terça-feira, maio 05, 2009

Aceite o sacrifício do meu corpo

Difícil acostumar com a idéia de finitude. Talvez essa seja a maior lição dessa época de Saturno. Não é o peso das cobranças e das responsabilidades, não é o aumento de demandas e de carga horária produtiva, mas a falta de esperança com relação ao infinito. Existe uma percepção visceral de que o infinito não é alcansável, e que talvez eu não tenha tantas escolhas assim na vida, nem tantas opções de mudança, já que eu não consigo sair das minhas próprias limitações emocionais (que são: não conseguir ignorar, não conseguir fugir, não conseguir abstrair do que sinto). O fato de precisar entrar a fundo nos processos, me doer, entender, mastigar, aprender, tirar algo de bom disso tudo. Aprender a dor, aprender o difícil, aprender o fogo, aprender a me aceitar assim, intensa, cheia de paixão, tanto para doar ao outro quanto para destruí-lo. Evito, porque sei que quando mato também morro. Mas... Como manda o livro da lei, os acertarei num golpe rápido e violento. Eleguá me emprestou sua língua. E, que o outro seja um rei para que eu não possa feri-lo. Tantos que eu gostaria de ter destruído, mas que só engoli. Cronos e pedras; sapos e nós. Nós: pronome pessoal do caso reto e também substantivo masculino. Ambos no plural. É a primeira pessoa do plural... Nós não demos aos mãos, demos nós. E eu, dei a mim mesma: mente, corpo, coração. Fui uma mulher feral; selvagem e domesticada, depois selvagem de novo. Capenga, rasgada, sem um pedaço agora. A caminho da caverna para curar as feridas.
Diz que eu não sou de escorpião agora. Qualquer pessoa que tenha me escutado na última década... A dor no peito é um detalhe, o sangue é só um detalhe no cosmos. Mas é todo o infinito que eu consigo alcançar. Para dentro, e abaixo. Presa, dentro do meu próprio corpo. Submetida por vontade própria; escolhi a limitação. Escolhi?


segunda-feira, maio 04, 2009

A secura das águas doces

Odé era dono das matas, e um dia se enfureceu porque as águas de Oxum teimavam em invadir o seu reinado. Mesmo Oxum argumentando que suas águas eram necessárias aos animais e à vida da floresta, Odé não quis saber. Recorreu a Olorun, que resolver separar bruscamente os dois reinos. Com o tempo, a mata que antes era verde e exuberante foi ficando seca e definhando, a terra não era mais fértil e os animais não tinham de comer, nem de beber. Oxum sentia-se muito solitária, mas não intercedia na decisão de Odé, e era confortada por seus filhos, os peixes. Mesmo assim, Odé não deu o braço a torcer; teimou que conseguiria alimento em outro lugar para dar aos seres do seu reino, mas sempre encontrava o mesmo cenário desolador. A floresta estava morrendo, e Olorun explicou a Odé que ele precisaria se reconciliar com Oxum. Então, Odé colocou seu orgulho de lado e foi procurá-la. Mas, antes de aceitar, ela precisava que ele reconhecesse as suas qualidades, e precisava que ele se desculpasse. E ele o fez, e então, da união e reconciliação dos dois, nasceu o príncipe Logun-Edé, a margem dos rios.

Oxum costuma dar o melhor de si, e se ofende quando não é reconhecida. Ela também foi enfeitiçada pela bruxa Oxorongá, que a grudou em seu próprio trono, impedindo Oxum de reverenciar o grande orixá Oxalá, em uma visita ao seu palácio. Mesmo assim, fazendo um grande esforço, ela se levantou, se ferindo gravemente e manchando com sangue vermelho o palácio e as roupas. Oxalá, ofendido, vai embora do palácio de Oxum, que havia sido todo cuidadosamente preparado por ela para recebê-lo. Oxum fica muito entristecida. Mas Exú intercede a favor de Oxum e explica a Oxalá o ocorrido, que volta muito feliz com o esforço dela para recebê-lo. Por isso Oxalá sempre escuta Oxum.

Será que as filhas de Oxum sempre sofrem desses males?

"eu te amo": código operacional do sistema de segurança

Certificado. A rede pode prosseguir normalmente com as operações. Código de segurança "eu te amo" encontrado no arquivo "self". Download do novo programa em cinco, quatro, três, dois... Se não tiver certeza da operação ou não tiver encontrado a informação que procura, clique aqui. Para abortar operação, clique em "sair". Para prosseguir, ignore esta mensagem.

domingo, maio 03, 2009

Para sempre

A minha guitarra acústica perdoa, ao contrário de mim. E, por isso, eu a amo. Ela me ajuda a transmutar o que sozinha não consigo. Ela me eleva a potência de universo, o que sozinha não consigo. Ela é maior que eu e aumenta o meu tamanho, o meu alcance passa a ser em ondas ao invés de intervalos. Eu passo a ser contínua, uma voz, um tom, ao invés de relâmpagos explosivos. Eu prefiro viver assim.
oo
Nos tiraram o "para sempre", já perceberam? Onde a gente pode ter o para sempre na vida? Não existe mais eternidade, porque não existe mais além. As dimensões ocorrem simultaneamente. Não existe mais reencontrar os entes queridos e passar a eternidade juntos, porque o Cristianismo não é mais a crença preponderante. Não existe mais nenhum amor que dure para sempre, nem mesmo em pensamento; não existe nada que dure para sempre. Nem a vida no planeta Terra, nem mesmo o Sol, nem mesmo a nossa galáxia vai durar para sempre. E se alguém disser que a eternidade é formada por uma sucessão de eternos inícios e fins, que universos inteiros nascem enquanto outros morrem, é o mesmo ao que estou chamando de eternidade. Mas esse eterno passou a ser finito. O Universo é menos desconhecido e é finito. Não é mais para sempre. Marte está logo ali. Nem o para sempre dos contos de fada existem mais, foram desmitificados. Não existe a menor possibilidade de esticar nossa estadia aqui e, uma vez mortos, acabou; as nossas esperanças, o poder de olhar para cima e pensar que o céu ou o mar são infinitos: não são. A água pode acabar. Os recursos podem acabar. A vida pode acabar. Nossas esperanças morrem quando acordamos para o dia de luta. O amor pode acabar. As lembranças podem ser esquecidas. Nada é para sempre. Ele se foi e deixou a sua sombra. Queremos o para sempre, achamos injusto que outras gerações tenham tido a possibilidade de crer no para sempre (mesmo que não fosse de verdade); era tão bonito. Viver com a idéia de falta, secura, limite, finitude, morte a cada suspiro, a cada esquina, a cada nova possibilidade... É EXAUSTIVO. O para sempre era contínuo, era uma possibilidade de união, e nós vivemos todos segmentados uns dos outros, segmentados dentro de nós e segmentados na própria vida. Somos os espaço entre duas palmas da mão, vivendo no intervalo de tempo entre uma palma e outra.

