terça-feira, junho 05, 2007

óvulo não fecundado

óvulo... no meu ouvido sussura o vento. voa... para fora do meu ventre. olho para baixo e vejo o escorrer de mais um mês de vida perdida. mais um plano de sonho não realizado. sangro com todas as dores de uma vida morta. vivo, com todas as dores de uma morte viva. olho para o meio das pernas e sinto a vermelhidão sofreguida que lenta me chama para dentro dela. rasga as paredes do meu útero, arranha como o fantasma do inascido. período que me faz mulher, me lembra mulher. quero voltar a ser menina, mas cedo foi-se a ilusão do abismo como ponto de partida. para baixo, apenas uma queda, pelo menos livre, pronta para o encontro de corpo e chão. para cima o céu aberto. a alma salta a cada tombo, fico menos pertencente a este mundo e faço mais parte de uma camada submersa. como muitos doces, tento suprir a falta. quero ninar o belo, quero ouvi-lo chorar. uma cantiga de ninar para este que se foi, acabo que pego no sono. são oito da noite, então escuto oito badaladas. preciso acordar para a vida. mas meu corpo se nega; ele quer respeito e luto.

sábado, junho 02, 2007

Enjôo de alma na gruta de Perséfone

Transaram. Não havia sido tão bom quanto na imaginação, a preliminar inicial que só acontece na mente de alguém que se prepara para um ato, melhor dizendo, a punheta mental. A mente masturba o corpo até o ponto em que o tesão precisa explodir no plano físico. Era como em um sonho; de repente ela percebera que confundira os planos. Aquele tesão que sentia bem abaixo do umbigo, que lhe queimava a fronte e as partes baixas durante o dia inteiro era um tesão pela vida, projetado nas pessoas. Antes, era um tesão por si mesma, numa constante relação sexual narcisista.

Enfim, já tinha desistido da idéia de experimentar o seu Édipo quando ele manifestou a vontade dele, uma vontade detestavelmente senil, talvez decorrente dos trinta anos de diferença em idade entre eles. Aquela necessidade absoluta de se ter certeza do que se está fazendo, essa mentira constante que insistimos em contar a nós mesmos, mesmo até a qualquer custo, tentando controlar as situações que se apresentam nas nossas vidas num gesto único e desesperado de constatação da total falta de controle. Quando paramos de controlar, deixamos fluir. E como podem, as pessoas deste mundo, simplesmente deixar o fluxo correr? Não podem, não se deixam. Precisam controlar. Mas cansaço. Fizeram o que ela já tinha decidido não fazer. “- Decidimos as coisas para podermos ir contra nós mesmos.” – pensou; “Isto é uma relação neurótica, e quero ser saudável.” Beijou o ombro direito.

Nelson Rodrigues me disse que a nacionalidade brasileira nos faz sobreviver fazendo piadas. Uma condição básica para existir com saúde é saber rir de si próprio. É uma ação permissiva para com o próprio umbigo, se permitindo ir em frente, se atirando nas experiências e, depois, rir com os ratos. “Hum... Que sensação gostosa estou sentindo, bem lá em baixo... Quero ser preenchida por vida, estou preparada, estou molhada e tenra. Vamos lá, vamos ver o que acontece se eu abrir as pernas e me deixar tocar, me deixar ser sorvida, me permitir me doar naquele mel. Eu sou um mel. Doce. Redundantemente doce.”

Assim passava seus dias, a cada momento que parava, queria ser preenchida. Era um tesão na contravenção, e teriam gozado muito mais de seus corpos e de suas presenças se não fosse a inadequação social e todos aqueles problemas de enfrentamento de uma própria limitação psicológica através da sociedade, já que ambos sentiam o mesmo tesão e a mesma tensão. Que relatórios dariam aos olhos curiosos que invadiriam a atmosfera daquela dupla? E ambos sentiam que passariam a dever explicações ao mundo. A falta de liberdade que assola a humanidade por conta do livre arbítrio. Construímos nossas próprias correntes e arrastamos nossas cruzes quando nos encarnamos neste mundo e não temos nenhuma desculpa por escolher a dor ao prazer, já que é sempre uma escolha nossa. Mas é tudo sempre tão interessante. Prazer junto com a dor. Prazer e dor indo e vindo, se misturando, saliva correndo, assim como outros fluídos.

Lençóis bagunçados. Pessoas deitadas uma ao lado da outra, agora nuas, sem moral nem máscaras, apenas montadas em suas inadequações à convivência com tudo o que é humano e que habita em seus corpos. Sem o fogo do espírito, eram apenas duas carcaças podres. Era esse olhar que tinha em seus olhos quando virou para o lado e encontrou uma pessoa não mais interessante. Consumido e exaurido em poucas horas. Os momentos são mesmo muito voláteis! Em dois segundos colados, no primeiro algo existe e, no segundo, não existe mais. E ela sentia-se como uma devoradora de homens, a natureza que realmente tinha e que só podia manifestar secretamente em seus desejos. Devorava os homens com propriedade e suculência. Adorava sorver suas almas naqueles beijos, naqueles gemidos. Uma vez a presa devorada, ela encontrava-se presa a essa realidade, já que uma vez a alma absorvida, a pessoa encontra-se sem vida própria e ela passava a ser responsável por aquele ser inseguro e confuso que se encontrava ao seu lado, dizendo “eu te amo”. Cansaço e agora, um pouco de nojo. Indigestão seria a melhor palavra, pela prática constante da gula do seu apetite sexual, somada à curiosidade. Tem a conta exata das carcaças que existem em putrefação dentro dela. É o que restou daquelas relações e também é o contato com seu próprio esgoto. Não consegue aceitar que, no estágio de idealização e fantasia, o sexo é um contato com os céus e que, depois de consumado, é um contato com seus infernos. Não poderia chegar a nenhuma outra conclusão a não ser a de que ainda era uma romântica, um tanto gótica, mas romântica.
“-Dormir agarradinhos? Você deve estar maluco. Estou indo embora. Não vamos fingir que exista intimidade; eu ainda preciso de um pouco de verdade.” – ela disse. Devolveu a alma a ele, antes que vomitasse todos os anos anteriores. Precisava estar a sós consigo mesma, dentro da sua gruta mágica, escura e silenciosa para reorganizar os mortos.


quinta-feira, maio 31, 2007

Dentro do túnel

Dentro do túnel, mais de uma luz. São várias à minha volta. Devo confessar que me embaralham a visão e destroem as barreiras da razão. Estou no comando de um carro, eu dirijo. As rédeas do controle são minhas e eu quero ir em frente, mas não que as retenções me incomodem muito, estou, geralmente, concentrada na distração. Meu carro não corre, ele desliza. As luzes desorientam.
Eu uso o túnel que liga os sentidos Zona Norte e Zona Sul, o mesmo que dizer as direções de Terra e Fogo, para me movimentar e, muitas vezes, eu grito dentro do carro. Grito de um jeito que nunca consegui fazer ao microfone. As pessoas gostam de adjetivar, não é? Louca. Pode dizer. Mas eu sou um tanto mais científica a respeito disso, vou destruir o adjetivo com argumentos. O aperto no peito, a angústia da barriga, tenho certeza de que você as conhece; todas são expelidas dentro do túnel, pelo meu grito. Estamos tentando estruturar o caos aqui. Uma loucura bem sedimentada, é do que precisamos.
Eu grito de janelas fechadas. Gosto de ter privacidade. Eu quero gritar e ninguém mais precisa escutar. Não deixarei de gritar para poupar os ouvidos dos outros, apenas fecho as janelas. Acho justo. Grito com o peito, com aquele buraco instaurado e oco. Grito seco. Quando a quantidade de energia está causando retenções na fluência da minha energia. Quero expressar algo, não assustar as pessoas. Há uma didática aqui, preste atenção: estamos aprendendo a nos livrar do estresse sem perturbar os irmãos. Retire o peso extra sendo fiel a si mesmo e também considerando os que estão à volta. Eu tenho uma teoria: quanto mais velhos e mais reprimidos, mais loucos. Então há mais necessidade de gritar as vozes que foram castradas há décadas, na época da ditadura familiar. Tenho vários exemplos, porém não citarei nomes. A loucura nos reprimidos precisa se sentir à vontade para se expressar e, dentro do carro, é uma excelente opção. Através do meu ponto de vista, gritar dentro do túnel não chega nem a ser uma loucura, é só mais uma prática. Garganta, esôfago. Fôlego. Você com você mesmo, dono da sua direção. Respire fundo primeiro. Agora dê o volume máximo das suas cordas vocais, por quanto tempo agüentar! Isso mesmo, dê aquele “AAAAAA”, longo e rasgado. E grite quantas vezes forem necessárias. Não há julgamentos aqui. Este é o seu plano. Você quem o comanda. Esqueça das luzes no fim do túnel, elas não orientam. Apenas grite sua dor ou seja lá o que for para fora de você. Atravesse o túnel da escuridão em agudo máximo para chegar ao outro lado mais livre de si mesmo e, o mais importante, em silêncio absoluto.

quarta-feira, maio 30, 2007

O cuspir da ira

A ira é gerada a cada vez que uma frustração toma forma, ao invés da expectativa. Sempre que temos um sonho negado, ficamos frustrados e a ira se concretiza. Em alguns casos, a ira é exteriorizada, mas no meu caso não. Costumo "explodir para dentro". Engulo os sapos. Percebi esse processo ontem, que é exatamente o que me causa dor, não o fato em si, mas essa atitude de pouco amor para comigo mesma.
Sou lenta para processar um fator gerador de ira e preciso de um tempo para digerir tudo. Sou o que se pode chamar de "ruminante". Com isso é claro que meu aparelho digestivo fica comprometido. Ele foi feito para digerir comida, absorver nutrientes e separar o lixo, e aqui estou eu, tentando digerir sentimentos. Tentando entendê-los com meu estômago, tentando lidar com eles com meus intestinos. São minhas vísceras que lidam com essa carga emocional. Tudo muito racionalmente. A ira que não digere, se acumula.
No entanto prometi a mim mesma que não mais iria acumular ira, almejando não mais ter que engolí-la. E a ira foi provocada em mim ontem. Está tudo atravessado na garganta, já tenho o texto pronto, engoli parte do negócio mas percebi o processo e pude parar no meio do caminho, impedindo o resto de descer. Cuspirei a ira assim que o alvo for detectado. Sem medo de fazer o papel da louca. Falarei em tom de voz razoável, meus argumentos foram ponderados. Não mais farei aquilo comigo mesma. Cuspirei a ira, agora e sempre que for preciso. Estou correndo para um processo subversivo; o de me tornar uma pessoa saudável.

segunda-feira, maio 28, 2007

O Fator Gato

A cada dia que passa me convenço mais de que sou gato. São vários fatores que me levam a esta crença. Tenho uma gata por perto para observar e quanto mais tempo passa, mais ficamos parecidas e sugamos as manias uma da outra. Ela gosta de ficar grudada e de dormir no quentinho, comigo, é claro. E ela, mimada, quer atenção na hora que quer. Ela gosta de sentir meu cheiro, por isso deita em cima das minhas roupas. Ela vem para o meu cólo quando eu canto, ou então fica miando na porta para deixá-la entrar. Igualzinha a mim. Quero cama, comida e roupa quentinha, cheirosa, lavada e passada. E quero ser mimada com muito, mas muito carinho.
O meu rabo de gato astral é outro exemplo, que não pára de mexer durante todo o dia, especialmente enquanto relaxo ou quando sinto tédio. O meu pé, às vezes, dá uma de rabo. Aquele rabo de gato, que se mexe delicadamente, esnobando o ar à sua volta. Além disso eu mordo e arranho, mas aviso antes, que nem ela. Agora, um ponto fortíssimo que me convenceu disso foi que noutro dia percebi o quanto sou curiosa. Sabe aquela história da curiosidade matar o gato? É mentira. Porque gato tem várias vidas para gastar. Mas a curiosidade é latente, e faz gato pular do telhado atrás de passarinho. Ou borboleta. Só que se a gente pegar, mata.

sexta-feira, maio 25, 2007

Um trigo, dois trigos, três trigos.

