terça-feira, junho 05, 2007
óvulo não fecundado
sábado, junho 02, 2007
Enjôo de alma na gruta de Perséfone
Enfim, já tinha desistido da idéia de experimentar o seu Édipo quando ele manifestou a vontade dele, uma vontade detestavelmente senil, talvez decorrente dos trinta anos de diferença em idade entre eles. Aquela necessidade absoluta de se ter certeza do que se está fazendo, essa mentira constante que insistimos em contar a nós mesmos, mesmo até a qualquer custo, tentando controlar as situações que se apresentam nas nossas vidas num gesto único e desesperado de constatação da total falta de controle. Quando paramos de controlar, deixamos fluir. E como podem, as pessoas deste mundo, simplesmente deixar o fluxo correr? Não podem, não se deixam. Precisam controlar. Mas cansaço. Fizeram o que ela já tinha decidido não fazer. “- Decidimos as coisas para podermos ir contra nós mesmos.” – pensou; “Isto é uma relação neurótica, e quero ser saudável.” Beijou o ombro direito.
Nelson Rodrigues me disse que a nacionalidade brasileira nos faz sobreviver fazendo piadas. Uma condição básica para existir com saúde é saber rir de si próprio. É uma ação permissiva para com o próprio umbigo, se permitindo ir em frente, se atirando nas experiências e, depois, rir com os ratos. “Hum... Que sensação gostosa estou sentindo, bem lá em baixo... Quero ser preenchida por vida, estou preparada, estou molhada e tenra. Vamos lá, vamos ver o que acontece se eu abrir as pernas e me deixar tocar, me deixar ser sorvida, me permitir me doar naquele mel. Eu sou um mel. Doce. Redundantemente doce.”
Assim passava seus dias, a cada momento que parava, queria ser preenchida. Era um tesão na contravenção, e teriam gozado muito mais de seus corpos e de suas presenças se não fosse a inadequação social e todos aqueles problemas de enfrentamento de uma própria limitação psicológica através da sociedade, já que ambos sentiam o mesmo tesão e a mesma tensão. Que relatórios dariam aos olhos curiosos que invadiriam a atmosfera daquela dupla? E ambos sentiam que passariam a dever explicações ao mundo. A falta de liberdade que assola a humanidade por conta do livre arbítrio. Construímos nossas próprias correntes e arrastamos nossas cruzes quando nos encarnamos neste mundo e não temos nenhuma desculpa por escolher a dor ao prazer, já que é sempre uma escolha nossa. Mas é tudo sempre tão interessante. Prazer junto com a dor. Prazer e dor indo e vindo, se misturando, saliva correndo, assim como outros fluídos.
Lençóis bagunçados. Pessoas deitadas uma ao lado da outra, agora nuas, sem moral nem máscaras, apenas montadas em suas inadequações à convivência com tudo o que é humano e que habita em seus corpos. Sem o fogo do espírito, eram apenas duas carcaças podres. Era esse olhar que tinha em seus olhos quando virou para o lado e encontrou uma pessoa não mais interessante. Consumido e exaurido em poucas horas. Os momentos são mesmo muito voláteis! Em dois segundos colados, no primeiro algo existe e, no segundo, não existe mais. E ela sentia-se como uma devoradora de homens, a natureza que realmente tinha e que só podia manifestar secretamente em seus desejos. Devorava os homens com propriedade e suculência. Adorava sorver suas almas naqueles beijos, naqueles gemidos. Uma vez a presa devorada, ela encontrava-se presa a essa realidade, já que uma vez a alma absorvida, a pessoa encontra-se sem vida própria e ela passava a ser responsável por aquele ser inseguro e confuso que se encontrava ao seu lado, dizendo “eu te amo”. Cansaço e agora, um pouco de nojo. Indigestão seria a melhor palavra, pela prática constante da gula do seu apetite sexual, somada à curiosidade. Tem a conta exata das carcaças que existem em putrefação dentro dela. É o que restou daquelas relações e também é o contato com seu próprio esgoto. Não consegue aceitar que, no estágio de idealização e fantasia, o sexo é um contato com os céus e que, depois de consumado, é um contato com seus infernos. Não poderia chegar a nenhuma outra conclusão a não ser a de que ainda era uma romântica, um tanto gótica, mas romântica.
“-Dormir agarradinhos? Você deve estar maluco. Estou indo embora. Não vamos fingir que exista intimidade; eu ainda preciso de um pouco de verdade.” – ela disse. Devolveu a alma a ele, antes que vomitasse todos os anos anteriores. Precisava estar a sós consigo mesma, dentro da sua gruta mágica, escura e silenciosa para reorganizar os mortos.
quinta-feira, maio 31, 2007
Dentro do túnel
Eu uso o túnel que liga os sentidos Zona Norte e Zona Sul, o mesmo que dizer as direções de Terra e Fogo, para me movimentar e, muitas vezes, eu grito dentro do carro. Grito de um jeito que nunca consegui fazer ao microfone. As pessoas gostam de adjetivar, não é? Louca. Pode dizer. Mas eu sou um tanto mais científica a respeito disso, vou destruir o adjetivo com argumentos. O aperto no peito, a angústia da barriga, tenho certeza de que você as conhece; todas são expelidas dentro do túnel, pelo meu grito. Estamos tentando estruturar o caos aqui. Uma loucura bem sedimentada, é do que precisamos.
Eu grito de janelas fechadas. Gosto de ter privacidade. Eu quero gritar e ninguém mais precisa escutar. Não deixarei de gritar para poupar os ouvidos dos outros, apenas fecho as janelas. Acho justo. Grito com o peito, com aquele buraco instaurado e oco. Grito seco. Quando a quantidade de energia está causando retenções na fluência da minha energia. Quero expressar algo, não assustar as pessoas. Há uma didática aqui, preste atenção: estamos aprendendo a nos livrar do estresse sem perturbar os irmãos. Retire o peso extra sendo fiel a si mesmo e também considerando os que estão à volta. Eu tenho uma teoria: quanto mais velhos e mais reprimidos, mais loucos. Então há mais necessidade de gritar as vozes que foram castradas há décadas, na época da ditadura familiar. Tenho vários exemplos, porém não citarei nomes. A loucura nos reprimidos precisa se sentir à vontade para se expressar e, dentro do carro, é uma excelente opção. Através do meu ponto de vista, gritar dentro do túnel não chega nem a ser uma loucura, é só mais uma prática. Garganta, esôfago. Fôlego. Você com você mesmo, dono da sua direção. Respire fundo primeiro. Agora dê o volume máximo das suas cordas vocais, por quanto tempo agüentar! Isso mesmo, dê aquele “AAAAAA”, longo e rasgado. E grite quantas vezes forem necessárias. Não há julgamentos aqui. Este é o seu plano. Você quem o comanda. Esqueça das luzes no fim do túnel, elas não orientam. Apenas grite sua dor ou seja lá o que for para fora de você. Atravesse o túnel da escuridão em agudo máximo para chegar ao outro lado mais livre de si mesmo e, o mais importante, em silêncio absoluto.
quarta-feira, maio 30, 2007
O cuspir da ira
segunda-feira, maio 28, 2007
O Fator Gato
sexta-feira, maio 25, 2007
Um trigo, dois trigos, três trigos.
