terça-feira, julho 24, 2007

Caos planejado

A proposta do universo para quando eu nasci foi exatamente essa: um caos organizado, planejado. Ser moderada em todas as coisas, inclusive na moderação. Ser o preto, o branco, o cinza e todas as cores de todas as escalas no intermédio. Ser a mulher que seduz o homem casado e a que é traída. Ser o macho e a fêmea, ser o homem de família e o general, ser os enamorados. Ser os dois pilares do templo, as duas crianças gêmeas que vigiam e protegem a constante cópula que se dá dentro de mim para que o meu seja um universo criativo, ser o fogo e a água, ser prazer e dor, ser criação e castração.

Queria não sofrer algumas interferências, como por exemplo, fazer uma guerra para conquistar a paz. Matar para poder viver. Mas acontece. I need to learn to let it go. E preciso aprender a perdoar os derrapes.

Não ser extremista, sabe? Não comer vaca todos os dias, mas também não virar vegan. Não beber coca-cola sempre, mas também não parar de beber coca, café. Bebe-se coca e café de um lado e fuma-se maconha e come-se chocolate do outro. O que quero dizer... Acelera-se o organismo e pisamos no freio, caminhamos por trombadas. As pessoas trepam para sair da depressão, mas isso não funciona para mim. O prazer do sexo me confunde nos planos de interações afetivas e esvazia minha alma, pois na relação não há troca, só há um dar e receber separadamente. O que resta depois do gozo é que me dá prazer como resultado do sexo e, quase sempre, o resultado é zero.

Para fora de mim é o caos. Dentro de mim existe um compartimento onde coloco cada detalhezinho interpretado e sentido. Por isso a exposição de mim é algo completamente diferente do que eu sinto dentro, que é essa completa resposabilidade sobre mim mesma e sobre os meus. O entendimento sobre causas e consequências e a constante pesquisa em observação sobre os mesmos.

Meu sono não acontece, eu não durmo. São todas as coisas ao mesmo tempo querendo acontecer. Mesmo dormindo, eu quero continuar em movimento. Preciso lembrar que é uma coisa de cada vez. Eu só poderia caminhar com os dois pés juntos se fosse coelho ou sapo.

sábado, julho 21, 2007

Trabalhos para Hércules

Algumas pessoas não têm o menor problema com quem são nem de ir atrás do que querem, mal sabem que para outras isso pode ser o maior tormento. Quando se é sensível ao psicológico alheio, todos os processos internos são complexos e deveriam ser tratados com uma delicadeza que eu não tenho ao mostrar às pessoas os seus avessos; seria como pedir que elas olhassem a si mesmas com apenas um dos olhos, enfim...

(- Ih, lá vem ela com aqueles ensinamentos loucos, entoados naquele tom professoral, querendo ensinar a todo mundo sobre as coisas que ela mesma não sabe... Sabe, cara, você sabe sobre o que está falando??

- Não, às vezes não sei sobre o que falo, mas cara... Quem é que tem o absoluto domínio sobre as situações? Me dá um tempo hoje, então, que não quero escutar o que você tem a dizer sobre a minha forma de compreender o mundo.)

*Fela Kuti berrando, tambores fazendo mexer o chacra básico.*

(- Me diz, professora, por que me sinto tão mal se não fiz nada de errado??)

Não é fácil para mim sair por aí borboleta nem gata, expondo esses meus lados animais. Ontem eu era as duas.

Parada junto à piscina, escutando a conversa dos outros, percebi a pilastra na qual apoiava meu corpo e senti um enorme prazer gelado, daí movimentei minha cabeça, de forma a acariciar o lado do rosto até o pescoço e braço e percebi, logo em seguida, não ser aquele um movimento de gente. Era movimento de gato. Rapidamente me recompus para que ninguém percebesse a transformação, mas sempre existem olhos e ouvidos por perto, alguém deve ter percebido a estranheza insólita. Foi uma noite muito estranha, fora de encaixe.
Encenei o corte do meu cordão umbilical e tenho fotos! Meu cordão umbilical feito de cachecol de lã violeta. Doeu. Estava contorcida no chão. Aí me transformei em borboleta.
* * *
Neste momento, o pouco de vida que me resta enquanto borboleta está sendo gasto por observadores que prenderam minhas asas a uma moldura e penduraram na sala deles, tentando digerir as minhas cores. Enquanto isso, estou observando seus enormes olhos, me observando. Também dói uma dor vazia. Acho que estou me esvaziando de vida.
Não é alegre nem divertido ser uma borboleta quanto parece ser bonito. Vivemos pouco, somos cobiçadas, mas não nos querem vivas. Somos emolduradas ou morremos, mas sempre anônimas. Existe um ciclo de vida que se perpetua, a borboleta sofre uma metamorfose. Não é só a perda da pele como acontece com as cobras. É um processo muito maior no qual o organismo muda e, de um ser que se arrasta, passamos a ser voadores, polinizadores.
* * *
Já que não é legal ser borboleta, não quero mais sê-la. Terei poder de alterar esta natureza?
* * *
Me sinto mal, professora, porque ontem, enquanto voava linda pelas notas das músicas na sala, embriagada pelo néctar das plantas e ervas, olhos de caçadores me cobiçavam. E senti o peso do desejo de homens confusos e covardes querendo prender minhas asas às suas molduras! Sinto-me mal por não poder voar livre, longe de olhos e ouvidos. Hoje acho que não posso ser, livremente, fora de julgamentos e enquadramentos sem que isso me traga prejuízos. Não quero me tornar a donzela perdida de ninguém, menos ainda o quadro de borboleta morta, pendurada na parede. Mas sinto que me expondo dessa forma, é exatamente isso o que acontece, quando sou borboleta vestida no corpo de gente. Não me comportei como gente, as consequências também serão desumanas.
* * *
Como posso me perdoar por ter sido tão livre onde não podia?
Não sou a louquinha das pessoas. Desfazer a imagem que emolduraram, também não posso. Eu estava apenas borboleta.