Um enrolar de línguas. Um não saber se expressar depressa. Um tropeço de raciocínio. Um estalar de dentes, talvez uma mordida de língua. – Cuspe na testa?! Quem consegue, manifesta na fala a rapidez do albatroz, veloz, em sua ação mercuriana. É uma Carmem Miranda. Batuque de boca. Chic-chic-Ah. Um alívio para o espírito. Carmem Me-bomba. Carmem... mem... mem... mem... “AAAAAAA... -... tchim!”

Raio de Minerva

Meu pensamento cortou minha cabeça, sumiu do quarto, atravessou a sala, não conseguindo esperar pelo elevador, tomou as escadas, foi para o olho da rua atrás de você. Em um piscar de olhos, cruzou a cidade e lá estava, o meu pensamento, invadindo as paredes do seu quarto, tomando você em sua cama, sorvendo seu espírito pela boca. Meu pensamento invadiu seu espaço, despi você com os olhos, rasguei sua carne como roupa, chegando ao centro do seu ser, cuspindo com você, um orgasmo. Cheio, porém insatisfeito, saiu à caça novamente, o meu pensamento, em nova aventura. Não conseguindo esperar mais nem um segundo, pulou os dias até o próximo encontro. Os pensamentos são desrespeitosos, não seguem regras, não seguem nem o tempo e espaço! Aceleram nosso coração, têm total poder sobre nossas cabeças, atrapalham nosso sono, tiram nosso sossego! Os pensamentos geram sensações inexistentes, nos fazem gozar dentro do ônibus, nos fazem querem voar como o vento! Fazem eu querer concretizar todos esses momentos imaginados, invasores, coloridos de sabores, cheiros, cores e também com todos os amores, milhões de mulheres e homens, sem querer saber do raio em quilômetros. Raio de Minerva, me desfaça sua serva, me liberte da prisão que me mantém acorrentada aos meus pensamentos e subordinada a eles! Quero parar de fantasiar, porque enquanto não paro, minha vida pára e meu pensamento fica pulsando no meu cérebro, interrompendo a circulação sangüínea, deixando a respiração arrítmica, tomando todo meu tempo e fôlego na possibilidade de existência num mundo abstrato.

Sens-ação

escrevendo sobre o nada
É um clima de lua, talvez uma noite passageira que tenha vindo durante o dia. É uma sensação inoculada de prazer retido e uma falta de ação para com o mundo. Apenas há um sentimento de que algo poderia e deveria acontecer, mas minha atenção, vaga e sem foco, se atém a uma imagem de desejo e de concretização do desejo, porém com desfecho em frustração. Percebi que minhas fantasias são tecidas no plano mental e é lá que ficam escaldando. Estou apaixonada pelas idéias, mas a única atitude que posso ter é tentar tirá-las da cabeça e colocá-las na carne. E entender que, depois disso, não tenho mais controle sobre a situação que vai acontecer. Fico torcendo: “toca, telefone, toca!”, mas percebo que é inútil. Percebo que o tempo que vou levar daqui até lá será uma tortura, até o dia do próximo encontro, que é incerto, pois tudo pode acontecer nesse meio tempo. Fica a sensação do sonho nutrido sem válvula de escape, de desejo contido que não se pode resolver sozinha, porque falta a energia do outro e fica um vazio no meio do dia que poderia ser perfeitamente preenchido por vinho.

quarta-feira, maio 23, 2007

As gotas d'água

Está nublado. Quero lamber a umidade do dia para amenizar a queimadura na língua feita pelo café. Estendo a língua para fora da janela, no entanto, todas as gotas erram a minha boca.

domingo, maio 20, 2007

O papel do futebol na evolução espiritual das pessoas

Algumas respostas vêm como ondas. Você lança o questionamento ao mundo e, depois de um tempo, obtem a resposta. Esse mecanismo de aprendizado é fantástico, funciona mesmo.
Eu nunca entendi o que leva tantas pessoas aos estádios, para assistir qualquer partida de futebol. Sempre achei que fosse um esporte idiota e disparatado. Homens correndo atrás da bola, tendo que chutar para dentro do gol, ganhando milhões de reais... (???)
Mas mais longe ainda do meu entendimento estavam as pessoas que pagam para ir ver isso, com direito a suor, lágrimas e gritos. No entanto, a resposta me veio no refluxo da pergunta por esses dias, e estou começando a entender agora. É uma coisa muito maior que eu estava lendo na superfície.
Uma amiga disse que mesmo não gostando de futebol eu tinha que admitir o poder gerado pela torcida, que é algo realmente emocionante, mesmo para quem detesta futebol. Isso foi o que trigou minha resposta. O que leva as pessoas ao estádio não é o esporte em si, mas o que ele libera no cérebro dos torcedores. É neuro-química. Torcer para o seu time, no meio da torcida, principalmente para quem gosta de futebol e é um torcedor apaixonado, libera uma descarga surreal de prazer no cérebro das pessoas, não só porque estão presenciando um jogo do time, mas porque elas se sentem pertencentes aquele mar de iguais. Sabem que são uníssonas com o grupo e que estão unidas pela mente e pelo coração, em prol de um ideal maior.
Essas pessoas juram de pés juntos que estão lá por causa do futebol, mas elas estão se enganando. Elas estão lá porque a sensação gerada é uma sensação de integração com o cosmos. Essa vibração grupal é a união através do chacra Anahata, do plexo solar, o coração e essas pessoas experimentam um sentimento que é único e que, para elas, corresponde à experiência de ir torcer para o seu time de futebol, mas que na verdade é a celebração do amor divino, de pertencimento a algo maior que elas mesmas. Assim também se dá às pessoas que experimentam concertos e qualquer situação grupal na qual exista integração através de um foco específico (música, esporte, religião, etc).
E para vários ir ao estádio é mesmo sagrado. É um cerimonial. Entender isso vai me ajudar a não criticar mais as pessoas que têm esse prazer. No entanto ainda me incomoda bastante o salário dos jogadores.

Nova campanha anti-tabagismo

Uma nova campanha anti- tabagismo vem sendo anunciada pelo Ministério da saúde. Eles afirmam que a porcentagem de fumantes que deixaram o vício foi ínfimo, mesmo após as inúmeras advertências atualmente estampadas nos maços. Após pesquisas realizadas com homens e mulheres de diversas idades, para reduzir custos e melhorar resultados, as advertências serão reduzidas a apenas duas: "O ministério da saúde adverte: fumar causa impotência sexual nos homens." e "O ministério da saúde adverte: fumar causa celulite nas mulheres". "-Esperamos com isso reduzir o número de fumantes no Brasil e no mundo.", diz o secretário geral do ministério.

sexta-feira, maio 18, 2007

Experimento II: sem a ajuda dos olhos

Em fevereiro deste ano, eu e mais uns amigos em São Paulo fizemos uma brincadeira que acabou por se tornar bastante ampliadora do sentido da visão. Nós vendamos nossos olhos e formamos um círculo no meio da sala, e começamos a tatear tudo à nossa volta, inclusive uns aos outros. Primeiro nos sentimos planetas orbitando numa constelação, ficamos só rodando ao redor uns dos outros e ao redor de nós mesmos, dando muitas gargalhadas. Depois, a brincadeira era tentar adivinhar quem era a outra pessoa sem a ajuda da audição, apenas tateando na altura, rosto, etc. O objetivo era passar por aquele período de tempo sem enxergar, tentando realizar as ações convencionais de uma reunião social (conversar, ir ao banheiro, pegar coisas na cozinha, trocar a música, etc) sem a ajuda dos olhos.
Claro que algumas pessoas não agüentaram a imposição e roubaram, retirando a venda. Mas outras, como eu, resolveram levar a cabo a experiência. Tentamos mudar a música num som que não funcionava direito, tateando os botões do aparelho. Também fui até a cozinha me servir de um prato de macarrão, o qual já estava pronto na panela, mas que eu tive que esquentar e me servir. Também tive que lavar a louça depois, com os olhos vendados e me servir de vinho (procurar talheres, taça, prato limpos). Uma amiga, também com os olhos vendados, ajudou.
Uma das coisas mais evidentes é que é extremamente possível viver sem a ajuda dos olhos, mas é fato que eles fazem uma falta tremenda, especialmente quando se tem pressa. Por isso imagino que as pessoas cegas sejam bastante calmas, pois são obrigadas a fazer tudo devagar. Não existe a mínima condição de se andar com pressa, tatear objetos na cozinha com pressa, fazer qualquer coisa com pressa.
É interessante. Eu recomendo vendarem os olhos e tentarem a mesma experiência. Muito válido nos experimentarmos nesse sentido. Quem tem todos os sentidos funcionando perfeitamente quase nunca entra nesse universo deficiente. Não sabemos que dificuldades apresentam o mundo nesse universo. No entanto quem entra percebe novas verdades. Verdades que enxergam além do que o que os olhos podem ver.

quarta-feira, maio 16, 2007

Experimento I - Apague as luzes

Experimente fingir que estamos sem energia elétrica. Acenda uma vela e vá para o chuveiro. A princípio pode parecer escuro, mas com o passar do tempo você se acomoda à pouca luz. Aliás, a pouca luz é tão mais confortável...

Até que você percebe que enxerga perfeitamente tudo do que precisa com a chama de apenas uma vela. Estamos condicionados a termos tanto estímulo visual que nem notamos o quanto nossos olhos estão cansados.

Apague as luzes. Você vai notar que consegue ver as coisas muito mais claramente do que com todas as luzes acesas e em cima de você. Apague as luzes para ver melhor.
Apague as luzes do mundo para se ver melhor.

sexta-feira, maio 11, 2007

O caminho do sol - II (leia antes a primeira parte)

Procure o significado de si próprio no dicionário da vida. Pessoas são como letras, são as relações que formam frases. Encontramos partes de nós refletidas nos outros. Essas partes muitas vezes concordam e noutras discordam e não gostamos do que vemos. Mas tudo está em todos. E eu estou coletando as partes de mim para fazer um eu inteiro. E, como toda definição precisa de um referencial, estou tirando do mundo o olhar sobre mim e voltando a minha atenção para o que realmente me interessa: eu. Não quero ser construída em cima de bases externas. Não procuro a aprovação, eu procuro satisfação. Então, não é como as pessoas reagem a mim, mas sim como eu me sinto. Não é como elas fazem eu me sentir, mas é no que eu acredito. Não é como os outros me vêem, mas sim como eu me vejo. E aí, vou desconstruindo meu ser, retirando camadas impostas e colocando camadas escolhidas a dedo.
A desconstrução do ser é imprescindível para a expressão total do ser. Como pode alguém acreditar que se conhece sem ter desmontado as suas pecinhas antes? Você precisa entender os seus fragmentos, precisa se desmontar. E o que é interessante sobre o caminho do sol é que antes você precisa entender o caminho da lua. Mas não é bem assim que acontece também; primeiro faz um, depois faz o outro. É tudo meio simultâneo. E às vezes acontecem algumas surpresas. Por exemplo: eu sempre achei que minha forma de me relacionar com as pessoas e com o mundo dependesse dos meus sentimentos, e que minha auto-estima também dependesse inteiramente de não estar magoada ou ferida por dentro. E descobri recentemente que não é assim! Podemos ter uma excelente relação com o mundo e com as pessoas e estarmos nos sentindo fragmentados por dentro, incompletos, sensíveis, emocionalmente abalados, mas continuarmos perfeitamente cientes do nosso valor. E eu sempre achei que para sugar o prazer das situações minhas emoções deveriam estar intactas, quando isso não é real. Eu sempre achei que um trânsito terrível sobre a Lua fosse afetar a Vênus de uma forma determinista e fatal e estou descobrindo que “Lua é Lua e Vênus é Vênus”. Cada qual no seu lugar e uma não impede a outra. Daí que Eva e Lilith caminham juntas, Maria Madalena e Nossa Senhora caminham juntas. Instinto de mãe e instinto sexual caminham juntos, mas são duas coisas diferentes numa só.
Portanto, para passar para o início do conhecimento de si mesmo, é preciso subir aos níveis confusos, indefinidos, imediatistas e misturados das emoções. E enquanto sua criança interna berrar por alimento da alma, ou seja, atenção, carinho e afetos em geral, seu sol não vai conseguir brilhar, pois você estará ocupado pedindo sua nutrição ao mundo. Mas há anos o seu cordão umbilical foi cortado, e você não se deu conta. De que precisa aprender a alimentar a si mesmo, com as coisas do mundo, entendendo o seu universo interno. É mais fácil esse caminho para quem segue o caminho das estrelas. Quero dizer também que muitas pessoas passam a vida se ressentindo de terem sido separadas da grande mãe. Essas pessoas passam mais tempo sofrendo do que trabalhando. Quem quer comer do bolo, ajuda a plantar o trigo. É mais simples pôr a mão na massa que assistir ao preparo do bolo, sentir o cheirinho do bolo quente na cozinha e não poder comer dele.
Digo que está tudo em nossas mãos: a felicidade ou infelicidade do SER depende de quanto volume você dá às suas diferentes vozes e de como você as coloca para conversar. E do quanto você acolhe sua inadequação. A inadequação da alma no corpo precisa de um capítulo só para ela, e este já está bem longo. Fica para depois.

