I don't want anyone to have me;
I want to belong to myself.
I want to belong to myself.

Eu sou úmida e fria, e vivo por debaixo da superfície de contato que existe entre o ar & a água. Não importa o quão disforme esteja a superfície, o movimento que acompanho está sempre submerso, ao fundo, e é o único tipo de terra que conheço também; aquela jazida ao fundo do mar. Mas há muita vida aqui. Algas, corais e os seres mais diferentes, de todas as espécies possíveis e imagináveis. As imaginações começaram e acabaram na água; elas todas saíram daqui e volta e meia correm para cá, assim como os medos, os pensamentos interrompidos e os sentimentos reprimidos, que criam peixes estranhos... Mas nenhuma criatura é feia, cada uma apresenta uma beleza para os olhos que conseguem enxergar. Acho que as pessoas não olham direito; para elas os seres daqui são muito mais assustadores e maiores do que para mim. Talvez seja um problema do olhar; elas também não conseguem respirar por aqui. Não conseguem retirar o alimento para o corpo da água, embora tenham saído daqui. O oxigênio que eu respiro vem de uma matéria mais densa. E essa densidade pode ser o que causa tal distorção nas pessoas. Ou fica tudo embaçado, ou sempre tudo é maior. Assim me contaram os marujos náufragos. Mas esses já não existem mais. Antes era uma honra fazer de si próprio banquete para o fundo do mar. Cada parte do corpo era aproveitada e a pessoa sofria uma completa regeneração em vida dentro de outras vidas. Agora as pessoas somente têm um gosto estranho, e não derretem como antigamente.