É um trabalho para Hércules não se desrespeitar, conseguir o perdão de mim mesma. Era borboleta, devia ter escondido minhas asas para ninguém suspeitar a respeito. Ainda estaria livre.

sexta-feira, julho 20, 2007

FORTUNA NO MERCADO NEGRO

PROCURO PAIS QUE NÃO DÃO TRABALHO. PAGO BEM.
SE ALGUÉM TIVER OU CONHECER QUEM ESTEJA PASSANDO ADIANTE, FAVOR AVISAR. CASO PARA ESTUDO.

quinta-feira, julho 19, 2007

De pijamas

à vontade, confortável de pantufas, esquentando meus pés sobre o gelo frio penso no esgoto brasileiro. não são apenas milhões de células e secreções de mais de cento e oitenta milhões de brasileiros, são também seu sangues, gozos, cabelos e pêlos, dos mais diversos. tudo isso misturado em papel e milhões de secreções e excrementos. além disso, se já pensamos ser nojento o esgoto de pessoas saudáveis, imagina que a este soma-se também o esgoto das pessoas doentes, com sangue contaminado, verminoses, torturas estomacais, pedaços de membros sim, por que não, além de milhões de outras coisas que, pensando bem, melhor não pensar.

as botas que usam para trabalhar no esgoto devem ser descartáveis, né? usou, queimou. porque quem ousaria vesti-las mais de uma vez? aliás, quem trabalha com lixo e esgoto precisa de uma parcela de prestígio na sociedade. It's a must. É você quem limpa nossas merdas? Nosso mais sincero muitíssimo obrigado.

Tem gente que leva pra casa o almoço da semana dos caminhões de lixo do que sobra no mercado. Existem pessoas recicladoras das coisas de todos os tipos. Pessoas que transmutam o que não é tão bom em coisas apropriadamente boas. Para essas pessoas, abaixo minha cabeça e tiro meu chapéu, pois não sei como faria o mesmo. mas é porque não é minha função e é a delas.
respeito. espero que me respeitem também.

minha função tem mais a ver com um certo pioneirismo em algumas coisas... eu sou mesmo boa em trazer o novo às pessoas, mesmo que esse novo seja muito, muito velho. talvez eu seja recicladora de filosofias também. talvez seja eu a brisa do novo século que vem sacudir de forma agradável a uns os cabelos do corpo, mas desagradável a outros, pois já num final de tarde de meia estação, posso ser muito fria. mas sensibilizo, para o bem ou para o mal, o estar das pessoas.
cada um tem sua função. acho isso tão bonito.

quarta-feira, julho 18, 2007

Also can a good long wet and tender kiss

My father's convictions about education are amazing. His ways of doing things are something else. He always told me I couldn't do it so I'd feel compelled to go fight for what I wanted and would come back a winner instead of telling me that I could do it, because in his head that would make me get comfy and I would have given up things. He also made me believe that nothing comes free in life and that prices are expensive; all the things I decided to get were my problem, not his.
For a long time I felt like he was the one to understand me and my needs for freedom, that he respected my decisions for telling me it was my responsibility over my own choices, giving me the freedom of picking what's right for me. Now I just see it as him pulling himself over to the side of the court, leaving me alone in the battle field. I don't see it anymore as a proof of love and understanding.
Of course he had a strong impact within me when I was growing and he still does, he doesn't know how deep his words echoes, otherwise he would just shup up about it, when he doesn't. He never believed he could give us anything good enough, so he made us braves enough to go out in the search for what we wanted ourselves, which is an amazing thing, actually, I agree... To learn to walk with your own legs. But now that I can walk and I aim to fly, his teachings are done for me. Life is harder through his eyes when it could be easier and heavier when it could be lighter, because he can't change that internal mind control he had over himself for so many years, all of that pressure not to allow yourself to make any mistakes... And that's just a sad living.
All strong women in history and in mithology had crappy parents, crappy male authority figures in their homes and I'm no different. I grew up believing my father was one of my heroes, but my father was a dream. The father I grew up by believing doesn't exist. He is not someone I can count on, he is not someone who's there for me. He is not the one to give me the strengh to keep going, because he keeps telling everything I want is impossible and that I just won't get it.
He does not believe in Fortune, one of my Gods, he does not believe in happiness or in making dreams come true, again that made me sad for too long.
I say this is a post made in anger and with pain... Because despite of it all he is my dad and I love him. You know? I wish he knew this, but he doens't. He is so closed for love because of all these walls he built around him that I just can't get through, to him.
Luckly, against all odds, I'm an optimistic and I believe I am gonna make it. Everything inside of me tells me that I am already a winner, so I don't need to conquer anything on the outside just to prove it, which I will just because I want to, because my father didn't help me to build my self esteem but I'm doing this for myself now.
Thank you dad for giving me my scent and the person I became it's part of who you are, so be glad about it.
Personally my directions are others, 'cause I rather truly believe in love and in the exchange of it.
I aim for beauty, father. That's what I look at. Even a monster is beautiful and we are all beautiful with our virtues and flaws. I just wish you could see that.
I love you.

segunda-feira, julho 16, 2007

Guess what Goddess I am


I am too proud and always need special invitation. I won't go until you say so, unless I really want to, then the moves are mine... I have a few tricks to have it my way, it goes around my hips 'cause I'm a lowrider, both to pants and skirts, but also because it's faster to reach it by hands when I need those tricks. These days I've been feelin' a little abused because beauty is so overrated, distorted and too sexual for me, and I need some magic, some sensuality, some butterflies. You know? I enjoy flowers and perfums and all foaming soaps and drinks and everything that awakes my senses in a good way, to put me in the right mood for love. Music can really get me there. Also can a good long wet and tender kiss, caress my hair and I'm all yours.