O caminho do sol - I

Para ser, é preciso primeiro “nasSER”. Mas não basta nascer para ser. Depois, é preciso crescer. Então, nossos pais vão colocando várias camadas educacionais sobre nós, outras vamos desenvolvendo por uma necessidade básica de proteção e vamos acumulando cultura: pensamento judaico-cristão, time de futebol, capitalismo, televisão, etc, achando que por começarmos a definir nossos gostos estamos desenvolvendo um senso de personalidade. A personalidade é mais uma camada que exteriorizamos para o mundo ver o nosso mundo. É um problema de título. A fachada define a pessoa pelo corpo físico como um título chamativo atrai as pessoas para um livro ou filme. E quem tem necessidade de ter várias facetas fisicamente, se enfeitando com piercings ou tatuagens em apenas um lado do corpo tem um problema de indecisão: quer ter mais de um título, o que é até mais natural e saudável do que adotar um título só e mantê-lo até o final da vida, mas enfim: eu queria escrever sobre o nosso desleixo, para com nós mesmos. Quem é que pode dizer que nasceu pronto? Quem diz ser, de primeira, sem tentativa, sem acerto nem erro não nasceu sendo, mas nasceu mentiroso. Estava pensando no caminho que fiz até hoje para conseguir ser. Quantas voltas dei, quantas descidas ao meu inferno fiz, quantas idas e vindas por ter esquecido de levar detalhes importantes? Eu não acredito então que possa ser mais fácil para os outros. Acredito que possa haver pessoas desinteressadas. Mas eu quero ser criativa, dona de mim mesma e por isso estou tentando me definir a partir do meu olhar sobre mim, desprovida de camadas. Eu quero SER, na totalidade. Acredito haver pessoas que compram máscaras prontas, existem tantas, que acabam acreditando em algumas, nas que mais usam. Na máscara de mãe, de filho, de profissional, de simpáticos, de “easy-going” ou o oposto, de ranzinzas, etc.
É possível ser sem a persona? Pessoa em português vem do latim persona. Persona em latim não é pessoa, é máscara. Podemos ser pessoa sem usar máscaras? Ou seu uso é mandatório, para a lida social? Quem olhar no meu rosto, sem máscara, verá um vazio? Não escutará um eco? Pior, verá o monstro desconhecido que é a si próprio sem um espelho? Não se sabe pois não nos permitimos andar por aí nus. Nus que eu digo não é estar desprovido de roupa. As pessoas peladas que pousam para as revistas estão sem roupa, mas não estão nuas.Vestiram a couraça. Andar nu é amoral. As pessoas só conhecem moral ou imoral. E o imoral hoje é ousado. A moral é careta, o amoral é inconsciente. Ninguém conhece. Já que ninguém conhece e eu sou ousada, resolvi fazer do amoral a minha moral. E ir me desnudando. Mas a pressão é incrível; é quase impossível me desfazer das camadas postas em cima do meu ser. Eu tento, dia após dia, mas o universo das camadas não é simples. Não ache que, depois de conseguir retirar uma camada será uma a menos. Não é assim que funciona. O universo das camadas não é linear nem cartesiano. Uma camada que tiro num dia, no outro está mais forte. Para cada camada que retiro, surgem 3 novas: é um trabalho do cão. Por isso, quem resolve fazer esse caminho subverte valores e se identifica com as trevas, porque você lida com luz e sombra o tempo todo. Diferente do conceito barroco de almejar a redenção e viver no pecado. Como eu disse, aqui no universo do SER não existe moral, portanto, não existe pecado. Existe sim um almejar a divindade e sentir-se demônio, denso. Mas não existe distância entre anjos e demônios, nem entre pessoas e deuses. Está tudo bem próximo. Podem até ser camadas de outra natureza, camadas extra-fisicas, camadas astrais estas, de nos tornamos deuses, devido à proximidade de naturezas entre espírito e matéria.
Firme e forte, mesmo que a alma sangre, é o desejo do espírito estar nu. E se não fosse pela filosofia cristã, arraigada a algumas camadas do nosso “ser- brasileiro”, teríamos prazer ao nos desnudar ao invés de sofrermos.
Pensem: é uma coisa mesmo imposta. A gente não sabe nem falar quando decidem por nós. Jogam uma água na nossa cabeça, falam umas palavras furadas e pronto: estamos batizados. Talvez agora façamos parte de uma coisa que não seja da nossa natureza.
Não era da minha natureza, então não demorou muito para eu virar a casaca e querer destruir o criador. Enquanto os outros do mundo lhe acusam de anti-cristo, você recebe o segredo da vida do universo e a chave para a primeira porta. Não é bem estranho? Mas é assim que acontece. Por isso a gente sabe quem já passou da primeira porta. Quem já passou reconhece os outros, já que a primeira porta é o seu corpo. Não é que nem virgindade, a densidade do ser fica diferente, você inverte o prisma de visão. E há uma abertura na pessoa, uma necessidade de conhecer e experimentar, uma abertura para o novo, o diferente. Há uma tolerância maior também para o que não é você e um maior interesse em conhecer o além de você que é, na verdade, o outro como ele verdadeiramente é.
O caminho com luz não é necessariamente o caminho do bem nem o caminho iluminado, e você aprende isso. E Lúcifer não é o pai das trevas, já que ele é a própria luz em si. Sempre desconfie da história que contam. No dicionário de latim, é esse o significado da palavra e eu gosto de procurar a origem das coisas. Entender de onde vêm os movimentos.

Alguém quer um autógrafo do papa? Terá que vencer o "papamóvel" antes.

Se vocês correrem, conseguem alcançar o papamóvel. Ele é bem menos veloz do que as minhas palavras. Talvez vocês até consigam um olhar daquela carinha santificada, ou mesmo um sorriso platônico bastante ortodoxo daquela pessoa em conserva, por de trás do vidro verde blindado.
Não acho plausível uma discussão em torno da possibilidade do não uso da camisinha. Sabem?
Estamos em... Vamos contar? 2007

Eu mencionei um cristo esquálido, né? Para os evangélicos não soou muito bem. Não me desculpem então, os evangélicos, porque essa história de papamóvel é tão chata que até o Jesus da folhinha de cozinha da minha mãe está olhando com cara de tédio!
Mami tem Jesuzes pela casa e eles estão todos nas suas cruzes. É que eu tenho preferência pela vida, e gosto de pensar nos meus heróis saudáveis, felizes e vivos! Sabem?

Também não se deixem levar muito pelo que lêem... Contos e crônicas são baseados em sensações e passam sensações, são construídos em cima de faz-de-conta. O que é real é a sensação, e não existe "sentir certo" ou "sentir errado", apenas sente-se. Por favor não saiam por aí agredindo os atores das novelas que interpretam os vilões.

O meu natural é tão estranho que quanto mais natural eu for, mais desconfortável vai ser para quem não é natural. Quem é feito de farinha e leite acha que tudo o que uma pessoa naturalmente faz é feito para chamar a atenção... Não é, gente! É ser natural. Se eu escrevo "eu tenho alma" no braço, numa faculdade católica aonde a maioria das pessoas não têm, eu corro o risco de incomodar. Cantar alto, nem pensar! Então eu mordo o lábio para não cantar e se quero dançar, eu me balanço, tamanha é a pressão para não ser natural. Mas eu estou tentando vencer o conflito. Watch me become natural. Mas o meu natural é desconcertante. -Estou avisando previamente-

Também não acho legal as pessoas acharem que precisam ficar anônimas, eu sempre acho que todo mundo sai perdendo pela falta de diálogo.

- Nossa, estou me sentindo meio Gregório de Mattos agora. Viram pessoas, como eu presto atenção nas aulas de Literatura? ;)

Mas adorei! Voltem sempre.

E para quem perdeu tempo lendo, corram, corram que o papa está passando!

Ele está passando!

Passou.

