sábado, fevereiro 09, 2008

Poder de invisibilidade

O poder de ser invisível deve estar sob controle. Estar ou se tornar invisível precisa acontecer sob vontade, precisa ser uma escolha consciente.
O melhor trabalho de quem traduz ou de quem edita é manter-se invisível, imperceptível aos olhos externos. Aquela tradução e edição que passam despercebidas são trabalhos excelentes.
Mas a excelência do trabalho tem um preço: a invisibilidade no reconhecimento. A forma como as pessoas esquecem do óbvio, do que está ali mas que não foi dito nem mostrado. Como se fazer um bom trabalho fosse óbvio, uma obrigação óbvia demais para ser mencionada, reconhecida.
É como a gravidade. Quem repara nela? Tudo só acontece no nosso mundo porque temos a gravidade, ou melhor: só porque temos a gravidade é que tudo é possível. É como o ar que respiramos. Não está aqui? Não é óbvio que o ar inspirado precisa fazer o seu trabalho óbvio e excelente de levar substâncias ao nosso organismo, permitindo que as coisas boas entrem e as ruins saiam?
Mas quem repara no ar que se respira e na própria respiração em si quando ela está normal, conciliada ao ritmo do organismo?
Quem repara a importância do tradutor e do editor? Quem repara? TUDO, absolutamente tudo o que vem de fora e vêm por escrito passa pelas nossas mãos.
No caso da tradução, se os profissionais se fizessem presentes, a tradução deixaria de ser tradução (que é de fato uma transformação necessária) e passaria a ser uma outra espécie de reescrita (adaptação, imitação, etc). E se os editores parassem ou deixassem passar um errinho de ortografia do autor famoso?
Mas quem dá importância a um trabalho (invisível) bem feito?

domingo, fevereiro 03, 2008

A Lua de casa dez

Nada é perfeito. Tudo a gente faz ser.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

E quem disse que vegetarianos comem pão integral?


Eu queria escrever sobre o amor. Mas as chuvas que caíram inflaram a água em mim e levaram tudo pela frente... Misturaram tudo, o que estava ao fundo veio à superfície, o que estava boiando afundou. Agora que o sol está saindo, meu fluxo baixou. De fora, da pedra, pode-se começar a ver o fundo das águas novamente. O fundo das águas não; o fundo do córrego por onde ela passa. Porque a água pode ser profunda, mas não tem fundo. Onde ela começa e onde ela termina? A água só preenche onde tiver espaço.
Um pequeno olho d'água, daqueles que brotam de levinho. Eu estou. A pressão fez a água subir e encontrar escoamento. Escorrendo, porque transbordou. A pressão era tamanha... Nós mulheres parecemos a água, mas escorremos por baixo.
Está acontecendo uma mudança de paradigma, na forma de me relacionar. Essa mudança é fatal para este ser que se encontra e crucial para o que está por vir. E sem bandeiras levantadas, sem quadrados pré-determinados. Sem afirmações que limitem meu crescimento. Vai ser difícil para os olhos que se encontram observando vidrados nas pedras compreender. Não vão saber distinguir o que vem trazido por essas novas águas. Mas será feliz para a alma, ser surpreendido por algo que ainda não existe. É feliz ver uma sereia ou uma estrela-cadente, ainda mais quando se está olhando apenas para o telhado.
Acho que esse post é dedicado às pessoas que fecham muito rapidamente os seus paradigmas em quadrados (ou seja, conceitos). Tipo, que vegetarianos comem só farinha integral, entre outros.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Quero dizer a deus

quero dizer a deus desculpas
agradeço o que mastigo e visto, mesmo que me desgrace
que pelo meio do meu corpo caminha deus
que pelo meio do meu corpo também anda o meio das minhas pernas
e eu acho que o prazer não mancha tanto quanto a dor e eu quero aproveitar
esse corpo antes das cinzas, antes do sangue...
quero dizer adeus a culpas
que na loucura há cura
desgraço o que mastigo e visto, mesmo que me agradeça
por escolher e sempre ter que escolher
t o d o d i a e s c o l h e r
(que não é permitido vegetar a quem não é vegetal
e nem é permitido atacar por quem não é animal)
o trapo com que me visto, a desgraça que mastigo, a culpa que me pesa
os passos dados pelas pernas que me carregam

a deus, todas as culpas. adeus às desculpas. a mim, leveza. é assim que quis deus.
é assim q ue quero eu.

então tá
ficamos combinados assim.

"O fim do axé no Brasil"

Ivete Sangalo e Claudinha Leite foram cantar deprimidas e não conseguiram tirar os pés do chão.
O BOPE proibiu o uso do pó para as celebridades. Acabou a alegria contagiante da música popular brasileira.

domingo, janeiro 20, 2008

Em um ano



Acabei de ver um comercial sobre aproveitar o nosso tempo de vida ao máximo. Correr, correr para fazer o que queremos fazer. Camundongos, eles disseram, apenas vivem um ano. E me perguntaram o que eu faria por mim mesma nesse tempo, então fiquei pensando...

Deveria fazer tudo por mim mesma em um ano? Tudo o que sempre desejei fazer? Correr para alcançar? Passar a planejar a minha vida pelo dia da minha morte, como se não restasse tempo? Ansiosa por terminar todas as minhas vontades e opções, antes que seja tarde ou que eu tenha saciado completamente minha vontade de viver? Ou meus desejos? Ou antes que se esgote a minha saúde?

(. . .)

Sem pensar. Viver sem pensar nos movimentos. Ir saltar de pára-quedas; xingar um policial corrupto, jogar ovos na blitz, sem pensar no depois. Ligar para as pessoas que deixaram marcas ruins e perdoá-las pelos seus feitos ou deixar um grande pote de cocô na porta delas, sem pensar no depois. Fazer uma viagem pelo mundo sem rumo programado nem dinheiro no bolso. Sentar com minha mãe e realmente explicar para ela quem sou eu e quem é ela. Fazer coisas loucas e sem nexo no meio da rua e rir da reação das pessoas. Falar tudo o que eu penso para todo mundo, sem me importar com refluxos. Sentar e cantar em público, sem medo de errar nem de chamar a atenção.

(. . .)

Em quantas coisas eu consigo pensar e quantas coisas eu conseguiria fazer em um ano que fossem iguais a “aproveitar a minha vida ao máximo”? Coisas que talvez eu escolhesse não fazer, caso não fosse a ameaça de o tempo estar acabando?

Eu gostaria de ter uma filha. E de me casar, no sentido matrimonial mas não tradicional da palavra. E gostaria de morar numa casa que fosse minha e bem decorada, com um jardim bonito, tranqüilo e perfumado. E de construir um futuro digno e bonito, em paz, respeitando e sendo respeitada. Coisas que não são feitas rapidamente em um ano. E não são para serem feitas mesmo. E quero ter tempo de aproveitar todas elas.

Esse pique de aproveitar a vida ao máximo deixa as pessoas neuróticas. Pois eu sou do contra, e digo: não aproveite sua vida intensamente ao máximo. Leve o maior tempo possível fazendo cada tarefa. Faça a menor quantidade de tarefas possíveis. Durma a maior parte de horas do seu dia. Faça apenas aquilo que lhe der prazer. Coma sempre o que quiser. E se demore. Demore no banho, gaste água. Não corra, não corra. O tempo não está acabando. O tempo é infinito.

domingo, janeiro 13, 2008

*HOJE* encontrei meu ócio criativo: a tradução de mim mesma.

A) O ócio criativo:
Ócio criativo deve ser o nome do meu sagrado anjo guardião. Hoje encontrei ele. Os Querubins ficaram agitados no céu, fizeram eu me mexer. Que bom, depois de um final de semana amarguinho...
Mas aí hoje, bam! Bateu em mim o ócio. Uma alternativa produtiva contra a explosão emocional, sabe? É, fico feliz no final das contas. Para não "matar mais gente"*. Tipo, excluí-las do meu quadradinho, já que são pessoas queridas. (*Retorno de Saturno é muito foda. O quadradinho é real e corta fora mesmo tudo o que não é essencial além de tudo aquilo que não está fluindo no momento presente.)
Graças a uma conversa com um amigo, induzida pelos queridos Querubs que queriam que eu tivesse esse encontro comigo hoje, tive a idéia de cantar em portuglês, e compus "Espaço". E é linda essa música... Emocionante. Tudo emocionante. Hoje foi uma aventura só.
B) A tradução de mim mesma:
Vocês vão achar que eu sou louca. Mas eu componho assim... Em inglês. É totalmente natural, sempre foi dessa forma e todo mundo sempre reclamou. A minha emoção se expressa em inglês, então as letras são todas em inglês e as melodias são para letras em inglês (o que está jogando a Tradução estudada na faculdade para um outro nível).
Então, para escrever as letras em português, eu tive que traduzir a mim mesma. A mensagem foi recebida numa língua e depois decodificada e adaptada para outra, para me fazer entender aqui nesta terra. AFINAL o Brasil está precisando muito mais de mim do que o resto do mundo. Acho que aqui meu trabalho tem muito mais propósito, porque é uma linguagem diferente a que eu proponho das mensagens sonoras que estão soltas e rábicas por aí.