Raio de Minerva
Sens-ação
quarta-feira, maio 23, 2007
As gotas d'água
domingo, maio 20, 2007
O papel do futebol na evolução espiritual das pessoas
Nova campanha anti-tabagismo
sexta-feira, maio 18, 2007
Experimento II: sem a ajuda dos olhos
quarta-feira, maio 16, 2007
Experimento I - Apague as luzes
Até que você percebe que enxerga perfeitamente tudo do que precisa com a chama de apenas uma vela. Estamos condicionados a termos tanto estímulo visual que nem notamos o quanto nossos olhos estão cansados.
Apague as luzes. Você vai notar que consegue ver as coisas muito mais claramente do que com todas as luzes acesas e em cima de você. Apague as luzes para ver melhor.
Apague as luzes do mundo para se ver melhor.
sexta-feira, maio 11, 2007
O caminho do sol - II (leia antes a primeira parte)
A desconstrução do ser é imprescindível para a expressão total do ser. Como pode alguém acreditar que se conhece sem ter desmontado as suas pecinhas antes? Você precisa entender os seus fragmentos, precisa se desmontar. E o que é interessante sobre o caminho do sol é que antes você precisa entender o caminho da lua. Mas não é bem assim que acontece também; primeiro faz um, depois faz o outro. É tudo meio simultâneo. E às vezes acontecem algumas surpresas. Por exemplo: eu sempre achei que minha forma de me relacionar com as pessoas e com o mundo dependesse dos meus sentimentos, e que minha auto-estima também dependesse inteiramente de não estar magoada ou ferida por dentro. E descobri recentemente que não é assim! Podemos ter uma excelente relação com o mundo e com as pessoas e estarmos nos sentindo fragmentados por dentro, incompletos, sensíveis, emocionalmente abalados, mas continuarmos perfeitamente cientes do nosso valor. E eu sempre achei que para sugar o prazer das situações minhas emoções deveriam estar intactas, quando isso não é real. Eu sempre achei que um trânsito terrível sobre a Lua fosse afetar a Vênus de uma forma determinista e fatal e estou descobrindo que “Lua é Lua e Vênus é Vênus”. Cada qual no seu lugar e uma não impede a outra. Daí que Eva e Lilith caminham juntas, Maria Madalena e Nossa Senhora caminham juntas. Instinto de mãe e instinto sexual caminham juntos, mas são duas coisas diferentes numa só.
Portanto, para passar para o início do conhecimento de si mesmo, é preciso subir aos níveis confusos, indefinidos, imediatistas e misturados das emoções. E enquanto sua criança interna berrar por alimento da alma, ou seja, atenção, carinho e afetos em geral, seu sol não vai conseguir brilhar, pois você estará ocupado pedindo sua nutrição ao mundo. Mas há anos o seu cordão umbilical foi cortado, e você não se deu conta. De que precisa aprender a alimentar a si mesmo, com as coisas do mundo, entendendo o seu universo interno. É mais fácil esse caminho para quem segue o caminho das estrelas. Quero dizer também que muitas pessoas passam a vida se ressentindo de terem sido separadas da grande mãe. Essas pessoas passam mais tempo sofrendo do que trabalhando. Quem quer comer do bolo, ajuda a plantar o trigo. É mais simples pôr a mão na massa que assistir ao preparo do bolo, sentir o cheirinho do bolo quente na cozinha e não poder comer dele.
Digo que está tudo em nossas mãos: a felicidade ou infelicidade do SER depende de quanto volume você dá às suas diferentes vozes e de como você as coloca para conversar. E do quanto você acolhe sua inadequação. A inadequação da alma no corpo precisa de um capítulo só para ela, e este já está bem longo. Fica para depois.
O caminho do sol - I
É possível ser sem a persona? Pessoa em português vem do latim persona. Persona em latim não é pessoa, é máscara. Podemos ser pessoa sem usar máscaras? Ou seu uso é mandatório, para a lida social? Quem olhar no meu rosto, sem máscara, verá um vazio? Não escutará um eco? Pior, verá o monstro desconhecido que é a si próprio sem um espelho? Não se sabe pois não nos permitimos andar por aí nus. Nus que eu digo não é estar desprovido de roupa. As pessoas peladas que pousam para as revistas estão sem roupa, mas não estão nuas.Vestiram a couraça. Andar nu é amoral. As pessoas só conhecem moral ou imoral. E o imoral hoje é ousado. A moral é careta, o amoral é inconsciente. Ninguém conhece. Já que ninguém conhece e eu sou ousada, resolvi fazer do amoral a minha moral. E ir me desnudando. Mas a pressão é incrível; é quase impossível me desfazer das camadas postas em cima do meu ser. Eu tento, dia após dia, mas o universo das camadas não é simples. Não ache que, depois de conseguir retirar uma camada será uma a menos. Não é assim que funciona. O universo das camadas não é linear nem cartesiano. Uma camada que tiro num dia, no outro está mais forte. Para cada camada que retiro, surgem 3 novas: é um trabalho do cão. Por isso, quem resolve fazer esse caminho subverte valores e se identifica com as trevas, porque você lida com luz e sombra o tempo todo. Diferente do conceito barroco de almejar a redenção e viver no pecado. Como eu disse, aqui no universo do SER não existe moral, portanto, não existe pecado. Existe sim um almejar a divindade e sentir-se demônio, denso. Mas não existe distância entre anjos e demônios, nem entre pessoas e deuses. Está tudo bem próximo. Podem até ser camadas de outra natureza, camadas extra-fisicas, camadas astrais estas, de nos tornamos deuses, devido à proximidade de naturezas entre espírito e matéria.
Firme e forte, mesmo que a alma sangre, é o desejo do espírito estar nu. E se não fosse pela filosofia cristã, arraigada a algumas camadas do nosso “ser- brasileiro”, teríamos prazer ao nos desnudar ao invés de sofrermos.
Pensem: é uma coisa mesmo imposta. A gente não sabe nem falar quando decidem por nós. Jogam uma água na nossa cabeça, falam umas palavras furadas e pronto: estamos batizados. Talvez agora façamos parte de uma coisa que não seja da nossa natureza.
