer, ela não pede de levinho. Ela grita. E repete. E chora. Esperneia.
Tá. E o que acontece quando a criança se transforma em um adulto em idade e corpo, mas que continua criança por dentro? E não sabe que continua criança por dentro? O resultado é o mais desastroso possível, é o mundo que temos; a verdade é proibida e inconveniente e aos adultos não é permitida a brincadeira, daí o descaso com as decisões mundiais como se fosse um tabuleiro de jogo.
A brincadeira criativa é limitada à vida adulta; daí a banalização do sexo, vida e morte, etc. Os jogos viram outros, mas é a criança querendo brincar. Uso de drogas, distúrbios extremados de uma criança interna infeliz e urgentemente necessitada de atenção. A criança interna esperneia. Ela precisa ser atendida, não pelas demandas que fazemos ao mundo, mas por nós mesmos! O adulto quer um relacionamento sério, duradouro e verdadeiro, quer a sua casa mobiliada, quer um carro novo, quer milhões de coisas e, por agora, a criança quer somente um sorvete que cale a boca mais imediatamente dos outros desejos não atendidos. O sorvete também pode ser substituído por uma noitada ou qualquer outra coisa. E quando negamos, ela grita e esperneia.
Eu acho que muito cuidado e carinho deve ser reservado à nossa criança interior; morrer ela não morrerá jamais, mas pode nos matar caso tenha negados para si os seus desejos mais básicos de amor e nutrição.
Os problemas psicológicos que temos derivados da criação relacionado ao amor que recebemos dos nossos pais não são realmente problemas com nossos pais, mas todos os personagens que vivem dentro de nós, o que ficou internalizado disso tudo. A narrativa que construímos e que faz sabermos, exatamente, as falas de cada voz, de cada personagem em cada situação. Temos uma mãe e um pai internos que foram internalizados a partir da nossa criação e que nos podam, nos educam, nos dizem "não" e nos colocam de castigo; as vozes muitas vezes dizem que não somos merecedores da felicidade porque "fomos feios". Essas vozes nos destroem por dentro porque as escutamos mais do que a voz da nossa própria criança. Nossos pais internos também podem acolher a criança, cuidar dela, educar sem agredir e orientar sem podar.
Aquela que mais precisa de alimento e sossego, de rotinas e regras e tempos livres para se expressar abertamente. Aquela que precisa da fantasia, das histórias bonitas em que acreditar e precisa ser ninada para dormir é a nossa criança. Precisamos acolhê-la em nossos braços e dizer que ela é amada, que estamos prestando atenção nela, que sua voz é escutada.
Assim, a criança que ficou emocionalmente para trás dentro de nós terá a chance de ser uma criança saudável e deixar-nos ser adultos maduros e bem colocados dentro de nós mesmos.
Brincar é preciso, viver é preciso. Cuidem das suas crianças. Elas têm as respostas. Ouçam a voz da sua criança interna.

sexta-feira, setembro 28, 2007

Dores irreversíveis


Rodrigo Mello Magalhães Ferreira
13/02/1982 - 27/09/2007.

A dor da perda é irreversível. Perda de alguém que se ama. As palavras são fúteis mas eu preciso de alguma forma para expressar a dor. Não alcançam a profundidade dos sentimentos, as palavras, mas meus sentimentos por esse amigo também não alcançaram os seus medos e inseguranças, porque nada do que dissemos nem nada do que passamos juntos fez ele mudar de idéia sobre a própria vida. Pode ser até que tenha dado a ele mais algum tempo... Sei que ele já vinha falando sobre essa vontade há mais de um ano; eu não acreditava que ele pudesse realmente enredar a própria morte. Estive pensando se ele não poderia ter esperado mais um pouquinho, passar mais algum tempo, para ver como a vida dele ia ficar, agora que estava independente, livre, como ele se sairia com uma casa toda para si, com esse tipo de liberdade, com nossa ajuda para pintar e decorar o ninho dele, das festas que poderíamos fazer e dos namorados que ele poderia levar para casa agora... Coisas que ele nunca pôde fazer antes.
Mas acho que ele veio esperando até aqui para que algo mudasse, e que o suicídio da mãe foi mesmo a gota dágua, a confirmação de que não havia mesmo esperança no mundo para ele e de que sempre a vida pode ficar pior.