quinta-feira, maio 10, 2007

The Dreamland
- Capítulo 1

Eu, a morte

Desde que nasci, eu, a Morte, sou obrigada a ter uma vida normal e a enfrentar as dificuldades que qualquer ser-vivo encontra. Fui à escola desde criança, disfarçando o disparate de um espírito antigo num corpo novo e disfuncional, e nunca gostei de ocasiões sociais, principalmente das primárias.
Tive que aprender a aprender todos os aprendizados mortais: andar, falar, escrever e me relacionar. Esta última é a que considero a mais complexa, já que eu, Morte, sempre tive que lidar com as pessoas na proporção de “um para um”. Dessas relações sempre dei conta, mas não sei lidar com grupos. Saber o que responder aos resmungos das pessoas nas filas de banco, acho que viverei sem saber.
Hoje estou na faculdade. Hoje é o décimo nono dia, do quarto mês do sétimo ano do segundo milênio depois de Cristo, e eu estou sentada na segunda coluna, quinta fileira que vai da porta para a janela da sala, da esquerda para a direita para quem entra, no primeiro andar de uma faculdade católica. Nesta faculdade há, em cima de cada quadro-negro, um crucifixo com um Cristo esquálido, no qual ninguém repara a não ser quando a aula nos toma do mais sincero e puro tédio. Por acaso hoje a professora de Literatura resolveu falar da morte. Ela está tentando explicar o quanto é importante para a vida das pessoas a consciência de mim. Mas eu estou aqui, sentadinha, calada, observadora da situação mais estranha que já passei em vida. Aqui, bem na sala dela. Sem que ninguém nem cogite esta possibilidade.
Vi poucos acidentes, tento escapar do desagrado de ver os corpos abertos de pessoas e animais agourando, esperando por mim. Agora que tenho um corpo como o deles, sei o quanto dói perdê-lo. Anos a fio cuidando para entendê-lo, e depois, de repente, tudo se perde. Mas o meu papel se dá depois disso, no campo etéreo, aonde carne não entra. Aliás, não sei como podem as pessoas comerem a mesma substância da qual são constituídas e ainda fazerem disso uma ocasião a ser celebrada socialmente. Animalescos. Primitivos. Muitos ciclos ainda precisam passar. Maldito juízo de valores que cabe a mim. Sempre questionando. Quando eu sorrio não sorrio com eles; sorrio deles. Esqueço-me sempre da situação na qual me encontro: entre eles. Por isso, muitas vezes, passo por eles como um fantasma, mas me assusto quando me notam. Quando me notam, poucos detectam que existe algo peculiar por de trás da máscara de gente. Poucas pessoas olham nos meus olhos e as pessoas que olham, que conversam comigo, não entendem, não conseguem formar conceitos sobre mim, pois sou extremamente contraditória. Opostos supremos!
Continua lá, aquele Cristo esquálido, dependurado na sala. A mim lembra algo desagradável, mas eles parecem não se importar. Tudo é muito banal neste mundo, para esta geração planetária. Ainda me lembro de quando ele veio até mim... Saber de onde ele vem, saber para onde foi e ver no quê ele foi transformado aqui neste lugar é um pouco triste. Além do que, as pessoas não têm noção das suas feições, o que pode ser muito engraçado. Estas em nada se assemelham à imagem que adoram. No entanto, nada é aleatório. Tudo tem um porque, apenas as pessoas não se perguntam qual é. Elas acatam tudo o que dizem. Concílios se reúnem e decidem séculos de existência e elas não percebem nada. Nada de estranho. É como se a humanidade vivesse num sono profundo. Muita claridade cega os olhos deles e, hoje, os meus também.
Na minha forma original não tenho olhos. Eu sou toda presente e toda onisciente, como se houvesse olhos em cada núcleo de célula da minha pele, se eu tivesse pele. E eu reúno todas as coisas em mim. Sou um pouco parecida com o Caos de Todas as Possibilidades, só que dele as coisas saem e, para mim, as coisas voltam. Poucos vêm me conhecer por vontade própria e sem desespero. Eu exerço uma atração incrível e inexplicável, mas também um medo contínuo e absurdo. Sou quase como o segundo Deus para os monoteístas; quando não agem pensando no seu Deus, agem pensando no medo de mim. As coisas são em verdade bem mais simples do que aparentam. Morrer é, na maioria das vezes, como um sonho incontrolável, desses que sonhamos acordados. Tipo da fantasia que temos e vemos as coisas acontecendo sem que de fato aconteçam. Por isso é tão importante sonhar. É com esse músculo que se exercita para a morte. Podemos dizer que sonhar é como um treino para morrer. Completamente necessário à vida.
Ainda não disse como é quando me encontro comigo mesma. Essa explicação fica para outro dia. Estou usando este corpo ao máximo; depois descrevo a incrível sensação da “petite mort” dos franceses, quando volto à desorganização por alguns segundos. Orgasmos. Descanso. A morte é tão natural. -E eu sou mais fácil e mais dócil do que se imagina- mas este não é um convite a mim. Cada um no seu tempo. A entrega pode ser num suspiro ou pode ser arrancada. Só depende da pessoa.
Existem pessoas que lidam muito bem com processos de morte, elas são chamadas Plutonianas, mas nem todo Plutoniano está aberto a me receber. Muitos trancam a chave que receberam para os meus segredos a sete chaves. Também as pessoas que já passaram por Daath sabem como lidar com suas pequenas mortes, conhecem os processos de vida, morte e renascimento. Mas estes são passos diferentes que os dados pela maioria. Existem mais caminhos até mim do que se imagina. A maior parte das pessoas acha que estar vivo é o contrário de se estar morto. Para você estar vivo, é preciso estar morto em algum nível e para estar morto, é preciso estar muito vivo. Então são coisas absolutamente presentes a todo tempo. É como não conseguir enxergar o topo da sua própria cabeça. Você não se dá conta dele, mas está lá.

segunda-feira, maio 07, 2007

Quem sou eu inteira?

A estas alturas, ele já se convenceu de que gosta dela. Mas ela sabe que enquanto ele se mudava, me ligava para dizer que em mim pensara? Ela sabe que ele me ignora e por que ignora? A estas alturas, não precisei me convencer de nada. Tudo foi, naturalmente, se apagando. Foi uma chama que se acendeu meio que por engano. Foi um hipnotismo momentâneo. Aquele momento, com o qual ele sonha, que acontecerá/ia no futuro, nunca existirá. Eu digo. Eu faço. Fiz tudo o que podia. Aqui coloco meu ponto, final, certeiro. Sem vírgulas. A respiração ficou para frente e para trás. Aqui neste momento há apenas vazio, o espaço entre uma e outra respiração. Declaradamente meu ponto é aqui, mas já saltei do trem há muito tempo. Só que tem amores que deveriam ser passíveis de serem expurgados para fora das nossas células. Tem amores que encravam nos ossos, tem amores que marcam a pele. Esse amor não foi nenhum dos três, mas todos juntos e ao mesmo tempo nada. Só uma memória, agora, nem dolorida nem feliz.
União e separação de almas. Tem divórcio no inferno?
Com quem eu falo para processar alguém que levou um pedaço de mim, sem autorização nem aviso prévio? E com quem eu pego de volta, caso esse pedaço seja encontrado? O que eu faço com o buraco que ficou no lugar do pedaço que havia antes? Quem mandou eu colocar seu nome no meu pedaço? Quem mandou eu tatuar nas paredes das veias do meu coração, aquelas que levam e trazem meu sangue, a cada vez que nos beijávamos, a cada vez que eu perdia a cabeça... Quem mandou? Não foi você... Você só sugeriu. Você colocou uma aliança no meu esôfago, e ficou difícil de respirar. Aí, você quis agarrar minha cintura e me partiu em duas metades, a de cima e a de baixo. A de cima é santa, muito razoável, ponderada. Já a de baixo, sem os olhos para ver, foi enganada por mais de mil vezes achando que sempre era você.
E quem é você? Porque eu via uma coisa, mas você era outra... E quem sou eu agora? Agora que já curei o buraco, entupi com chocolate, -derretido ele conserta qualquer coisa... Agora que estou inteira e tenho todo o tempo para mim e que posso fazer todas as minhas vontades... Quem sou esta e o que quero? Minhas partes confusas que gritavam em vozes separadas mas ao mesmo tempo, aonde estão? Um coro em uníssono, é tudo o que ouço... E não é o seu nome que elas gritam, mas sim o meu. Há vida neste corpo? Finalmente.

sábado, maio 05, 2007

Minha casa


Almofadas de cetim pelo chão
Penduricalhos pelo teto
Panos indianos e acessórios africanos
nas paredes, como quadros

palavras na estante,
livros no banheiro
olhos como fechaduras
pessoas como chaves

silêncio como regra
comunicação em massa
garrafas de vinho armazenadas
garrafas de whiskey só pela beleza dourada

cristais e mais de um gato espalhados pela casa
baralho de tarot desarrumado, cama de casal
geladeira saudabilíssima
armário de reservas bem seleto
chocolates escondidos em locais estratégicos.
E um pote de sorvete no congelador.

Pó de café nas estantes
Poeira na gaveta de calcinhas
Lodo no chuveiro e dentro dos armários
Caveiras nas poltronas
Espelhos virados para as entradas e saídas
Ralos no meio da sala
E muito bem, obrigada. Não há louça nem roupa sujas, a dona é auto-limpante.

sexta-feira, maio 04, 2007

Sociedade de corte

Sociedade de corte

Pessoas que amam o verde e a natureza têm, por dever ideológico, parar de se alimentar de carne bovina. As pessoas que comem carne vermelha estão, não só ajudando a destruir a Floresta Amazônica para dar lugar a campos de pastagens, como estão se alimentando de sangue, dor e de agressão a um outro ser vivo de sangue quente, um outro mamífero. A agressão do abate é uma agressão ingerida por quem come a carne do animal morto.

Se você é o que você come, se seu organismo absorve seus hábitos e estes são refletidos nas suas atitudes perante o mundo, podemos entender um dos motivos através dos quais a agressividade e a raiva são difundidas e veneradas em nossa sociedade. Não é normal se alimentar dessa forma e a inconsciência sobre o alimento, já que este vem embalado e refrigerado do supermercado, geram doença, mal estar e distúrbios psicológicos. O paladar foi acostumado, é uma simples questão de reeducação alimentar desacostumá-lo. Não vale a pena dar continuidade ao esquema vicioso em nome de um prazer sensorial. Não faz bem ao corpo, não faz bem à mente e não faz bem à alma.

Assim é construído o pensamento na sociedade de corte, tudo é banalizado e nivelado por baixo. Sempre para menos. Menos importância as coisas têm, mais rapidamente nossa espécie desaparecerá. O corte segmenta, separa, faz sangrar.

Este post não é direcionado a todos os comedores de carne; apenas aqueles que escolhem a vida no lugar da morte. Embora todos tenhamos a opção, não é desejo de todo ser encarnado evoluir. Estou convocando aqueles que possuem este desejo, aqueles que lutam para preservar a vida.

segunda-feira, abril 30, 2007

Calçadas

O meu ponto de vista sobre as calçadas é sempre vertical, como é também o ponto de vista de todas as pessoas que passeiam. Privilegiado é aquele que, com muita coragem ou nenhuma outra opção, adquire um ponto de vista horizontal sobre o local que serve como plataforma impulsionadora dos pés. Portanto, a minha visão sobre calçadas é uma experiência matemática e cartesiana, valendo noventa graus. Se nos deitássemos aonde ficamos em pé, todo nosso mundo seria visto de uma forma diferente. Olharíamos solas, tipos e tamanhos de sapatos ao invés de rostos e corpos. Nossos valores seriam diferentes, como “não é o tamanho do pé que importa, mas sim o equilíbrio que ele proporciona”. E assim por diante.
Criaturas que rastejam têm um ponto de vista diferente sobre as calçadas do que nós, seres com patas. Para elas, a calçada serve como alicerce do corpo. Deve ser fantástico rastejar. Quis ser réptil por um breve momento. Mas e a experiência do chiclete grudado no concreto, e da poeira que foi por dias molhada e seca, grudada ao chão, e das pegadas invisíveis, das bactérias, do papelzinho rasgado, e do aleijado que pede dinheiro sentado no skate? Que pontos de vista teriam todos eles sobre as calçadas?
Pois tentando imaginar uma realidade diferente, experimentei deitar-me sobre o chão do boxe, enquanto deixava a água ligada. Aproveitei meu banho como há anos não fazia. Parei de me preocupar com o tempo, a água corrente e o gás ligado para deixar a água correr pelo meu corpo. Meu boxe é alongado, por isso posso esticar as pernas, e me coloquei com pés para o chuveiro, cabeça para o ralo. Vocês não sabem, mas como o banheiro é lugar de limpeza, é tudo muito limpo. Então, abandonem o leve mal estar, porque os banheiros são lugares positivos.
Com o rosto encostado no chão, observava a água correr. Com o rosto para frente, observava a água escorrer pelo buraco. Curiosidade sobre o ralo: deu vontade de enfiar o dedo, mas fiquei com nojo. Tive muito medo do ralo e de tudo o que está ali que eu não sei. Comparei o ralo ao meu umbigo. O chão do boxe era uma grande barriga com um umbigo bem parecido com o meu, só que enquanto eu procuro expelir coisas do meu umbigo, o ralo estava colocando tudo para dentro. Será que também entram coisas pelo meu umbigo? Emoções, espíritos? Tive medo de tudo o que está no meu umbigo que eu não sei. O medo foi enorme.
Alguém chegou pela porta de casa. Ouvi o barulho, parei de cantar. Fiquei imóvel, com a água correndo. Por vários minutos, fui um corpo suicida, imaginando os cortes no pulso e o sangue escorrendo com a água. Pelo ralo se vai uma parte de mim, tão preciosa quanto qualquer outra. Células do meu corpo se vão para tornar o esgoto um lugar mais sagrado. Veio uma pergunta à minha cabeça... Qual o ponto de vista de um corpo morto sobre uma calçada? E o sangue que nela fica empoçado? E da vela que derrete sob o sol do meio dia? Não tenho as respostas. A água escorre levando meus pensamentos, mas me traz de volta a mim. Que bom que sou um corpo vivo e que posso escolher a posição em que quero estar na vida.