Achei que isso foi o pulo do gato.
E acho que consegui fazer um bom trabalho, dentro das possibilidades da língua e das minhas.
A Natacha me ensinou a ser mais leve com as palavras e o Duca me inspirou a saltar.
Me arrisquei. Veremos se perdura. Tenho faixas bilingües! Olha só! Que chique.
Tenho chance de ganhar o dobro de amor, fãs e dinheiro. Iuhu pra mim.
Hoje é o dia. Se meu final de semana tivesse sido alegrinho e fofo, talvez eu não tivesse nunca tido essas idéias...

sábado, janeiro 12, 2008

A substituta da noiva

Estavam todos apressados com a cerimônia, mas não sabia exatamente com o quê se preocupavam, já que estava tudo pronto. A família perambulava de um lado para o outro, certificando-se de que os convidados estavam presentes e bem arranjados, de que o fotógrafo estava a postos e de que o bufê estaria servindo as bebidas assim que acabasse a cerimônia.
Enquanto isso, eu caminhava de um lado para o outro. Fui até o jardim; era um fim de tarde agradável, numa casa interessante feita toda de pedras e com um deck que dava para uma piscina pequena, porém muito aconchegante, e nas paredes de pedras cresciam flores coloridas. Eu já estava pronta, me divertindo com aquele longo e rodado vestido branco, com aplicações em prata e luvas brancas de cetim, observando tudo à distância. Estava sentindo o perfume das flores quando meu querido veio até mim; não o noivo, mas um dos padrinhos, por quem eu estava apaixonada. E nos apertamos um contra o outro, nos inflamando em um beijo ardente. Como conhecíamos várias pessoas da festa e eu estava trabalhando, não queríamos chamar muita atenção. Afinal, eu estava prestes a representar o papel da noiva em um casamento e ele era um dos padrinhos. Seria muito estranho se as pessoas nos vissem juntos. Mas a sensação de estarmos nos escondendo era muito excitante.

Era sim totalmente natural ter sido paga para substituir a noiva que não poderia estar presente no próprio casamento devido ao trabalho dela. Era uma profissão até comum naqueles dias.
Eu estava um pouco ansiosa, pois apesar de ser uma gig como qualquer outra, era a minha primeira vez de substituta da noiva. E como eu nunca havia me casado antes, eu estava nervosa. Tínhamos ensaiado, mas de qualquer forma era apenas uma encenação, e eu tentava não pensar na hora do beijo. Tinha que ser natural, afinal ficaria eternizado nas fotos. Era um casamento, mais tradicional impossível.
No entanto a ansiedade me trazia uma sede enorme, o que sorrateiramente me levava até os pró-secos geladinhos que suavam no balcão da cozinha e que estavam logo ali, tão perto da minha boca, mas toda vez que eu me aproximava era interrompida pela mãe da noiva original e não podia beber, porque ela ficava me seguindo, não deixando eu aproveitar nem uma gotinha antes da festa. Aparentemente, o destino daquela bebida era mais importante que a vontade da noiva do casamento que ela mesma havia organizado; fiquei pensando se não tratava da mesma forma a própria filha. Me senti uma mera contratada, mesmo que para o papel principal do casamento. Depois pensei se não tinha sido esse o real motivo da ausência da noiva. A mãe.
O grande terror de ser paga para fazer qualquer trabalho é ter o prazer interrompido em nome do contrato.
Duas casas depois daquela havia um anfiteatro chiquérrimo no qual aconteceria também um casamento. Daí, depois da cerimônia que tinha sido paga para estar presente, corri até lá para espiar. Era uma super-produção: meia luz, convidados sentavam-se na platéia e orquestra, noivos, padrinhos e padre ficavam no palco. A decoração era feita com voal em dourado pendurados que rebaixavam o teto, e tudo de muito bom gosto, inclusive os arranjos de flores. Como eu estava vestida de noiva, não podia ficar à vista, caso contrário poderia roubar a cena dos participantes reais. E eu não queria isso, queria apenas poder observar uma linda cerimônia de verdade, tão rara naqueles dias.
Acordei com a sensação do vestido branco, naquelas cenas agoniadas de vestido esvoaçantem e mulher correndo com a maquiagem borrada. Tudo muito lindo.

o cercadinho de carne

(Eu vim de "todas as minhas relações profundas estão virando farinha". E também da segunda metade do "Under the Pink". Reparei que fiquei escrevendo no diário até acabar o cd.)
... nem eu caibo dentro do meu cercadinho. Nem eu caibo direito dentro de mim mesma. Sei que não sou a única; vejo as pessoas só cabendo dentro delas mesmas. Vejo que todas as pessoas possuem corpos onde apenas cabe uma SÓ pessoa. O cercadinho de carne; a solitária realidade do planeta Terra. A realidade da nossa escolha de encarnar; o preço que pagamos talvez. Só podemos nos reconectar inteiramente (e talvez nem isso) com a fonte original de luz, mas não a outro ser humano. Engraçado como vírus, vermes e bactérias acham lugar dentro de mim, mas não outro da minha espécie.
Sinto uma sede avassaladora neste - exato- momento.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Toc-toc

Sempre tive uma mania horrível de achar que sempre tinha alguma coisa grudada na minha bunda. E não podia me sentar que, ao levantar, achava que tinha alguma coisa atrás que fosse fazer eu me sentir ridícula ao perceber que todo mundo estava percebendo, menos eu.
Daí isso passou. Porque agora eu sempre olho. Cada costura dos sovacos, cada pedacinho que geralmente não olhamos para saber se existem manchas, pêlos, fiapos, etc. Antes eu perguntava aos amigos, de cinco em cinco minutos. Quem lembra, fica quieto. Eu sei que várias pessoas têm essa sensação, mas quase ninguém fala. Por aqui funciona assim; todo mundo com medo de tudo, né?
Tá. Daí hoje eu saio na rua e se eu me arrumei muito rápido eu fico achando que saí faltando alguma parte, tipo, saí sem calça, saca? E mesmo estando de jeans e tênis eu fico olhando uns dois minutos, tocando meu corpo pra sentir, não só ver, se estou mesmo vestida como acho que estou.
E quando eu tiro algo da bolsa no meio da rua, fico olhando algumas vezes para me certificar de que eu coloquei mesmo o treco dentro da bolsa, que não caiu pelo chão nem nada do gênero. E são coisas que eu tenho me controlado para NÃO fazer, porque é muita falta de confiança em si mesmo, saca? Ter ACABADO de guardar uma parada com todo cuidado e achar que não está lá onde colocou.
É muita falta de várias coisas. Mas não disso que vocês estão pensando.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

PermeabilidadeS

Uma célula invadindo a outra é um pouquinho de universo, da órbita de uma estrela ou planeta invadindo o outro. Uma pessoa que invade a outra com uma falta de respeito; um marimbondo que invade uma casa no campo. Um ano que invade o outro. Como é possível acordar em 2008 ainda com gostinho de 2007 na boca? Acordou com aquele gosto azedo e com os dentes muito sensíveis por causa bebedeira frenética da noite anterior e do sono sem ter feito a higiene bucal adequada e agora pagava por suas escolhas. Levantou-se e foi esfregar a barba na frente do espelho, agora um ano mais velho. "Quero determinar bem meus espaços este ano", pensou. "Nada de invasões. Não quero avançar nem ser invadido." Logo precisou agarrar o livro que quis começar a ler anos antes e que só agora tinha sentido vontade. Outra vontade. Sentou-se no vaso e entendeu tudo: como começar um ano todo novo se ainda estava cagando o ano anterior??

quarta-feira, janeiro 02, 2008

mais música e menos guerra
















Sem saber qual era o planeta regente de 2008, escolhi passar a virada justamente com a cor do dito cujo... Vermelho, para o planeta Marte.

Mas apesar da cor forte, era um vestido com florezinhas coloridas na barra e a calcinha era cor-de-rosa.

Além de ser regente das guerrilhas, Marte também rege o tempo da música. É ele quem marca os compassos. Então é isso o que estou querendo de 2008: uma vida marcada por compassos criativos e melódicos.
My own beat to make a life worth living.







Plenitude


A gente precisa de mais contato com a natureza, de sair para admirar a beleza do mundo.
E vai existir vida enquanto soubermos louvar as paisagens com suspiros e votos de eternidade.
Daí o mundo continuará existindo com todas as suas belezas. As belezas precisam de suspiros e de admiração. Enquanto tivermos olhos sensíveis para observar, elas continuarão para sempre.

Eu senti isso olhando a Baía de Guanabara... Cruzando na barca, de um lado para o outro, como aquele lugar é belo. E mesmo apesar de tantos maus-tratos, continua lá, firme, forte e ainda com vida! E vai continuar, enquanto passarmos por lá dizendo como é linda.

Acho que de todas as bandeiras que eu já tive, essa é a mais agradável de defender. Sim, de fato, é mesmo. Porque não requer nenhum esforço, é algo completamente natural proteger a natureza por admirar as suas belezas.

domingo, dezembro 30, 2007

Neuro-ótica

A qualidade atribuída a mim e a outros milhões se auto define pela própria construção da palavra: a ótica neurológica, a mente em comando. O ponto de vista racional que SEMPRE se lança a frente das outras respostas mais criativas e independentes que possamos querer ter. Mas a mente não deixa. Ela racionaliza e justifica cada detalhe analisado, ponderado, pesado, dividido e segmentado, depositando ruminações nos compartimentos dos nossos pré-conceitos. Isso quer dizer: a mente nos mantém presos a padrões já estabelecidos. Essa é a sua ótica.


Tudo o que possa se apresentar como diferente e novidade para as nossas vidas, a mente se antecipa e nos faz temer que a surpresa seja uma ameaça que vai tirar o nosso chão e nos pregar uma peça do tamanho de um bonde. Tudo que acontece sem ter sido planejado é prioritariamente ruim e então a mente fica tentando prever e antever cada circunstância sem, no entanto, conseguir ter sucesso.