Morar sozinha II

Tudo fica bom na panela de pressão.

sexta-feira, maio 01, 2009

Cristiana (Maybe California)

Não seria sexy se eu começasse a falar sobre as minhas calcinhas? Elas são de algodão e algumas têm coraçõezinhos. É a primeira coisa que faço depois de me enxugar, vestir uma calcinha. Uma gaveta inteira de calcinhas, de todos os tipos. Mas então as namoradas não viriam mais aqui e se esconderiam de mim, com medo de os namorados(as) descobrirem as minhas calcinhas, o meu sexo, o meu cheiro de mulher, e proibiriam seus homens/mulheres de vir aqui me visitar, e de ler o que eu tenho a dizer. Eu não ia gostar se meu namorado visitasse um blog de uma garota que falasse sobre as calcinhas dela. Eu não gosto de pensar que existem outras calcinhas no mundo além das minhas, quanto mais o que há além delas. Poxa, eu tenho uma gaveta inteira, cheinha de calcinhas, isso não pode ser suficiente?! Eu sei que também gosto de olhar, que o corpo feminino é a coisa mais perfeita que já inventaram, mas queria por um dia inteiro não pensar em peitinhos e bundinhas, e ser um dia inteirinho toda sua. E ser a única. Queria que o seu ser inteiro, a mistura entre o seu ser masculino e a sua ser feminina, fosse namorado do meu ser inteiro, mistura da minha feminina com o meu masculino. Para que tivéssemos um dia de liberdade. Mas como desconheço a minha inteireza, e desconheço a minha própria divindade, milagre único, a minha parte mais maravilhosa (e que existe neste mundo) que sou eu, nascida assim, com tudo o que eu já vivi, eu nego a minha própria sexualidade para fingir que nada mais existe no mundo além de você e além de mim. Eu finjo esse amor, e me restrinjo. Você finge esse amor, e vai morrendo aos poucos. E vamos morrendo juntos. Eu finjo que sou só sua, que minhas calcinhas só ficam coloridas por você. Eu finjo que eu entendo o mundo como é, as capas de revista masculina, o que as mulheres fazem com elas mesmas e finjo que não tenho o menor problema com as suas amigas que também são bonitas, nem com as que são feias mas que você já ficou, e finjo que você pode ser livre sem que isso me magoe. Eu finjo que os homens internalizaram bem as suas imagens de mãe, e que conseguem sim amar outra mulher. Eu finjo porque preciso, porque tenho que sobreviver a isso, não porque eu gosto. E eu olho para você e penso como tudo isso já ficou sem graça, porque é só uma repetição daquilo que todos nós já vivemos e já sabemos que não queremos -- mas que não sabemos fazer melhor porque o mundo passa por essa transformação dos relacionamentos e nós estamos bem na curva -- mas daí a ser completamente permissivo é morte súbita. E acho que eu também prefiro ir sentindo a morte chegar, aos poucos, para ser menos traumático. Geração de plutão em libra: ainda é só o começo. "Ok".

Morar sozinha

-- preciso aprender a gostar de lavar a louça do almoço... (panelas, fogão...).

Abro mão

Abro mão da encarnação em que eu fui mulheres sem pudor, passeando nua pelos campos que ainda existiam, e dos vários amantes que tinha, homens e mulheres, abro mão de todos os dias que passamos juntos, dos passeios à cavalo, dos banhos aromáticos, dos quartos enfeitados de cetim, das luxúrias, dos carinhos. Abro mão do dia em que eu fui tão mais liberta, na mente e no corpo, e não tinha tantas preocupações e medos que me limitam tanto hoje em dia. Hoje em dia... Naquela época eu não tinha noção dessa expressão, então abro mão disso também. Abro mão das jóias, dos amores, das cortes, dos bailes, dos banquetes, das honras, dos panos, dos empregados, abro mão dos escravos, dos serviçais, dos 144 quartos, dos tapetes importados, dos cabelos longos... Abro mão das estações do ano bem definidas, do amor livre que eu sentia, de tudo o que era belo, abro mão da juventude, da saúde, da infâmia, do calor humano, da presença de outro corpo além do meu na cama... Abro mão dos suspiros, dos orgasmos, dos dias sem trabalho, da pele acetinada, de tudo feito com calma e com cuidado, abro mão de todas essas vidas. Abro mão das vidas brandas, quase sem dificuldades, nas quais minhas vontades eram feitas. Pronto. -- Olha o que eu fiz...

Abro mão - agora mais próximo de mim - do controle, da tentativa de manter qualquer relação, da tentativa de amar e ser amada, dos momentos de paz, dos de ansiedade também, qualquer segundo sem expectativa é um segundo divino, qualquer momento em que não pense em você ou no que está fazendo é voltar o foco para mim, então é divino por igual... Abro mão do futuro, das minhas vontades, dos meus planos, dos palcos, abro mão de cantar, abro mão dos meus dons, abro mão de ser reconhecida, abro a mão e seus dedos se desencontram dos meus, vão se esvaindo para uma terra distante, e vamos nos distanciando, você vai subindo para outras galáxias, eu fico aqui na Terra com o mundo e o submundo. Você vira ar, eu viro pó. Abro mão da morte, abro mão da vida após esta, da sobrevida, abro mão das noites, das luas Phobos e Daimos, abro mão dos anéis de Saturno, fico com os dedos de volta na minha mão, mão que estava contra a sua, quente, agora já não mais... Mão aberta.

segunda-feira, abril 27, 2009

Um nível abaixo da superfície

Eu sou um inferno. Pouquíssimos sabem como eu deixo pouco para a imaginação, como não largo um osso quando mordo. Como abro todas as portas de armário e trago todos os esqueletos à tona, tanto os meus quanto os seus, como faço isso para que seja uma relação sincera, real, verdadeira. Fico obcecada, até enjoar. Não, não é daquela história da qual você se envergonha que vamos falar. Falaremos das suas emoções, dos motivos pelos quais você se envergonha, seu anseios e medos, qual a origem disso tudo e possibilidades para o futuro. E eu vou mostrar os meus antes, e que você tenha peito para, com calma e paciência, ouvi-los, senti-los, percebê-los e amá-los. E vou exigir que você me mostre os seus em troca. Sonho um dia encontrar quem deseje exatamente isso, exatamente quem sou, quem estou, por debaixo desses panos de pele e osso, alguém que deseje quem eu sou em alma. Até para mim, às vezes, parece difícil perceber um ponto onde tudo se acaba e eu possa começar a me dar o devido valor: o discurso. Mas esse ponto existe. Eu só preciso encontrá-lo expressando o que sinto, e deixar sair tudo até o ponto em que ele vem. Existe um ponto no qual me calo e entrego tudo à existência; existe um ponto onde as palavras não são mais necessárias e o silêncio compreende tudo. Só chego nesse ponto, falando. E só me salvo da loucura escrevendo. Então eu sou um inferno. As demandas que eu faria para você, em troca da nossa relação, de todo o amor que eu dou (embora eu também não saiba definir o que é esse amor -- se é amor ou posse, se é amor ou egoísmo, se é amor ou infantilidade minha), que é um grande amor, mas que exige simplesmente tudo em troca. Eu sou um inferno. Pouquíssimos sabem o inferno que é se relacionar comigo. Poucos, mas escolhidos. Às vezes bem, às vezes mal. Eu me esqueço, diariamente, do tamanho que eu tenho, porque dentro de mim, ainda sou um bebezinho.

sábado, abril 25, 2009

Moeda de troca

Você ousaria dizer aquilo que realmente quer em voz alta? Se fosse uma única coisa, aquilo que você mais quer em vida, diria isso para alguém, sem temer que virasse moeda de troca?