Não era da minha natureza, então não demorou muito para eu virar a casaca e querer destruir o criador. Enquanto os outros do mundo lhe acusam de anti-cristo, você recebe o segredo da vida do universo e a chave para a primeira porta. Não é bem estranho? Mas é assim que acontece. Por isso a gente sabe quem já passou da primeira porta. Quem já passou reconhece os outros, já que a primeira porta é o seu corpo. Não é que nem virgindade, a densidade do ser fica diferente, você inverte o prisma de visão. E há uma abertura na pessoa, uma necessidade de conhecer e experimentar, uma abertura para o novo, o diferente. Há uma tolerância maior também para o que não é você e um maior interesse em conhecer o além de você que é, na verdade, o outro como ele verdadeiramente é.
O caminho com luz não é necessariamente o caminho do bem nem o caminho iluminado, e você aprende isso. E Lúcifer não é o pai das trevas, já que ele é a própria luz em si. Sempre desconfie da história que contam. No dicionário de latim, é esse o significado da palavra e eu gosto de procurar a origem das coisas. Entender de onde vêm os movimentos.
Alguém quer um autógrafo do papa? Terá que vencer o "papamóvel" antes.
Não acho plausível uma discussão em torno da possibilidade do não uso da camisinha. Sabem?
Estamos em... Vamos contar? 2007
Eu mencionei um cristo esquálido, né? Para os evangélicos não soou muito bem. Não me desculpem então, os evangélicos, porque essa história de papamóvel é tão chata que até o Jesus da folhinha de cozinha da minha mãe está olhando com cara de tédio!
Mami tem Jesuzes pela casa e eles estão todos nas suas cruzes. É que eu tenho preferência pela vida, e gosto de pensar nos meus heróis saudáveis, felizes e vivos! Sabem?
Também não se deixem levar muito pelo que lêem... Contos e crônicas são baseados em sensações e passam sensações, são construídos em cima de faz-de-conta. O que é real é a sensação, e não existe "sentir certo" ou "sentir errado", apenas sente-se. Por favor não saiam por aí agredindo os atores das novelas que interpretam os vilões.
O meu natural é tão estranho que quanto mais natural eu for, mais desconfortável vai ser para quem não é natural. Quem é feito de farinha e leite acha que tudo o que uma pessoa naturalmente faz é feito para chamar a atenção... Não é, gente! É ser natural. Se eu escrevo "eu tenho alma" no braço, numa faculdade católica aonde a maioria das pessoas não têm, eu corro o risco de incomodar. Cantar alto, nem pensar! Então eu mordo o lábio para não cantar e se quero dançar, eu me balanço, tamanha é a pressão para não ser natural. Mas eu estou tentando vencer o conflito. Watch me become natural. Mas o meu natural é desconcertante. -Estou avisando previamente-
Também não acho legal as pessoas acharem que precisam ficar anônimas, eu sempre acho que todo mundo sai perdendo pela falta de diálogo.
- Nossa, estou me sentindo meio Gregório de Mattos agora. Viram pessoas, como eu presto atenção nas aulas de Literatura? ;)
Mas adorei! Voltem sempre.
E para quem perdeu tempo lendo, corram, corram que o papa está passando!
Ele está passando!
Passou.
quinta-feira, maio 10, 2007
The Dreamland
- Capítulo 1
Desde que nasci, eu, a Morte, sou obrigada a ter uma vida normal e a enfrentar as dificuldades que qualquer ser-vivo encontra. Fui à escola desde criança, disfarçando o disparate de um espírito antigo num corpo novo e disfuncional, e nunca gostei de ocasiões sociais, principalmente das primárias.
Tive que aprender a aprender todos os aprendizados mortais: andar, falar, escrever e me relacionar. Esta última é a que considero a mais complexa, já que eu, Morte, sempre tive que lidar com as pessoas na proporção de “um para um”. Dessas relações sempre dei conta, mas não sei lidar com grupos. Saber o que responder aos resmungos das pessoas nas filas de banco, acho que viverei sem saber.
Hoje estou na faculdade. Hoje é o décimo nono dia, do quarto mês do sétimo ano do segundo milênio depois de Cristo, e eu estou sentada na segunda coluna, quinta fileira que vai da porta para a janela da sala, da esquerda para a direita para quem entra, no primeiro andar de uma faculdade católica. Nesta faculdade há, em cima de cada quadro-negro, um crucifixo com um Cristo esquálido, no qual ninguém repara a não ser quando a aula nos toma do mais sincero e puro tédio. Por acaso hoje a professora de Literatura resolveu falar da morte. Ela está tentando explicar o quanto é importante para a vida das pessoas a consciência de mim. Mas eu estou aqui, sentadinha, calada, observadora da situação mais estranha que já passei em vida. Aqui, bem na sala dela. Sem que ninguém nem cogite esta possibilidade.
Vi poucos acidentes, tento escapar do desagrado de ver os corpos abertos de pessoas e animais agourando, esperando por mim. Agora que tenho um corpo como o deles, sei o quanto dói perdê-lo. Anos a fio cuidando para entendê-lo, e depois, de repente, tudo se perde. Mas o meu papel se dá depois disso, no campo etéreo, aonde carne não entra. Aliás, não sei como podem as pessoas comerem a mesma substância da qual são constituídas e ainda fazerem disso uma ocasião a ser celebrada socialmente. Animalescos. Primitivos. Muitos ciclos ainda precisam passar. Maldito juízo de valores que cabe a mim. Sempre questionando. Quando eu sorrio não sorrio com eles; sorrio deles. Esqueço-me sempre da situação na qual me encontro: entre eles. Por isso, muitas vezes, passo por eles como um fantasma, mas me assusto quando me notam. Quando me notam, poucos detectam que existe algo peculiar por de trás da máscara de gente. Poucas pessoas olham nos meus olhos e as pessoas que olham, que conversam comigo, não entendem, não conseguem formar conceitos sobre mim, pois sou extremamente contraditória. Opostos supremos!
Continua lá, aquele Cristo esquálido, dependurado na sala. A mim lembra algo desagradável, mas eles parecem não se importar. Tudo é muito banal neste mundo, para esta geração planetária. Ainda me lembro de quando ele veio até mim... Saber de onde ele vem, saber para onde foi e ver no quê ele foi transformado aqui neste lugar é um pouco triste. Além do que, as pessoas não têm noção das suas feições, o que pode ser muito engraçado. Estas em nada se assemelham à imagem que adoram. No entanto, nada é aleatório. Tudo tem um porque, apenas as pessoas não se perguntam qual é. Elas acatam tudo o que dizem. Concílios se reúnem e decidem séculos de existência e elas não percebem nada. Nada de estranho. É como se a humanidade vivesse num sono profundo. Muita claridade cega os olhos deles e, hoje, os meus também.