Não sou eu. É a mente. Não é você. É a sua mente.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

O mês das organizações finais

Dezembro...
Mês das quadradices, queremos aparar arestas para o ano seguinte entrar redondinho. Organizações finais, as que embalam 2007 e anos anteriores num só pacote. Destino: gaveta.
Todos os arquivos estão lá, para curiosidade ou inspeção do governo; está tudo certo, só não quero que fique à vista. Lugarzinho todo especial longe dos olhos.
Liberando espaço para os arquivos novos. Que os antigos sejam guardados apenas como lembranças, com organização e asseio. Por número de série e data, cada qual no seu lugar.
Várias pessoas me dizem que sou organizada. Sendo o caso, estou me profissionalizando nas organizações antes amadoras. Levar a vida bem certinha para render mais; tempo e qualidade de vida.
Contratos renovados, outros rescindidos; é assim mesmo. O que está satisfatório até bom, mantemos. De resto, o reembolso se faz necessário. Pelo menos a troca por algo mais útil, mais agradável.
Pelo menos do meu ano eu quero isso: que tudo seja eficiente e belo; além disso, quero que todas as coisas boas venham sem dor.

Fim de ano

DE OLHO NA BOCA.

msn 5

offline.

The Completion about Venus in Ares

I don't want anyone to have me;

I want to belong to myself.


msn 4

i am always busy

msn 3

you are always absent

msn 2

nobody talks to anybody

msn 1

you become a name on a list

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Meu nome

Eu quero um novo nome. Há anos procuro um nome para mim; é como se o meu não me bastasse. Com ele vim à Terra; foi o nome dado ao corpo e à individualidade. Mas que nome tem a minha alma?
(. . .)
É com esse nome que eu quero ir ao mundo; não com o que recebi. Quero manter privado o meu nome próprio e receber um outro, um mote . Coleto nomes. Recolho nomes. Estou sempre pensando em nomes. Sempre procurando pelo meu.

Realmente uma pessoa muito popular

Tenho certeza que mais gente do que eu conheço sabe quem eu sou. Conheci gente em todo lugar. Aí entrei na fase do corte. Espectros de gente, sentimentos antigos e rotos, nomes com teia de aranha, frases antigas que costumava dizer, formas de pensamento adolescentes... Tudo down the drain. Gostei! Gostei tanto que não consegui parar. Virou uma compulsão enxugar. Tudo porque cada centímetro da minha vida quero que pertença a mim. E qualquer um ou qualquer coisa que estiver ocupando qualquer espaço sem se fazer valer será jogado para fora. Eu sou internamente reciclável, como são os templos. Estou UQASE nova em folha. Quase-quase. Wait-and-see. Foram sete anos de azar! Quatorze... Talvez vinte-e-um.
Ontem eu vi que tenho menos fãs no orkut que a maioria das pessoas que eu conheço. E fui lá, naquela lista, ver quem eram os afortunados insanos fãs meus!! Por que algumas pessoas me adicionaram como fãs, eu não sei. Mas achei fofo mesmo assim, ver alguns rostos por lá... "Sim, você pode ser meu fã, porque eu te gosto!" - falava minha voz interna de aprovação. Sobre pouquíssimos pensei: "o que você está fazendo aqui?!"
De qualquer forma, as pessoas sobre quem teria tal pensamento rude já se mantém naturalmente longe. Muito bem. Foram bem ensinadas. Mas algumas outras eu gostaria que estivessem mais perto. Percebi que esse treco de perto e longe é relativo (a gente sabe da mesma coisa mil vezes diferentes, né? porque as coisas mudam de prisma, cada hora a gente aprende a mesma coisa de um jeito novo, ou então eu sou bem burra) porque na verdade não são as pessoas que se aproximam e que se afastam, mas minha órbita que é irregular. Eu sou um Plutão da vida. Pessoas só seguem o fluxo do Sol. Sou eu que preciso de muito espaço, mesmo sendo um planetóide.
E também preciso de distância. Para sentir saudade. Para saber o que é meu e o que não é. Eu só quero o que é meu, mais nada. Tenho necessidade de sentir falta e medo de perder, não sei perder... Tenho medo de perder. Por isso jogava fora antes. Mas agora eu deixo morrer antes de enterrar. Acabamos em plutão mesmo, hein? Achei que fosse qualquer outro fenômeno.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

THE QUEST

The thing is: not everyone is intended to evolve spiritually.
It is not the quest for everybody; but it is for many.
And the thing of our time is: there is not just one way to do it.
The difficulty of our time is that every individual has got to find his own path.
Not to follow, but to become.
It is not about mass evolution. It is about individual evolution.
Respect for every differenT.

A mala

Há meses (talvez anos!) estou convivendo com uma infiltração numa das paredes do meu quarto. As manchas agora estão mais feias, grudadas no armário, quebrando a parede interna que é feita de madeira e se alastrando pelo chão, entortando os tacos.

Há anos eu puxei um fio para dentro do armário para fazer uma tomada que servisse para ligar uma luminária na prateleira que tem no meio do armário, onde coloco estatuetas, livros e outras coisas interessantes. E eu nunca confiei muito nessa tomada. Outro dia coloquei o recarregador da bateria da câmera e o troço não ligou... Caraca! Pensando que ia rolar um curto na combinação entre possível água e eletricidade e que eu ia perder todas as minhas coisas quando o armário pegasse fogo é que na última terça-feira resolvi arrumar uma mala de viagem, daquelas grandes, de viagem internacional.

Peguei todas as minhas roupas preferidas, todas de que mais gosto, dobrei tudo e arrumei dentro da mala. As bolsas também tirei e coloquei num cesto de roupa suja, que agora é a nova casa de temporada das bolsas. Preciso tirar essas coisas daqui!!! Preciso tirar TUDO de dentro do armário. As cartinhas, as fotos, os sapatos, os casacos, as calcinhas, as meias, os acessórios, OS LIVROS, CDs, etc. Tudo o que importa mais pra mim. Imagina se pegasse fogo na sua casa... As coisas que você tiraria primeiro... Saca? Ou viver naqueles países em que se precisa ter sempre uma mochila de escape pronta, com passaporte, dinheiro, documentos e acessórios de necessidade básica. No meu caso é uma mala. É essa a sensação. De que vai acontecer alguma coisa.

I'm almost going crazy with that.
Almost.

Veio vindo num crescente a sensação até que não me aguentei e tive que arrumar a tal da mala.
E enquanto eu arrumava, me perguntava... "Pra que você está fazendo isso, cara? Já está se preparando para a obra, ou para a partida? Mas pra onde eu vou?"

E essa sensação de que a qualquer momento vou ter que fugir e se tiver os preparativos são mínimos porque a mala já está pronta estava muito intenso. Agora estou convivendo com esse trambolho no meu quarto, que ocupa todo o espaço central do cômodo. Ainda nem marquei a obra! Nem a partida. Mas a mala está pronta.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Início e Fim

TUDO pra mim é tudo. E não menospreze esses momentos; porque tudo se resume a tudo. Se no início você gostou mas não entendeu: acabou.

Ponto de vista


Eu mastigo o seu ponto de vista.
Mastigo, mas não engulo.

domingo, dezembro 02, 2007

D maior

RÉ, aqui o maior. Está sendo tocado na sua forma básica, sem pestanas; acorde com cordas soltas. É que eu acho tão bonito quando os acordes têm cordas soltas; eles ganham outra vida. Acho que os dedos ou são muito apressados em passar de um som ao outro ou fazem muita força para prender todas as cordas que são, como nós, mais felizes soltas.
Sei que ainda não tenho a velocidade nos dedos necessária para dizer que "não faço porque não quero" (ao invés de "não faço porque não consigo"), mas me falta a vontade de passar de um acorde a outro assim, tão rápido; não vejo por que uma música não possa ser perfeitamente linda e tocante tendo apenas um acorde. Sinto a necessidade de reduzir ao mínimo, encantar o ouvido com o mero poder de vibração de um mesmo acorde que vai indo, assim como um pré-orgasmo que necessita de uma mesma posição prolongada ali, num mesmo pontinho, para acontecer.
Isso tem feito com que minhas músicas mais recentes sejam bem pequenas e humildes, mas longas e expansivas. Não requerem paciência de quem as ouve, mas sim almas receptivas à sensação. Eu quero um som simples e profundo, algo de que perdemos o costume. Quero desacelerar os corações e mentes nesse gesto simples. E em um toque desarmar. Chega de desamor. Precisamos de tempo para entender e digerir a vibração; quanto menos variações, melhor. Podemos fluir numa mesma onda de frequência? Talvez através de uma música possamos.

sábado, dezembro 01, 2007

A Sereia

Eu sou úmida e fria, e vivo por debaixo da superfície de contato que existe entre o ar & a água. Não importa o quão disforme esteja a superfície, o movimento que acompanho está sempre submerso, ao fundo, e é o único tipo de terra que conheço também; aquela jazida ao fundo do mar. Mas há muita vida aqui. Algas, corais e os seres mais diferentes, de todas as espécies possíveis e imagináveis. As imaginações começaram e acabaram na água; elas todas saíram daqui e volta e meia correm para cá, assim como os medos, os pensamentos interrompidos e os sentimentos reprimidos, que criam peixes estranhos... Mas nenhuma criatura é feia, cada uma apresenta uma beleza para os olhos que conseguem enxergar. Acho que as pessoas não olham direito; para elas os seres daqui são muito mais assustadores e maiores do que para mim. Talvez seja um problema do olhar; elas também não conseguem respirar por aqui. Não conseguem retirar o alimento para o corpo da água, embora tenham saído daqui. O oxigênio que eu respiro vem de uma matéria mais densa. E essa densidade pode ser o que causa tal distorção nas pessoas. Ou fica tudo embaçado, ou sempre tudo é maior. Assim me contaram os marujos náufragos. Mas esses já não existem mais. Antes era uma honra fazer de si próprio banquete para o fundo do mar. Cada parte do corpo era aproveitada e a pessoa sofria uma completa regeneração em vida dentro de outras vidas. Agora as pessoas somente têm um gosto estranho, e não derretem como antigamente.
Mas eu tenho um segredo, uma paixão e sempre que podemos, nos encontramos. O fogo me ama, e sabe que pode lamber-me a face e os cabelos, corpo e calda, que nenhum mal me faz. Como os golfinhos que saltam à superfície, faço truques que não permitem que o enorme amor do fogo por mim se transforme em cinzas, ele ainda não pode me vencer... Mas quando estamos próximos, a frieza desaparece e a umidade vai ficando seca. Também minha calda mostra rachaduras e depois parece cicatrizar em pele. Um dia terei força o bastante para ficar até o final, ver o que acontece com meu corpo e o dele ao nos entregarmos inteiramente a esta união através do amor entre fogo & água. Tudo se transforma na sua presença. E até eu quero isso também. Para todo o sempre.


quarta-feira, novembro 28, 2007

Deviations in class

"The visual presentation", and I go reading "penetration", which shows how much focus I have in class and how much involved in the matter I am; the one discussed in class, of course. That might just be a slight case of astigmatism; of course I don't mind saying I'm actually wearing glasses today.