terça-feira, abril 21, 2009

Lentes de contato netunianas, impregnadas de plutão

Eles se amaram e tudo deu certo desde o início. Era algo especial, porque os dois se entendiam muito bem. Ela nunca tinha encontrado antes alguém que a tivesse em conta por seus dons próprios, e não estamos falando dos bonitos... Mas daquela mania que nunca a deixava de acompanhar de analisar as atitudes, suas e dos outros, e reações também, diante das situações da vida. Uma necessidade vital de se psico-analisar, obsessiva e compulsivamente. Então, ele gostava disso, e entendia. Se aproveitava das dicas também, claro, embora fossem doloridas.
Mas é basicamente isso. E tem a parte dos beijos, dos toques, dos olhares... Que também eram suficientemente boas, beirando a perfeição. Perfeição só haveria quando ele estivesse entregue tanto quanto ela, estivesse totalmente despejado dentro da tacinha "relação". A sacralidade da vida, e fonte de todos os pecados. Aí ela começou a exigir provas do amor dele por ela, buscando a integração dele entre atitudes e palavras. Qualquer coisa que ela percebesse como verdadeiro e genuíno, mas tudo o que via era o medo dele. Era tudo o que vinha à tona. O medo de se comprometer virava uma mina contra a relação (mina que explode na sua cara). Ele dizia que acreditava em várias coisas, mas não em "eu te amo", enquanto ela esperava que ele percebesse que, na verdade, ele havia desacreditado no "eu te amo", mas que ele também tinha direito a isso, se visse que realmente queria amar. Só os loucos amam; quanta dor, quanta preocupação, quanto desgaste. Qualquer pessoa em sã consciência permanece no seu ponto isolado de vista, dentro da própria cabeça, dentro do próprio corpo. Só os loucos ousam tomar o que não é deles, invadir outros espaços, conhecer o novo, procurar saber, morder da maçã da árvore, etc. Que ele a amasse, claro, mas que soubesse dizer isso olhando em seus olhos também. Que ele amasse a si mesmo antes de tudo, para saber que ela era tão boa quanto ele, e não melhor, e que ele era merecedor desse amor por ter esperado tanto tempo (e vidas) por isso.

Destaque

E u e n c o n t r e i você, e você n ã o e s t a v a l á .

O cérebro

Se você ficasse preso dentro da caixa craniana enquanto o ser vivo que é, não inventaria mil e uma realidades só para ter a possibilidade de se aventurar em algo novo? Não acredite em tudo o que a sua cabeça pensa, não faça tudo o que a sua cabeça manda. A sua mente, por vezes, engana você. Precisamos vCor do textoer o mundo fora do nosso cérebro, fora das nossas conexões neurais, ver além dos nossos limites; olhos para isso nós temos. O cérebro precisa pensar além de si mesmo, para transcendermos a condição humana (e racional) de solidão.

domingo, abril 19, 2009

Além de mim -- (imagem: Aya Kato)


Esse post só funciona para quem estiver dentro da pista de dança comigo, no escuro, ouvindo o mesmo remix de Behind the Wheel que eu ouvi. Não sei por que gosto tanto dessa música -- madrugada de sábado e eu na rua. Senti que precisava me forçar a sair porque a vontade existia, embora uma boa parte de mim achava que eu não devesse. Eu queria me divertir, mas sentia medo dos meus próprios desejos, do meu corpo me enganando, e eu sabia exatamente aonde estava indo: templo de todas as perdições; minhas ao menos. Sentia aquele frio na barriga de quando se sai e se sabe que algo fantástico vai acontecer. Era uma certeza, por isso, senti medo. Eu me arrumei, sem muito cuidado, mas com esmero. Quero ficar tão bonita quanto posso, embora não a ponto de me sentir desconfortável. Tenho procurado o meio termo desses elementos; estar confortável é mais importante que tudo, em muitos níveis.


E a festa estava rolando, e eu encontrei com vários amigos lá dentro da boate, e isso foi surpresa, e não precisei pagar por nenhum drinque, e todos estavam me elogiando, e eu estava feliz, e a música estava boa, e as pessoas eram bonitas, e todos estavam de bom humor e eu queria dançar muito. E eu dancei muito. Deixei as pessoas confortáveis onde estavam e fiquei na pista, sozinha. Algumas pessoas vieram tentar me fazer companhia, mas eu queria mesmo era ficar sozinha ali e senti um alívio quando isso aconteceu. Fiquei dançando sem parar, porque a música estava me levando e eu adoro quando isso acontece. E estava concentrada em mim, mas eu não era mais eu, eu era só música quando, de repente, fui para um lugar estranho. Dentro de mim, o que esperava que fosse o acontecimento fantástico acabou como uma descoberta de estrela. Mas o que eu vi me encheu de raiva.


Queria não perceber você no meio de mim, pensar e desejar que você estivesse junto comigo; queria sentir a música me penetrando, e não você se metendo no meio dos meus pensamentos, sentimentos, roubando os meus desejos, sendo alvo deles. Queria ter ficado com várias pessoas ali e não percebido a sua falta, nem a minha monogamia, a minha devoção, o meu amor. Queria ter beijado várias bocas, e não ter ficado esperando pela sua todos esses dias. Queria sair e também não lembrar que você existe, que é o que você me diz. Que raiva ser livre dentro da minha própria prisão, porque por amor a mim, eu estava sendo fiel a você. Senti raiva. No meio da pista de dança, agora estou sob o holofote porque eu danço e eu sou o centro de mim mesma e de todas aquelas pessoas que estavam ali. E aconteceu assim porque, no meu vazio, era onde entrava a música e fazia com que eu me movesse, como uma marionete movida a som, preenchida no vazio. E a música não tem limites, ela simplesmente encontra o seu lugar. E eu encontrei a mim, e encontrei a você também, só que você não estava lá. E enquanto eu via outros casais namorando deliciosamente, eu voltei para casa sozinha, e mais uma vez, dormi sozinha.

quarta-feira, abril 15, 2009

Posso apresentar-contornar-circundar os meus medos?

É uma vergonha, eu sei e também acho, que eu esteja no último ano da faculdade e, até hoje, não tenha pego um livro na biblioteca... E não é qualquer uma biblioteca, é uma senhora enorme, viajada e muito culta, mas cheia de burocracias. E foi com essa vergonha que cheguei lá, acanhada, sem saber por onde ir, em que corredor passar primeiro. É preciso passar a carteirinha em um dos guichês, pegar uma chave para o armário onde se é obrigado a guardar os seus pertences (menos a carteirinha, porque vamos precisar dela em outras etapas), achar o armário, e depois você olha num computador o título que procura, vê que exemplar está disponível, passa a carteirinha novamente, e... Falta uma senha. Saio eu do computador, vou para outra fila, cadastro uma senha e volto, para conseguir finalizar o meu pedido. É que na minha vida nada passa impune, e mesmo que eu saiba das minhas vergonhas, isso não impede que outros presenciem minhas incapacidades e apontem seus dedos. Por isso, encontrei um conhecido que até já terminou a graduação e começou o mestrado, e que ficou rindo de mim, me recriminando, achando um absurdo eu nunca ter pego um livro lá. Também, não basta só que as coisas aconteçam comigo; eu preciso contá-las aos outros, mostrar os meus processos ridículos, porque acho que eu não tenho um sentido de auto-preservação muito aguçado, ou tenho um de auto-destruição aguçado demais.