sexta-feira, abril 27, 2007

Minhas histórias de beijo

Caracas... Hoje eu vim pra casa embalada numa viagem ótima no ônibus, em êxtase quase, sorrindo, esvaecendo. Rutilante. Toda misturada, mas completamente imersa no prazer das memórias. Lembrei do meu primeiro beijo, do quanto eu era afim do garoto e daquela tensãozinha entre nós... Lembrei da tarde que passamos juntos no clube militar... Mas a parte fofa dessa lembrança é a sensação de quando se é muito jovem e se está descobrindo as coisas pela primeira vez. Você quer que algo aconteça, você quer loucamente sofrer um agarramento seguido por um beijo, mas você não consegue se articular, não consegue se mexer! Eu lembro do quanto eu queria ficar perto dele, dos nossos encontros escondidos na biblioteca do colégio e do quanto foi um desastre total nosso primeiro beijo no estacionamento do colégio militar... Foi meu primeiro beijo! Depois, lembrei do meu segundo beijo que quase me tirou o fôlego, porque foi absolutamente perfeito! E foi num momento delicioso, porque eu era completamente apaixonada pelo menino (que, imagina, era baterista de uma banda cover de Iron Maiden!). Eu tinha 14 anos... Isso foi antes de eu saber que Iron Maiden é o som que inicia a galera de 15 anos no metal. Eu achava um som pesado! Ele dormia ouvindo Iron, e eu achava loucura e nós ficamos no sofá da casa... Ele deitado no meu colo, eu fazendo carinho no cabelo dele... De repente ele vira e me beija. -Aí eu soube o que era um beijo. E eu voltei aos meus 14 anos, à minha paixão daquela época, a tudo o que fazia para estar perto dele. Ao gosto daquele beijo, lábios, saliva, língua, noite, sofá, Iron Maiden. Mas na verdade, tocava Heaven, daquele cara canadense... Qual é o nome dele?
Eu gostava muito daquele menino, e sofri muito por ele também, porque eu gostei dele por mais de um ano. O jeito como me olhava, como falava comigo, aquela boca, aquele olhar, aquele jeito do escorpião deixar você completamente paralisada, hipnotizada, pronta para o veneno... Sabem meninas? Era incrível. Era alguém perfeito para os meus 14 anos, sabem o que quero dizer? Mas o que eu mais queria, naquela época, era ficar com ele... E eu consegui, algumas vezes. Tenho minhas lembranças de glória! Tudo mudou depois que eu comecei a ter banda e descobri que ele falava pras pessoas que tinha me namorado. Hunf! Homens... Muito mentiroso, mas me senti importante.
Lembro também de uma outra vez, no colégio militar (é gente, eu estudei lá! não tenho muito orgulho disso, mas até uma certa idade minha vida foi uma série de desconfortos e inadequações), umas pessoas da minha turma e eu tínhamos um clubinho escondido no porão de uma casa abandonada que tinha lá dentro, aonde eles armazenavam carteiras velhas e quebradas e eu era com-ple-ta-men-te apaixonada por esse menino... Na verdade, eu gostei dele durante 3 séries seguidas e acho que uma das minhas frustrações em vida é nunca ter ficado com ele naquela época!
Teve uma manhã, no recreio, que ficamos absolutamente sozinhos dentro do nosso clubinho, porque cada um dos outros tinha saído para arrumar uma coisa e nós nos olhamos, minhas pernas tremiam... Nos olhamos nos olhos, ele com as mãos nos bolsos, eu estátua. Na minha cabeça até hoje, aquele era o momento para ter sido o meu primeiro beijo. Mas eu estava estática e ele também não teve coragem... Aquela vontade enorme que rolou, que por não ter acontecido, ficou armazenada lá, junto com os restos de madeira velha e carteiras quebradas, naquele momento não realizado. Antigamente eu me culpava por não ter agarrado ele, porque era minha vontade. Mas eu ainda não tinha me libertado de várias amarras. Naquela época, ele ainda era o menino da história. rs Eu devia ter uns 12 anos...
É, vim traçando uma história linear dos meus primeiros beijos. E foi lindo, tá?
I know, I know... I'm a sweetheart. Just try not to spread the word.

terça-feira, abril 24, 2007

Uma questão de prática

Eu nunca cheguei a terminar nada na vida que fosse uma questão puramente prática; nunca até a fase de perfeição no automatismo, pelo menos. Aprender a dirigir foi uma questão de prática; aprender a cantar foi uma questão de prática para esquecer a técnica. Aprender a tocar violão é uma questão puramente prática, que só depende de mim e do violão. E é assustador o medo do fracasso, porque só depende de mim.
Se eu digo que quero alçar vôos, é preciso acreditar que eu posso. E eu só posso fazer as coisas nas quais eu realmente acredito. Mas duas coisas são necessárias para que alguma coisa aconteça: acreditar e fazer acontecer. Muita gente apenas sonha, que é o acreditar sem fazer. Eu entendo essas pessoas; as coisas que a gente sonha são mesmo mais bonitas e funcionam exatamente como a gente imagina. Eu mesma sou fantástica, perto das pessoas, por cinco minutos. Depois disso, fico melhor nos sonhos delas. E eu sou perfeita para caber no sonho das pessoas! Eu visto sonho todos os dias antes de sair de casa. Eu inspiro sonhos, eu me alimento de sonhos. Eu sou um sonho no meu sonho do sonho das pessoas. E eu sempre acreditei em muitas coisas, mas agora estou fazendo o meu pouquinho para que as coisas funcionem. Fornecendo ao universo um pouquinho da minha lã da possibilidade, para que o universo, em troca, me forneça o suéter do sonho colorido pronto. Pronto para vestir e me aquecer.
Eu digo que sou feita de sonho porque faço muita falta às pessoas quando estou longe; mas é gostoso o que elas sentem quando pensam no sonho que construíram de mim, e então eu permaneço longe. Mas assim elas também mantêm longe a sua felicidade. Sonham com ela, sentem o gostinho longínquo do sucesso e deixam ela lá paradinha na estante dos sonhos encadeados, porque estando lá todo mundo sabe onde encontrá-la. A minha felicidade, no entanto, tem pernas compriiiiidas e vive mudando de lugar. Adora que eu a procure em vários lugares diferentes, em várias ocasiões diferentes. A minha felicidade é muito sapeca! Ela gosta de pular de um lugar para o outro, mas prefere saltitar.
Então, já que tudo é uma questão de prática, se eu repetir todos os dias que eu me amo muito e que tudo vai dar certo, então é isso o que acontece. Porque é uma questão de falta de prática as pessoas não se amarem. Elas não acham que podem. Elas acham que precisam de um outro. Mas é só falta de prática. Assim também é o meu desconforto com relação ao meu corpo; não é uma auto-estima pequena, é uma questão de alma grande. Minha alma não praticou como se adequar a este corpo antes de eu encarnar, e então eu preciso fazer isto agora.
É o que estou fazendo. Juntando os grãos do sonho com os da possibilidade, no meu passinho de formiga, dia após dia. Longe na memória das pessoas, mas perto de mim e dos meus momentâneos lapsos de sanidade. Muitíssimo perto dos meus sonhos. Eu posso até não conseguir cuspir na Lua, mas eu vou chegar mais perto que todo mundo que tenta, só porque eu tento todo dia.

quarta-feira, abril 18, 2007

A poética do cu

Estou fazendo uma oficina de poesia na faculdade da qual me arrependo um pouco. Entrei por curiosidade e porque o professor é o máximo, mas os alunos nem um pouco. Fico extremamente irritada com a apatia da turma: ninguém se comove, ninguém compartilha, ninguém nada!

Então, todas as poesias que escrevo têm o intuito de causar alguma reação. Até agora, foram tentativas frustradas. Quero que alguém tenha um ataque epilético e me diga que odeia tudo o que eu escrevo. Escrevi uma poesia que tinha um cu estrelado no fim e ninguém disse nada... Outro dia, coloquei em palavras um bacanal fantasioso entre a filha do diabo com transexuais e travestis, mas ninguém falou nada... Ninguém teve a humildade de dizer: "Nossa, que mal gosto!" Vou ter que pegar mais pesado? Todo mundo escreve poesia sobre as coisas bonitinhas, ainda não vi ninguém escrevendo sobre as coisas horrorosas! Não sei porque também essa minha mania pelas coisas horrorosas das pessoas e porque elas me parecem tão belas, tão atrativas. Eu detesto a poesia dessas pessoas apáticas. E detesto ficar com essa vontade de levantar no meio da aula e estapear cada uma delas na cara. Não me entenda errado; eu amo borboletas assim como os buracos negros da alma. Mas aquelas pessoas... Me irritam.

Outro dia escrevi no braço: "eu tenho alma". Podem achar o que quiserem, a verdade é esta mesma. Eu tenho alma! É só um recado para os amigos desalmados.

Ainda escreverei sobre a maior perversão que eles já ouviram. Não tipo Marquês de Sade, porque isso já foi muito bem feito. Deve chegar com atraso, mas chegará!
VINGANÇA!
CÓLERA! FÚRIA!

Me deixem com o meu chocolate

Eu não serei chocólatra até o fim da vida. Eu não sou chocólatra agora. Eu estou. Porque veja bem, meu bem, comer um pedaço de chocolate à noite equivale a ter um namorado durante o dia.
E eu estava alucinando com pesos & medidas, por querer me cuidar por não ter namorado, mas aí me lembrei: "Amiga, você não tem namorado! Pode se entupir de chocolate!" -E fiquei feliz da vida por ter me libertado desse peso; agora posso me alastrar no sofá aqui de casa, vendo Desperate Housewives, acompanhada da minha caixinha de trufas recheadas com castanhas-do-pará. A dieta do chocolate está fazendo a minha alma ficar muito mais leve. A Curves dá conta do corpo depois. Pelo menos estou suando fazendo ginástica...
Pode babar, os meus vizinhos também babam ao longe, com os seus binóculos escondidos atrás das suas janelas secretas porque meu irmão, que também adora Desperate Housewives, cisma em deixar as persianas abertas. Eu sempre acho que tem alguém olhando, filmando, etc. Se aqui fosse América do norte, com certeza teria um psicopata obcecado pelas noites de quarta-feira da minha casa! Mas aqui é Brasil. Todo mundo vê a casa de todo mundo e todo mundo sabe da vida de todo mundo. Aí, fica mais difícil proliferarem pedófilos, psicopatas e serial killers, o que acontece direto em Wysteria Lane porque ninguém sabe da vida de ninguém e todo mundo se esconde em suas casas de subúrbio americano. Até que enfim achei um uso produtivo para a fofocada brasileira!
Voltando ao ponto, eu tive essa lucidez momentânea e senti uma libertação de alma ao perceber que não preciso abrir mão de todos os prazeres da vida. Se estou sem namorado, vou ter que abrir mão do meu chocolate?? Me dá um tempo. Por enquanto, me deixem com o meu chocolate. Eu prometo não me controlar nadinha.