Na minha forma original não tenho olhos. Eu sou toda presente e toda onisciente, como se houvesse olhos em cada núcleo de célula da minha pele, se eu tivesse pele. E eu reúno todas as coisas em mim. Sou um pouco parecida com o Caos de Todas as Possibilidades, só que dele as coisas saem e, para mim, as coisas voltam. Poucos vêm me conhecer por vontade própria e sem desespero. Eu exerço uma atração incrível e inexplicável, mas também um medo contínuo e absurdo. Sou quase como o segundo Deus para os monoteístas; quando não agem pensando no seu Deus, agem pensando no medo de mim. As coisas são em verdade bem mais simples do que aparentam. Morrer é, na maioria das vezes, como um sonho incontrolável, desses que sonhamos acordados. Tipo da fantasia que temos e vemos as coisas acontecendo sem que de fato aconteçam. Por isso é tão importante sonhar. É com esse músculo que se exercita para a morte. Podemos dizer que sonhar é como um treino para morrer. Completamente necessário à vida.
Ainda não disse como é quando me encontro comigo mesma. Essa explicação fica para outro dia. Estou usando este corpo ao máximo; depois descrevo a incrível sensação da “petite mort” dos franceses, quando volto à desorganização por alguns segundos. Orgasmos. Descanso. A morte é tão natural. -E eu sou mais fácil e mais dócil do que se imagina- mas este não é um convite a mim. Cada um no seu tempo. A entrega pode ser num suspiro ou pode ser arrancada. Só depende da pessoa.
Existem pessoas que lidam muito bem com processos de morte, elas são chamadas Plutonianas, mas nem todo Plutoniano está aberto a me receber. Muitos trancam a chave que receberam para os meus segredos a sete chaves. Também as pessoas que já passaram por Daath sabem como lidar com suas pequenas mortes, conhecem os processos de vida, morte e renascimento. Mas estes são passos diferentes que os dados pela maioria. Existem mais caminhos até mim do que se imagina. A maior parte das pessoas acha que estar vivo é o contrário de se estar morto. Para você estar vivo, é preciso estar morto em algum nível e para estar morto, é preciso estar muito vivo. Então são coisas absolutamente presentes a todo tempo. É como não conseguir enxergar o topo da sua própria cabeça. Você não se dá conta dele, mas está lá.
segunda-feira, maio 07, 2007
Quem sou eu inteira?
União e separação de almas. Tem divórcio no inferno?
Com quem eu falo para processar alguém que levou um pedaço de mim, sem autorização nem aviso prévio? E com quem eu pego de volta, caso esse pedaço seja encontrado? O que eu faço com o buraco que ficou no lugar do pedaço que havia antes? Quem mandou eu colocar seu nome no meu pedaço? Quem mandou eu tatuar nas paredes das veias do meu coração, aquelas que levam e trazem meu sangue, a cada vez que nos beijávamos, a cada vez que eu perdia a cabeça... Quem mandou? Não foi você... Você só sugeriu. Você colocou uma aliança no meu esôfago, e ficou difícil de respirar. Aí, você quis agarrar minha cintura e me partiu em duas metades, a de cima e a de baixo. A de cima é santa, muito razoável, ponderada. Já a de baixo, sem os olhos para ver, foi enganada por mais de mil vezes achando que sempre era você.
E quem é você? Porque eu via uma coisa, mas você era outra... E quem sou eu agora? Agora que já curei o buraco, entupi com chocolate, -derretido ele conserta qualquer coisa... Agora que estou inteira e tenho todo o tempo para mim e que posso fazer todas as minhas vontades... Quem sou esta e o que quero? Minhas partes confusas que gritavam em vozes separadas mas ao mesmo tempo, aonde estão? Um coro em uníssono, é tudo o que ouço... E não é o seu nome que elas gritam, mas sim o meu. Há vida neste corpo? Finalmente.
sábado, maio 05, 2007
Minha casa
Almofadas de cetim pelo chão
Penduricalhos pelo teto
Panos indianos e acessórios africanos
nas paredes, como quadros
palavras na estante,
livros no banheiro
olhos como fechaduras
pessoas como chaves
silêncio como regra
comunicação em massa
garrafas de vinho armazenadas
garrafas de whiskey só pela beleza dourada
cristais e mais de um gato espalhados pela casa
baralho de tarot desarrumado, cama de casal
geladeira saudabilíssima
armário de reservas bem seleto
chocolates escondidos em locais estratégicos.
E um pote de sorvete no congelador.
Pó de café nas estantes
Poeira na gaveta de calcinhas
Lodo no chuveiro e dentro dos armários
Caveiras nas poltronas
Espelhos virados para as entradas e saídas
Ralos no meio da sala
E muito bem, obrigada. Não há louça nem roupa sujas, a dona é auto-limpante.
sexta-feira, maio 04, 2007
Sociedade de corte
Pessoas que amam o verde e a natureza têm, por dever ideológico, parar de se alimentar de carne bovina. As pessoas que comem carne vermelha estão, não só ajudando a destruir a Floresta Amazônica para dar lugar a campos de pastagens, como estão se alimentando de sangue, dor e de agressão a um outro ser vivo de sangue quente, um outro mamífero. A agressão do abate é uma agressão ingerida por quem come a carne do animal morto.
Se você é o que você come, se seu organismo absorve seus hábitos e estes são refletidos nas suas atitudes perante o mundo, podemos entender um dos motivos através dos quais a agressividade e a raiva são difundidas e veneradas em nossa sociedade. Não é normal se alimentar dessa forma e a inconsciência sobre o alimento, já que este vem embalado e refrigerado do supermercado, geram doença, mal estar e distúrbios psicológicos. O paladar foi acostumado, é uma simples questão de reeducação alimentar desacostumá-lo. Não vale a pena dar continuidade ao esquema vicioso em nome de um prazer sensorial. Não faz bem ao corpo, não faz bem à mente e não faz bem à alma.
Assim é construído o pensamento na sociedade de corte, tudo é banalizado e nivelado por baixo. Sempre para menos. Menos importância as coisas têm, mais rapidamente nossa espécie desaparecerá. O corte segmenta, separa, faz sangrar.
Este post não é direcionado a todos os comedores de carne; apenas aqueles que escolhem a vida no lugar da morte. Embora todos tenhamos a opção, não é desejo de todo ser encarnado evoluir. Estou convocando aqueles que possuem este desejo, aqueles que lutam para preservar a vida.
segunda-feira, abril 30, 2007
Calçadas
Criaturas que rastejam têm um ponto de vista diferente sobre as calçadas do que nós, seres com patas. Para elas, a calçada serve como alicerce do corpo. Deve ser fantástico rastejar. Quis ser réptil por um breve momento. Mas e a experiência do chiclete grudado no concreto, e da poeira que foi por dias molhada e seca, grudada ao chão, e das pegadas invisíveis, das bactérias, do papelzinho rasgado, e do aleijado que pede dinheiro sentado no skate? Que pontos de vista teriam todos eles sobre as calçadas?