A vida dele não era só mentalmente intensa, apesar de ele ter um intelecto privilegiado, ele amava cultura e todas as expressões artísticas, era uma pessoa que sabia ser e respeitar o ser alheio. E eu adorava nossas conversas, adorava sua companhia. Ele era minha dama de companhia, tinha a delicadeza e sutileza de uma outra mulher e a coragem e a sexualidade de um homem.
Mas inteligência peculiar somada à sensibilidade não é uma equação muito feliz na prática, todos os gênios sofrem. E ele era um gênio criativo que não tinha por onde se expressar; ele não acreditava que fosse capaz.

Passamos o reveillon desse ano juntos e se eu soubesse que era o nosso último, teria apertado tanto ele... Que não deixaria que ele fosse embora. Pessoas que não se repetem, não podem ser substituídas e que não vão estar aqui quando o meu sucesso chegar. E eu queria tanto que ele estivesse aqui quando o meu sucesso chegar. Quando eu tiver o meu ninho e puder fazer as minhas festas e puder gastar com os meus amigos, ele não vai mais estar aqui comigo.

E acho tão bruto, tão estúpido e tão frio alguém conseguir subir doze andares e se atirar lá de cima por vontade própria... Ao mesmo tempo que para ele pode ter sido a melhor das soluções, porque além de acabar com o sofrimento dele, ainda saiu por cima... Com todos sentindo saudades e lembrando das coisas boas sobre ele ao invés de ele se sentir como mais um miserável fracassado no mundo... E ele não podia ser mais um fracassado miserável no mundo, porque ele era especial. Mas não teve forças, não teve chance, não teve confirmações da vida de que ele realmente era isso. Por que a esperança não se apresenta para todas as pessoas??

Estou aqui, mais esperançosa do que nunca, com mais fome de viver do que nunca e muito, muito triste porque ele não vai estar segurando minha mão.

Adeus, Rodrag. Eu te amo. E neste momento, te odeio por ter feito isso.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Uma mulher

1.Uma mulher pode lhe encantar com o olhar, com o sorriso, com a pele, com o calor do próprio corpo, com a boca, com o beijo, com o cheiro, com a lambida, com o toque. 2.Uma mulher pode vestir-se toda para você, pode se perfumar, ser inteira só sua. 3.Uma mulher pode levá-la à loucura com os dedos, pode lhe dar orgasmos múltiplos. 4.Uma mulher pode cuidar de você em todos os requisitos que você precisa. 5.Pode supri-la, trazer-lhe prazer e dor, pode curar seus medos e seus machucados e ser fonte do maior prazer de toda a sua vida. 6.Ela pode ser carinhosa e erótica ao mesmo tempo. 7.Não olhe muito ao redor; essa mulher é você mesma.
Ass. 777

quarta-feira, setembro 26, 2007

Todo homem

Todo homem já passou por isso... Ficar amarradão numa gatinha, gastar uns beijos com ela durante um show e depois ver ela ficando com outra pessoa tipo, quinze minutos depois. Chega um cara, dá uma conversa como se já conhecesse, dá um agarrão e leva sua mina. Caralho... E fazer o quê? Ficar olhando... Ir caminhando em direção à saída? Cutucar o cara, a garota?
Na sua frente. E vc fica de cara.
Abaixar a cabeça e sair humilde, se perguntando... Como? Como foi, hein? Eu entendi direito? Milhões de motivos esfarrapados para a dor de consciência. Por que?

Women are the devil.

Ass. Romeu

sexta-feira, setembro 21, 2007

Tá engraçado

Tá engraçado... O fotolog cancelou minha conta por conta dessa foto, que eu, ao contrário deles, achei fantástica. Acho menos provável que um dos funcionários do flog tenha achado minha foto navegando pela web do que alguém ter relatado como foto ofensiva. Chamo isso de preconceito (só servem as bundas "photoshopadas" das capas das revistas everywhere, né?). E nossa, se for mesmo o caso, mais um caso de um lowlife solto por aí... Enfim. É intencional ficar repetindo os termos desse texto, porque é tão pouco rebuscado quanto as pessoas que merecem minha ira. Essa ira, hoje, se manifestou novamente quando eu, atrasada, me deparei com um dos lowlives. Queria parar o carro, ele estava saindo, eu estava na curva, aguardando, os carros eram obrigados a passar lentamente por minha causa e o sujeito estava no celular. Tranquilinho. Buzinei algumas vezes, até que demonstrei minha impaciência com um buzinadão. Olhei na cara do cara, pedi pra ele acelerar o processo. Ele balbuciou de dentro do carro dele: "Tá com pressa? Tá com pressa?", chegou o carro pra frente, desligou o motor, trancou a porta e saiu.
Maluco, sorte que a pessoa que dedurou meu flog tenha feito isso pelas minhas costas... É covardia, mas essa pessoa é esperta, porque sabe que iria conhecer o mesmo ser que esse sujeito conheceu. Voz grave e encorpada, o poder dos infernos tomou conta de mim. Eu, que costumo ser uma boa pessoa, me assustei depois. Abri o vidro, gritei pausadamente: "VAI TOMAR NO SEU GRANDE CU, SEU FILHO DA PUTA". Pronto, lá fui eu, tremendo pra aula. Sempre fico tremendo depois dessas manifestações de ira. Metade de mim estava livre para sempre. A outra metade temia uma reação. Se o cara tivesse reagido, vindo me agredir, eu saltava do carro e arrebentava ele com a trava da direção. Estava preparada. Não me reconheci. Era luta pela minha própria sobrevivência. Sei bem que se fosse homem, teria saído do carro ali mesmo e arrebentado ele. Se eu fosse só rica, tinha acertado o carro todinho com o martelinho de aço que trava a direção.
Needless to say que não era um bom dia. Não estava de bom humor.