"Visual sameness and evenness" - this is us discussing the visual aspects of printed material and presentations of academic papers and there goes my mind thinking... "ooh, I like this sentence! It makes a great title!", and I immediately thought of fashion led ladies that dress alike to be hype, and how much that type (of fashion) sickens me.

But soon I remember that I'm hungry and I realize I am deciding what to get for lunch. I want a steak sandwich, but only if I get the meat to be done in the exact only way I can eat it... "Otherwise it won't slip through my throat" - I think outloud.

I'm not even gonna get started about all those short minded people that still think I'm a vegetarian, which reminds me of two things: one is that Luka hasn't returned my email yet (she might be pissed off, because I told her it's a great thing to be a vegetarian if she keeps it to herself instead of trying to make me give it up on my moment) and secondly that, as a magician needing to strengthen my basic chakra - the one that tells you "I am" (Muladhara), eating meat is just part of this process to help me build this super-being I have been building since forever... and... "what are they talking about in the text now?"

sábado, novembro 24, 2007

A ana da Taturana


Era uma vez uma Taturana que tinha uma gentinha chamada ana. Elas eram muito amigas e brincavam sem parar. A Taturana amava muito a sua ana e fazia questão de deixá-la feliz. Porém, por mais que desse amor, uma cama quentinha, comida gostosa e brinquedinhos ao longo do dia, foi percebendo que, com o passar do tempo, a sua ana ficava mais triste.


Até que em uma manhã cinzenta a Taturana percebeu que a sua ana não estava mais lá. Foi minguando e minguando, até desaparecer? Não. A ana havia fugido. Queria muito procurar por outras gentinhas que eram possuídas por outros bichos. E encontrou, de fato, muitas gentinhas que tinham habilidades novas e diferentes por terem aprendido com seus donos.


Encontrou gentinhas que tinham aprendido a se pendurar pelo rabo e a pular de galho em galho, e com elas se divertiu muito. Encontrou gentinhas que sabiam fazer mel e com elas se deliciou. Foi conhecendo gentinhas que admirava, mas depois de um tempo que tentava aprender a desenvolver novas habilidades sem conseguir, passou a invejar todas aquelas habilidades que as outras tinham, e ela não. Ficou amiga de todas as gentinhas para ver se aprendia também; mas nada.

Invejava a habilidade das gentinhas que, com os pássaros, tinham aprendido a cantar; as gentinhas que com as cigarras, sapos e cobras, tinham aprendido a tocar e as gentinhas que eram velozes e fortes, enquanto ela, ela era apenas uma ana. Que triste sina para a ana! Ser uma gentinha de uma Taturana! Começava a sentir saudades de casa, pois percebia que o tempo estava passando e que nada de novo conseguia aprender com as gentinhas suas amigas. Começou a pensar que sua única amiga era, de fato, a Taturana!


Voltou para casa e encontrou a Taturana de braços abertos. Seu aquário de vidro, de onde pensou que nunca devia ter saído, estava lá. E ficou feliz de retornar, pois, apesar do seu tédio com a vida de ser a ana de uma Taturana, era aquele lugar a que pertencia. Ao entender o seu papel e a sua vida, entendeu que podia ser feliz com quem era. A ana de uma Taturana.

The work out Hell

I have just figured out the type of Hell there is for people like Nicole Ritchie and others that only give a damn about looks: it's a work out center, 24/7, in a closed circuit with the same music in a loop. Working out in circles, forever... With the same bad song in a loop.

haw haw haw

Funny funny

terça-feira, novembro 20, 2007

babble bable

i ahte thsee tspos fo me babbglin atoub my lafimy.

5 palavras que eu nunca vou ouvir

"Acreditamos em você, minha filha!"

Quero refazer esse post. Minha criança estava berrando porque tinha acabado de ouvir indiretamente coisas que minha mãe acha sobre a minha vida vendo todas as minhas conquistas serem menosprezadas e as minhas palavras distorcidas.

Qu@l a surpresa que não vou ter quando conseguir um gordo contra-cheque e descobrir que isso não vai ter sido suficiente pra eu deixar de lado a importância que dou à opinião dos meus pais; queria antes que eles me admirassem pelo o que eu sou, não pela posição que ocupo ou por que diplomas tenho, por que pessoas conheço, etc. Mas não é possível, Alexandra. Porque mesmo quando você estiver no lugar que é para ser ocupado por você no mundo, eles não vão poder ver que você atingiu o sucesso do seu jeito. E também, quando você sentir a realização pessoal, não vai importar tanto talvez o que a sua família pense. That's one of my hopes.

Você passa anos trabalhando em si próprio para ser uma pessoa melhor, mas aos olhos das pessoas que não podem ver, você sempre será a mesma coisa. E é isso. I just gotta let go of it and go on with my life.

segunda-feira, novembro 19, 2007

16 de novembro

Me diz o que há sobre o 16 de novembro; quero esquecer e sempre lembro. São momentos, mas nunca bons momentos. Por que quero cortar o cordão umbilical e não consigo? O que me prende a isso? Nunca entendi.
Sinto que você não sabe quem eu sou e talvez para mostrar é que eu insista e, talvez, por você nunca se interessar é que eu tenha continuado, mas agora chega. Mais uma vez me recuso. Só que agora, não há mais renascimentos. Um só fruto foi bastante para crescermos em separado.
O que havia contido nele?
Me diz, já que diz que me ama, já que acha que me conhece... Qual é a minha cor predileta?
Sei que você ama ver os meus diferentes tons de azul, porque gosta de provocá-los, porque são infinitos. Porque sempre compete e nunca se dá por vencida. Talvez você veja em mim algo de que goste, mas eu duvido, porque ao invés de cultivar o amor, cultivamos amor ao ódio. Não houve UMA conversa na qual estivéssemos inteiras, à mostra; há um bloqueio, para sempre. É uma semente que não produziu nenhuma flor. Foi envenenada, seus frutos envenenaram aos outros, nada bonito cresceu daquele solo. Nem toda a luz do sol foi suficiente para iluminar embaixo do seu rochedo; a posição da calda era por demais estratégica. Nunca houve aproximação. Houve sempre medo.
Mas você está a salvo, descobriu um esconderijo. Até que uma rocha será maior que você: você mesma terá se transformado numa rocha, insensível.
16 de novembro: o veneno que matou as irmãs.
O rio negro corre, seguindo o seu curso. É claro que você nega sua natureza porque tem medo dela. Eu também não sei quem sou perto de você, as águas negras seduzem para as profundezas e eu só consegui voltar devido à minha própria natureza, embora nunca imune e para sempre diferente. E eu não quero beber deste rio enquanto é dia, porque ele nunca saciou a minha sede. O seu rio não me alimenta, então abandono você, à margem de si própria.

"sorte sua não ser um mosquito."

Nos dias de menor inspiração, ao invés de saudar a mariposa que paira sobre o espelho do banheiro, como eu normalmente faria, com um "olá mariposa, bem vinda ao meu mundo", tudo o que eu consigo dizer para ela é isso.

domingo, novembro 18, 2007

Ordem Hermética II - Lendo de dentro pra fora

Ah... Não sei me afastar do que escrevo, sempre que releio, é de dentro pra fora. Mesmo que eu faça isso durante várias luas diferentes, estou sempre, de algum modo, conectada com aquelas palavras expressas.
Ah... Sei que meus ouvidos sofrem uma leve distorção, como alguém que escuta um eco, ou tenta entender o que está sendo dito em baixo d'água. Som amplificado; é a origem do meu gostar do rock and roll... É a necessidade de escutar bem alto, para já não escutar mais nada OU para não ter dúvidas do que se ouve.
Ah... Mas é im-pos-sí-vel ouvir um som disforme e não sair deslizando pelas curvas da sua frequência e ser levada a outros lugares completamente diferentes daquilo que está sendo dito. A memória que fica guardada é desses outros lugares pra onde eu vou; nunca daquilo que foi dito.
É; não tenho como saber como sou lida, de que forma ecôo essa voz muda por aí... É limitada a amplitude das suas ondas, devido à língua portuguesa. Ainda no Brasil, é limitada essa voz muda, somente às pessoas que sabem ler/ que têm acesso à internet/ de subjetividade forte/ sensitivas & que se interessam por leituras rápidas.
Sou a emissora dessas poucas palavras que não são, em verdade, ditas. Como elas chegam nos receptores e que receptores são esses, está amplificado e distorcido, não sei para onde vai, só sei que sai de mim.