A questão é: eu tenho muitos medos, e os meus medos me limitam, por exemplo, a pegar um exemplar de livro nessa tal biblioteca que é tão boa, que chega a dar medo. Demorei cinco anos pra tomar coragem e ir lá, passar ridículo. Tudo bem, passado o trauma, senti que precisaria escrever sobre isso e sobre muito mais. O livro que eu peguei eu nem quero ler: A Ilíada. Muita gente pode achar o máximo, mas eu estou no meio do meu Clarice Lispector "Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres" (definitivamente, "Uma aprendizagem"... !!!), e os cantos da saga de Homero não me atraem neste momento. Mas, passei por isso, e também passei por outros momentos bem piores, como o meu primeiro namorado, que resolveu me comer durante dois meses e ir morar na Inglaterra e, quando voltou, começou a namorar a minha melhor amiga, que era uma amiga de infância (coisa que parece que eu não vou esquecer nunca, embora eu tenha feito de tudo para isto) e outra coisa que também não vou esquecer foi outro namorado que me levou para os Estados Unidos, e um belo dia, no meio do meu dia de trabalho, me ligou para anunciar que estaria voltando para o Brasil naquele mesmo dia, só que à noite. E como essas histórias eu tenho várias outras, que não vêm ao caso agora pra não causar um halloween antecipado. Na medida em que for conquistando leitores, eu vou espalhando essas pérolas minhas.

Então perdoem-me os invejosos se algum dia eu for feliz no amor e tiver uma relação bem sucedida, mas como vocês puderam perceber, ela vai ter sido (gostaram: vai-ter-sido) raladinha. Tá? E o mundo tem bastante gente e espaço pra cada um conquistar a sua própria, e tudo mais que os fizerem felizes. Mas permitam-se, em primeiro lugar. Mesmo a fazer papel de ridículos (na concepção de ridículo de cada um, of course). Mas acho que a primeira conquista é a de si mesmo. Sabe? E isso leva uma vida inteira. Então... Amem-se, por mais que doa.

segunda-feira, abril 13, 2009

-- Reclama mais? Por favor.

Hoje, quando eu acordei, fui até o banheiro e ainda meio sonolenta, abri o armário. Fiquei escovando os dentes mais perto da pia, e quando levantei a cabeça não lembrava de ter aberto, e me assustei com aquela imagem sem reflexo de interior de armário do banheiro. Armário aberto, e cadê eu?

Esse 'cadê eu' me seguiu o dia inteiro. Procurei dentro do meu estômago; não tinha nada lá, só dor. Nem fome eu tinha. Na hora do meu almoço, que já era quase hora do lanche, eu devorei meus pensamentos entre as garfadas suculentas. Devorava a mim mesma, uma garfada de comida, uma garfada de mim, tentando encher o vazio que ecoava em sinos lentos e doloridos, fazendo um grande silêncio oco.

Tá todo mundo assim: velho, ranzinza, de mau-humor, cheio de problema, mal amado, mal dormido, mal passado. Todo mundo tem que trocar a bomba d'água, tirar o mofo do armário, resolver entre encanamento de gás ou butijão e tomar as devidas providências, tirar raio-x da boca ou da coluna, fazer os exames, mudar de setor no trabalho. Ninguém ganha na megasena. Ninguém tira a sorte grande no amor e ensina aos outros como fazer. Eu não tenho nenhum amigo big-brother. Todo mundo pesado. Os metais pesados que vêm na água estão fazendo uma grande diferença na nossa evolução, colocando nós tudo pra baixo.

Ói que maravilha. Ainda ando roubando as idéias do meu irmão e colocando em trabalhos acadêmicos, por falta de criticavidade. Sem fôlego, sem vontade. Mas pelo menos eu não tenho televisão, o que já é um grande alívio. Posso ter o ócio que FOR; ele é meu, mais meu, muito meu. Nou teevee pra eu ficar mais burra ainda. burrainda. burrinda. burrnda. burnda. já fizeram isso em batmacumba, hein? Olha só, que repetitividade da vida me atingindo. Ô, deixa eu acertar um poco!!

Ainda assim, alguns poucos (bons) exemplos transpassam o meu caminho, e eu vejo como a bondade das pessoas é infinita (assim: eu tenho noção que a maldade também, mas a bondade das pessoas tem cruzado mais o meu caminho, apesar do meu mau-humor) e ainda existe e está ativa. Tantas coisas ruins, mas continuam oferecendo para carregar a minha mochila no metrô lotado, e se eu durmo, me acordam para perguntar se eu vou saltar na Estácio (risos). Mas essas coisinhas, pequenos atos tão calorosos e totalmente grátis tiram um pouquinho do peso, e eu vim para casa um pouco mais leve depois disso. E o metrô é ótimo para essas coisinhas especiais acontecerem, porque é uma situação extrema pegar o trem na hora do rush e é quase desumano também. Mas as pessoas sobrevivem e ainda conseguem ser solidárias umas com as outras, e quando eu vejo isso, eu fico feliz pelo mundo e me sinto mais aliviada.

theseaweed


mommy made me into a little seed. i never watched myself grow. i have the power to explode. i haven't met my strenghth yet. they tell me i am brave, they tell me that i can, i just don't believe it. i fit anywhere, i'm so small. i'm so light that i flow. but i have the power to explode. i just haven't met my strenghth yet. i feel unattached, unreachable. i could fit anywhere. i guess i never looked myself in other mirrors than the floating surfaces of the sea. sometimes, i am the water.

domingo, abril 12, 2009

The untold tale of the monkey and the rooster

There were two friends: a monkey and a rooster. Wherever the rooster would go, the monkey would follow. The monkey loved the bravery in the rooster. The monkey felt like it was ok to be curious around its fellow, so it followed. Should the rooster explore the territory, the monkey would watch. The rooster was righteous, the monkey, tricky. The rooster was righteous, the monkey had many skills. Then, it would go right after, checking wherever the rooster's beak would point at. The rooster is never the best of the animals, but it was right for keeping the monkey some company. The monkey was not the best of the animals, but he would carry the rooster on its back, since it had many more usable hands and tails than the rooster, and the rooster appreciated it. They were a funny pair to watch, but it worked. The monkey could become an ashtray or an attraction in some circus, the rooster could become dinner. So, they would save each other skin, because they did not represent a real threat to each other. And they were so brave together, until one day, accidentally, the rooster picked the monkey in the eye, while looking for a worm. "Couldn't you realize this was no hole?", asked the monkey. "I'm sorry, dear fellow", said the rooster. "It was so shinny, it was looking at me". And the monkey bit off the rooster's head. And that was not the end of the story, because the rooster, now a ghost, runned away in its body, leaving the head behind. And this is how the first shooting start came up in China, crossing the sky with blood.