Pois tentando imaginar uma realidade diferente, experimentei deitar-me sobre o chão do boxe, enquanto deixava a água ligada. Aproveitei meu banho como há anos não fazia. Parei de me preocupar com o tempo, a água corrente e o gás ligado para deixar a água correr pelo meu corpo. Meu boxe é alongado, por isso posso esticar as pernas, e me coloquei com pés para o chuveiro, cabeça para o ralo. Vocês não sabem, mas como o banheiro é lugar de limpeza, é tudo muito limpo. Então, abandonem o leve mal estar, porque os banheiros são lugares positivos.
Com o rosto encostado no chão, observava a água correr. Com o rosto para frente, observava a água escorrer pelo buraco. Curiosidade sobre o ralo: deu vontade de enfiar o dedo, mas fiquei com nojo. Tive muito medo do ralo e de tudo o que está ali que eu não sei. Comparei o ralo ao meu umbigo. O chão do boxe era uma grande barriga com um umbigo bem parecido com o meu, só que enquanto eu procuro expelir coisas do meu umbigo, o ralo estava colocando tudo para dentro. Será que também entram coisas pelo meu umbigo? Emoções, espíritos? Tive medo de tudo o que está no meu umbigo que eu não sei. O medo foi enorme.
Alguém chegou pela porta de casa. Ouvi o barulho, parei de cantar. Fiquei imóvel, com a água correndo. Por vários minutos, fui um corpo suicida, imaginando os cortes no pulso e o sangue escorrendo com a água. Pelo ralo se vai uma parte de mim, tão preciosa quanto qualquer outra. Células do meu corpo se vão para tornar o esgoto um lugar mais sagrado. Veio uma pergunta à minha cabeça... Qual o ponto de vista de um corpo morto sobre uma calçada? E o sangue que nela fica empoçado? E da vela que derrete sob o sol do meio dia? Não tenho as respostas. A água escorre levando meus pensamentos, mas me traz de volta a mim. Que bom que sou um corpo vivo e que posso escolher a posição em que quero estar na vida.
sexta-feira, abril 27, 2007
Minhas histórias de beijo
terça-feira, abril 24, 2007
Uma questão de prática
quarta-feira, abril 18, 2007
A poética do cu
Então, todas as poesias que escrevo têm o intuito de causar alguma reação. Até agora, foram tentativas frustradas. Quero que alguém tenha um ataque epilético e me diga que odeia tudo o que eu escrevo. Escrevi uma poesia que tinha um cu estrelado no fim e ninguém disse nada... Outro dia, coloquei em palavras um bacanal fantasioso entre a filha do diabo com transexuais e travestis, mas ninguém falou nada... Ninguém teve a humildade de dizer: "Nossa, que mal gosto!" Vou ter que pegar mais pesado? Todo mundo escreve poesia sobre as coisas bonitinhas, ainda não vi ninguém escrevendo sobre as coisas horrorosas! Não sei porque também essa minha mania pelas coisas horrorosas das pessoas e porque elas me parecem tão belas, tão atrativas. Eu detesto a poesia dessas pessoas apáticas. E detesto ficar com essa vontade de levantar no meio da aula e estapear cada uma delas na cara. Não me entenda errado; eu amo borboletas assim como os buracos negros da alma. Mas aquelas pessoas... Me irritam.
Outro dia escrevi no braço: "eu tenho alma". Podem achar o que quiserem, a verdade é esta mesma. Eu tenho alma! É só um recado para os amigos desalmados.
Ainda escreverei sobre a maior perversão que eles já ouviram. Não tipo Marquês de Sade, porque isso já foi muito bem feito. Deve chegar com atraso, mas chegará!
VINGANÇA!
CÓLERA! FÚRIA!
Me deixem com o meu chocolate
segunda-feira, abril 16, 2007
Um dos rapazes
sábado, abril 14, 2007
Os Sedutores
The hard-rockers
any fool can learn how to play the guitar, that is what i worry about. it is and it is not a big deal. cause music can be superficial as well as divine. and what should they do with that gift other than to use it wisely? use it wisely?
quinta-feira, abril 12, 2007
Contra-fluxo
É tanto assim o poder que se encontra em minhas mãos? Adoro a força e a aspereza, elas são minhas aliadas.
Ofender pessoas platônicas com palavras é fácil; tudo acontece no plano mental. Mas quero me ver proferindo as mesmas palavras ao vivo! Todas as pessoas são planos mal feitos e, em alguns pontos, desconstruídos. Não se exaspere ao perceber, em meio a tanta coragem, um quê de covardia. É normal.
Aqui estou eu, achando que escrevo para o nada, achando que minhas palavras ecoam no vazio e que nenhuma cólera poderá ser gerada em mais ninguém, apenas expurgada de mim. Trato as palavras com mais carinho que trato as pessoas. Talvez porque goste mais das palavras do que das pessoas, e tenha daquelas mais cumplicidade. Filha de Zeus, nascida da cabeça dele, tenho o vêio forte da palavra. "Usar para um bem produtivo." Aqui estou eu, criando, mas às vezes, me esvaziando. Nesse esvaziamento ocorre o perigo para as pessoas que me cercam. Certamente se encontram nas entrelinhas.
O dom do chicote na língua; você não vai me ver, você vai escutar de mim. Calmamente, quando a hora for propícia e os ventos me soprarem o que querem que eu escreva. Eles cochicham em meus ouvidos a melodia alfabética que está de acordo com o meu coração.
Adoro a força e a aspereza, elas são minhas aliadas. Mas espero um dia conseguir fazer brotar amor e justiça das minhas palavras. Que elas sirvam como uma brisa úmida e quente nos ouvidos de quem amo.
quinta-feira, abril 05, 2007
Exibicionismo para voyeurs explícitos
Finjo que desconheço a sua presença. Eu finjo que desconheço, e você finge que não me lê. Que não me vê. Acendo as luzes. Preparo-me para o ato. Uma a uma, retiro de mim as palavras que às vezes vêm em ondas e, às vezes, me faltam. Elas me assaltam e, com o ímpeto, eu páro de susto. Mas tudo isso acontece bem devagar.
Com bastante saliva, vou colando-as lado a lado. E no êxtase da fusão da tinta com o papel, vou me sentindo mais inteira. As palavras vão se mesclando, quase independentes do movimento peristáltico das minhas entranhas e do movimento circular de meus quadris. Elas agora me invadem, me penetram, trabalham em mim com os dedos, gozam de mim e vão embora.
Eu finjo que minhas palavras não lhe dão vontade de dormir, e então, você acende um cigarro. E tão desconhecido como vem, se vai. Fico nua, à espera da presença concreta da inspiração que promete me tomar, mas que rouba de mim tudo aquilo que tenho dentro e me deixa sem sono.