segunda-feira, abril 16, 2007

Um dos rapazes

Felizmente, este final de semana foi rock and roll. De sexta a domingo foram acordes distorcidos, de forma que posso dizer que hoje foi uma segunda-feira feliz. A serotonina ainda não descompensou, ainda sinto o fuzz dos shows. E música alimenta a alma, faz crescer o espírito, faz abrir os olhos do grande eu, olhando feliz sobre os grandes detalhes do pequeno eu. Meus detalhes, minha vida, minha paz... Quando eu vou a um show legal, me sinto "one of the boys", porque mesmo eu sendo mulherzinha como as mulheres deles, estou do lado de lá do palco e não do lado de cá. É engraçado isso, porque fico preocupada com as saídas de som, graves a agudos que sobram e giram, se o som está equilibrado, etc. Isso já foi mais forte, quando eu ia a shows e observava cada detalhe da performance. Hoje já consigo sair e me divertir mais solta, pular e gritar, não só ficar olhando com os braços cruzados. E porque hoje consigo dançar na música, acho que ficou também mais verdadeiro.
Mas sempre quando vou a shows de amigos, fico nesta encruzilhada... Aonde me colocar? Suas namoradas e esposas estão do lado de cá dos fãs, enquanto eles se preocupam com o palco. Eu estou do lado de cá das mulheres, mas vendo o show de cima do palco. Eu gosto de olhar a mágica que acontece com o público, a reação das pessoas, etc. E além de ter toda essa dinâmica, preciso lidar com a questão das mulheres... "Quem é essa mina nova que apareceu no pedaço?", o que entendo, porque apesar de ser "um dos caras", também sou uma das minas. :D
-Na verdade eu não deveria me preocupar com isso. É o ataque da lua em virgem tentando controlar tudo.- Algumas mulheres não sabem que o nosso poder é quinhentas vezes mais forte quando são poderes unidos. E quando as mulheres sabem disso, não há com o que se preocupar, porque ocorre tudo zen.
Ir a shows é uma das coisas que mais gosto de fazer por lazer. E o que eu mais gosto de fazer em vida... Bom, isso ainda não foi completamente realizado, mas será.
E se será! Tem uma torcida esperando, sabe? Não só neste mundo, mas em todos os outros. Já me disseram isso. Pessoas deste mundo e pessoas deste mundo me mandando recados de pessoas de outros mundos, dizendo que todos esperam pela minha voz.
Anyway, tem uma coisa que não muda: I feel like one of the boyz.
E ontem, no show do Detonautas (que aliás é excelente ao vivo- som pesado e consistente), ficou ecoando na minha cabeça uma frase que um outro amigo meu músico me disse (que eu A-MEI, por sinal). Ele disse: "-Alexandra, você é a mina mais rock and roll que eu conheço."
hehehe Adorei.

sábado, abril 14, 2007

Os Sedutores

É um clã, uma seita para homens adoradores de Narciso. Eles não sabem o que fazem, por isso usam dos feitiços do cinto de Afrodite, distorcidos. Encantam para esconder suas inseguranças. Confundem para não se perceberem confusos. São bebês com medo de nunca serem amados. Por isso, conquistam, conquistam, conquistam. São o lado negro das mulheres fálicas.
Os Sedutores passam sem serem percebidos, mas passam mais de uma vez, até que você os note. Neste momento, em que a sua atenção é capturada por um segundo, é onde ocorre a apreensão de uma parte sua. Ali você caiu na teia. Quando sofrendo os efeitos dos feitiços de um sedutor, as mulheres apresentam alguns sintomas: ficam obcecadas pelo objeto, querem ficar perto deles a todo custo, querem chamar sua atenção. Mas eles não dão, porque precisam se alimentar dessa energia. Depois, deixam você se aproximar de uma forma estranha e, ao ficar perto, você se sente insegura, confusa. Depois eles se afastam novamente. Não é paixão o que você sente, não é amor e não é satisfatório. Mas algo existe de prazer nesse ciclo vicioso. Eles mexem com a sua fantasia e levam você a acreditar em algo que queira. Não se engane; você está sob o feitiço de um Sedutor. E ele quer que você se sinta assim, pois não sabe manejar troca. O foco precisa ser nele. Ele absorve o que você dá com o maior prazer, assim você sente que ele quer absorver mais, embora não seja com você o prazer dele. É de você que ele se alimenta, como uma tarântula.
Homens sedutores não sabem o que querem. Estão sempre meio desligados. Vivem com várias mulheres, mas sempre sozinhos. E não estão esperando uma proposta, mas sim uma vítima.
Possuem uma teia de artimanhas clichês e bobas, porém infalíveis.
Quando a sua auto-estima ficar abalada e você desconfiar de si mesma, esteja atenta! Você está envolvida com um Sedutor. Esteja atenta aos seus passos e, se puder, volte devagar caminhando em direção a si mesma. Sem grandes alardes.
Os Sedutores não são conquistáveis por quem eles conquistam.

The hard-rockers

what do they worry about? a life outside a trail, no worries but to wake up and play. what do they do? play the guitar for a famous rock and roll band. it's all so cool, all so lame. all so empty of meaning if you have no purpose in life other than to make your money. still they stand up and rock the crowd. a little piece of dream for the audience. is it all they got to give? is it all they have to give? is that a job of importance to be conceived as very important people?

any fool can learn how to play the guitar, that is what i worry about. it is and it is not a big deal. cause music can be superficial as well as divine. and what should they do with that gift other than to use it wisely? use it wisely?

quinta-feira, abril 12, 2007

Contra-fluxo

Estou no repuxo, no contra-fluxo. Sempre soube que era forte, mas nunca que precisaria enfrentar, sozinha, multidões. Não é teimosia nem rebeldia. Eu não estou errada só porque vou no sentido contrário, e foi duro aprender isso. Todos fazem questão de lhe dizer que você está errada, mas não se deixe enganar! Confie nos instintos, eles sempre falam a verdade. E não siga a multidão. Ela é cega e não sabe a quem seguir.
É tanto assim o poder que se encontra em minhas mãos? Adoro a força e a aspereza, elas são minhas aliadas.

Ofender pessoas platônicas com palavras é fácil; tudo acontece no plano mental. Mas quero me ver proferindo as mesmas palavras ao vivo! Todas as pessoas são planos mal feitos e, em alguns pontos, desconstruídos. Não se exaspere ao perceber, em meio a tanta coragem, um quê de covardia. É normal.

Aqui estou eu, achando que escrevo para o nada, achando que minhas palavras ecoam no vazio e que nenhuma cólera poderá ser gerada em mais ninguém, apenas expurgada de mim. Trato as palavras com mais carinho que trato as pessoas. Talvez porque goste mais das palavras do que das pessoas, e tenha daquelas mais cumplicidade. Filha de Zeus, nascida da cabeça dele, tenho o vêio forte da palavra. "Usar para um bem produtivo." Aqui estou eu, criando, mas às vezes, me esvaziando. Nesse esvaziamento ocorre o perigo para as pessoas que me cercam. Certamente se encontram nas entrelinhas.

O dom do chicote na língua; você não vai me ver, você vai escutar de mim. Calmamente, quando a hora for propícia e os ventos me soprarem o que querem que eu escreva. Eles cochicham em meus ouvidos a melodia alfabética que está de acordo com o meu coração.

Adoro a força e a aspereza, elas são minhas aliadas. Mas espero um dia conseguir fazer brotar amor e justiça das minhas palavras. Que elas sirvam como uma brisa úmida e quente nos ouvidos de quem amo.

quinta-feira, abril 05, 2007

Exibicionismo para voyeurs explícitos

Caros amigos voyeurs,

Finjo que desconheço a sua presença. Eu finjo que desconheço, e você finge que não me lê. Que não me vê. Acendo as luzes. Preparo-me para o ato. Uma a uma, retiro de mim as palavras que às vezes vêm em ondas e, às vezes, me faltam. Elas me assaltam e, com o ímpeto, eu páro de susto. Mas tudo isso acontece bem devagar.
Com bastante saliva, vou colando-as lado a lado. E no êxtase da fusão da tinta com o papel, vou me sentindo mais inteira. As palavras vão se mesclando, quase independentes do movimento peristáltico das minhas entranhas e do movimento circular de meus quadris. Elas agora me invadem, me penetram, trabalham em mim com os dedos, gozam de mim e vão embora.
Eu finjo que minhas palavras não lhe dão vontade de dormir, e então, você acende um cigarro. E tão desconhecido como vem, se vai. Fico nua, à espera da presença concreta da inspiração que promete me tomar, mas que rouba de mim tudo aquilo que tenho dentro e me deixa sem sono.
Enquanto isso, eu deixo vocês assistirem aos estupros das minhas vontades, invasões dos meus sentimentos, minhas relações sexuais com o mundo e com as palavras e eu finjo que é quase sem querer que esqueço as cortinas abertas, enquanto vocês fingem que não gostam do que vêem.

Receita para a felicidade


Receita para a felicidade:

primeiro em branco,
depois, em céu estrelado!

Ainda bem que me falta AR


O nome do signo é frio como os ventos do norte: Libra. Mesmo assim, ele conseguiu fazer um trabalho de polimento tão perspicaz que o brilho foi capaz de encobrir a frieza. O brilho que atrai para a estrela que brilha na ponta da faca é o mesmo que cega quem pula tentando agarrar a estrela. Não há nada lá, exceto a ponta da faca. O brilho vinha de algum foco de luz. O foco de luz é externo, e sempre esteve fora. Mas foi em busca desse holofote que ele foi atrás, assim como muitos, esperando se tornar importante. Para metade das pessoas para quem mostrei o diamante, perceberam que era apenas uma pedra com um brilho vazio. No entanto, eu continuei a acreditar que valia muito, e que era reflexo de quem segurava a faca. (Sempre acreditei que quem segura a faca tem algum poder...) Mas o valor que eu dou a algo que eu enxergo é tão importante quanto eu mesma. Aliás, eu só vejo valor nas coisas que eu enxergo quando elas refletem a minha importância. Minto; a minha importância se reflete em tudo no que vejo valor. Ver valor numa pedra fria que vale dinheiro inglês é ver o meu valor, refletido no mundo em que sou obrigada a viver. No entanto, a pedra não me vê. A pedra é simplesmente o brilho vazio na ponta da faca. O valor que eu vi era reflexo do meu bem estar e do meu querer bem. Mais de uma vez, pulei direto na faca. Uma cicatriz extensa me faz hoje dar um passo atrás para ver de onde vem a luz. Surpresa minha ao perceber, no reflexo da faca, que vinha de mim!
Essa pessoa (eu ia dizer homem, mas ele está longe de ser um) sempre foi acolhida pelo meu coração, mas nunca me trouxe nada de bom. Do contrário, esteve sempre fazendo escolhas que me colocavam em segundo plano, terceiro, quarto... Último plano. Ele é alguém que me exclui da sua vida porque a namorada tem medo de mim. Medo de si mesma, medo de todo mundo. A relação deles é uma coleção de chantagens emocionais numa troca de experiências fortíssimas, porém horríveis. Mas é, como toda relação, uma troca de interesses. Um dia, ela foi o diamante bonito que ele viu e quis intensamente polir. Hoje, o diamante de tanto brilhar, perdeu a beleza. Bonita era a pedra bruta e o sonho de tê-la polida. Hoje ela é polida e triste, parada na estante, esperando ser escolhida novamente em primeiro lugar. Conto porque conheço a história. O polimento sempre foi do interesse dele; nunca do objeto. E as pessoas que se deixaram ser tocadas por ele, viraram pedras na estante. Sempre o mesmo corte, sempre o mesmo formato, sempre o mesmo polimento. Sempre o mesmo fim: a mesma estante.
Sua crítica é ferrenha como a de quem não vê a quem de fato estamos criticando ao criticar alguém; aposto que ele ainda diz para ela: “Você não é tão bonita quanto da primeira vez em que a vi.” E aposto que ela sofre, triste, mas continua impecavelmente linda, para não decepcionar a sua coleção de pedras fantástica.
Junto da estante dele, no seu quarto de troféus escondidos, está a coleção de pedras. Elas são a forma dos sentimentos dele, cristalizados, da idealização de pessoas que prometeram ser lindas, mas que no final do dia, acabaram sendo apenas pessoas. Ele não tem interesse em pessoas, ele sempre colecionou pedras! Enquanto coleção, elas são perfeitas. Lindas figuras no seu álbum de fotos da vida, são lindas as suas memórias tristes, são lindos os seus sonhos despedaçados. E é dessa melancolia que ele tira energia para continuar polindo.
Fui eu quem apontou o libra. Mas por causa do anel com a pedra bonita em sua mão, ele não pode me dar crédito por isso. Eu participei do processo, mas por causa da moça bonita que usa a outra metade da pedra no dedo, eu não posso continuar participando. Tudo sempre vem apresentado numa linda coleção de desculpas que não refletem em nada o meu valor.
Faltando o AR a mim, sobra uma gama de sentimentos. Assim não racionalizo, sinto. De sobra, a sensibilidade não me deixa transformar em pedras as pessoas ao meu redor. Então, mandarei um recado para essa pessoa, com todo o meu apreço:
Querido libriano,
Espero que você ganhe muitas libras com o seu sucesso! Mas não quero migalhas, então obrigada pela lembrança do nome na lista na porta do show; para ver da platéia junto com as outras pessoas do mundo, prefiro ficar em casa acompanhando pela televisão, me sentindo nada especial em sua vida. O meu coração tem o orgulho de quem sabe o próprio valor, e eu não aceito menos do que valho, de alguém que tem muito a dar, e que não dá por escolha. O meu brilho não leva conflitos às pessoas, leva amor e eu sei o meu valor. Por isso, aqueça os jovens com o holofote que brilha acima da sua cabeça, porque eu não aceito barganhas. Para me aquecer, só com o calor que vem do peito. Mas você ainda não alcançou este calor, porque ainda não sentiu falta dele. Não se preocupe, você não sentirá minha falta também. Pelo caminho, muitas pessoas o farão se lembrar de mim, mas nenhuma delas será eu. Beijinhos, sucesso! Até o dia da sua grande descoberta, quando você retornará e saberá que eu tenho razão, pois em nada uma balança apresenta equilíbrio a não ser igualando os pesos que coloca nos dois pratos.