What goddess am I? (Panteon greco-romano)

You have only one shot... Try not to miss it.

I won't say it again.

"Diga-me com quem andas e eu te direi quem és"

Raphael, Gabriel, Michael, Auriel.

Estrela.

My friends (less is more).

My family.

My Earth.

My shadow.

quinta-feira, julho 12, 2007

quarta-feira, julho 11, 2007

De férias da Culpa

Queria dar menos importância a ela e escrevê-la com letra minúscula. Mas essa dona possui parte de mim, embora eu esteja desfazendo os seus mecanismos de controle. Somos todos marionetes nas mãos da culpa, mas eu já consegui libertar vários fios que me tinham amarrada e tenho pedaços livres, que se movimentam espontânea e deliberadamente.
É claro que os membros ficam meio bobos pois já tinham perdido a noção de si mesmos, já que estavam acostumados a se mexer conforme a música e conforme as vontades contidas da Culpa. Agora ando trocando as pernas, com braços espalhafatosos e muito invasores do espaço alheio, querendo acariciar a tudo e a todos ao mesmo tempo, querendo tomar para si um espaço que lhe foi tomado há tempos atrás. Dedos ficam irrequietos, mãos querem apertar, dentes querem morder e pernas querem entrelaçar-se a outras, enquanto pés resolvem pular, dando saltos para frente ao invés de passos. Tudo muito divertido. Tropeços e soluços de alegria, embriagada pela diversão, que substitui toda minha necessidade por romance. Tudo subindo, indo para cima, meu corpo é um balão de ar quente indo atrás do vento.
Estou me acostumando a ser dona do meu corpo e dos meus movimentos, internos e externos.
Culpa faz doer quando se tem prazer. Culpa puxa o freio de mão quando sua velocidade aumenta um pouco. Culpa traz receios que minam os presentes futuros da vida por uma falta de crença no merecimento de que coisas boas e somente coisas boas podem nos acontecer. Culpa coloca peso extra quando o movimento natural é retirar o peso morto. Culpa nos traz questionamentos pesados quando o momento é deixar fluir. Culpa nos tira do eixo natural e nos faz ser estranhos, com movimentos fragmentados.
Mas as cordinhas estão sendo cortadas, aos poucos, para que meu pouso no solo seja gentil e aos poucos possa tocar com meus dedos no chão, sem ter que despencar das alturas do prazer. Revirando os olhos eu estou com o meu dia-a-dia. Mesmo errando estou me abraçando e desejando tudo de melhor para mim, em todos os momentos. Estou comigo e não abro, sabe? Essa sensação de que me tenho e de que estarei sempre aqui por mim mesma é um tesouro que descobri quando ousei vislumbrar além do que havia por trás da encenação proposta pela Culpa.

sábado, julho 07, 2007

Reprogramando meus setes




Hoje é 07/07/07, sol em câncer e lua em áries e são 18:21. Eu não consegui dormir na noite de ontem para hoje, com fluxo intenso de pensamentos criativos na cabeça.

1) Peguei um sketchbook de um amigo e pretendo colocar as fotos em http://www.bipede.com.br/. Engraçado que não tinha conseguido definir que tipo de arte fazer até chegar hoje de madrugada, nas primeiras horas do dia. Já estou quase terminando, está ficando legal, um pedacinho de mim vai para o mundo. Legal isso, até porque hoje é o dia sete do mês sete do ano de dois mil e sete, e justo EU tive o privilégio de trabalhar no caderno neste dia incrível. Somando isso com os meus sete setes da barriga, dá uma conta legal. Sete é Vênus e está rolando um trígono de Vênus transitante com minha Vênus natal, papo de maluco porque é uma espiral ajato que se enterra no umbigo. Mulherão mesmo. Dá pra ver nas minhas mãos. Um amigo meu ontem viu minhas mãos de mulher.

Estou para encontrar o que já é meu, minha alma complementar, estou sentindo o cheiro de todas as coisas que me pertencem.


Isso me lembra algo importante a ser colocado, importantíssimo por sinal.

2) Estou substituindo os meus "eu quero" por novos "eu tenho". Por exemplo, no texto anterior eu escrevo sobre falta porque o meu foco estava difuso, concentrado na ausência ao invés de em tudo que existe ao meu redor. Concentrar esforços no "eu quero" é estar sempre insatisfeita quanto ao que já se possui, justamente porque concentra energia em algo que não existe, ao ponto que se concentrarmos a energia em algo que já nos pertence e que, de repente, está perdido por aí, as respostas acontecem.

Tudo o que é meu já me pertence, só que as coisas estão espalhadas na linha do tempo. Não posso querer nada que não seja meu. E todas as minhas coisas já são minhas, só preciso que elas venham até mim ou que eu vá até elas. Tudo inclusive. Deu para entender a diferença? Toques da irmãzinha Van... A gente já sabe de tudo isso teoricamente, mas às vezes, na prática, esquece e faz besteira.

Concentrar no "eu quero" é concentrar no grande vazio existencial de cada um, porque é concentrar no que não existe. Concentremos então no que existe... Chega de querer. Agora é sentir-se dona, possuidora, completa.