Gente, haja pensamentos positivos! Tem dias que só um palavrão longo desses dá conta. E direcionado para o agressor. FATO.
Depois, voltando pra casa, a marcha do carro quebrou. Mas isso não foi um problema, correu tudo bem, deu tudo certinho e foi divertido andar no carro do reboque, o Seu Miranda era muito gente boa. Ficou engraçado. Eu queria ter vindo dentro do meu próprio carro, atrás da cabine, mas o Seu Miranda disse que é proibido por lei, aí não pude. Saturno em cima do Marte= carro quebrado. Que bom que não era Urano em cima do Marte...
Ah sim! Vocês sabiam que se o carro de vocês quebrar dentro de qualquer túnel do RJ, o reboque da prefeitura é pago, mesmo que vocês tenham seguro? E que o reboque do seguro só pode retirar seu carro da administração do túnel depois de paga a taxa pelo reboque da prefeitura? Gente, procurei um email de contato no site da prefeitura... Vê se tem?
OVO no César Maia. OVO. NOJO. Legalizou os flanelinhas, colocou uma tarifa padrão nas vagas do Rio e suga dinheirinho mamando das pessoas. Bizarro.

terça-feira, setembro 11, 2007

Água até o pescoço

Quando eu era pequena, de vez em quando íamos visitar a praia das conchinhas, porque uma tia da minha mãe tinha casa perto da praia das conchinhas e lá não tinha areia; eram só conchinhas (machucava um pouco o pé). E eu lembro que a água era bem mansinha, sem ondas, quase como uma lagoa e a água era cristalina e dava pra ver o fundo da praia e era um lugar bem bonito, meio mágico.
Lembro também que os adultos iam para o fundo, onde não dava pé pras crianças, nem pra mim, mas eu queria acompanhar o grupo e participar das conversas, então ficava bem na pontinha dos dedos e com o pescoço todo esticado pra fora d'água pra conseguir ficar por perto.
Essa visão me veio no meio de uma sensação, na semana em que estava questionando se eu tinha mais ambição do que talento, e eu percebi que em muitos aspectos da minha vida eu andava assim: pescoço todo esticado para cima, na pontinha dos pés, cabeça esticada para fora d'água para mostrar "olha como eu também também posso, como eu posso participar, olha como eu faço parte do grupo".
E, muitas vezes eu não entendo, não participo, não consigo corresponder porque não faço parte do grupo! Mas mesmo assim estava ali, fazendo um esforço danado só para mostrar que eu podia.
Ninguém teve a idéia de chegar mais pra beirinha pra eu poder continuar no grupo. Não lembro nem das pessoas notarem quão desconfortável eu estava; seria incrível se alguém tivesse notado. Era só olhar. Sinto falta deste olhar sobre mim, esse olhar de cuidado, de preocupação real com as minhas dificuldades natas, as que existem mesmo; não as que são inventadas pelas pessoas que querem se preocupar porque gostam de estar preocupadas e se enganam que preocupar-se é participar, é cuidar, é dar atenção.
Eu não quero andar na vida na ponta dos pés para dizer que eu alcanço aquele lugar que é mais alto do que eu, nem quero passar a vida com o pescoço esticado para poder respirar num lugar que obviamente não é o meu. Nem quero ter que depender de pessoas para ficar confortável, nem quero estar perto de pessoas que não me notem.
Se o meu tamanho cabe na beirinha da água é na beirinha da água que vou ficar, porque não quero passar a vida com água até o pescoço só para mostrar que eu posso.
Quero encontrar com outras pessoas do mesmo tamanho que o meu e brincar com elas.