sexta-feira, novembro 16, 2007

Ordem Hermética

Por que eu preciso estar hermeticamente sozinha para a escrita funcionar?
Há em mim uma caldeira borbulhante das coisas que acontecem no universo, interno e externo, que acabam sendo uma coisa só... Mas só consigo apreender as borbulhas, escutar as vozes, quando estou sozinha. Nenhum conhecimento que eu possa relatar nem nenhuma idéia que eu possa ter são minhas; estão todas dentro da caldeira. É que eu sei onde ela está e eu sei como acessá-la; transformar as coisas escutadas em outras coisas mais palpáveis aos outros, a mim...
Eu li num livro que a Beleza é um espírito; nenhum homem pode destruí-la. Qualquer criação em nome da Beleza pode ser criada e recriada, já que ela é um espírito; fica no ar até que outro seja capaz de pegar aquela mesma energia e recriar aquela mesma coisa. Então temos inúmeras pirâmides egípcias reconstruídas em outras formas, novos seres humanos transformados dos antigos, milhões de obras de arte com o mesmo espírito, de acordo com o canal pelo qual foi transformado. Qualquer idéia criativa que alguém possa ter já foi tida; é mais uma manifestação daquele espírito. Mas me custa dizer o óbvio. Não sei se tenho o dom de explicar. Explicar e ensinar são duas coisas diferentes. Ensinar ensina-se a quem quer ouvir, aprender, criar novas associações mentais, crescer. Explicar explica-se a pessoas que não querem ouvir, querem duvidar, provocar, desestabilizar. Me custa então explicar o óbvio. Não tenho paciência. Prefiro que essas pessoas permaneçam na ignorância, mas preciso começar a explicar bem a minha existência, para que não haja dúvidas. Me custa falar. Prefiro cantar. Me custa explicar, prefiro fazer sentir. Me custa fazer sentir com as palavras, face a face. E é justamente isso que preciso aprender.

quinta-feira, novembro 15, 2007

S o c i e d a d e?

A s s o c i o s e x o c o m v a z i o. A s s o c i o a m o r a o i m p o s s í v e l. A s s o c i o
t r a i ç ã o à s a m i z a d e s, p o d e r à s i n i m i z a d e s, m e d o a o d e s c o n h e c i d o. A s s o c i o v i d a à m o r t e. A s so c i o p r a z e r e d o r. A s s o c i o c é u c o m n o i t e, e s t r e l a s c o m d e u s e s e b e l e z a c o m c o m p l e t a m e n t o, a l m a. A s s o c i o p a r c e r i a a o p e r i g o, a s s o c i o f é a o s c r i s t ã o s, a s s o c i o J e s u s à r e b e l d i a e r o c k a n d r o l l à l i b e r t a ç ã o. A s s o c i o M a r t e a J ú p i t e r, L u a a S a t u r n o. A s s o c i o l e ã o e f o r ç a à B a b a l o n. D e p o i s e u c o n t i n u o; p o r e n q u a n t o, a s s o C I O.

I will love you forever

Fuck fist fuck foot fuck quickie deep fuck french fuck wet fuck finger fuck slow fuck elbow fuck blowjob sucking down below giving head 'sometimes you are nothing but meat' fuck teats fuck anal kinky fuck toy fuck food fuck doggie fuck romantic fuck tantric fuck fake fuck cheating fuck foreplay holding and kissing fuck animal fuck porn fuck bad fuck perfect fuck amateur fuck multiple orgasmic fuck make up sex fucking fuck fuck

After love comes, we fuck each other.

domingo, novembro 11, 2007

Já sei

Quero minha casa de frente para uma vista cheia de árvores, sem favela, com uma varandinha externa de onde pode-se ver o céu e onde eu possa tomar banho de mangueira, e quero ter um quarto onde caibam minhas coisas tooodas, uma sala ampla, ambos bem iluminados e com boa circulação de ar; uma sala para receber convidados e amigos, embora goste que a sala tenha comunicação com a cozinha, não é necessário. Mas a cozinha precisa ser ampla e o banheiro também. Gosto de espaço para me movimentar e cozinhar. Quero espaço para que caibam mais pessoas além de mim, confortavelmente. Quero a casa com um acabamento bem legal, nas cores que eu gosto, com detalhes inventados por mim, tudo bem direitinho e lindinho. Um canto para leitura, meditação e estudos.

Então, o lugar deve ser pequeno, pra ser fácil de manter, mas espaçoso, claro e arejado. Quero; quando chega?

ARROZ?

Se faltasse o arroz ou se ele viesse empapado, logo perceberiam a importância de se ter arroz fresquinho e pronto para o almoço. Mas como é obrigação de toda refeição vir com arroz, ninguém repara nem elogia o cozinheiro do arroz... Elogiaram sim, a beringela recheada com tomate e cebola, a saladinha orgânica e fresca, e a abobrinha ralada com mussarela e temperos... Mas do arroz integral soltinho e no ponto, ninguém falou nada!

É assim: a beringela é o leão; o arroz é o virgem. O trabalho de cozinhar foi o mesmo, mas um recebe o crédito e o outro não.

sexta-feira, novembro 09, 2007

Está morto

-- ouvindo "No sense", do Candlebox.

Está morto. Não vou ficar relendo seus emails; está morto. Separei por nome, apaguei tudo. Não tenho como pedir favores, está morto... Outro dia sonhei com você. Você está morto! Embora ainda muito perto, mais que os vivos. Está morto; não há porque revirar no lixo do passado, nas memórias do passado. Dói; por que lembrar? Apaguei tudo: queria que doesse menos. Convites, conversinhas, peças que vimos, lugares que fomos. Apagado. Atirar pedras do penhasco com os nomes escritos, para me livrar do peso, é subir toda uma montanha carregando pedras! Dias de calvário. Há zombaria; não ressucitará neste plano. Morto para a vida, peso extra para quem segue. O peso que você deixou de carregar foi redistribuído para as outras pessoas que também te amavam. E agora, estamos com essas cicatrizes que você deixou.

Mas há vários mortos hoje. Hoje é meu dia de finados. Volta e meia, revisito este meu relicário de corpos e tumbas. Fedem em decomposição, trancadas embaixo da terra. E não consigo escapar dessas visitas, pelas interferências naturais de terremotos e furacões que levantam a poeira, tapetes, telhados; arrepios no corpo. Em algummmomento na minha mente, mato tudo e todos.

quarta-feira, novembro 07, 2007

Perto e Longe

A voz ao ouvido era sua. Um aparelho celular no sonho, acho que você me ligou de lá do outro lado. Tempo de ligação limitado, tínhamos pouco tempo para conversar, mas tempo suficiente para nos falarmos. Perguntei se você estava bem, se tinha se machucado muito; você respondeu que sim, mas que tinha sido rápido e que agora já estava melhor.
Perguntei onde você estava morando e você disse que se mudou para uma rua que ficava mudando e que não tinha se adaptado ainda, que se perdia porque lá também não tinham números. Eu compreendi perfeitamente, como se fosse possível. Você disse que tinha conhecido um sujeitinho importante que também tinha morrido, um ator, e que ele estava te ajudando a se encontrar, porque estava mais adaptado ao lugar. Não lembro dizer que estava com saudades, mas lembro que era um mantra que se repetia dentro de mim. Desligamos, nos mandamos beijos como em todas as nossas conversas mais corriqueiras; só que nesses beijos estavam contidos os segredos do universo, todos os sentimentos reais, profundamente válidos e a inteireza que você queria, e eu senti meu amor percorrer a onda astral pra te alcançar e senti que o mesmo acontecia comigo.
Imagina como eu acordei hoje desse sonho. Da praia de pedras laranjas, do chão feito de pedras, da ilha de pedras que fazia uma caverna no centro onde não podíamos entrar por causa da água e das ondas que estouravam forte ao redor dela. O fundo da praia era também feito das mesmas pedras e eu contei para Aline e Diego que nós conversamos, no sonho mesmo, entre um berreiro e outro.
Perto pela voz, longe na distância. Perto do coração, mas longe em presença.
Não sei como pode ser possível 'perto e longe' ao mesmo tempo.

sábado, outubro 27, 2007

Hoje, eu vi a estrela Dalva.

"Lá vem ela. Não, por favor não." - penso, embora saiba que não há jeito. Aproxima-se numa velocidade incrível, destruindo todo e qualquer traço de subjetividade introspectivo e introjeção de silêncio. A assimilação não é possível. Acontece que mesmo estando ocupada, a voz não se importa em invadir, vazar e penetrar contra vontade. Ela quer me forçar a vir para fora, a minha própria voz, encurralada, mesmo quando (des)trancada.
Não suporto ser forçada a -NADA-.


- Quer café?



"Ufa; ao menos uma pergunta não ofensiva... De todos os importúnios, que seja o de me oferecer alguma coisa."



- Sim, obrigada.



Trouxe o café.



- Está adoçado? - disse.

- Sim.

- Com o que?

- (...) Açúcar?! Cristal?!

- Nham... Mas cara, eu só uso o orgânico que tá em cima do microondas. (...)


Piração total. Meia fúria do auto-mar permanece intactata, mas a outra se agita. Vem quebrando em ondas. Só na beiradinha, mas ao redor.
Virada ao contrário, perde-se um pouco do contato com o mundo externo. Mas ao estar virada do avesso, qualquer suspiro de existência traz de volta à consciência e, quem disse que quero isso? Mas aquela voz me obriga.

O café veio até mim, mas preciso ir atrás do açúcar. São tantos detalhes específicos; não posso culpá-la por não tê-los aprendido durante @& anos! Não posso culpá-la pela falta de interesse em observar, memorizar e entender minhas necessidades...vontades, verdades.