A visão do texto anterior veio de emoções irreais de tempos deslocados, não é a faceta do meu presente e me incomodou passar essa imagem de desestruturação, já que meu trabalho é exaustivamente concentrado em organização interna e integração das partes dissonantes. É muito mais complicado viver de prazer do que se imagina! Para vivermos honestamente do prazer feito no presente precisamos estar zerados para escutar o que nosso corpo quer, o que ele pede... Dormir quando se tem sono, comer apenas quando se tem fome... Nisso, horários ficam loucos e o tempo pessoal é bem definido, mas como o tempo passa a ser pessoal, fica difícil se comprometer com qualquer coisa que não seja você mesmo. Em compensação, todas as respostas vêm imediatamente do universo. E a vida fica mágica, tudo brilha e a energia é intensa. O meu momento atual é assim, de brilho e calor. Estou amando viver cada segundo, mesmo os mais baixo-astrais. Acho que também pode ter acontecido um desequilíbrio hormonal, período menstrual é sempre muito foda. Toda mulher mesmo que só um pouquinho dona de si mesma é obrigada a enfrentar essa pequena morte mensalmente... Projetos não frutificados, abortados.


Mas o legal é ser inseminada com as sementes certas do que se pretende conseguir, vamos nos preenchendo de vida, deixando as sementes crescerem saudáveis.

quinta-feira, julho 05, 2007

Quanto de mim vou ter que perder para ganhar amor?

Fica a pergunta. Eu sou esférica, poliédrica. Teria que me planar, horizontalizar? De quanto é o tempo certo pras nossas órbitas se encontrarem? Quanto trabalho interno tenho que fazer, quantas perguntas responder, quantas decepções mais sofrer? Quantas flores do meu jardim precisam desabrochar e quantas estações vão passar? Será que o trabalho é para ser feito superficialmente e eu estou muito profunda, lenta e densa, quando teria que ficar achatadinha, quadrada, cheia de arestas e pontas? Com que forma uma esfera consegue se relacionar? Seria com buracos, a ausência da forma? Vou colocar um anúncio nas estrelas: "Procuro o buraco cilíndrio no qual minha esfera se encaixe." Uma estrela pode se encaixar noutra? Só podem se tocar pelas pontas? Existem formas de estrelas complementares? Duas órbitas podem conviver em comunhão de espaço? Não sei, me encontro cada vez mais, mas pareço estar tão longe de viver uma história com um outro eu que possa ser tão interessante quanto este! Existem vários universos que eu gosto de visitar... Mas nem sempre eles gostam de um organismo intruso. Só que às vezes eu não sou vírus, sou um embrião... Mas os organismos me expulsam de dentro. Como conseguem? No meu dna, na minha memória celular fica tudinho escrito... Minha caixa preta está acumulando muita história, solta no vácuo. A linha da continuidade está se desfazendo, não tenho controle. A florzinha morre, a lua mingua. Tudo começa, mas quase nada tem tempo para crescer antes de acabar. Sinto dor neste momento.

*sabe o que me deixa triste?*

saber que o prazer pode vir dos amigos, mas que o amor não consegue. a impossibilidade de demonstrar amor pelos irmãos e de trocar me deixa triste. porque existe uma coisa chamada corpo que emana hormônios e porque existe uma coisa que nos mantém vivos que se chama energia sexual, todo encontro é regado por esse tesão, que não é sexual, mas que é um tesão e é completamente mal interpretado pelas pessoas. Aí, as mulheres bonitas não tem amigas, porque viram concorrência para o namorado delas e não têm amigos, porque as namoradas deles são ciumentas. ficamos sós. A sós. S.O.S.

As minhas estrelinhas bonitas quero trocar com as estrelinhas mais bonitas das pessoas, em prol das estrelinhas mesmo e não rola, porque o povo desconfia. Menina com cara de mulher? Bonita? Falando em estrelinhas? Fora de ocasião. Mas a alma está no corpo, por isso não entendo.

Gosto mais de olhar o céu... Ficar com as estrelas... Elas nunca me desapontam. Olha, foi intenso ontem ver a estrela cadente. (O céu se conecta comigo sem nenhum problema. A Terra e a natureza se conectam comigo sem nenhum problema. Os bichos também gostam de mim. Já com as pessoas, não tenho tanta sorte.) Era uma puta senhora cadente! Não foi apenas um tracinho de risco fino que passou aos olhos não... Foi uma coisa gigantesca e linda, que quando meu cérebro deu resposta de reconhecimento, já tinha sumido... veio da esquerda para a direita, linda, forte.

relacionamento INTENSO comigo

não suporto calmarias

prefiro virar céu, uma nebulosa de poeira cósmica.

quarta-feira, julho 04, 2007

Shooting*-*-*-*-*Star*


redSTARexplosion
like the one in me.

I saw a shooting star today.

domingo, julho 01, 2007

Retorno ao vício e início da paixão
(When this girl 'sleeps with butterflies'.)

Ele ficou mais bonito. Tenho vontade de tocar seu rosto, sentir sua barba cerrada, sentir seu sorriso na minha boca, provar sua saliva, mas só distraio o olhar para que ninguém possa perceber minhas intenções. Ele, no entanto, percebe, mas não dá corda. Finge que entende o que estou fazendo, inventa coisas para a minha cabeça nas quais eu não havia nem pensado ainda... Mas não me dá a menor bola. Depois nos encontramos. Estávamos nos evitando a noite toda. Não chegando muito perto, quase não nos falando. Ele não quer me dar o controle. Eu só queria sentir seu corpo quente me abraçando, queria deitar no seu peito e descansar, para a eternidade. Eu não sei escrever sobre amor. Eu não sei o que é o amor e não acho que seja essa vontade de explodir a partir do peito, bem do meio, pelo simples mérito da explosão.
É um vício o que sinto.
Tenho vontade de lamber a vida das unhas dos pés até a parte alta da testa, antes parar nos mamilos para brincar... Com certeza! Fazer de tudo com os mamilos da vida, inclusive sugá-los porque do seu leite vem o mais puro deleite. Gosto de olhar nos seus olhos de ursinho carinhoso; olho para o lado e vejo a vida sorrindo para nós, e eu aceito. [I think I may be falling, it’s a dangerous territory but how I enjoy the adventure. One day I’ll find the lost temple in there ‘cause I visit this forest for one too many times. This one is magical and I get to get lost in myself. But I like it so much, I can barely evict it. I like to watch myself deliberately shake in despair while the brain tries to take care of my feelings, telling my hole body that I am going to suffer, but I just tell my brain to fuck off and then conversation between them (heart and mind) will never stop, and so I listen to my body, which later brings me regrets cause usually I feel really good and in the next second, guilty, when all I want is love and all I get is sex. At least this is a good one. I just want more and more, it never seems to be enough, that’s where my vice kicks in… And part of me laughs with the stupidity that takes control over me for so many times in a row.]