domingo, setembro 09, 2007

Questões territoriais versus necessidade de sedução

Estar cercado por terra que se conhece, chão que já se caminhou; sabe-se onde são os buracos, sabe-se onde os frutos são tenros, sabe-se por onde passam os rios, sabe-se onde estão as cavernas. Proteger o território que se conhece de aventureiros exploradores, mas baixar a guarda, abrindo as portas do castelo, estendendo o tapete vermelho aos visitantes voluntariamente oferecendo banquete, banho e estadia aqueles que chegam cansados querendo repouso. Essa é minha idéia de aconchego: a maneira de se tratar um igual, ombro a ombro num reino gentil. Essa é a forma masculina de acolher. Não é?
Aqui em casa sempre tive a impressão de estar cercada por nobres cavaleiros; a mesma formalidade ao sentar-se à mesa, uma hierarquia formal e intelectual, boa educação e boa comida, como se estivéssemos nos tempos de uma nobreza caída, a que partiu em retirada aos confins da terra, reclusa ao próprio corpo sem indicação do caráter límpido e do sangue puro que corre nas veias, impossibilitados de mostrar as riquezas interiores pela aridez do arredor. Morando em um casebre castelal, sobrenobre nome, sangue azul, com a polidez fria e estética libriana num cordial "recebemos vocês de braços abertos, mas fiquem atentos às normas de beleza da casa".
Me comporto com medo de quem vai cruzar o portal. Em alerta, a lança permanece ao lado do corpo; sempre preparada a defender a terra, senão amada, ao menos conhecida.
E a necessidade de deixar a todos confortáveis é um reflexo de não se estar confortável. Se obsessivamente preciso entreter e saciar, tenso fica o ambiente em que não se pode simplesmente fluir. Confortável é cada um poder se mexer à vontade, naturalmente.
Mas para a estética dos olhos e da alma isso não funciona, é preciso que haja movimentos milimetricamente calculados; a coreografia só funciona se todos souberem os passos e estiverem exaustivamente ensaiados, já que as pontas precisam estar SEMPRE controladas. Assim são as festas. O improviso apenas ocorre nas batalhas. Onde se instala o caos: quando um plano invade o outro. A batalha é constante.
Não sei se é fruto do ambiente friamente perfeccionista da criação, não se poder relaxar enquanto há alguém preocupado em resolver algo que falta, que sai à moldura do ideal, que perturba o imaginário da cena mais agradável possível em termos sensoriais. Alguém por trás dos panos manipulando as energias que aparecem lindas, alguém que recolhe o lixo, alguém que nunca pára porque exerce todas as funções ao mesmo tempo, pensando antecipadamente ao que pode se seguir.
De alguma forma sinto saudades ou falta de uma doçura que não consigo expressar mas que existe, internamente, algo semelhante à sedução infantil de agradar de forma natural, expressão livre da minha alma que costumava trazer doce os olhares gentis e curiosos, flutuantes ao meu redor. Já não sou a promessa do paraíso ao qual todos temos direito, tampouco um enigma. Todas as cartas estão tão bizarramente abertas sobre a mesa que chega a ser esquisito para quem olha.
Não sei que tipo de jogo se forma com as cartas que eu tenho nas mãos. Não sei se é uma mão cheia ou se é blefe; não sei se sei jogar. Também não sei se quero aprender. De alguma forma eu abro as cartas para tentar me libertar para uma outra situação em outro lugar, mas estando dentro do jogo, é uma auto-sabotagem. Eu não gosto de jogar mas não consigo parar de brincar, porém nunca consigo ganhar. Se ao menos eu me divertisse.

quinta-feira, setembro 06, 2007

in love


come to me

Baterias

Uma bateria de polímero de lítio agride mais ou menos ao meio ambiente que uma bateria comum alcalina?

- elas são baterias recarregáveis do íon do lítio. (é um íon só?)

O eletrólito do polímero usado em baterias do polímero de lítio não é inflamável nem feito de uma cápsula de metal.
*
*
* imagina passar isso pro inglês?

domingo, setembro 02, 2007

VERBORRAGIA

o
q u e
s a n g r a
s ã o
a s
p a l a v r a s

clique

-Este blog não tem intenções de fazer apologias ou causar ofensas a nenhuma crença específica, no entanto partidos serão tomados.

-Não permito a entrada de seres da Goecia neste site ou pessoas correlacionadas.

-Todo aquele que desejar navegar entre os escritos da autora o faz por livre e espontânea vontade, por sua liberdade assegurada de ir e vir entre todos os caminhos da vida garantindo, portanto, liberdade de expressão em retorno.