Enquanto isso, eu deixo vocês assistirem aos estupros das minhas vontades, invasões dos meus sentimentos, minhas relações sexuais com o mundo e com as palavras e eu finjo que é quase sem querer que esqueço as cortinas abertas, enquanto vocês fingem que não gostam do que vêem.
Ainda bem que me falta AR
O nome do signo é frio como os ventos do norte: Libra. Mesmo assim, ele conseguiu fazer um trabalho de polimento tão perspicaz que o brilho foi capaz de encobrir a frieza. O brilho que atrai para a estrela que brilha na ponta da faca é o mesmo que cega quem pula tentando agarrar a estrela. Não há nada lá, exceto a ponta da faca. O brilho vinha de algum foco de luz. O foco de luz é externo, e sempre esteve fora. Mas foi em busca desse holofote que ele foi atrás, assim como muitos, esperando se tornar importante. Para metade das pessoas para quem mostrei o diamante, perceberam que era apenas uma pedra com um brilho vazio. No entanto, eu continuei a acreditar que valia muito, e que era reflexo de quem segurava a faca. (Sempre acreditei que quem segura a faca tem algum poder...) Mas o valor que eu dou a algo que eu enxergo é tão importante quanto eu mesma. Aliás, eu só vejo valor nas coisas que eu enxergo quando elas refletem a minha importância. Minto; a minha importância se reflete em tudo no que vejo valor. Ver valor numa pedra fria que vale dinheiro inglês é ver o meu valor, refletido no mundo em que sou obrigada a viver. No entanto, a pedra não me vê. A pedra é simplesmente o brilho vazio na ponta da faca. O valor que eu vi era reflexo do meu bem estar e do meu querer bem. Mais de uma vez, pulei direto na faca. Uma cicatriz extensa me faz hoje dar um passo atrás para ver de onde vem a luz. Surpresa minha ao perceber, no reflexo da faca, que vinha de mim!
quarta-feira, março 28, 2007
sLEEpleSS
terça-feira, março 27, 2007
sexta-feira, março 23, 2007
É difícil ser light
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sábado, março 17, 2007
Bug do sistema
Fazendo a varredura do meu sistema em busca do vírus mortal que eu sou, incapaz de levar compromissos até o seu fim. Eu não vou até as pessoas, eu trago elas até mim. Muitas se recusam a vir. Não querem se compromissar com pessoas que não fazem compromissos. E ao mesmo tempo, eu vivo dizendo que quero me compromissar e vivo querendo me compromissar com pessoas que não querem compromissos! Bug do sistema.
- ouvindo Monday, Matt Chamberlain.
Eu digo uma coisa, faço outra. Se não quero realmente namorar ninguém, poderia ter levado várias situações superficiais adiante. Mas eu me incomodo com superficialidade! Talvez porque eu seja superficial. A superficialidade das relações me incomda extremamente. E, no entanto, qual o tipo de relações que eu traço com o mundo? Curtas, indevidas, superficiais, rápidas, imaturas e leves. Eu respondo às mensagens de aniversário uma a uma, as que vieram por ORKUT! Sem nenhuma profundidade, eu ancoro toneladas ao laço afetivo. Para flutuar num certo diâmetro ao redor da âncora. Laço afetivo que flutua de acordo com as águas, âncora que fica presa ao fundo, completamente imóvel. Existe um diâmetro percorrido pelos laços afetivos flutuantes, por causa da âncora, eles nunca vão muito longe. Não compensa ancorar laços afetivos superficiais. Estou falando da relação que vai de mim para qualquer outro que seja: amigos íntimos, amigos de trabalho, parcerias em geral. Vírus deve ser incubado e estudado. Vírus não pode ter vida social. Vírus é afastado da comunidade por causar destruição. Porque gera muitas e muitas doenças incuráveis.
Voltando a velhas feridas, como é fácil para mim ser atingida no meu íntimo mais profundo por qualquer pessoa que veja um pouquinho além de si mesma. A pouca estrutura que eu estava construindo dentro caiu. Placa velha, ano moderno. Incompatíveis. Mas vai rodando os programas. Até quando pifar. O vírus estava de quarentena, mas alguém clicou nele e disse "acionar". Enquanto máquina, não tenho nenhum controle sobre mim. Me controla quem sabe que botão apertar. O momento pode ser aleatório. Solução: se desconheço o sistema binário, sistema fica inoperante. Não funciono, não existo. Não me mexo. Não saio. Como o sim e não quase nunca dizem nada, fico imóvel como a âncora, vendo o mundo se mexer lá em cima.
Não importa o quanto eu tenha percebido até aqui. Falhas não são permitidas. Erros e deslizes são punidos com fervor. Alguém disse militarismo de alma? Não deve ter sido à toa...
sexta-feira, março 16, 2007
O vôo da rolinha
Amanheci com alguma dificuldade e um certo mau-humor. O cedo das manhãs não me cai bem, nunca. Mas como de costume, fui até a varanda trocar a água e a ração da Estrela, minha gata, que, ao contrário de mim, amanhece com fome.
Quando chegamos foi impossível não reparar num enorme barulho vindo do quarto do meu irmão... O que seria? Logo percebemos que era um pássaro batendo as asas contra o vidro da porta. Estava preso. E era uma rolinha bem pequenininha.
Meu coração entrou em desespero. Estaria ela com uma das asas quebradas? O que eu deveria fazer? Salvar a rolinha, sem dúvida. Mas, como? Tentei entrar no quarto do meu irmão, mas a porta estava trancada. Rodei a chave através da janela e entrei, mas Estrela estava tão curiosa para ver o passarinho que eu tive que prendê-la no meu quarto. Eu sei que ela não machucaria a rolinha, mas a bichinha já estava suficientemente assustada. Voltei para o quarto do meu irmão. A rolinha havia se escondido entre a cama de baixo e o armário, num buraco aonde meu irmão, quando criança, gostava de se esconder também. Como ela encolheu as duas asas, percebi que não estavam quebradas.
Tentei pegá-la por duas vezes sem sucesso. Então comecei a respirar fundo. A tirar de mim o medo que estava na rolinha. A acalmar em mim o medo de machucá-la sem querer. Comecei a conversar com ela, sobre como eu só queria ajudar, para ela não ter medo de mim. Inspirei e expirei, emanando energia de amor. Continuei conversando com ela até que eu estivesse confiante. Na quarta vez, eu consegui pegá-la. Fiz uma concha com as mãos, prendendo suas asas com meus polegares, com firmeza mas sem força. Lembrei do meu pai, que trazia para casa as rolinhas que tinham sido expulsas dos seus ninhos, cuidava das asas, dava comida na boca até que elas ficassem boas.