- Isso foi só um parágrafo interno. Pareceu-me extremamente necessário que eu expusesse algo que não pudesse ser pescado tão facilmente quanto esta peixana que vos fala. Era algo que eu queria contar, mas não inteiramente, não numa linguagem que pudesse ser inteiramente compreendida por todos que passassem os olhos pela tela. Mas só queria que uma pessoa compreendesse, pode não ser ele especificamente, contanto que essa pessoa exista.
Quando caio nesse ciclo, estou eu realmente amando e dando asas à minha paixão interna que sempre procura uma falha nas barras da gaiola para voar, ou dando ouvidos ao monstrinho que fala alto do ombro esquerdo e que não faz questão de se deixar entender, nas motivações, parecendo querer que eu faça as escolhas erradas?
No entanto algo está diferente. Na manhã, já não me preocupo com o amanhã. Não quero saber se lá na frente espera-me uma boa surpresa ou decepção. Não me importa, não quero olhar, não vou coordenar todas as informações que tenho no presente, a favor e contra, para encontrar uma fórmula que diga o final dessa história, como sempre faço e pareço acertar sempre na loteria da má sorte, na qual quem sorteia os números para a infelicidade da minha cartela premiada sou eu mesma.
A cada vez que começarmos e terminarmos será uma nova vez e cada nova vez pede uma nova postura diante dos fatos. A minha é controlar o controle, deixar-me fluir nas asas dos meus desejos, que são meus e ninguém tem direitos sobre eles a não ser eu mesma. Espalhei os meus desejos por aí... Vou deixando um rastro de pequenos desejos, pequenos cheiros e perfumes de caldas quentes para você seguir, mas se vai segui-los ou não, cabe apenas a você. Meus vapores estão fumegantes. Olhos me desejam. Eu desejo o mundo. O foco está em mim. Retorna o poder para as minhas mãos. Não importa que eu não tenha o controle, pois é meu o poder supremo da decisão. Usei desse poder ontem e estou usando dele agora.
Sou uma criança sob o céu estrelado, tomando minha fartura de amor das mãos doces e suaves da supremacia do universo, que me fez princesa do seu reino há muito tempo atrás.

terça-feira, junho 26, 2007

Lady Red Riding Hood

Once upon a time it was not good enough for her. She’s been a grown up for decades and could not stand the tales told from page one. It was always that same old story again and again when everything was not the same anymore and all the characters had been moved, improved. So she decided not to take it one more time.
The Big Bad Wolf had finally found one of his kind to share the woods with him and he could finally make peace with Grandma. Little Red Riding Hood always suffered from the lack of a male authority figure in her life, and now that she was a lady she was finally realizing how bad it was. She’s been told not to do things that she found herself doing later than people could ever imagine, she never understood until now, why and how pleasure was forbidden for her and everybody else. The poisoned apple tale was another one and she made friends with the forbidden parts of herself.
The woman in the forest was learning with her fears, petting the wolf who’d become her best friend. Every twisted way in the dark woods, every time she was afraid, she ran towards the forest to pet that wolf. Facing her fears, she became very similar to him, she understood how overrated evil was and that beast that lived so near was actually a cutie! She developed a sense of tenderness towards her friendly beast. She’d turned the story around.
Heavy expressions on her face, a strong presence, dark and straight fur in her arms and fingers, a certain mystery in her eyes and a strong sense of personality made her a little wolf lady. But all of that stuff without any protection male directions made her sexed up instead of loved up. She never had a father figure to tell her she was his pretty girl, which would have made her feel protected. She never felt protected, so she never knew what to be loved was like. Instead, she kept forcing men out of her life, because she was so independent and friends with her own beast. She made very clear that in case they ever hurt her, she controlled the beast and that the beast attacks under her command. They guys were always very scared of her, also they felt like she didn’t need them, when that was not the whole truth. What was wrong about being strong but sensitive? People didn’t seem to understand that she could be both. That she was strong because she was a survivor, she learned how to take care of herself, but she also wanted a little loving from the external world. She wanted to be appreciated, she wanted to be caressed and hugged and admired and loved, for gods sakes!
She heard a very charming and single prince lived across the country, and she felt very impulsive about going after him, but she stayed quiet. Kind of an animal instinct she was following, like the first times the wolf wanted to attract her to his side... She felt this time had to be different and that their ways had to be crossed somehow, and he needed to show some interest, and he would have to show some effort to be with her, so she could finally feel like a lady.
From that point on, her tale would have to be told differently and maybe even change names to Lady Red Riding Hood, owner of her own fate but still... A girl.

sábado, junho 23, 2007

Quadradinha, seguia.