quarta-feira, março 28, 2007

sLEEpleSS

What a couple of EEs and SSs do to me... After three nights of not getting any sleep, I see meaning in everything. The world is magickal, but my mind is tripping so hard I can hardly speak. or think. or do anything else. meaning is not the same as purpose. so pardon me if with no sense at all in what i''m writing. It is hard enough not getting any sleep for three days. when the night comes, i begin to worry. yesterday i turned on a blue light with some ylang-ylang scent, but it got me woken for hours! It was supposed to have the opposite result. I think this concern with results is what is getting awake. my mind just won't stop at my commands and as i try to quiet it down, she gets more and more excited. i need to get some sleep so i can be happy. it is awful how the blackness settles in my eyes. i was sad as it was, now i have blackeyes also. can't leave the house, i look like a goth zombie.

terça-feira, março 27, 2007

Sorry guys, but I'm addicted to my old panties.





(I think you may understand that.)

sexta-feira, março 23, 2007

É difícil ser light


é difícil ser light


a começar pela alma


não cobrar as pessoas


deixar de ser gorda em espírito.


hoje recebi a visita


de um esqueleto magro e fumante, de bandana vermelha


caveira filha-da-lua!


vem para o canto do quarto que temo, me fitar


me lembrar dos sonhos que esqueci de alimentar.


coração vazio, mente se ocupa em sentir fome o tempo todo,


tentando silenciar as carências por alguns instantes.

sábado, março 17, 2007

Bug do sistema

- ouvindo Cheeky, Matt Chamberlain.
Fazendo a varredura do meu sistema em busca do vírus mortal que eu sou, incapaz de levar compromissos até o seu fim. Eu não vou até as pessoas, eu trago elas até mim. Muitas se recusam a vir. Não querem se compromissar com pessoas que não fazem compromissos. E ao mesmo tempo, eu vivo dizendo que quero me compromissar e vivo querendo me compromissar com pessoas que não querem compromissos! Bug do sistema.
- ouvindo Monday, Matt Chamberlain.
Eu digo uma coisa, faço outra. Se não quero realmente namorar ninguém, poderia ter levado várias situações superficiais adiante. Mas eu me incomodo com superficialidade! Talvez porque eu seja superficial. A superficialidade das relações me incomda extremamente. E, no entanto, qual o tipo de relações que eu traço com o mundo? Curtas, indevidas, superficiais, rápidas, imaturas e leves. Eu respondo às mensagens de aniversário uma a uma, as que vieram por ORKUT! Sem nenhuma profundidade, eu ancoro toneladas ao laço afetivo. Para flutuar num certo diâmetro ao redor da âncora. Laço afetivo que flutua de acordo com as águas, âncora que fica presa ao fundo, completamente imóvel. Existe um diâmetro percorrido pelos laços afetivos flutuantes, por causa da âncora, eles nunca vão muito longe. Não compensa ancorar laços afetivos superficiais. Estou falando da relação que vai de mim para qualquer outro que seja: amigos íntimos, amigos de trabalho, parcerias em geral. Vírus deve ser incubado e estudado. Vírus não pode ter vida social. Vírus é afastado da comunidade por causar destruição. Porque gera muitas e muitas doenças incuráveis.
Voltando a velhas feridas, como é fácil para mim ser atingida no meu íntimo mais profundo por qualquer pessoa que veja um pouquinho além de si mesma. A pouca estrutura que eu estava construindo dentro caiu. Placa velha, ano moderno. Incompatíveis. Mas vai rodando os programas. Até quando pifar. O vírus estava de quarentena, mas alguém clicou nele e disse "acionar". Enquanto máquina, não tenho nenhum controle sobre mim. Me controla quem sabe que botão apertar. O momento pode ser aleatório. Solução: se desconheço o sistema binário, sistema fica inoperante. Não funciono, não existo. Não me mexo. Não saio. Como o sim e não quase nunca dizem nada, fico imóvel como a âncora, vendo o mundo se mexer lá em cima.
Não importa o quanto eu tenha percebido até aqui. Falhas não são permitidas. Erros e deslizes são punidos com fervor. Alguém disse militarismo de alma? Não deve ter sido à toa...

sexta-feira, março 16, 2007

O vôo da rolinha

O vôo da rolinha

Amanheci com alguma dificuldade e um certo mau-humor. O cedo das manhãs não me cai bem, nunca. Mas como de costume, fui até a varanda trocar a água e a ração da Estrela, minha gata, que, ao contrário de mim, amanhece com fome.
Quando chegamos foi impossível não reparar num enorme barulho vindo do quarto do meu irmão... O que seria? Logo percebemos que era um pássaro batendo as asas contra o vidro da porta. Estava preso. E era uma rolinha bem pequenininha.
Meu coração entrou em desespero. Estaria ela com uma das asas quebradas? O que eu deveria fazer? Salvar a rolinha, sem dúvida. Mas, como? Tentei entrar no quarto do meu irmão, mas a porta estava trancada. Rodei a chave através da janela e entrei, mas Estrela estava tão curiosa para ver o passarinho que eu tive que prendê-la no meu quarto. Eu sei que ela não machucaria a rolinha, mas a bichinha já estava suficientemente assustada. Voltei para o quarto do meu irmão. A rolinha havia se escondido entre a cama de baixo e o armário, num buraco aonde meu irmão, quando criança, gostava de se esconder também. Como ela encolheu as duas asas, percebi que não estavam quebradas.
Tentei pegá-la por duas vezes sem sucesso. Então comecei a respirar fundo. A tirar de mim o medo que estava na rolinha. A acalmar em mim o medo de machucá-la sem querer. Comecei a conversar com ela, sobre como eu só queria ajudar, para ela não ter medo de mim. Inspirei e expirei, emanando energia de amor. Continuei conversando com ela até que eu estivesse confiante. Na quarta vez, eu consegui pegá-la. Fiz uma concha com as mãos, prendendo suas asas com meus polegares, com firmeza mas sem força. Lembrei do meu pai, que trazia para casa as rolinhas que tinham sido expulsas dos seus ninhos, cuidava das asas, dava comida na boca até que elas ficassem boas.
Levei a rolinha até a varanda, junto ao meu peito, mas como eu tenho uma tela de proteção para a Estrela não cair, tive que ter cuidado ao colocar o passarinho para fora. Cuidadosamente coloquei a cabecinha dela no buraco da tela e abri as mãos. Ela voou com muita vontade e imediatamente eu senti um alívio que parecia lavar a minha alma com força de vulcão, de cima para baixo. “Consegui”, respirei aliviada. Lágrimas me brotaram aos olhos e deixei que elas viessem. Emoções borbulhantes, merecem se acalmar. Havia ganho o dia por um mês inteiro. Consegui vencer meu medo, consegui liberdade para a rolinha ainda em vida, ainda bem... Consegui vê-la voando para bem longe, para onde é o seu lugar, junto com as outras rolinhas. Consegui sozinha.

domingo, março 11, 2007

Lentes de aumento

Quando eu me olhei no espelho hoje, vi um monstro. Todos os póros, manchas, oleosidades, relevos do meu rosto. Hoje, escuto Fiona cantando... "I'm good at beeing uncomfortable and so I can't stop changing all the time", através da minha boca, mas não no clima bem humorado da música. A darkest tone. All the noses, eyes and hairs of which are formed this creature I've been reconstructing. O amor não me encontra hoje. Não me encontro no amor. O amor não se encontra em mim. Pure sadness. Agora escuto o refrão de "It can't come quickly enough", do Scissors Sisters... Olha, dá pra ver a lágrima saindo pelo meu canal lacrimal! Ela realmente parece um "Liquid Diamond". Lembrei do Drácula de Bram Stoker agora... Quando ele transforma as lágrimas da Mirna em diamantes. Minhas emoções feitas em "warm little diamonds".
Meu ponto de hoje é: as coisas não precisam dessa lente de aumento. Elas parecem maiores e mais feias do que realmente são. E se eu olho tudo através desses óculos bizarros, distorço minha realidade. E qual será o porque do por que eu faço isso?
No more questions for today. Recolocarei o espelho na prateleira e também vou parar de prestar tanta atenção em mim, especialmente com essas lentes de aumento.

sexta-feira, março 09, 2007


Confissões...

Adoro acordar brega. Hoje de manhã, salvei uma rolinha... Abri minhas mãos na varanda, e ela voou... Clichê! Fui cantando "é o amor" para o trabalho e, agora à noite, estou escutando "desculpa o auê". Sou menina e tenho uma gatinha. Tacky. Gostava das barbies, hoje vi uma barbie roqueira grandona e toda tatuada! E ela andava e falava... Lindona. Bonecas grandes, quero brincar com elas. Eu disse: "Quando eu crescer, sabe? Quando eu for adulta, quero ser que nem você!" Ela não entendeu, mas riu. Bonecona grande! Se eu pudesse escolher ser alguém, gostaria de ser ela. Mas se eu pudesse ser qualquer outra pessoa, a pessoa destinada a me amar não me encontraria, e então, preciso me conformar em ser eu mesma.

Contos de foda?

Tenho feito exigências ao Universo. Por exemplo, quero um namorado. Mas que o Universo não me traga qualquer um! Tem que ser "o namorado". Aquele meu, que nunca chegou.
Está pra chegar, mas essa história de tempo me deixa sempre muito confusa. Sempre acho que está demorando demais. Uns dizem que virá no tempo certo; o tempo certo para mim é o agora, porque é quando eu quero. Sempre acho que ele está atrasado, ou que eu estou adiantada demais, ou que só estou correndo por estar atrasada demais... Me confunde, sabe?
O tempo me confunde. O tempo do relógio não é o mesmo que o meu tempo interno. Qual dos dois eu resolvo seguir? Claro que o meu tempo interno e claro que ganho vários problemas com isso, como pessoas me cobrando uma pontualidade que não entendo, pois se elas estivessem cronometradas comigo, cada uma ao seu tempo, estariam também no tempo certo para o encontro, pois cada uma estaria satisfeita com o seu próprio ritmo, enfim... Toda vez que penso no meu cara, escuto Bjork cantando "I miss you". E sinto ele me dando um beijo no pescoço, etc. Isso me desconcentra no dia-a-dia. Fortemente. E durmo nas aulas e sonho com ele. E acordo e sonho acordada. É um horror. Meu estômago sente dores de fome de amor. Há anos. Neverendinghunger. Minha palavra em alemão para nomear o amor que não chegou ainda. Quer dizer, para nomear a falta do amor que ainda não está aqui. O universo está escutando, mas é difícil fazer o research tão rápido assim entre todas as pessoas existentes no mundo que caibam dentro das minhas exigências e além dessa leitura de dados, ainda precisa nos colocar juntos na mesma situação, quer dizer... Tem que ser perfeito e dá um certo trabalho. Mas eu não estou reclamando, estou só deixando bem claro o que eu quero. Então, até já cheguei a pensar se não estaria Alexandra destinada aos amores perdidos, para virarem contos? Pareceu quase o desvelar de uma missão... Se minha meta é escrever, se meu destino são as palavras, então certamente meus personagens serão meus amantes... Nos meus contos-de-foda. O lado bom de apenas ter conhecido gente louca até hoje é que posso transformá-los todos em histórias!
E sempre dizer que é tudo apenas ficção, afinal, eu sempre digo a verdade, menos quando escrevo. Na verdade, eles servem apenas para a invenção de personagens, não acreditem no que lêem!
Acordo determinado com os leitores voyers, pacto traçado. "Papai... Mamãe... É tudo de mentira, tá?"
Não quero acreditar que não sou eu que escrevo o final do meu conto. Conto um conto, aumento um ponto para mais perto dele(sssssSSSSSSSS????).