Rapidamente tento retomar os eixos de mim mesma. É uma luta constante. Muitos raios me partindo ao mesmo tempo, muitos raios me rasgando inteira, transformando quem eu sou; muitas oposições conjuntas formando quadrados que giram interminavelmente.

Os triângulos ecoam na testa, peito e base da coluna. Mas não causam espirais. Pode ter alguém que discorde... Eu também não tive tempo de examinar se funciona; tudo acontece muito rápido.

Estou testando aos poucos, como ruminando cada pessoa e situação. Alguma coisa precisa ser expelida.

Talvez eu queira que as pessoas se alimentem do que eu crio, que seria o mesmo dizer das coisas que eu exteriorizo, como seria o mesmo dizer: "de todas as minhas merdas".
As pessoas gostam se for iluminado, colorido, caro e interessante. "A melhor merda do mundo! Toca em todas as rádios, sai em todas as revistas!!! A melhor merda que você pode conseguir ser!!"
Seja. Seja. Seja algo, mas seja. Melhor tentar ser você mesmo, mas quem é você; quem você pensa que é? Quem é alguém que pensa ser como quem? Você é um fruto como qualquer outro.
E nossa sociedade (em nome do pai) acha que todos os frutos são podres (e pecaminosos).

Tarde da noite. A lua cheia atinge o cume máximo no céu.
Hoje eu vi a Estrela Dalva.

Ssshhhhh... Pode deixar.

O meu blog é aquele que você lê em segredo, quando está sozinho. E em silêncio, tentando validar aquilo que eu escrevo, sente minhas palavras ecoarem lá no fundo da sua alma, mas que por ser tão fundo, você quase não escuta e duvida...
Não quer que saibam da sua identificação com o que eu falo; não quer que saibam do que você sente, e sente igual mas não pode mostrar, porque é quase uma subversão e você se sente perto da criminalidade. Daí vibra, secretamente, com as linhas postas aqui. Se vibra de amor ou de ódio por ver-se tão nu em minhas páginas não se sabe; pois afinal, não há testemunhas. Estamos a sós; você pode confessar-se a mim. Mas não quer deixar nenhuma pista, nenhuma pista que prove que você tenha passado por aqui. Não se sabe que você acessou minha página, não sabem quem você é verdadeiramente. E é por isso que ao mesmo tempo você goza e sente dor; quer encontrar um eco de verdade, mas ao mesmo tempo sente medo. Quer o afeto das pessoas e não se entrega. Lê, mas não compartilha.
Pense nisso ao ler as próximas linhas. No final, é preciso fazer uma escolha e tomar uma atitude. Mesmo que você escolha não fazer nada.
E pode deixar que eu guardo os seus segredos.

sábado, outubro 13, 2007

Pingentes

No cordão, em volta do pescoço, uma cabeça para cada ser passado por sua vida. Na linha de tempo, toda a eternidade. No correr das águas, universos transformados há bilhões de anos luz. No sangue, toda a mutação, desde o macaco. Ainda pulava de galho em galho, de tempos em tempos. O surgimento de uma nova nação lhe provocava cócegas. Já não somente usava os cordões que tecia, agora emprestava a outros, de tantos que eram. Podia distribuí-los generosamente. O cordão da morte. Milhões de escalpos, tamanhos e cores variados. Pés não eram chatos e pisavam em superfícies, mas coloriam o que chamávamos de abóbada celeste. Andava infinitamente durante o dia descalça, e, ao cair da noite, fechava os olhos para as sujeiras dos próprios pés, colocando-na sobre nós. Os séculos eram seu piscar de olhos. O coração batia admiração pela mudança. Gostava de observar os serezinhos levando comida para casa, construindo famílias, destruindo impérios.

sexta-feira, outubro 12, 2007

"HEY GIRL" - Rio Cena Contemporânea

http://rio.metblogs.com/archives/2007/10/hey_girl_rio_cena_contemporane_1.phtml#more

Leiam a minha resenha.

See that fucking scar?!

It is healing. So don't ask me if I'm ok. I am ok just for you to know that I won't do the same. But I am not ok. It's been a fucking week. It's all locked since the burial. I never cried again untill THIS morning. It's not fucking ok. It hurts and it will... Forever. So you can quit trying to ask that. I appreciate. Don't try to make me laugh though; if you love me, if you wanna be with me, stay close to me, hear me crying, but don't try to make feel fucking better.

And yes, I'm still talking about death. Death starts over and over again everyday inside of me. And inside of you. You just don't fucking see it.

NUMB

terça-feira, outubro 09, 2007

All about truth, love and death.

Readers,

Isn't truth a bit like death? Once you allow yourself to embrace it, it's over... It is all a matter of choices and knowing that you have a choice. You can deny yourself a proper life, and then you'd already be a dead man walking. But if you know you gotta a slight chance to live the life of your dreams, isn't that worth a trying?

Again... You can choose to live a dumb, numb and "happy" life, it's all a matter of choices; but if you've known your own internal truth, if you have been introduced to it, isn't it hard to let it go? To let it pass irresponsibly? Once you know your own truth, once you've felt it, can you really go back?

Death is more attractive than truth, but truth is equally dominating over one's life. You can't run from it. Once you've both known each other's faces.

Do you know the face of your own truth, the one that lies within?
;)
Maybe it is ugly, but at least it will be bare, naked and true. All laid down for you. Which takes me back to believe that it's all about love...

sábado, outubro 06, 2007

SÁBADO



Feliz e saltitante, vou até a cozinha preparar um café, agora que meu estômago está quentinho e saciado. Fico feliz de ser sábado e poder beber café à tarde, sem precisar me preocupar com os problemas de falta de sono mais tarde, quando a noite chegar, já que hoje não tenho hora pra dormir.

Coloquei a água pra ferver, fui até o banheiro fazer um xixinho e o engraçado é que pensei em quantos caras tarados já entraram no meu banheiro e ficaram olhando minhas calcinhas penduradas ou meus produtos de beleza com pensamentos segundos. Antes, achava que essas coisas fossem muito quebradoras de clima, mas estou cada vez mais convencida que todo aspecto feminino é excitante. Estou nos meus pijamas convencionais: shortinho de malha azul-bebê cheio de anjinhos, blusa de malha lilás com manga até os cotovelos, meias roxas de estrelinhas laranjas, óculos e gravata. É; arrumando as bolsas achei uma gravata e achei também que caía perfeitamente com o visual "trabalhe em casa", algo que eu preciso fazer urgentemente, além de cobrir a mancha de pasta de dente da camisa. Preguicinha leve de lavar e ficar com blusa molhada. Esconder com a gravata.

Meu café está quase pronto, mas senti essa vontade irresistível de escrever. De me olhar no espelho com esse look extremamente verdadeiro e honesto. Estou em casa, estou gostosa.com e sou amada pelos aspectos da minha rotina. É engraçado me sentir assim, vir até o quarto, fazer um carinho na Estrelinha, sentar ao computador, ligar os mantras que parei de ouvir para poder ir almoçar. Parece difícil computar que minha escolha na noite anterior, enquanto estava dirigindo pelo Rebouças, tenha sido Nine Inch Nails, mas eu gosto tanto de um quanto do outro. E eu posso ser espiritualizada e gostar de coisas mundanas, sendo hedonista. E eu também posso ser egoísta que em nada minha divindade será alterada. Aliás, continuo sendo eu mesma e é por isso que fica tudo tão interessante sempre. Porque meus olhos de gato olham as coisas como a primeira vez e se interessam pelas coisas como na primeira vez, mesmo sendo coisas aparentemente repetidas. Estou sempre disposta a ver alguma sombra de diferença. Na verdade, espero pela diferença e pela surpresa, pelo que há de diferente no outro e nas experiências.

É por isso que sábado é um dia tão interessante; é um dia de liberdade extrema, no qual eu tenho direito e dever de sair e explorar meu universo.

quinta-feira, outubro 04, 2007

Deslizante como um peixe

sou eu tentando escapar das mãos do destino
dos compromissos
dos maus-agouros, das previsões.

cravar minhas unhas na água
esse tentar
se agarrar
ao que não se pode
nem se deve.

você sente e permanece sentindo enquanto estiver parada
dentro dágua
inerte
cozida?
quente
fria
morna
sem contorno e contornada
tentando agarrar o que não se pode
tentando se agarrar ao que não se deve.

Camomila

Tentando tornar-me mais camomila.

Olha os patinhos querendo também...

Quando os olhos ficarem assim, vou saber que vai ter valido à pena.


Se feijão fosse moeda...
