The Wild

My wild has been tamed. I am a tamed beast, a domesticated monkey... So very polite.

sábado, abril 11, 2009

Ontem


Escrever sobre o amanhã três dias atrás, e escrever sobre o ontem, hoje. Essa ordem natural das coisas, que é uma ordem imprevista e bagunçada, que não respeita a ordem em que as exigências externas acontecem, podem acontecer a qualquer um. Esteja esperto: para reconhecer as dádivas que chegam sem que você esteja preparado. Esteja atento; às vezes a vida acontece só depois da morte. Às vezes o branco acontece só depois do preto, depois que confrontados no cinza, pudessem se perceber e se separar. Às vezes o arco-íris acontece antes da chuva e o orgasmo, antes do sexo. Às vezes o seu olhar chega antes dos olhos, e os seus pensamentos, antes das palavras. E eu entendo. E, muitas vezes, não entendo e só vejo as coisas passando de um lado para o outro, numa forma meio curva porque na Terra dizem não existir retas, voando como estrelas cadentes, nessa ordem cósmica que não segue a razão. Muitas vezes, o entendimento só vem bem depois. Às vezes os filhos vêm antes que possamos nos preparar; às vezes o amor acontece depois de trancarmos nossos corações sem esperança na gaiola do desespero seco, sozinho e triste. Mas que sempre os seus beijos cheguem antes da boca, para que eu não fique à mercê dos dentes, certa de que irão me morder. E que mesmo que seus beijos nunca cheguem, que eu possa saber que um dia serei beijada novamente, e tenha sempre a certeza de que as coisas não acontecem numa ordem em que eu possa compreender, para que, ontem, hoje e sempre eu possa ser surpreendida.

sexta-feira, abril 10, 2009

Hojeam

Antes de destruir as minhas forças por completo, deixe-me vivenciar o samba que há em minhas veias. Índios, negros e mulatos, com brancos, pretos e mestiços. Todos amarelos e até que deixe vir os meio verdes... Assim, meio vermelhos de dançar, meio roxos de tentar e de não conseguir (nunca), vamos pegar o primeiro ônibus que vai da Lapa para a Tijuca e... E o que? E nadaa.

Hoje eu gostei de um bigodinho na rua, mas porque fiquei pensando no seu. Na verdade, esse sujeito é a cara do cara personagem do livro que estou traduzindo, então me fascinei. Como pôde ele ter pulado das páginas para a minha cabeça, e da minha cabeça para o mundo?! Como pode haver uma pessoa igual ao Andrew Imhof, cílios longos, cabelos bagunçados, pêlos castanhos?! Amorzinho platônico da personagem principal do livro, estou vendo demais, estou vendo que entro demais nas histórias que ando lendo, estou vendo eu mergulhando na voz da personagem e perdendo a minha própria. É por isso que não vejo novelas, e é por isso que não assisto a filmes. Todos entram em mim, entrando em mim para nunca mais sair. E não saem.

É por isso que eu sou uma péssima amiga. Sou boa assim, à distância. Na redoma. Na jaulinha. Me dêem comida. Mas cuidado com os dedos. Eu já gostei mais de anéis. Podem ficar com eles.

Opa Camarade! Esqueci de contar... Que já não canto, muito menos encanto. Se eu quiser passar invísivel, não tem playboy da Lapa que puxe a minha saia! Só não posso sorrir. Se passa qualquer bêbeda acham que você está alegre e querem conversar. Não pode passar qualquer boba alegre, que eles acham que está bêbada e querem puxar a saia. É foda. Não tem saída para os homens ruins do mundo. Que todos eles sejam engolidos.

Le-Olam-Amém. Saravá. Axé, Oxum.

Atchim.

Tenho mais histórias pra contar? Só aquela velha, da Chapeuzinho vermelho e daquele bicho pulguento. Mas hojeam, eu olhei as bananas de uma forma meio diferente. Como nunca tinha olhado antes. Senti medo. De mim mesma. Medo dos raiozinhos da Lua para mim naquele dia de dois duas noites atrás. Zzz zzZZZzZZzzzz

quinta-feira, abril 09, 2009

AMANhãn?

Amanhã, você pode perceber que se envolveu numa relação de co-dependência, e terminar tudo comigo, com medo. Amanhã, meu pai ou minha avó podem morrer, e me deixarem sozinha. Amanhã eu posso ser mandada embora, porque minha chefe finalmente vai perceber que engano ter me contratado. Amanhã eu posso perder a voz por horror total e nunca mais conseguir cantar. Amanhã eu posso estar tão mal de saúde que não vou conseguir nem passar da porta para cumprir com as obrigações que tanto me chamam. Amanhã eu posso não ter mais nenhum amigo. Amanhã uma inundação pode invadir a minha casa, acabando com tudo o que eu tenho, ou um incêndio, ou um roubo, ou a minha conta bancária pode ser invadida por hackers, ou posso não conseguir levantar por desistência de viver. Ou tudo isso pode acontecer ao mesmo tempo, porque nada na vida é previsível e, quando um mal acontece, geralmente todos vêm juntos. Sem comida, sem dinheiro, sem família, sem namorado, sem emprego, sem carinho, sem sol e sem lua, sem norte, e sem rumo. Amanhã, tudo pode acontecer. Mas amanhã, please, só amanhã. Me deixa hoje aqui só com medo. Viver com medo das incertezas, melhor do que viver na certeza das perdas? I'm scared. And scared to say it out loud. -does writing it make me a little brave- R?

terça-feira, abril 07, 2009

Presa numa questão de liberdade

Posso tudo: não sei o que fazer. O espaço é meu (o quarto, o mundo), o corpo é meu (veículo), as vontades são minhas (mas quais são elas?). Preciso trabalhar um pouco, preciso me concentrar. Congelo. Nada posso fazer. Não sei por onde começar. Nada faço. Tento me deitar. Fecho as cortinas. Tiro a roupa. Gozo um pouco. Nada satisfaz. Sento pelada para tocar violão: eu posso. Penso em ir tomar banho, eu posso não ir almoçar antes. Preciso ir comprar água, tenho sede. Penso em jejuar. Para ser livre, preciso tomar decisões! Se você tudo pode fazer, nada faz. Se nada pode, você luta para poder, que é a causa dos rebeldes. Vou continuar me debatendo, que é a luta contra si mesmo, daquele que é livre e não sabe contra aquele que não é livre, sabe e gosta disso (porque é mais fácil), daquele que pensa que liberdade é falta de organização contra aquele que não pode usar o seu tempo livre porque se organiza sem parar, daquele que abre a porta e convida a primeira a entrar, a tomar uma água e a chupar o seu órgão - daquele que age como um animal-, contra aquele que tem seus instintos totalmente dominados pela sua parte Homem. Daquele que tem a alma numa jaula porque se soltar, destrói tudo ao redor, contra aquele que fica com feridas na pele, loucuras na mente e infelicidades na vida porque não se solta nunca. Se você tudo pode fazer, nada faz. Se nada pode, você luta para poder. Essa é a causa dos rebeldes. A liberdade congela; quem tudo pode não sabe por onde começar, a ponto que aquele que nada pode sabe exatamente o que faria. Prisões para todos sermos livres então.
... você gosta?

segunda-feira, abril 06, 2009

Toalha molhada

O impulso da escrita é na hora que se pega, é na hora ou se perde, e deixa um rastro, como uma gota que escorre depois do banho pelo corpo, deixa uma marca, deixa a sua presença ali. Tirar o excesso da água com as mãos antes de se enxugar, meu pai me ensinou, me ensinou a tirar o excesso para a tolha não ficar ensopada. E eu detesto toalha molhada, mesmo hoje, depois de grande, mesmo depois de ter revisto milhões de conceitos aprendidos desde criança, depois do banho, se enxugar com aquela coisa felpuda, gelada e úmida, às vezes no frio, com aquele molhado que parece não cumprir com o seu dever, ainda me incomoda. E eu não gosto de pessoas e objetos que não cumprem com o seu dever. Quer dizer, qual é o papel da toalha, senão o de simplesmente enxugar?