-Voodoo é prajacu, mas aqui não é permitido.

sábado, agosto 25, 2007

Bom para poder crescer

Alimentei minha necessidade de me afastar do mundo, alimentei crenças sobre minha auto- incapacidade, alimentei meus medos, minha necessidade de proteção, por achar que no mundo só há perigos contra mim. Estou gorda de crenças negativas. Cheia delas. A verdade é essa mesma; o que eu como só me faz mal porque eu acredito. Comer sem culpas, comer por prazer.
Estou perfeita para este momento. Meu corpo reflete meu interior, por isso preciso amá-lo e respeitá-lo, não restringi-lo. Meu universo se expande de diversas maneiras.
Malho pensando no que vou jantar mais tarde e me sinto à vontade para tomar um sorvete. Sorvetes são ótimos para curar várias coisas. Enganei meu cérebro com o açúcar, taça dupla de flocos. E como quase nunca como flocos, o desejo foi enorme. Mas controlei o desejo do sorvete com o chocolate.
Pensar que se está gorda é suicídio. Carne pesa. Músculo também. Cérebro pesa bastante, também a culpa... Usar adoçante é se lembrar, subliminarmente, do quanto se está gorda. Vou voltar a usar açúcar. Fico pensando numa amiga que tem uma dieta louca de gordura-cigarros-café e que é magérrima, gostosa. No dia que ela se tocar do próprio corpo e parar com essa alimentação insana, vai ficar horrível. Tem que continuar esquecendo do que come. E tasca toucinho, carne com batata frita, tudo o que ela gosta! A filosofia dela funciona. Comer sem pensar.
Pensamento libertador, não se pensar no que se come, não ver defeitos em todos os lugares, de tudo o que se quiser, de tudo um pouco. Sem repressões. O cérebro está acostumado a outros movimentos, mais negativistas. Estou tentando desprogramar as programações inúteis.

segunda-feira, agosto 20, 2007

To Love is an Act of Courage

You learn to love, bit by bit
To surrender to the other person's schemes and beliefs
you take years to build trust
so when the time comes that
you get to say that you really know someone
to know the exact thoughts by onl7 looking
into that person's eyes
-and so when that time comes you
can realy say that you loved someone-

then comes death, always
inappropriate, always too early or too
late
and takes it away from you

(DON'T YOU EVER LEAVE ME! CAN YOU HEAR ME?? DON'T YOU EVER DARE TO LEAVE ME!)

it is an act of courage
love is an act of courage

and so
if you have
the courage to ever love someone
you must know it was very brave of
you and
that
you've faced one of the greatest fears
which is
to lose someone you really love.

That's why I decided not to blame people when they decide not to be involved in people's lives in anyway. It hurts too much. Maybe we are better off. It's not an option for me, though...

domingo, agosto 12, 2007

A luta do milênio

Ultimate fighting entre Carson Gracie e Jesus Cristo. Quem vence?

Opção A

Jesus Cristo vence a luta porque Jesus consegue, orientalmente, convencê-lo que um combate físico não é o melhor caminho para nada na vida e faz Gracie desistir da luta. Saem de braços dados cantando "Como vovó já dizia".

Opção B

Gracie vence porque ensina a Jesus vários golpes que Jesus acha irados e converte Jesus ao Jiujitismo, daí que o mestre vence o discípulo na luta.

Opção C

A tentativa de Jesus de convencê-lo a não lutar só irrita mais ainda Gracie que beat the crap out of Jesus e Gracie vence.

Opção D

Com a estratégia de dar a outra face, Jesus vai acumulando raiva e a liberta em um único golpe contra Gracie, vecendo a luta.

Opção E

Algumas pessoas disseram crer que Jesus fosse mais poderoso, mas que em matéria de Ultimate Fighting não tem pra mais ninguém além de um Gracie.

Opção F

Jesus vence porque é filho de deus.