Levei a rolinha até a varanda, junto ao meu peito, mas como eu tenho uma tela de proteção para a Estrela não cair, tive que ter cuidado ao colocar o passarinho para fora. Cuidadosamente coloquei a cabecinha dela no buraco da tela e abri as mãos. Ela voou com muita vontade e imediatamente eu senti um alívio que parecia lavar a minha alma com força de vulcão, de cima para baixo. “Consegui”, respirei aliviada. Lágrimas me brotaram aos olhos e deixei que elas viessem. Emoções borbulhantes, merecem se acalmar. Havia ganho o dia por um mês inteiro. Consegui vencer meu medo, consegui liberdade para a rolinha ainda em vida, ainda bem... Consegui vê-la voando para bem longe, para onde é o seu lugar, junto com as outras rolinhas. Consegui sozinha.
domingo, março 11, 2007
Lentes de aumento
sexta-feira, março 09, 2007
Confissões...
Contos de foda?
Está pra chegar, mas essa história de tempo me deixa sempre muito confusa. Sempre acho que está demorando demais. Uns dizem que virá no tempo certo; o tempo certo para mim é o agora, porque é quando eu quero. Sempre acho que ele está atrasado, ou que eu estou adiantada demais, ou que só estou correndo por estar atrasada demais... Me confunde, sabe?
O tempo me confunde. O tempo do relógio não é o mesmo que o meu tempo interno. Qual dos dois eu resolvo seguir? Claro que o meu tempo interno e claro que ganho vários problemas com isso, como pessoas me cobrando uma pontualidade que não entendo, pois se elas estivessem cronometradas comigo, cada uma ao seu tempo, estariam também no tempo certo para o encontro, pois cada uma estaria satisfeita com o seu próprio ritmo, enfim... Toda vez que penso no meu cara, escuto Bjork cantando "I miss you". E sinto ele me dando um beijo no pescoço, etc. Isso me desconcentra no dia-a-dia. Fortemente. E durmo nas aulas e sonho com ele. E acordo e sonho acordada. É um horror. Meu estômago sente dores de fome de amor. Há anos. Neverendinghunger. Minha palavra em alemão para nomear o amor que não chegou ainda. Quer dizer, para nomear a falta do amor que ainda não está aqui. O universo está escutando, mas é difícil fazer o research tão rápido assim entre todas as pessoas existentes no mundo que caibam dentro das minhas exigências e além dessa leitura de dados, ainda precisa nos colocar juntos na mesma situação, quer dizer... Tem que ser perfeito e dá um certo trabalho. Mas eu não estou reclamando, estou só deixando bem claro o que eu quero. Então, até já cheguei a pensar se não estaria Alexandra destinada aos amores perdidos, para virarem contos? Pareceu quase o desvelar de uma missão... Se minha meta é escrever, se meu destino são as palavras, então certamente meus personagens serão meus amantes... Nos meus contos-de-foda. O lado bom de apenas ter conhecido gente louca até hoje é que posso transformá-los todos em histórias!
E sempre dizer que é tudo apenas ficção, afinal, eu sempre digo a verdade, menos quando escrevo. Na verdade, eles servem apenas para a invenção de personagens, não acreditem no que lêem!
Acordo determinado com os leitores voyers, pacto traçado. "Papai... Mamãe... É tudo de mentira, tá?"
Não quero acreditar que não sou eu que escrevo o final do meu conto. Conto um conto, aumento um ponto para mais perto dele(sssssSSSSSSSS????).
quarta-feira, março 07, 2007
"O problema dos outros"
Por exemplo... O que é querer transar com alguém que não consegue ter ereção, mas que você não sabia disso até a hora H? Certamente é, no mínimo, frustrante. Mas frustrante pra quem? Para a mulher, que se consome em desejo, que se preparou para aquele encontro, que investiu, se perfumou, que se vestiu e se despiu, e se deitou nua? Ou frustrante para o "homem" que não consegue ter sua masculinidade comprovada... Partirá ele em busca de novos significados para a vida? Será vegetariano, praticará yoga da mão direita? Ou irá apenas se comportar como o perfeito canalha? Que tédio. Os dois se cruzam várias vezes durante a semana. São obrigados a ignorarem-se mutuamente. Ele, pela vergonha que é olhar para ela e se lembrar... Que o problema era dele e foi transferido para ela... "Agora ela sabe." Ela, porque ao olhar para ele sente-se furiosa consigo mesma... "Devia o ter escurraçado da minha cama, como o ser mais pestilento!" Mas ao contrário, foi doce e carinhosa. Super compreensiva. Compreensiva como todas as almas penitentes na Terra. Odeia ter transferido para si um problema que não era seu, mas passou a ser, por ter "compreendido o problema alheio". Antes tivesse sido verdadeira consigo mesma e cuspido naquele prato antes de comer comida estragada. Ele tem muito medo. Ela acha melhor que ele tenha mesmo. Mas no fim, ainda precisam se cruzar vários dias durante a semana. Ela tinha muito medo, mas agora não sente mais nada além de desconforto."
"Surtos da cabeça de uma pessoa com um cérebro e meio"
Segunda-feira, 12/02/07.
Was I crazy? There she was, this beautiful lady in front of me, all loving, all caring and boy... was she HOT? But I just couldn’t stand the fact that she wanted me.