Nem todas as toalhas secam a tempo, nem todas as toalhas novas enxugam bem, nem todas as coisas felpudas são gostosas (tipo lodo no fundo do lago), nem todo mundo que mora na favela tem vocação para ser pobre e as pessoas que pegam conduções lotadas não nasceram todas para isso. Está/amos cumprindo com o seu/nosso dever?

O mundo é permeado de questões estúpidas assim, tão pequenas que são tão óbvias, e que de tão óbvias são invisíveis, que nos impedem de ver as questões maiores, que de tão próximas não enxergamos, e lançamos mão de soluções muito mais complexas, dispendiosas em energia e dinheiro, investimos tanto tempo em coisas tão fenomenais, mas nas pequenas coisas, nos detalhes, nas pequenas organizações, quase não perdemos tempo. Tipo: gastar dinheiro com médicos e milhões de coisas que nos fazem acreditar que são boas para nós, quando poderíamos simplesmente saber as coisas que são certas para nós.
E eu não me sinto limpa se não me enxugo com uma tolha seca, e não me sinto confortável pisando em lodo, e continuo com nervosinho na nuca se grudar muita poeira na sola do meu pé e também penso mentalmente numa senha eletrônica sempre errada no último algarismo, para se a pessoa ao lado estiver lendo a minha mente, não saber a minha senha. E não consigo fazer nada, não consigo me manifestar em brados e causar a mesma indignação nas pessoas a minha volta quando anunciam no metrô que a passagem vai aumentar de novo, e vai atrapalhar todo o meu orçamento, que já estava apertado.

E será que alguém pode ser vangloriado por ter nascido bonito? E será que podemos dizer que estamos em plena Era do desenvolvimento da comunicação? E será que o Lula acredita que ele seja realmente "o cara", e que tanto a Rainha da Inglaterra quanto o presidente Barak O. sejam super "gente boa", ao invés de perceber que todos esses líderes querem um pedaço do Brasil?

Não é você, senhor presidente, que está sentado naquela cadeira: SOMOS NÓS. E nós estamos cumpridos com os nossos deveres. Você é apenas uma toalha molhada (e em cima da cama!). - mais uma coisa felpuda que não é legal. Você é ilegal.

E mais um pedaço meu vai sendo levado embora pelas corporações quando todas as contas aumentam e eu preciso gastar o meu precioso tempo trabalhando ao invés de fazer as coisas que eu deveria estar fazendo para a minha própria sanidade, como ir gastar a minha agressividade movimentando as massas e causando tumultos contra essas corporações abusivas (Light, CEG, etc, etc, etc).

quinta-feira, março 12, 2009

I just settled for the last fridge in the store

There was only one, and it was going to be mine. That one. Just for me? This eager to get what I want does not always comes for good. But I researched the field, all the stores, and it was the closest thing to the ideal fridge I had in mind. It was not frost-free, but it was dry anyway, and since I have a problem with space, it was supposed to fit in my flat perfectly, and it was also supposed to fit the wholes in my life. A fridge, just for me; my fridge organization, my very well selected food items, my things, my things. And it was the middle of the afternoon when mother called me to say that there was only one, and that she was only calling to make sure that I would hurry up to the store later on. But I got so nervous that all my researching would go down the drain that I didn't think about anything else but getting to the store to get my fridge. It's kinda like to pick a boyfriend; it's not really what you want, but since you need one, there you go searching. You need a cooling for your mind heat, and you need chills in your life. I mean good chills, the kind that relaxes you once you're home. I was not entirely happy about it, but it was the fridge for me. Can you believe that it got to me all dirty and I even had to pay for the delivery? I mean, this whole deal of settling for the last item just because you think you need it is really not a good deal. I hope it's -at least- working. This thing came with the destiny to fulfill my life for many nights to come... Very lonely nights. We should never settle for anything less than what we deserve or we get less than what we deserve.

pelo meio das pernas

Bom dia, tristeza. Você acabou de acordar e eu ainda nem fui dormir. Sabemos de nós duas; nos encontramos sempre às zero horas. Sabemos que você mora no meu ventre, e que em noites de lua cheia como esta, e nas noites de copo cheio e de vida vazia, ou se transborda ou se quebra. Copo frio, sangue quente. Hoje eu quebrei, porque vi o reflexo do sol no copo e quis alcançá-lo, amá-lo, mas hoje não era dia de sol e sim de lua, e meus cacos ficaram espalhados pela vida. Essas pontas afiadas são tão atraentes... Brilham como os olhos dele. Me cortar seria como tê-lo por perto. Os cantos, os ralos e a umidade também; é tudo muito atraente. Se eu fosse líquida, derramaria. Talvez hoje isso aconteça e amenize a pressão do coração que não se aguenta, e sangra por baixo. Ao invés de explodir em amor, implodiu pelo meio das pernas, e vai para baixo, nutre a terra, vai para o subsolo. E nada de cuidar de um amor, hoje. Nada de subir aos céus para nós, mulheres. Lilith maldita, ri de mim, com suas mil labaredas dentro do meu útero, me fazendo querer sangrar para parar de sofrer.

Amor escorrido pelo meio das pernas, para o solo, para ser reabsorivo pela terra. Mais um ciclo, mais uma morte. E mais um dia em minha vida sem amor.

domingo, março 08, 2009

The ones that never got to be - diário de um momento de show

O espectro formado por todos aqueles que nunca chegaram a ser vai aumentando toda vez que
mais uma alminha sobe (ou desce) para os céus dos desalmados, somando mais uma alminha ao seu espectro que vai ficando cada vez mais gigante e mais assombrador pela soma dos seus antigos entes queridos que vão se empilhando, um a um e misturados, na enorme sombra fumê de relacionamentos mortos, sentimentos mortos, lembranças e passados.

Aí você sai da visão e está no meio de um show muito inspirador, no escuro e ainda bem, sente uma saudade, uma vontade do papel e da caneta que vai saindo quase como um vômito, e você sente um calor molhado entre as pernas e acha que pode ter ficado menstruada no meio do salão, em cima da cadeira -"ainda bem que está escuro/ainda bem que a saia é da cor de sangue", e depois pensa que é mesmo bem possível pois está mesmo na época, e então, começa a se rabiscar porque acha a caneta,, mas não o papel, e no meio do show, ali, no meio de todos, mas não escondida por estar em cima da cadeira, não comportada por estar escrevendo no braço enquanto as pessoas talvez achem que você está se cortando, e eu pensando em pedir um café para tomar ali mesmo, só porque com a idéia de escrever veio junto uma vontade monstro de tomar café... Eu penso que deve ser o olhar de fora disso que me justifica como "ela é meio maluquinha". Bom... Café... Veio e foi-se. Mas eu escrevi, escrevi em mim, e nos guardanapos da mesa, e guardei todos eles na bolsa.
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É tão triste estar no palco e cantando para tantos que te acham tão bonita, eles amam a sua voz, dizem que amam vocÊ também, e dizem que você é muito foda, e você tenta ser fofa, e diz "vc tb é", mas ouve "você é mais, muito mais", de uma voz que quase te devora ali do gargarejo, e você encanta a tantas pessoas, mas encanta porque canta com a verdade das coisas que construiu, e se lembra dos sentimentos que fizeram você escrever aquelas canções, e das pessoas que foram responsáveis pela sua inspiração, e aí pensa que você tem várias pessoas mas não tem justamente quem gostaria, porque você está fazendo turnê e o seu amado está sozinho na província de origem, "esperando" (isso é quase engraçado de dizer), e que não está ali. (...)
Então, acho que só 3 reticências é muito curto...................................................................................................................................................................................................................................................
Kd o meu amado, que não está ali também, alimentando todas as minhas dúvidas e vontades de escrever??