terça-feira, agosto 07, 2007

Alex Kidd Row

1988
Eu fui uma criança urbana, descia pro play e jogava Alex kidd no Master.
Meu sonho era morar numa casa e ter um cachorro.
Aí fomos morar em Rio Grande, RS, e fomos morar numa casa, tivemos uma cadelinha vira-lata durante nove meses, pra quem demos o nome de Pequena e que seguiu a gente até em casa, mas ninguém brincava com ela a não ser o meu pai e também não queríamos limpar o quintal. Mas a gente podia subir no telhado de casa e era bem legal.
Foi um ano muito massa aquele, porque eu andava no meio do mato fazendo trilhas, caminhando em cima dos troncos das árvores cortadas, colhendo folhas de eucalipto e pinhos para brincar de comidinha. A gente podia andar de bicicleta pelas ruas, porque não passava carro nenhum e podíamos ficar o dia inteiro na rua, para cima e para baixo sem nos preocuparmos com nada. Brincávamos o dia inteiro, da Rua 3 íamos para a Rua 2 jogar taco no meio da rua, enquanto não passava o ônibus que só passava de uma em uma hora. Da Rua 2 íamos para a Rua 5 encontrar outras crianças e da Rua 5 íamos para o Clube Galera.
Foi em Rio Grande que vi pela primeira vez um escorpião- e tinham muitos-, também foi a primeira vez que meu heart foi broken... Fui trocada porque eu tinha vergonha de dar beijo e não quis beijar o menino nem na bochecha, e eu era a-pai-xo-na-da por ele, o Gustavo (Gugu- o irmão dele mais novo estudava com o meu e o nome dele era Guigui. hehehe). Foi a primeira vez que fui traída pelos amigos, que armaram uma emboscada pro garoto mais nojento me dar um beijo na boca (ERCA)- daí acho que também foi a primeira vez que senti ódio de alguém que não fosse da minha família. E eu quis que a menina que roubou meu namorado, o Gugu, morresse. Não é que anos depois, ainda criança, ela morreu de câncer? Medo. Horrível destino de Taís.
Foi um ano intenso.
Mas foi maravilhoso. As músicas das festinhas eram “The time of my life”, “Hey Jude”, “London London”, “Astronauta de Prata” e aquela música árabe que virou moda de dançar. E eu tinha uma vizinha mais velha que era descendente de árabe e o nome dela era Sibila e nessa hora ela era a estrela da festinha e todo mundo dançava igual a ela.
Como somos engraçados e desgraçados nas nossas experiências de infância e adolescência.

Meios de mortes

Imagine-se com aquele par de sapatos. Aquele que você gosta muito. Aqueles sapatos de que mais gosta. Agora imagine-se vestida naquela roupa especial, aquela que você sente-se mais confortável, ao mesmo tempo que inventiva e ousada. Agora imagine-se lendo o seu livro preferido, escutando o CD que você mais gosta, sentada na melhor parte da sua casa, aquela que mais gosta quando sente um leve tremor na estrutura do seu prédio. Agora imagine que de sentir o tremor até o momento em que se dá conta de que está viva só teve tempo de sair de casa sem carregar nada e que também não teve tempo para pensar no que salvaria, pois foi tudo tão repentino e rasteiro... E que, agora, de repente, não tem mais nada, pois seu prédio caiu ou sua casa pegou fogo e você é a única coisa que resta das coisas que mais gostava.
Entre todas as coisas que definiam quem você era, só sobrou você.
E agora, como você se sente?

Fico imaginando as pessoas daquele edifício na Barra da Tijuca que caiu... O olhar das pessoas que tinham apartamentos em volta daquele prédio que caiu... Saber que o deles estava intacto enquanto toda uma vida das outras pessoas (fotos, cartas de amor, livros, roupas, móveis, documentos, aparelhos eletrônicos, etc) estava desfeita em meio a escombros. O que aconteceu com essas pessoas? Que visão passaram a ter sobre a vida? Claro que há um leque de possibilidades... Nem todas as pessoas vão querer abrir mão da única coisa que sobrou do que possuíam; as memórias sobre o acidente são o restante de toda uma vida.
Quem são essas pessoas hoje em dia e como se comportam a cada nova conquista? Vibram como se não houvesse nada igual no mundo ou temem como se fossem morrer nova e definitivamente?

Eu não consigo imaginar e temo por elas. Temo os meus temores e temo os temores que inventei agora, imaginando que posso imaginar o que muitas dessas pessoas sentiram. Ainda não foram indenizadas e não há indenização no mundo que pague o que elas passaram. Eu afundaria no buraco mais ainda, porque acho que eu iria caçar o engenheiro responsável e acabaria com a vida dele também. Se eu conseguisse convencer todos os moradores sem teto a cometerem o crime comigo, não estaria sendo em legítima defesa de todo um grupo?
Dizem que vingança não cura feridas, mas tenho certeza de que eu adoraria sentir o sangue dessa pessoa descendo pela minha garganta. Ou não, de tão nojento que deve ser pela consciência pesada que esse cara tem. Temo pelas pessoas. Não pelas pessoas que não têm e nunca tiveram, mas pelas pessoas que tiveram muito e perderam tudo, de uma forma tão bruta e estúpida.
Perder tudo tem mais de um significado para cada pessoa. A cada escolha, a cada passo que damos optamos por uma escolha e não por outra. Perdemos enquanto ganhamos. E quem não consegue escolher? Caminha para frente? Quem não consegue escolher não escolhe com medo de se perder no caminho ou com medo de morrer com a escolha perdida? Quem não escolhe teme não caminhar?
E essas pessoas, que caminharam, caminharam e caminharam mas, mesmo assim, perderam tudo?
O QUE REALMENTE IMPORTA NAS CONQUISTAS E
QUE CONQUISTAS REALMENTE IMPORTAM?