Como pode, qualquer mulher em seu estado mental ajustado, me querer? Ainda sou “a momma’s boy”, correndo atrás da aprovação da dona galinha e correndo atrás dos rabos de saia... Ao mesmo tempo. E eu não tenho nada... Ela deve estar achando que eu sou filho de pais ricos. Escrota. Acho que ela, por ser mais velha e independente, me lembrou da parcela “mãe” que existe na minha vida, e vocês sabem... Mãe só existe uma. E caralho, uma já está suficiente. Então, apesar dela ser uma *DELÍCIA*, não dava pra rolar... Aliás, ela nem é mulher de “dar para rolar”. Ela é alguém especial. Deve ser uma merda ser ela. De tão especial, ninguém quer. Nada mãe. Ela queria que eu fizesse tudo que minha mãe reprova. Ela foi alguém rebelde, mas ela também sofreu muito. Eu sou inteligente e frio o suficiente para não deixar a mesma coisa acontecer comigo. Laurinha me ligou hoje, acho que vou sair pra dar um rolé com ela. Quem sabe não rola um sexo? Cara, aconteceu uma coisa muito estranha hoje... Acho bem que o João tava me dando mole? Aquela conversinha na volta pra casa, sobre se eu já tinha experimentado com outro cara foi muito estranha e do nada... Será que ele anda dando? Será que ele quer me comer? Ai, sai fora cara... Meu negócio é buceta. Onde foi que eu coloquei aquele guardanapo com o telefone daquela gatinha mesmo? Merda, não tou achando, mas assim que achar, eu vou dar uma ligada. Entre segunda e quarta-feira tenho dois dias livres; posso sair com a Laurinha num dia e com ela no outro. Assim, se a gostosa quiser me ver no fim de semana, sou todo dela. Mas cara, ela quer me chupar sem camisinha? Que merda! E o pior é que é foda dizer não! Ela fica me tentando, mas cara, eu me conheço... Vai ser uma merda depois. Vou ficar todo encanado, pensando que ela já deve ter feito isso com todos os caras que trepou e que vai me passar alguma doença. Caralho. Por que sexo tem que trazer doença? É foda. Eu não consigo ficar uma semana sem. Aliás, ultimamente, não tenho conseguido ficar nem com uma mulher só! Eu tou pegando geraaaaaal. ehheehehe
Segunda-feira, 19/02/07
Passei o final de semana inteiro com a gostosa. Caralho, foi bom pra caralho! Fudemos à veeeeera. Trepamos muito. Eu não conseguia parar e eu sei que ela tava gostando. Ela pareceu estar gostando. Ela gozou quase todas as vezes. Acho que fingiu também, mas eu não sei se era fingimento ou se ela gozou mesmo, ou se era só gemido. Mas, porra... Foi foda. Ela é foda. E ela é linda. Me colocou virado pro espelho, sentado no pufe cor-de-rosa dela e sentou em cima de mim, só com uma sainha de babadinho rosa e caveirinhas pretas. Completamente pelada e sem vergonha! A mina é muito safada. Disse pra eu olhar! Hahahahahahahahahahahaah Foi foda, me deu muito tesão. E ela é linda. Vai ser foda ir viajar nesse carnaval sem ela. Vou ficar com tesão a semana inteira e não sei se vou comer alguém. Mas quando eu voltar, dou uma ligada e a gente sai de novo. Dessa vez, quero comer ela com aquela outra saia. Tou pensando numas coisas muito doidas que essa mina faz um lado meu estranho querer vir à tona. Às vezes até tenho medo. Só penso em sexo o dia inteiro. E quanto mais eu trepo com ela, mas as outras minas me notam, e me ligam... E querem ficar comigo... E só mina gata! Eu querendo fazer a linha, mas tá foda... O poder da pica. Afinal meu sobrenome é Pinto, né? Tá no sangue da família.
Quando eu tava na escola, era motivo de zoação. Todo mundo ria porque eu me chamava Pinto Leite. Mas agora parece que atrai as abelhinhas pro meu mel. As meninas adoram e querem mais do meu leite. O poder da pica da família Pinto Leite!
Acho que a gostosa tá apaixonando, mas eu já disse pra ela que não quero nada sério, não tou afim de me prender agora. Ainda tenho muito jogo pela frente, não dá pra ficar preso. Ainda tem o lance que tá rolando lá em casa, que porra... Tá foda. Não posso ficar com niguém definitivamente até isso se decidir. Às vezes fica tudo bem, mas porque nos ignoramos mutuamente. Quando alguém resolve me proibir de sair ou quando eu resolvo explodir, aí fode tudo. Um inferno. Mas vai ficar tranqüilo. Assim que eu me formar. Só penso em sexo, mas quero fazer minha vida logo, porque desse jeito essas minas vão me levar à falência! Só o que tou gastando em camisinha é uma fortuna... Ainda toda hora desperdiço várias. Só achar que rolou algum problema. Tiro e ponho outra na hora. Qualquer coisa. A borracha está mais ressecada. Tiro e ponho outra. Ah, lembrei agora da cara da gostosa quando me chupou com a camisinha de uva... Fez uma cara de “iew, que horror!”, porque o gosto da borracha é ruim. Mas brother, se ela quiser me chupar vai ter que ser assim, porque eu não tou bancando pegar doença nenhuma. E eu até fico meio assim de deixar ela me chupar, porque ela vai querer que eu faça nela também e aí fodeu tudo. Eu não quero chupar ninguém. Vai ser uma merda ter que parar tudo pra colocar o papel filme na xoxota da mina. Mó quebra clima. Vou pra academia agora, antes que minha mãe chegue em casa e comece a encher o saco.
Domingo, 25/02/07.
Acabei de voltar de viagem e eu passei a semana toda na maior paranóia... Antes do carnaval, passei o final de semana todo com a gostosa e foi foda... Bom pra caralho. Mas depois eu viajei e fiquei com as outras meninas durante a viagem e agora não parece tão bom assim. Pra ser sincero, já nem me lembro direito! Fato é que deixei as meninas me chuparem sem camisinha e agora preciso ser honesto com a gostosa. Dizer pra ela que precisamos fazer exame de sangue. Porra, eu só faço merda... Como é que eu vou dizer isso pra ela?
Bom, uma coisa é certa; melhor dizer logo que dar merda. Vou fazer como sempre faço e colocar tudo como se fosse a coisa mais normal do mundo. Frio e calculista, sem emoções envolvidas. Ela sabe que eu não quero nada sério mesmo... Vai entender. Ela me entende. Deve ter imaginado que eu deva ter pego outras mulheres na semana de carnaval, né? Por favor... Se ela ficar puta, eu falo umas gracinhas, ela vai entender. Eu peço pra conversar com ela ao vivo... Vai dar tudo certo. Mas... Pra fazer o exame de sangue agora, só daqui a três meses. Caralho, e se eu tiver com AIDS? Não vou pensar sobre isso agora... Vou pensar só no que dizer pra gostosa.
* * * *
Acabei de falar com ela no telefone. Caralho, a mina me dispensou! Ela é muito escrota. Veio numa de possessividade comigo, querendo namorar, me cobrando eu não ter ligado pra ela durante a semana... Mulher é foda. Devia imaginar que rola um preço alto comer uma buceta tão gostosa. Fato é que ela me dispensou! Mas ela está certa, cara, eu quero experimentar agora. Quero ficar com todo mundo mesmo, espalhar minha semente. Mas não irresponsavelmente. Já basta um aborto na vida de cada um, não pretendo passar por isso novamente. Muito menos com ela, que disse que nunca vai fazer um aborto na vida! Imagina eu, pai agora... Nem com ela, nem com ninguém! Mulher louca... Falou toda esquisita no telefone, nem parecia a mesma pessoa. Tava toda fria. Deu uma gargalhada quando eu falei que se eu quisesse namorar, ela seria uma candidata fortíssima. Ao meu ver, ela devia ter implorado pra eu ficar com ela, ela devia ter me aceitado nas minhas condições. Mas ela não quis. Mulher mais velha é foda, muito dona de si. Tou mal agora, mas vai ficar tudo bem. Agora tenho mais quatro gatinhas pra passar o tempo. Demoro! Ainda semana que vem começam as aulas... Aí, vou me fazer.