Sabe uma frase que me veio na cabeça nessa hora?
"Santo de casa não faz milagre." Bom, se você encanta tanto, deve ter encantado o amado em algum momento. Mas, de repente, de diva do rock vocÊ passa a ser lugar comum. E, por algum motivo, eles não gostam disso. Deve ser por issooo que erram tanto aquele ponto.
E precisam da diva que não tem pontos, nem vontades. :/
Opa, essa saiu sem querer. É a quase-lua-cheia, na pré menstruação e eu estou maldOSA, mau humorada, com cólicas. É preciso amar demais o lugar comum para me amar. É preciso conhecê-lo para saber do seu oposto.
E estou de mau humor com os homens e ainda descobri que odeio os machões do metal, que falam "linda" pra cantora do palco, e literalmente pisam e esbarram com força nas mulheres da platéia. Nunca vi gente mais idiota. JURO que os comentários que eu ouvi hoje foram os piores, do tipo de gente que não tem nada dentro e veste de preto só pra esconder o vazio.
... .
E as garras estão ficando afiadas.
E as pálpebras começam a não me obedercersr
[pós show de Annique]

sábado, março 07, 2009

Positivo, negativo, infinito

Quando estou por cima, você está por baixo. Quando estou por baixo, você está por cima. Acho que não temos como ficar lado a lado, olhando para a mesma direção, numa posição confortável. Se você está por cima e pode olhar para mim, olha para mim e não para onde estou olhando, que é você. O problema é quando você não olha nem para mim, nem para você. E você sempre procura olhar para algo que tire você do estado concentrado da sensação, de raiva, de dor. Você não procura sentir a sensação que sente, mas procura fugir dela. Qualquer distração, qualquer maresia ou miragem que tire você da agonia que você carrega dentro de você, e não na sua mochila, tira você de você mesmo. Mas o que vai sobrar para mim, quando estivermos juntos?
E o que vai sobrar aqui, depois que você seguir adiante de todos esses olhares e não olhares?
Eu pergunto e questiono: por que olhar a beleza de tudo o que existe ao seu redor, mas não olhar a beleza de tudo aquilo que existe dentro de você?
Por que você ignora essa senhora sedutora e profunda, cheia de dedos, seios, tatos, cheiros e bocas, e pernas e unhas e todas as coisas de que você gosta, e que vive e clama e grita pela sua atenção, e arranha, e faz você sangrar, e separa o seu coração em dois ou o transforma em cofre fechado no fundo do mar... Mas cede aos desejos mais superficiais da sua telha?
Por que continuar vivendo sem amar e sem se deixar amar?
Eu não sigo adiante, até resolver. As questões para mim não morrem no suspiro.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Olhar cristalizador

[The Gossip - Eyes Open]
Tenho vivido umas experiências interessantes, porém um pouco dolorosas, já que o material de pesquisa sou eu mesma. Eu me coloco à prova, eu sou a isca; eu mesma me coloco no anzol para os peixes e corro os riscos. Nem sempre isso é proposital; muitas vezes, estou apenas "sendo". Tem uma coisa que observo de comum nessas situações: o estresse emocional que acontece dentro das pessoas quando elas observam uma mudança brusca em você. E elas reagem profundamente, às vezes quase partindo para a agressão física, e muitas agridem verbalmente, pela frustração das expectativas que elas mesmas construíram e tinham sobre você.
Eu entendo que moldamos as pessoas que conhecemos e todas as coisas do mundo, numa tentativa de torná-lo um lugar mais seguro. Essas são as prisões que construímos para nós: tentar moldar as pessoas, tentar moldar a nós mesmos e também prever as situações, por ideologias, modos de vida, hábitos, e etc, achando que diminuímos a carga de surpresas da vida. Colocamos em nós mesmos uma enorme carga negativa por tentar prever o que as pessoas e as situações podem nos trazer, mesmo sabendo que essas expectativas vão ser, quase sempre, frustradas, quebradas. Não cansamos; precisamos estabelecer parâmetros e limites. Precisamos criar um cercadinho para nós.
Eu realmente não esperava chegar num churrasco de aniversário e ter causado tanta comoção só por estar comendo um pedacinho de carne e umas rodelinhas de salsichão. Assim, na vida de tantos outros isso é uma coisa tão corriqueira. Mas na minha, acontecem comoções. Algumas pessoas não se conformam que eu possa estar comendo carne, já que anos antes defendia a proteção dos animais. Pois bem, continuo ao lado dos animais, mas já não acho uma ofensa a eles que eu os coma, pelo contrário, acho que eles estão sendo honrados. Muita gente que eu conheço não consegue lidar com essa mudança de paradigma e realmente se bagunça. Até quase te agride.
Estou cansada desse olhar cristalizador, que não admite mudanças, e sei que ainda é só o começo para uma pessoa que almeja a vida pública. Ainda não sei lidar com isso. Eu também tenho dificuldades de lidar com as minhas próprias frustrações, mas eu admito que as pessoas mudem de idéia e procuro não julgá-las por isso. Eu não acho que seja um problema que as pessoas experimentem, que elas saiam do casulo e sejam ousadas. Acho perfeitamente natural qualquer experiência que amplie nosso circuito de visão, geralmente tão fechado e limitado pelas coisas em que acreditamos, pelas coisas que fomos obrigados a acreditar, e por tudo aquilo que queremos ser. Sair um pouco do próprio mundinho e tentar entender como as outras pessoas vivem, dentro dos seus próprios universos, é uma coisa boa. Mas acho que eu sou um caso isolado. E acho que esse tipo de comportamento não tem muita vez no mundo social e segmentado em que vivemos, que PRECISA dos rótulos. As pessoas que procuram mais e querem mais devem ser alvos fáceis, especialmente quando pretendem compartilhar as experiências e informações. Ainda estou em construção com relação a essa idéia (e tantas outras). Mas não vejo nenhuma confusão nisso. Está tudo muito claro: eu sou uma pessoa contraditória, e acho isso muito natural.

sábado, fevereiro 21, 2009

O que está acontecendo com a minha auto-imagem?