terça-feira, julho 24, 2007

Caos planejado

A proposta do universo para quando eu nasci foi exatamente essa: um caos organizado, planejado. Ser moderada em todas as coisas, inclusive na moderação. Ser o preto, o branco, o cinza e todas as cores de todas as escalas no intermédio. Ser a mulher que seduz o homem casado e a que é traída. Ser o macho e a fêmea, ser o homem de família e o general, ser os enamorados. Ser os dois pilares do templo, as duas crianças gêmeas que vigiam e protegem a constante cópula que se dá dentro de mim para que o meu seja um universo criativo, ser o fogo e a água, ser prazer e dor, ser criação e castração.

Queria não sofrer algumas interferências, como por exemplo, fazer uma guerra para conquistar a paz. Matar para poder viver. Mas acontece. I need to learn to let it go. E preciso aprender a perdoar os derrapes.

Não ser extremista, sabe? Não comer vaca todos os dias, mas também não virar vegan. Não beber coca-cola sempre, mas também não parar de beber coca, café. Bebe-se coca e café de um lado e fuma-se maconha e come-se chocolate do outro. O que quero dizer... Acelera-se o organismo e pisamos no freio, caminhamos por trombadas. As pessoas trepam para sair da depressão, mas isso não funciona para mim. O prazer do sexo me confunde nos planos de interações afetivas e esvazia minha alma, pois na relação não há troca, só há um dar e receber separadamente. O que resta depois do gozo é que me dá prazer como resultado do sexo e, quase sempre, o resultado é zero.

Para fora de mim é o caos. Dentro de mim existe um compartimento onde coloco cada detalhezinho interpretado e sentido. Por isso a exposição de mim é algo completamente diferente do que eu sinto dentro, que é essa completa resposabilidade sobre mim mesma e sobre os meus. O entendimento sobre causas e consequências e a constante pesquisa em observação sobre os mesmos.

Meu sono não acontece, eu não durmo. São todas as coisas ao mesmo tempo querendo acontecer. Mesmo dormindo, eu quero continuar em movimento. Preciso lembrar que é uma coisa de cada vez. Eu só poderia caminhar com os dois pés juntos se fosse coelho ou sapo.

sábado, julho 21, 2007

Trabalhos para Hércules

Algumas pessoas não têm o menor problema com quem são nem de ir atrás do que querem, mal sabem que para outras isso pode ser o maior tormento. Quando se é sensível ao psicológico alheio, todos os processos internos são complexos e deveriam ser tratados com uma delicadeza que eu não tenho ao mostrar às pessoas os seus avessos; seria como pedir que elas olhassem a si mesmas com apenas um dos olhos, enfim...

(- Ih, lá vem ela com aqueles ensinamentos loucos, entoados naquele tom professoral, querendo ensinar a todo mundo sobre as coisas que ela mesma não sabe... Sabe, cara, você sabe sobre o que está falando??

- Não, às vezes não sei sobre o que falo, mas cara... Quem é que tem o absoluto domínio sobre as situações? Me dá um tempo hoje, então, que não quero escutar o que você tem a dizer sobre a minha forma de compreender o mundo.)

*Fela Kuti berrando, tambores fazendo mexer o chacra básico.*

(- Me diz, professora, por que me sinto tão mal se não fiz nada de errado??)

Não é fácil para mim sair por aí borboleta nem gata, expondo esses meus lados animais. Ontem eu era as duas.