Era uma pessoa certinha. A sua grande rebeldia contra o mundo era sair de casa sem arrumar a cama. Quando sentia-se muito doida, deixava ainda roupas emboladas na cadeira. Considerava-se uma pessoa aberta, e quando não se interessava pelas pessoas que tentavam conquistá-la, tinha grande consideração em telefonar para dizer os motivos pelos quais não continuaria a conversa. Detestava não amar o próximo, então não ignorava ninguém. Mandava emails explicando suas atitudes, se justificava ao mundo pela sua existência quadradinha. Suas regrinhas eram vestidas de verdades. Era preto no branco dizer as coisas como realmente eram, se fato não fosse de que ela, ao fazer tais exposições, mandava mensagens completamente opostas às que queria. A ‘quadradice’ gerou um código de conduta desconhecido pela maioria, e ela então sofria por incompreensão do meio social. O tiro sempre saía pela culatra, passava por maluca quase sempre e não entendia por que, já que era tão certinha. Não durava muito em grupos porque logo descobria que suas regras não podiam se adaptar à diversidade do meio, mas também não conseguia funcionar sem elas, então ficava segmentada. Apart-aid de si mesma. Alguns caminhos eram apenas trilhados pelo lado branco do seu ser e outros pelo lado negro.
Era a única pessoa que sabia conhecer todas as próprias loucuras e as tinha engarrafadas numa estante, com rótulos e posologia: “usar em caso de...”.
É claro que se sabia louca... Mas era uma loucura bem justificada, bem estruturada entre os porquês. Tinha espaço dentro de si até para o inesperado e hoje em dia até já conseguia se divertir com as surpresas da vida. Estava tendo um momento sublime de viver, se deleitando até nos imprevistos que atingiam o seu dia-a-dia. Aprendeu que não querer ter controle sobre as situações é ter controle de tudo. Conseguiu rotular a liberdade dentro de uma garrafinha. Como a liberdade estava na estante com outros frascos guardados preciosamente, quase não a usava na rua. Apenas dentro de casa, apenas dentro de si mesma ia bem longe. Roupas emboladas na cadeira do quarto, cama desarrumada, sair sem pensar em que roupa vestir, esquecer de levar as coisas que ia precisar durante o dia... A contravenção estava tomando conta do seu ser. Sentia-se bem por estar bagunçada, encontrava uma certa paz em deixar as loucuras na estante e a bagunça na vida. Olhava para o buraco no peito e ria com ele, via através do buraco a cara de espanto das pessoas na rua. Gostava que as pessoas vissem seu coração e costelas. A única garrafinha que estava levando na bolsa agora era a da loucura. No ponto de ônibus, abria o frasco para se perfumar e começava a dançar enquanto esperava. Dançava como se filmada para um vídeo clipe. Caminhava como se o coração ditasse um ritmo. Questionava, no entanto, por que precisava cavar um buraco no peito para que as pessoas vissem seu coração e se valia à pena machucar a si mesma para mostrar a sua verdade aos outros. Não entendia por que as pessoas não conseguiam se ver através dos seus buracos, e ela cruzava com muitas pessoas esburacadas pela rua, agora que usava o seu frasquinho da loucura via muitas coisas. Via-se completamente nua diante do espelho. Estava do avesso. Saiu na rua até com uma blusa que já tinha usado e estava meio amassadinha! E não estava levando nem escova de dentes... E não se importava com isso, apenas ria da sua rebeldia.

quarta-feira, junho 20, 2007

Julio

Nunca imaginou que cortar a cabeça de alguém desse tanto trabalho; nos filmes não escorria tanto sangue. Mas todo o sangue que havia na cabeça escorreu para o chão do quarto, que era pequeno. Era um homem nojento, sua existência era toda nojenta e, sendo o sangue o que dava vida ao corpo, agora encontrava seus pés empapados numa poça interminável de sangue humano e nojento. Não havia previsto isso. Embora fosse, o corpo morto, um pouco mais sagrado do que o humano em vida. Havia ainda um corpo sentado na cadeira do computador. Será que tinha terminado a configuração nova? Ainda bem que sim! Senão ainda teria que fazê-lo.
Mas... O que faria com o corpo? Pensou em procurar na internet como se desfazer do dejeto. Pela primeira vez entendia o corpo como objeto, sem que fosse sexual. Estava com medo de mexer naquilo e mais sangue escorrer do corpo agora. Ficou imóvel, refletindo.
Desde que o conhecera havia detestado tudo sobre aquele homem, especialmente o fato de que namorava a sua mãe e de que tinha um filho pré-adolescente, com quem em muitas coisas se identificava e que o fazia se lembrar de si mesmo com aquela idade. Do filho gostava. Não tinha porque não gostar. Mesmo o pai sendo repugnante, entendia que coisas raras podiam acontecer. E ele era simplesmente detestável. Daqueles que gargalhavam de boca aberta durante o almoço, com a boca cheia, com aquela voz composta por ruídos aos seus ouvidos. Era um homem detestável; falava alto, tinha a pele manchada, cabelos lisos escuros, dentes escuros, uma voz estridente e chata, fumava, bebia, tinha uma existência ridícula e trabalhava com computadores, daquelas pessoas de que ninguém sente falta. Pensou estar fazendo um grande bem à humanidade, e sentiu uma colcha quentinha amansando sua alma. Agora que o sangue do chão estava esfriando, calafrios subiam pelas pernas, e a manta rapidamente se desfez na alma e começou a se sentir incomodado pelo sangue frio ensopando a sua roupa. Precisava agir rápido, mas estava profundamente enojado pelo corpo e pela cabeça do homem. Não tinha a quem pedir ajuda, e carregar um homem que não caminha é muito peso na cruz para apenas uma pessoa em uma vida.
Precisava aproveitar a noite para se desfazer da compania indesejada, mas não tinha tapetes em casa e tapetes também não eram muito criativos, já que todo mundo sempre desconfia quando vê alguém caminhando com um nas costas, apoiado, principalmente durante a madrugada, na zona norte do Rio de Janeiro. Não queria levantar suspeitas, mas não podia fazer nada senão admitir o crime somente para não ter que levantar um dedo para mover aquilo dali. "Deixar a porqueira para que os porcos limpem, já que eles gostam disso."- pensou. Sorriu com o canto da boca e discou 190.