Há algo sobre os grãos,
especialmente os feijões,
que os tornam maravilhosos.








terça-feira, outubro 02, 2007

one ex lover

Esbarrei com ele hoje de manhã. Como se eu tivesse subido as escadas especificamente para encontrá-lo. Fui caminhando até ele. Tinha um choro atravessado na garganta que fazia parte do meu dia desde a viagem de ônibus a caminho. O amigo que estava conversando com ele sumiu. Juro que não vi sair. Virou fumaça sem cor nem cheiro. Senti mais vontade de abraça-lo do que queria ter sentido. Não contive o choro, fiquei envergonhada, mas estava trêmula e não ia conseguir fazer a prova. Tinha prova. Tinha errado o andar da sala também. Havia muitos degraus nos separando, não só aqueles em que estávamos sentados. Degraus de anos e de meses. Dos dois tipos. Ele encostou nos meus cabelos, fez carinho. Foi mais gostoso do que eu queria que tivesse sido. Senti mais vontade de abraça-lo, mais do que queria ter sentido, mais do que poderia fazê-lo, na distância entre degraus que estávamos. Degraus de anos e de meses. Dos dois tipos. Ele estava com calça rasgada. Achei engraçado. Quando o conheci, ele era mais para indie. Agora está mais para hard. Gosto mais. Aquele rasgo... Será que tenho parte nele? Não respondeu meu último email. Os homens acham que a gente é água. Só água. Eu era lágrimas. Me despedi, fui fazer a prova. Desci todos os andares, fui para o certo. Não lembro o que escrevi na prova. Ainda bem que eu podia escrever sem parar. Cheguei na sala chorando, choro misturado. Mais cedo tinha brigado com a mãe que não respeita o tempo, o espaço nem a vontade dos filhos. Fico pensando que a natureza deve ter alguma explicação que eu não saiba para ter colocado tantos degraus entre nós... Talvez para que eu não precisasse ter a mãe dele como sogra. A natureza é sábia. Eu não.
Mas que burrice não ter mencionado que o choro não era por ele! E sim pelo Rodrag, com quem eu estava quando o conheci... E que ele conheceu no mesmo dia em que a mim... : (
Você vai encontrando pessoas que o conheceram e se vê na obrigação de dar a notícia...

segunda-feira, outubro 01, 2007

de levinho

de levinho, carinho, queria que fosse a leitura para as pessoas que passam por aqui. que fazer quando as mãos são pacientes como as rochas?

cosquinha, risadinha, só se causa com pena de passarinho
mas aqui insisto no bico cravado no tronco da árvore

a visão do verme pouco antes de morrer
a fome do pica-pau que devora sem pensar

o fotógrafo que observa, sem poder interferir
tira a foto do ano
do leão comendo a zebra.

mas calma, alex! de levinho... carinho, carinho...

sábado, setembro 29, 2007

A(a) criança

Estou aqui pensando no estrago que uma criança raivosa pode fazer... Se não tem seus desejos atendidos, no mínimo faz muito barulho. E quando a criança quer, ela não pede de levinho. Ela grita. E repete. E chora. Esperneia.
Tá. E o que acontece quando a criança se transforma em um adulto em idade e corpo, mas que continua criança por dentro? E não sabe que continua criança por dentro? O resultado é o mais desastroso possível, é o mundo que temos; a verdade é proibida e inconveniente e aos adultos não é permitida a brincadeira, daí o descaso com as decisões mundiais como se fosse um tabuleiro de jogo.
A brincadeira criativa é limitada à vida adulta; daí a banalização do sexo, vida e morte, etc. Os jogos viram outros, mas é a criança querendo brincar. Uso de drogas, distúrbios extremados de uma criança interna infeliz e urgentemente necessitada de atenção. A criança interna esperneia. Ela precisa ser atendida, não pelas demandas que fazemos ao mundo, mas por nós mesmos! O adulto quer um relacionamento sério, duradouro e verdadeiro, quer a sua casa mobiliada, quer um carro novo, quer milhões de coisas e, por agora, a criança quer somente um sorvete que cale a boca mais imediatamente dos outros desejos não atendidos. O sorvete também pode ser substituído por uma noitada ou qualquer outra coisa. E quando negamos, ela grita e esperneia.
Eu acho que muito cuidado e carinho deve ser reservado à nossa criança interior; morrer ela não morrerá jamais, mas pode nos matar caso tenha negados para si os seus desejos mais básicos de amor e nutrição.
Os problemas psicológicos que temos derivados da criação relacionado ao amor que recebemos dos nossos pais não são realmente problemas com nossos pais, mas todos os personagens que vivem dentro de nós, o que ficou internalizado disso tudo. A narrativa que construímos e que faz sabermos, exatamente, as falas de cada voz, de cada personagem em cada situação. Temos uma mãe e um pai internos que foram internalizados a partir da nossa criação e que nos podam, nos educam, nos dizem "não" e nos colocam de castigo; as vozes muitas vezes dizem que não somos merecedores da felicidade porque "fomos feios". Essas vozes nos destroem por dentro porque as escutamos mais do que a voz da nossa própria criança. Nossos pais internos também podem acolher a criança, cuidar dela, educar sem agredir e orientar sem podar.
Aquela que mais precisa de alimento e sossego, de rotinas e regras e tempos livres para se expressar abertamente. Aquela que precisa da fantasia, das histórias bonitas em que acreditar e precisa ser ninada para dormir é a nossa criança. Precisamos acolhê-la em nossos braços e dizer que ela é amada, que estamos prestando atenção nela, que sua voz é escutada.
Assim, a criança que ficou emocionalmente para trás dentro de nós terá a chance de ser uma criança saudável e deixar-nos ser adultos maduros e bem colocados dentro de nós mesmos.
Brincar é preciso, viver é preciso. Cuidem das suas crianças. Elas têm as respostas. Ouçam a voz da sua criança interna.

sexta-feira, setembro 28, 2007

Dores irreversíveis


Rodrigo Mello Magalhães Ferreira
13/02/1982 - 27/09/2007.

A dor da perda é irreversível. Perda de alguém que se ama. As palavras são fúteis mas eu preciso de alguma forma para expressar a dor. Não alcançam a profundidade dos sentimentos, as palavras, mas meus sentimentos por esse amigo também não alcançaram os seus medos e inseguranças, porque nada do que dissemos nem nada do que passamos juntos fez ele mudar de idéia sobre a própria vida. Pode ser até que tenha dado a ele mais algum tempo... Sei que ele já vinha falando sobre essa vontade há mais de um ano; eu não acreditava que ele pudesse realmente enredar a própria morte. Estive pensando se ele não poderia ter esperado mais um pouquinho, passar mais algum tempo, para ver como a vida dele ia ficar, agora que estava independente, livre, como ele se sairia com uma casa toda para si, com esse tipo de liberdade, com nossa ajuda para pintar e decorar o ninho dele, das festas que poderíamos fazer e dos namorados que ele poderia levar para casa agora... Coisas que ele nunca pôde fazer antes.
Mas acho que ele veio esperando até aqui para que algo mudasse, e que o suicídio da mãe foi mesmo a gota dágua, a confirmação de que não havia mesmo esperança no mundo para ele e de que sempre a vida pode ficar pior.

A vida dele não era só mentalmente intensa, apesar de ele ter um intelecto privilegiado, ele amava cultura e todas as expressões artísticas, era uma pessoa que sabia ser e respeitar o ser alheio. E eu adorava nossas conversas, adorava sua companhia. Ele era minha dama de companhia, tinha a delicadeza e sutileza de uma outra mulher e a coragem e a sexualidade de um homem.
Mas inteligência peculiar somada à sensibilidade não é uma equação muito feliz na prática, todos os gênios sofrem. E ele era um gênio criativo que não tinha por onde se expressar; ele não acreditava que fosse capaz.

Passamos o reveillon desse ano juntos e se eu soubesse que era o nosso último, teria apertado tanto ele... Que não deixaria que ele fosse embora. Pessoas que não se repetem, não podem ser substituídas e que não vão estar aqui quando o meu sucesso chegar. E eu queria tanto que ele estivesse aqui quando o meu sucesso chegar. Quando eu tiver o meu ninho e puder fazer as minhas festas e puder gastar com os meus amigos, ele não vai mais estar aqui comigo.

E acho tão bruto, tão estúpido e tão frio alguém conseguir subir doze andares e se atirar lá de cima por vontade própria... Ao mesmo tempo que para ele pode ter sido a melhor das soluções, porque além de acabar com o sofrimento dele, ainda saiu por cima... Com todos sentindo saudades e lembrando das coisas boas sobre ele ao invés de ele se sentir como mais um miserável fracassado no mundo... E ele não podia ser mais um fracassado miserável no mundo, porque ele era especial. Mas não teve forças, não teve chance, não teve confirmações da vida de que ele realmente era isso. Por que a esperança não se apresenta para todas as pessoas??

Estou aqui, mais esperançosa do que nunca, com mais fome de viver do que nunca e muito, muito triste porque ele não vai estar segurando minha mão.

Adeus, Rodrag. Eu te amo. E neste momento, te odeio por ter feito isso.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Uma mulher

1.Uma mulher pode lhe encantar com o olhar, com o sorriso, com a pele, com o calor do próprio corpo, com a boca, com o beijo, com o cheiro, com a lambida, com o toque. 2.Uma mulher pode vestir-se toda para você, pode se perfumar, ser inteira só sua. 3.Uma mulher pode levá-la à loucura com os dedos, pode lhe dar orgasmos múltiplos. 4.Uma mulher pode cuidar de você em todos os requisitos que você precisa. 5.Pode supri-la, trazer-lhe prazer e dor, pode curar seus medos e seus machucados e ser fonte do maior prazer de toda a sua vida. 6.Ela pode ser carinhosa e erótica ao mesmo tempo. 7.Não olhe muito ao redor; essa mulher é você mesma.
Ass. 777

quarta-feira, setembro 26, 2007

Todo homem

Todo homem já passou por isso... Ficar amarradão numa gatinha, gastar uns beijos com ela durante um show e depois ver ela ficando com outra pessoa tipo, quinze minutos depois. Chega um cara, dá uma conversa como se já conhecesse, dá um agarrão e leva sua mina. Caralho... E fazer o quê? Ficar olhando... Ir caminhando em direção à saída? Cutucar o cara, a garota?
Na sua frente. E vc fica de cara.
Abaixar a cabeça e sair humilde, se perguntando... Como? Como foi, hein? Eu entendi direito? Milhões de motivos esfarrapados para a dor de consciência. Por que?

Women are the devil.