Parada junto à piscina, escutando a conversa dos outros, percebi a pilastra na qual apoiava meu corpo e senti um enorme prazer gelado, daí movimentei minha cabeça, de forma a acariciar o lado do rosto até o pescoço e braço e percebi, logo em seguida, não ser aquele um movimento de gente. Era movimento de gato. Rapidamente me recompus para que ninguém percebesse a transformação, mas sempre existem olhos e ouvidos por perto, alguém deve ter percebido a estranheza insólita. Foi uma noite muito estranha, fora de encaixe.
Encenei o corte do meu cordão umbilical e tenho fotos! Meu cordão umbilical feito de cachecol de lã violeta. Doeu. Estava contorcida no chão. Aí me transformei em borboleta.
* * *
Neste momento, o pouco de vida que me resta enquanto borboleta está sendo gasto por observadores que prenderam minhas asas a uma moldura e penduraram na sala deles, tentando digerir as minhas cores. Enquanto isso, estou observando seus enormes olhos, me observando. Também dói uma dor vazia. Acho que estou me esvaziando de vida.
Não é alegre nem divertido ser uma borboleta quanto parece ser bonito. Vivemos pouco, somos cobiçadas, mas não nos querem vivas. Somos emolduradas ou morremos, mas sempre anônimas. Existe um ciclo de vida que se perpetua, a borboleta sofre uma metamorfose. Não é só a perda da pele como acontece com as cobras. É um processo muito maior no qual o organismo muda e, de um ser que se arrasta, passamos a ser voadores, polinizadores.
* * *
Já que não é legal ser borboleta, não quero mais sê-la. Terei poder de alterar esta natureza?
* * *
Me sinto mal, professora, porque ontem, enquanto voava linda pelas notas das músicas na sala, embriagada pelo néctar das plantas e ervas, olhos de caçadores me cobiçavam. E senti o peso do desejo de homens confusos e covardes querendo prender minhas asas às suas molduras! Sinto-me mal por não poder voar livre, longe de olhos e ouvidos. Hoje acho que não posso ser, livremente, fora de julgamentos e enquadramentos sem que isso me traga prejuízos. Não quero me tornar a donzela perdida de ninguém, menos ainda o quadro de borboleta morta, pendurada na parede. Mas sinto que me expondo dessa forma, é exatamente isso o que acontece, quando sou borboleta vestida no corpo de gente. Não me comportei como gente, as consequências também serão desumanas.
* * *
Como posso me perdoar por ter sido tão livre onde não podia?
Não sou a louquinha das pessoas. Desfazer a imagem que emolduraram, também não posso. Eu estava apenas borboleta.

É um trabalho para Hércules não se desrespeitar, conseguir o perdão de mim mesma. Era borboleta, devia ter escondido minhas asas para ninguém suspeitar a respeito. Ainda estaria livre.

sexta-feira, julho 20, 2007

FORTUNA NO MERCADO NEGRO

PROCURO PAIS QUE NÃO DÃO TRABALHO. PAGO BEM.
SE ALGUÉM TIVER OU CONHECER QUEM ESTEJA PASSANDO ADIANTE, FAVOR AVISAR. CASO PARA ESTUDO.

quinta-feira, julho 19, 2007

De pijamas

à vontade, confortável de pantufas, esquentando meus pés sobre o gelo frio penso no esgoto brasileiro. não são apenas milhões de células e secreções de mais de cento e oitenta milhões de brasileiros, são também seu sangues, gozos, cabelos e pêlos, dos mais diversos. tudo isso misturado em papel e milhões de secreções e excrementos. além disso, se já pensamos ser nojento o esgoto de pessoas saudáveis, imagina que a este soma-se também o esgoto das pessoas doentes, com sangue contaminado, verminoses, torturas estomacais, pedaços de membros sim, por que não, além de milhões de outras coisas que, pensando bem, melhor não pensar.

as botas que usam para trabalhar no esgoto devem ser descartáveis, né? usou, queimou. porque quem ousaria vesti-las mais de uma vez? aliás, quem trabalha com lixo e esgoto precisa de uma parcela de prestígio na sociedade. It's a must. É você quem limpa nossas merdas? Nosso mais sincero muitíssimo obrigado.

Tem gente que leva pra casa o almoço da semana dos caminhões de lixo do que sobra no mercado. Existem pessoas recicladoras das coisas de todos os tipos. Pessoas que transmutam o que não é tão bom em coisas apropriadamente boas. Para essas pessoas, abaixo minha cabeça e tiro meu chapéu, pois não sei como faria o mesmo. mas é porque não é minha função e é a delas.
respeito. espero que me respeitem também.

minha função tem mais a ver com um certo pioneirismo em algumas coisas... eu sou mesmo boa em trazer o novo às pessoas, mesmo que esse novo seja muito, muito velho. talvez eu seja recicladora de filosofias também. talvez seja eu a brisa do novo século que vem sacudir de forma agradável a uns os cabelos do corpo, mas desagradável a outros, pois já num final de tarde de meia estação, posso ser muito fria. mas sensibilizo, para o bem ou para o mal, o estar das pessoas.
cada um tem sua função. acho isso tão bonito.