terça-feira, junho 19, 2007

Mulher-sol

Sou um sol. É da minha natureza se doar. Não há vida sem meus raios, não peço licença para entrar e clarear. Não me peça para conter forças. Se há uma planta nascida em descampado que não possa conviver comigo, ela morrerá, porque meus raios iluminam a todos, sem distinção. Mas digo que é preciso haver sombras. É preciso esconder-se nelas em alguns momentos. Não sou para sempre; sou e não sou. Mutável. Vida e noite, morte e dia. É preciso transmutar. É preciso acordar para o sonho e dormir para a vida. É preciso também acordar para a vida e dormir para vir a sonhar. Enquanto metade faz uma parte, a segunda metade faz a outra. Sexo de natureza natural. Mescla-se nos processos do passar das horas, acompanhando o tempo, sendo um ritmo, uma vibração tocada no órgão genital. Há também a generosidade árida da verdade, a autoridade da luz na cara, a verdade que corta, queima e dilata. A verdade dita um rumo, não reflete os ecos. Quem quiser acredita e segue, quem quiser encontra a sua própria. É preciso observar o tamanho das pupilas quando diante de uma verdade, para saber se foi bem ou mal dita. E é preciso haver uma mulher-sol e um homem-lua para que a vida continue ocorrendo, para que o encontro seja de um amor único. O meu doar é espermosgástico. Não existe vida sem o meu prazer e ele é expositivo, explosivo. É através de mim que o universo nasce, se expande, gira, gira, gira, se dilata e morre. É sempre através de mim, do meu entorno. É através dessa vagina que passa a criança escolhida, para ser coroada, imitando o nascimento do universo. São muitas verdades que se mesclam na minha superfície de lava. O movimento é intenso. São milhões de universos e verdades e a criança nem sempre é nascida em carne e osso. Todas as idéias são crianças em potencial; aquela que irá fecundar o cerne de minha fronte será a mais especial, que está em total comunhão com a natureza das coisas do seu mundo e de todos os outros. Assim nascem as pessoas, pequenos sóis em suas órbitas criativas, em milhares de galáxias distintas. Quando tentarem apagar a minha luz, estarão escolhendo a não mais vida. Minha morte significa a morte para todos, de dentro ou de fora da sombra. Não sou uma vela, sou um sol. E precisa de roupa espacial para se aproximar, uma que ainda não inventaram, ou a pessoa precisa ser feita de cinzas. Qualquer outro elemento é consumido instantaneamente. Desconheço meu tamanho, desconheço meus efeitos, não peço licença, não tenho pudores, apenas sol.

segunda-feira, junho 18, 2007

A fortaleza

Eu sou uma árvore e, como tal, as folhas fazem parte de mim. A cada tombo que eu levo, a cada “terra abaixo” não sou eu que caio, são apenas minhas folhas. E fazem pouco estardalhaço, caem graciosamente. Faz tudo parte de um processo natural e é sempre calmo, ondulado e vespertino.
Árvores precisam de espaço. Seus troncos são esbeltos, mas suas raízes percorrem muito chão subterrâneo. Também suas copas tomam céu. As flores nascem e morrem, os frutos procriam e se vão, mas eu continuo o reinado neste pedaço de solo, semelhante às rochas. Não temos muita necessidade de movimento. Somos seres muito humildes. Não precisamos observar as mudanças para aprender com elas porque somos parte delas.
Sorte das formigas que vivem neste banco de madeira em que me sento; elas continuarão vivas. Não posso dizer o mesmo dos mosquitos. Quem mandou nascer cheirando a flor?
Está viva no banco a árvore que lhe deu forma? Formigas são curiosas, querem tatear todo e qualquer corpo estranho. Um tatear de formiga se assemelha a uma gota de suor descendo pelo corpo, de modo que penso logo estar coberta por insetos. Mas é só o suor, ativando os pêlos sensitivos da minha pele. As árvores não se incomodam com esse tatear. Acho que árvores também não suam. Mas mania minha de fincar raízes e ficar imóvel, imitando árvore. Nunca sei se árvore ou gato na toca.

O abraço

Deixe-me envolvê-lo com minha sedução de árvore retorcida, abraçando a sua vontade com minhas raízes secas, sugando sua vida própria com a ponta do meu abraço. Quero fazer você virar solo, virar húmus, virar suprimento para outras árvores e plantas. O meu abraço pode ser seco, mas sinta a umidade abaixo de você. O tronco é apenas uma casca que encobre o decorrer da seiva que me alimenta, e quero ter você dentro de mim, transformar-lhe em seiva. Sou árvore e posso aparentar ser distorcida, mas meu tronco é forte e minha estabilidade impressiona. Nenhuma brisa me causa estarrecimento a não ser na superfície, mas eu danço com meus galhos e folhas, sinto o vento passar por mim, me acarinhando e percebo então todas as outras árvores em volta e percebo também a generosidade do ar quando em movimento. Eu tenho milhões de segredos, um para cada camada de tronco. E a cada ano me aprofundo um centímetro no solo.
Quanto mais a sua consciência se fizer presente à umidade abaixo de você, mais pertencente a ela você será. Deixe-se. Deixe-me ver seu esqueleto sobressaindo à pele, enrugada com o passar do tempo, ver você se assemelhando a mim, descansando eternamente sob a minha proteção. Será então um zumbi que vive entre mundos, nem abaixo da terra, nem acima dela.

quarta-feira, junho 13, 2007

Cristãos e anti-cristãos são irmãos e pagam na mesma moeda.