Ass. Romeu

sexta-feira, setembro 21, 2007

Tá engraçado

Tá engraçado... O fotolog cancelou minha conta por conta dessa foto, que eu, ao contrário deles, achei fantástica. Acho menos provável que um dos funcionários do flog tenha achado minha foto navegando pela web do que alguém ter relatado como foto ofensiva. Chamo isso de preconceito (só servem as bundas "photoshopadas" das capas das revistas everywhere, né?). E nossa, se for mesmo o caso, mais um caso de um lowlife solto por aí... Enfim. É intencional ficar repetindo os termos desse texto, porque é tão pouco rebuscado quanto as pessoas que merecem minha ira. Essa ira, hoje, se manifestou novamente quando eu, atrasada, me deparei com um dos lowlives. Queria parar o carro, ele estava saindo, eu estava na curva, aguardando, os carros eram obrigados a passar lentamente por minha causa e o sujeito estava no celular. Tranquilinho. Buzinei algumas vezes, até que demonstrei minha impaciência com um buzinadão. Olhei na cara do cara, pedi pra ele acelerar o processo. Ele balbuciou de dentro do carro dele: "Tá com pressa? Tá com pressa?", chegou o carro pra frente, desligou o motor, trancou a porta e saiu.
Maluco, sorte que a pessoa que dedurou meu flog tenha feito isso pelas minhas costas... É covardia, mas essa pessoa é esperta, porque sabe que iria conhecer o mesmo ser que esse sujeito conheceu. Voz grave e encorpada, o poder dos infernos tomou conta de mim. Eu, que costumo ser uma boa pessoa, me assustei depois. Abri o vidro, gritei pausadamente: "VAI TOMAR NO SEU GRANDE CU, SEU FILHO DA PUTA". Pronto, lá fui eu, tremendo pra aula. Sempre fico tremendo depois dessas manifestações de ira. Metade de mim estava livre para sempre. A outra metade temia uma reação. Se o cara tivesse reagido, vindo me agredir, eu saltava do carro e arrebentava ele com a trava da direção. Estava preparada. Não me reconheci. Era luta pela minha própria sobrevivência. Sei bem que se fosse homem, teria saído do carro ali mesmo e arrebentado ele. Se eu fosse só rica, tinha acertado o carro todinho com o martelinho de aço que trava a direção.
Needless to say que não era um bom dia. Não estava de bom humor.

Gente, haja pensamentos positivos! Tem dias que só um palavrão longo desses dá conta. E direcionado para o agressor. FATO.
Depois, voltando pra casa, a marcha do carro quebrou. Mas isso não foi um problema, correu tudo bem, deu tudo certinho e foi divertido andar no carro do reboque, o Seu Miranda era muito gente boa. Ficou engraçado. Eu queria ter vindo dentro do meu próprio carro, atrás da cabine, mas o Seu Miranda disse que é proibido por lei, aí não pude. Saturno em cima do Marte= carro quebrado. Que bom que não era Urano em cima do Marte...
Ah sim! Vocês sabiam que se o carro de vocês quebrar dentro de qualquer túnel do RJ, o reboque da prefeitura é pago, mesmo que vocês tenham seguro? E que o reboque do seguro só pode retirar seu carro da administração do túnel depois de paga a taxa pelo reboque da prefeitura? Gente, procurei um email de contato no site da prefeitura... Vê se tem?
OVO no César Maia. OVO. NOJO. Legalizou os flanelinhas, colocou uma tarifa padrão nas vagas do Rio e suga dinheirinho mamando das pessoas. Bizarro.

terça-feira, setembro 11, 2007

Água até o pescoço

Quando eu era pequena, de vez em quando íamos visitar a praia das conchinhas, porque uma tia da minha mãe tinha casa perto da praia das conchinhas e lá não tinha areia; eram só conchinhas (machucava um pouco o pé). E eu lembro que a água era bem mansinha, sem ondas, quase como uma lagoa e a água era cristalina e dava pra ver o fundo da praia e era um lugar bem bonito, meio mágico.
Lembro também que os adultos iam para o fundo, onde não dava pé pras crianças, nem pra mim, mas eu queria acompanhar o grupo e participar das conversas, então ficava bem na pontinha dos dedos e com o pescoço todo esticado pra fora d'água pra conseguir ficar por perto.
Essa visão me veio no meio de uma sensação, na semana em que estava questionando se eu tinha mais ambição do que talento, e eu percebi que em muitos aspectos da minha vida eu andava assim: pescoço todo esticado para cima, na pontinha dos pés, cabeça esticada para fora d'água para mostrar "olha como eu também também posso, como eu posso participar, olha como eu faço parte do grupo".
E, muitas vezes eu não entendo, não participo, não consigo corresponder porque não faço parte do grupo! Mas mesmo assim estava ali, fazendo um esforço danado só para mostrar que eu podia.
Ninguém teve a idéia de chegar mais pra beirinha pra eu poder continuar no grupo. Não lembro nem das pessoas notarem quão desconfortável eu estava; seria incrível se alguém tivesse notado. Era só olhar. Sinto falta deste olhar sobre mim, esse olhar de cuidado, de preocupação real com as minhas dificuldades natas, as que existem mesmo; não as que são inventadas pelas pessoas que querem se preocupar porque gostam de estar preocupadas e se enganam que preocupar-se é participar, é cuidar, é dar atenção.
Eu não quero andar na vida na ponta dos pés para dizer que eu alcanço aquele lugar que é mais alto do que eu, nem quero passar a vida com o pescoço esticado para poder respirar num lugar que obviamente não é o meu. Nem quero ter que depender de pessoas para ficar confortável, nem quero estar perto de pessoas que não me notem.
Se o meu tamanho cabe na beirinha da água é na beirinha da água que vou ficar, porque não quero passar a vida com água até o pescoço só para mostrar que eu posso.
Quero encontrar com outras pessoas do mesmo tamanho que o meu e brincar com elas.

domingo, setembro 09, 2007

Questões territoriais versus necessidade de sedução

Estar cercado por terra que se conhece, chão que já se caminhou; sabe-se onde são os buracos, sabe-se onde os frutos são tenros, sabe-se por onde passam os rios, sabe-se onde estão as cavernas. Proteger o território que se conhece de aventureiros exploradores, mas baixar a guarda, abrindo as portas do castelo, estendendo o tapete vermelho aos visitantes voluntariamente oferecendo banquete, banho e estadia aqueles que chegam cansados querendo repouso. Essa é minha idéia de aconchego: a maneira de se tratar um igual, ombro a ombro num reino gentil. Essa é a forma masculina de acolher. Não é?
Aqui em casa sempre tive a impressão de estar cercada por nobres cavaleiros; a mesma formalidade ao sentar-se à mesa, uma hierarquia formal e intelectual, boa educação e boa comida, como se estivéssemos nos tempos de uma nobreza caída, a que partiu em retirada aos confins da terra, reclusa ao próprio corpo sem indicação do caráter límpido e do sangue puro que corre nas veias, impossibilitados de mostrar as riquezas interiores pela aridez do arredor. Morando em um casebre castelal, sobrenobre nome, sangue azul, com a polidez fria e estética libriana num cordial "recebemos vocês de braços abertos, mas fiquem atentos às normas de beleza da casa".
Me comporto com medo de quem vai cruzar o portal. Em alerta, a lança permanece ao lado do corpo; sempre preparada a defender a terra, senão amada, ao menos conhecida.
E a necessidade de deixar a todos confortáveis é um reflexo de não se estar confortável. Se obsessivamente preciso entreter e saciar, tenso fica o ambiente em que não se pode simplesmente fluir. Confortável é cada um poder se mexer à vontade, naturalmente.
Mas para a estética dos olhos e da alma isso não funciona, é preciso que haja movimentos milimetricamente calculados; a coreografia só funciona se todos souberem os passos e estiverem exaustivamente ensaiados, já que as pontas precisam estar SEMPRE controladas. Assim são as festas. O improviso apenas ocorre nas batalhas. Onde se instala o caos: quando um plano invade o outro. A batalha é constante.
Não sei se é fruto do ambiente friamente perfeccionista da criação, não se poder relaxar enquanto há alguém preocupado em resolver algo que falta, que sai à moldura do ideal, que perturba o imaginário da cena mais agradável possível em termos sensoriais. Alguém por trás dos panos manipulando as energias que aparecem lindas, alguém que recolhe o lixo, alguém que nunca pára porque exerce todas as funções ao mesmo tempo, pensando antecipadamente ao que pode se seguir.
De alguma forma sinto saudades ou falta de uma doçura que não consigo expressar mas que existe, internamente, algo semelhante à sedução infantil de agradar de forma natural, expressão livre da minha alma que costumava trazer doce os olhares gentis e curiosos, flutuantes ao meu redor. Já não sou a promessa do paraíso ao qual todos temos direito, tampouco um enigma. Todas as cartas estão tão bizarramente abertas sobre a mesa que chega a ser esquisito para quem olha.
Não sei que tipo de jogo se forma com as cartas que eu tenho nas mãos. Não sei se é uma mão cheia ou se é blefe; não sei se sei jogar. Também não sei se quero aprender. De alguma forma eu abro as cartas para tentar me libertar para uma outra situação em outro lugar, mas estando dentro do jogo, é uma auto-sabotagem. Eu não gosto de jogar mas não consigo parar de brincar, porém nunca consigo ganhar. Se ao menos eu me divertisse.

quinta-feira, setembro 06, 2007

in love


come to me

Baterias

Uma bateria de polímero de lítio agride mais ou menos ao meio ambiente que uma bateria comum alcalina?

- elas são baterias recarregáveis do íon do lítio. (é um íon só?)

O eletrólito do polímero usado em baterias do polímero de lítio não é inflamável nem feito de uma cápsula de metal.
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* imagina passar isso pro inglês?

domingo, setembro 02, 2007

VERBORRAGIA

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s a n g r a
s ã o
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p a l a v r a s

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-Este blog não tem intenções de fazer apologias ou causar ofensas a nenhuma crença específica, no entanto partidos serão tomados.

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