quarta-feira, março 07, 2007

"O problema dos outros"

"O que é trazer para si o problema dos outros? Certamente é, no mínimo, um problema.
Por exemplo... O que é querer transar com alguém que não consegue ter ereção, mas que você não sabia disso até a hora H? Certamente é, no mínimo, frustrante. Mas frustrante pra quem? Para a mulher, que se consome em desejo, que se preparou para aquele encontro, que investiu, se perfumou, que se vestiu e se despiu, e se deitou nua? Ou frustrante para o "homem" que não consegue ter sua masculinidade comprovada... Partirá ele em busca de novos significados para a vida? Será vegetariano, praticará yoga da mão direita? Ou irá apenas se comportar como o perfeito canalha? Que tédio. Os dois se cruzam várias vezes durante a semana. São obrigados a ignorarem-se mutuamente. Ele, pela vergonha que é olhar para ela e se lembrar... Que o problema era dele e foi transferido para ela... "Agora ela sabe." Ela, porque ao olhar para ele sente-se furiosa consigo mesma... "Devia o ter escurraçado da minha cama, como o ser mais pestilento!" Mas ao contrário, foi doce e carinhosa. Super compreensiva. Compreensiva como todas as almas penitentes na Terra. Odeia ter transferido para si um problema que não era seu, mas passou a ser, por ter "compreendido o problema alheio". Antes tivesse sido verdadeira consigo mesma e cuspido naquele prato antes de comer comida estragada. Ele tem muito medo. Ela acha melhor que ele tenha mesmo. Mas no fim, ainda precisam se cruzar vários dias durante a semana. Ela tinha muito medo, mas agora não sente mais nada além de desconforto."

"Surtos da cabeça de uma pessoa com um cérebro e meio"

"Querido diário":

Segunda-feira, 12/02/07.

Was I crazy? There she was, this beautiful lady in front of me, all loving, all caring and boy... was she HOT? But I just couldn’t stand the fact that she wanted me.
Como pode, qualquer mulher em seu estado mental ajustado, me querer? Ainda sou “a momma’s boy”, correndo atrás da aprovação da dona galinha e correndo atrás dos rabos de saia... Ao mesmo tempo. E eu não tenho nada... Ela deve estar achando que eu sou filho de pais ricos. Escrota. Acho que ela, por ser mais velha e independente, me lembrou da parcela “mãe” que existe na minha vida, e vocês sabem... Mãe só existe uma. E caralho, uma já está suficiente. Então, apesar dela ser uma *DELÍCIA*, não dava pra rolar... Aliás, ela nem é mulher de “dar para rolar”. Ela é alguém especial. Deve ser uma merda ser ela. De tão especial, ninguém quer. Nada mãe. Ela queria que eu fizesse tudo que minha mãe reprova. Ela foi alguém rebelde, mas ela também sofreu muito. Eu sou inteligente e frio o suficiente para não deixar a mesma coisa acontecer comigo. Laurinha me ligou hoje, acho que vou sair pra dar um rolé com ela. Quem sabe não rola um sexo? Cara, aconteceu uma coisa muito estranha hoje... Acho bem que o João tava me dando mole? Aquela conversinha na volta pra casa, sobre se eu já tinha experimentado com outro cara foi muito estranha e do nada... Será que ele anda dando? Será que ele quer me comer? Ai, sai fora cara... Meu negócio é buceta. Onde foi que eu coloquei aquele guardanapo com o telefone daquela gatinha mesmo? Merda, não tou achando, mas assim que achar, eu vou dar uma ligada. Entre segunda e quarta-feira tenho dois dias livres; posso sair com a Laurinha num dia e com ela no outro. Assim, se a gostosa quiser me ver no fim de semana, sou todo dela. Mas cara, ela quer me chupar sem camisinha? Que merda! E o pior é que é foda dizer não! Ela fica me tentando, mas cara, eu me conheço... Vai ser uma merda depois. Vou ficar todo encanado, pensando que ela já deve ter feito isso com todos os caras que trepou e que vai me passar alguma doença. Caralho. Por que sexo tem que trazer doença? É foda. Eu não consigo ficar uma semana sem. Aliás, ultimamente, não tenho conseguido ficar nem com uma mulher só! Eu tou pegando geraaaaaal. ehheehehe

Segunda-feira, 19/02/07

Passei o final de semana inteiro com a gostosa. Caralho, foi bom pra caralho! Fudemos à veeeeera. Trepamos muito. Eu não conseguia parar e eu sei que ela tava gostando. Ela pareceu estar gostando. Ela gozou quase todas as vezes. Acho que fingiu também, mas eu não sei se era fingimento ou se ela gozou mesmo, ou se era só gemido. Mas, porra... Foi foda. Ela é foda. E ela é linda. Me colocou virado pro espelho, sentado no pufe cor-de-rosa dela e sentou em cima de mim, só com uma sainha de babadinho rosa e caveirinhas pretas. Completamente pelada e sem vergonha! A mina é muito safada. Disse pra eu olhar! Hahahahahahahahahahahaah Foi foda, me deu muito tesão. E ela é linda. Vai ser foda ir viajar nesse carnaval sem ela. Vou ficar com tesão a semana inteira e não sei se vou comer alguém. Mas quando eu voltar, dou uma ligada e a gente sai de novo. Dessa vez, quero comer ela com aquela outra saia. Tou pensando numas coisas muito doidas que essa mina faz um lado meu estranho querer vir à tona. Às vezes até tenho medo. Só penso em sexo o dia inteiro. E quanto mais eu trepo com ela, mas as outras minas me notam, e me ligam... E querem ficar comigo... E só mina gata! Eu querendo fazer a linha, mas tá foda... O poder da pica. Afinal meu sobrenome é Pinto, né? Tá no sangue da família.
Quando eu tava na escola, era motivo de zoação. Todo mundo ria porque eu me chamava Pinto Leite. Mas agora parece que atrai as abelhinhas pro meu mel. As meninas adoram e querem mais do meu leite. O poder da pica da família Pinto Leite!
Acho que a gostosa tá apaixonando, mas eu já disse pra ela que não quero nada sério, não tou afim de me prender agora. Ainda tenho muito jogo pela frente, não dá pra ficar preso. Ainda tem o lance que tá rolando lá em casa, que porra... Tá foda. Não posso ficar com niguém definitivamente até isso se decidir. Às vezes fica tudo bem, mas porque nos ignoramos mutuamente. Quando alguém resolve me proibir de sair ou quando eu resolvo explodir, aí fode tudo. Um inferno. Mas vai ficar tranqüilo. Assim que eu me formar. Só penso em sexo, mas quero fazer minha vida logo, porque desse jeito essas minas vão me levar à falência! Só o que tou gastando em camisinha é uma fortuna... Ainda toda hora desperdiço várias. Só achar que rolou algum problema. Tiro e ponho outra na hora. Qualquer coisa. A borracha está mais ressecada. Tiro e ponho outra. Ah, lembrei agora da cara da gostosa quando me chupou com a camisinha de uva... Fez uma cara de “iew, que horror!”, porque o gosto da borracha é ruim. Mas brother, se ela quiser me chupar vai ter que ser assim, porque eu não tou bancando pegar doença nenhuma. E eu até fico meio assim de deixar ela me chupar, porque ela vai querer que eu faça nela também e aí fodeu tudo. Eu não quero chupar ninguém. Vai ser uma merda ter que parar tudo pra colocar o papel filme na xoxota da mina. Mó quebra clima. Vou pra academia agora, antes que minha mãe chegue em casa e comece a encher o saco.

Domingo, 25/02/07.

Acabei de voltar de viagem e eu passei a semana toda na maior paranóia... Antes do carnaval, passei o final de semana todo com a gostosa e foi foda... Bom pra caralho. Mas depois eu viajei e fiquei com as outras meninas durante a viagem e agora não parece tão bom assim. Pra ser sincero, já nem me lembro direito! Fato é que deixei as meninas me chuparem sem camisinha e agora preciso ser honesto com a gostosa. Dizer pra ela que precisamos fazer exame de sangue. Porra, eu só faço merda... Como é que eu vou dizer isso pra ela?
Bom, uma coisa é certa; melhor dizer logo que dar merda. Vou fazer como sempre faço e colocar tudo como se fosse a coisa mais normal do mundo. Frio e calculista, sem emoções envolvidas. Ela sabe que eu não quero nada sério mesmo... Vai entender. Ela me entende. Deve ter imaginado que eu deva ter pego outras mulheres na semana de carnaval, né? Por favor... Se ela ficar puta, eu falo umas gracinhas, ela vai entender. Eu peço pra conversar com ela ao vivo... Vai dar tudo certo. Mas... Pra fazer o exame de sangue agora, só daqui a três meses. Caralho, e se eu tiver com AIDS? Não vou pensar sobre isso agora... Vou pensar só no que dizer pra gostosa.
* * * *
Acabei de falar com ela no telefone. Caralho, a mina me dispensou! Ela é muito escrota. Veio numa de possessividade comigo, querendo namorar, me cobrando eu não ter ligado pra ela durante a semana... Mulher é foda. Devia imaginar que rola um preço alto comer uma buceta tão gostosa. Fato é que ela me dispensou! Mas ela está certa, cara, eu quero experimentar agora. Quero ficar com todo mundo mesmo, espalhar minha semente. Mas não irresponsavelmente. Já basta um aborto na vida de cada um, não pretendo passar por isso novamente. Muito menos com ela, que disse que nunca vai fazer um aborto na vida! Imagina eu, pai agora... Nem com ela, nem com ninguém! Mulher louca... Falou toda esquisita no telefone, nem parecia a mesma pessoa. Tava toda fria. Deu uma gargalhada quando eu falei que se eu quisesse namorar, ela seria uma candidata fortíssima. Ao meu ver, ela devia ter implorado pra eu ficar com ela, ela devia ter me aceitado nas minhas condições. Mas ela não quis. Mulher mais velha é foda, muito dona de si. Tou mal agora, mas vai ficar tudo bem. Agora tenho mais quatro gatinhas pra passar o tempo. Demoro! Ainda semana que vem começam as aulas... Aí, vou me fazer.

"só pra dizer que tem"

"Carro... tenho... Casa... tenho... Emprego... tenho... Diploma... tenho... Namorada... tenho... Plano de saúde... tenho... Conta em banco... tenho... INSS... tenho... Título de sócio do clube... tenho... Documentos... tenho... Roupas... tenho... Sapatos... tenho... Móveis... tenho... Um bar com garrafas de wiskey... tenho... Relógios... tenho... Cachorro... tenho... Parentes... tenho... Amigos... tenho... Vida social... tenho... Futebol de domingo... tenho... Chuteira assinada... tenho... Violão... tenho... Caiaque... tenho... Bola de basquete... tenho... Empregada... tenho... Computador... tenho... TV a cabo... tenho... Aparelho de som... tenho... Assinatura da playboy... tenho... Amante... tenho... Cicatriz... tenho... Tatuagem... tenho... Peito depilado... tenho... Hora marcada na esteticista... tenho... Tacos de golf... tenho... Tacos de baseball... tenho... Bicicleta... tenho mas não uso... Furadeira... tenho... Caixa de ferramentas... tenho... Churrasqueira... tenho... Filha... É, tenho..."