Eu não gosto de causar polêmica. É apenas uma simples coincidência minhas opiniões serem muitas vezes controversas. Estou com um problema de encaixe aqui, e meu raciocínio precisa ser organizado visualmente pela escrita, então estou raciociando em aberto para quem quiser aproveitar o sumo.
Minha história com a igreja cristã ortodoxa é longa e chata, cheia de decepções. Até mesmo os cristãos ortodoxos, principalmente os mais sensatos e respeitosos à diversidade, sabem dos problemas que a igreja católica quer causar.
Pois bem, aos oito anos não queria fazer catecismo, minha mãe obrigou-me. Como estava morando no Sul e lá a catequese durava apenas 8 meses (contrapondo ao Rio, que eram 2 anos), achei vantagem, já que a obrigação era fato e fiz com as crianças da vizinhança. Eram horas de algazarra com os amigos, amendoins com açúcar e chocolate, jujubas e hóstias não consagradas que o capelão dava pra gente. Não lembro dos ensinamentos.
Logo após a cerimônia, bem na porta da igreja, fui engalbelada por uma das meninas pestinhas, que pediu para eu segurar o cachorro-quente dela. Mesmo sabendo que seria engalbelada, pedi que ela me prometesse não fazer tal coisa, mas ela fez, e depois saiu dando gargalhadas. Enquanto isso, no andar de cima (porque eu era criança e devia bater na cintura da minha mãe), meus pais conversavam com outros adultos e minha mãe só percebeu o ocorrido no momento em que, com muita raiva, eu jogava o cachorro-quente no chão. Na mesma hora, a fúria arrebatadora divina, excepcionalmente cristã, através da mão da minha mãe se fez presente; "Jogando pão no chão, na porta da igreja!! Logo após ter feito a primeira comunhão!! Não pooooode fazer isso, é pecado!!" E tome beliscão. Ódio contido após a primeira comunhão é uma gracinha, faz um bem danado à psiquê.
Depois aos 14, novamente obrigada pela minha mãe, tive que frequentar um grupo jovem da igreja. O nome era Encontro de Adolescentes com Cristo, e isso é um segredo que guardo a sete chaves junto com o fato de eu ter estudado no Colégio Militar, porque me causa vergonha. E porque eu gostava de música e vestia camiseta de banda (na época era uma camisa do BonJovi, mais mela, impossível!) e um boot preto do Shop 126, eu era vista como rebelde pelas pessoas da igreja que convenciam seus jovens de que eu era um mau elemento. Mesmo as meninas do encontro não sendo mais virgens, eu, que era pura e santa, mas rock and roll era vista como filha do anti-cristo.
Eu gostava de vampiros, amava a noite e seus segredos, era uma romântica gotequeeenha, então eles eram apenas pessoas sem criatividade nenhuma e um tanto óbvias para mim. Mas fiz meus amigos, que eram as pessoas que questionavam os mandamentos e que também gostavam mais de música do que de qualquer outra coisa. Aprendi muitas coisas lá relacionadas ao humano; as pessoas eram falsas, gostavam de espalhar boatos e de comentar a respeito dos outros pelas costas, além de não seguir nenhuma das coisas que pregavam. Como eu sempre precisei de verdade, ali foi o despertar de uma consciência de uma necessidade real de um conhecimento que eles não tinham. Aquele lugar era um curral e aquelas eram as ovelhas.
Toda essa introdução para falar que depois de me iniciar em uma Ordem Thelêmica e de ter tido várias experiências místico-mágicas, venho me pensando novamente neste sentido de crença e abordando uma possibilidade estranha. A culpa e a cruz ainda falam muito alto dentro de mim, apesar de não ser o caminho que escolhi seguir, elas ainda me atrapalham bastante e me fazem sofrer quando estou tentando ser feliz. Não é possível ser feliz inteiramente com os ensinamentos cristãos enquanto base. Não nos é permitido.
E eu acredito em gnosticismo, mas não conheço cristãos gnósticos. Acredito que as pessoas podem se tornar deuses, se ouvirem suas vozes interiores procurando torná-las integradas a um ser único que governa todas elas, o deus interior, maior que o ego. Nossa, quando eu disser isso, os ortodoxos vão ficar sedentos por sangue. Porque não só eu acredito ser possível alcançar a divindade em carne, como acredito que o ego deve ser exaltado, ser entendido para ser trabalhado e ser então dignificado como um centro forte de identidade do eu. Só depois disso podemos pensar em abandonar as questões egóicas, mas não antes...
Ainda não sei. Vai ser difícil largar o personagem Satã e abraçar o personagem Cristo, até porque passo longe de querer ou precisar ser mártir. Eu realmente não sou uma pessoa sado-masoquista. Tampouco sou anti-cristã. É muito óbvio que uma corrente e seu oposto nascem do mesmo ponto e têm a mesma origem e meu propósito nunca foi me espelhar em um modelo e ir contra ele. Acontece que as pessoas cristã-católicas que conheci perpetuam a falta de respeito pela crença alheia. Elas são impositivas e agressivas. Aos diferentes chamam de hereges. Não gosto disso.
Por exemplo, eu dava aula de inglês para crianças em uma creche e não podia dizer que era vegetariana, para não disseminar uma crença minha, já que as crianças começaram a repetir para os pais que não mais queriam comer a "cow" e a "chicken". Mas todos os dias antes da janta elas agredeciam pela comida ao papai do céu. (?!)
(talvez continue depois)