As pessoas dizem que eu sou bonita, e eu sempre achei que saía muito bem nas fotos, qualquer foto, mesmo fazendo careta costumava ficar ótima. De repente, como que de supetão, todas as fotos começaram a ficar feias. "O que será que está acontecendo?" - tento achar algum referencial, alguma origem para o problema... "Vênus? Lua? Saturno? Problemas de casa 1? Casa 5? Casa 1o?" Antes, eu sabia fazer pose, e o sorriso que eu imaginava estar sorrindo era o mesmo que aparecia na foto. Agora eu procuro sorrir os meus sorrisos, mas os dentes saem tortos. O sol sempre está acima do meu nariz, e eu fico com narigão. Narigão e dentes tortos. Gorda. As bochechas saem gordas. O cabelo está sempre desgrenhado. Cabelo de bruxa, narigão de batata, cada olho para um lado, dentuça e com a boca torta. A boca parece que foge ao controle. Antes, quando eu era bem mais confusa e nublada, eu saía ótima nas fotos! Agora que estou um pouco mais inteira e ensolarada, fico horrorosa. *O que será que está acontecendo?* Seja lá o que for, já acontece há algum tempo. Quando falam em "FOTO!", já vou saindo de fininho, ou ficando na fila de trás, pra aparecer menos e dar menos chance ao acaso. Será que isso tem a ver com a presença de Saturno, com seu olhar limitador? Feio. Vamos ser honestos: olhar feio. Será que isso tem a ver com a idade? Vamos ficando mais velhos e precisando de, cada vez mais, parafernalhas serelepes para sairmos bem na capa e sermos felizes. Cadê a minha beleza natural transportada para as fotos?! Deve ser um problema de luz. Muita luz não dá certo em fotografia.
Hunf.
>: /
Ou então, um dos gatos deve ter comido.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

É só girar o botão (Drica, esse é pra você! Pra nós...)

Então... Três anos de terapia reichiana, mais dois de astrologia, algumas consultas astrológicas, dentre elas uma leitura védica muito impactante, acupuntura, elixires de cristal, florais, homeopatias. Milhares de consultas de tarô, milhões de visitas ao meu site guru astro.com, ainda vou contar se são dezenas ou centenas de mapas natais de pessoas conhecidas e análises mil; vários livros comprados e lidos de auto-conhecimento e auto-ajuda, uma infinidade de conversas com amigos e até com pessoas menos íntimas. Incontáveis choros trancada em banheiros, quartos, varandas, cozinhas, etc. São horas e horas de bateria de diskman e, agora, de mp3 player ouvindo música e chorando pela rua, alguns cigarros fumados por angústia, várias células mortas queimadas das mãos por socar o colchão com raiva tentando expressar a minha revolta... Nem sei quantas unhas roídas por nervosismo e ansiedade... Alguns dias desperdiçados por tristeza... Anos e anos investindo no meu aprendizado sobre mim mesma, achando que a evolução espiritual é a coisa mais importante que existe nessa vida (só pra quem sente que "tá no atraso"). Enquanto isso, são dezenas de amigos perdidos, várias noites sem dormir... Pior! Várias noites mal dormidas, várias noites mal comida, várias noites e dias e meses e anos mal amada... Será que isso algum dia passa? Joanette Napolitano diz que não. Shirley Manson diz que não. Tori Amos diz que não. Quem mais, gente? Ajuda aí! Fiona Apple com certeza diria que não. Alanis Morissete diz que não. Madonna! Diria que não também. E o Raul... Que disse não milhões de vezes e até esperava a própria morte, achando que seria salvo de tudo. O que muda em nós então? É só girar o botão? Que botão é esse, gente, e onde é que ele está?! São quase trinta anos de vida, e ainda não achei. Será que em mim veio faltando???
Uma real transformação... Id extreme make over. Soul extreme make over.
Que dia será que isso vai acontecer, hein? "Tic-tac, tic-tac, tic-tac. I only got 4 minutes to save the world". Tem gente que diz que sabe onde o meu botão está... risos. Seus bobos. Será que vocês sabem mesmo como girar esse botão?
; )

segunda-feira, fevereiro 09, 2009


,da cor da terra
.centro

AMAR É MORRER

EU BUSCO O AMOR, EU NÃO BUSCO VOCÊ. ONDE ELE ESTIVER, EU VOU. AONDE ELE ME CHAMAR, EU VOU. O AMOR, E SEMPRE O AMOR. ARREBATAMENTO, ETERNIDADE. SE VIER EM FORMA DE ABRAÇO, ENCONTRO. SE VIER EM FORMA DE BEIJO APAIXONADO, ACEITO E AGRADEÇO. SE VIER NUM CONTATO COMPLETO DE CORPO, MENTE E ESPÍRITO, É SAMADHI E MORREREI. MAS É EXATAMENTE MORRER QUE EU QUERO. AMAR É MORRER. DISSOLUÇÃO DE DOIS EM UM OUTRO ENORME E SEM FACE E SEM LIMITES. UNIVERSO. AMAR É SER O UNIVERSO INTEIRO, TODOS OS PONTOS EM UM, E SER UM PONTO EM TODOS OS OUTROS. AMAR É TORNAR-SE ENORME E ÍNFIMO, É DESPERTAR PARA TODOS OS TEMORES E SOFRER SÓ COM UM. É DERRETER COM O TOQUE. É SENTIR-SE QUASE VIVO.

domingo, fevereiro 08, 2009

artes plásticas

a manipulação de materiais... a escolha dos materiais... as obras em si, a expressão daquilo que o artista quer mostrar... eu nunca vi uma obra quente feita com vidro. eu nunca vi uma obra quente feita com chumbo. eu nunca vi uma obra quente feita com mármore. materiais frios, temperamento frio do artista? onde fica a expressão da alma, quando a arte reflete apenas a inteligência do seu criador? Que concepção estética e de vida tem um artista que trabalha com esses elementos lisos e límpidos? Que relações essa pessoa trava com o meio? A arte filosófica não é impessoal com relação ao objeto? Impessoalidade me lembra frieza. Mas também, não posso misturar artista e arte. Talvez, uma pessoa que trabalhe com materiais frios queira esconder o que sente. Se expressar através de outros meios, porque tenta suprimir as vozes do coração, e não quer se expor. Clarice Lispector disse que faz arte aquele que não sabe fazer a outra coisa... O que seria essa outra coisa? Pensei em amor. Para mim, arte tinha que vir do coração, mas estou aprendendo que não. Ela pode muito bem vir do intelecto também. E eu desvalorizo um pouco. Gosto mais do simples que vem do coração, do que do sofisticado que é frio. Calafrios. Escolho o arroz com feijão feitos no quintal do que o restaurante chique de comida francesa. Do que adianta esculpir em mármore uma cena de amor ou de sexo? Plástico sim, porém não vazio. Plástico, porém preenchido. Eu questiono. Música não pode ser uma arte plástica para os ouvidos? Eu destesto quando alguém diz que eu canto bem. Ok, mas eu tenho alma. Cantar bem não é envolver com a voz. Cantar bem não é ninar os seus fantasmas, e fazer você ficar bem com os próprios demônios. Cantar bem não é a minha alma. Cantar bem é apenas a parte plástica da minha arte. Espero que não seja apenas isso que você vê em mim.

sábado, fevereiro 07, 2009

Te espero siempre mi amor

: Enxergo o mar imenso da Baía de Guanabara e me transformo na sua superfície. Me estico, alongando o meu corpo horizontalmente, para que eu possa cobrir a sua vastidão, mas não consigo. A longitude das suas águas é do tamanho de tudo aquilo que desconheço sobre você, meu amor, e o meu grau de urgência pelas necessidades mil é altíssimo, leste e oeste. Minha pele não te cobre, embora eu tente. Enquanto isso, fico nua, nervos à mostra. Eu não te cubro, você não me descobre. Eu vejo você, queria que você me visse também. Psiquê quer ver o rosto do seu amado, mas sabe que não pode olhar para trás. Eros não pode ser visto e vai embora por conta da teimosia dela, a deixando só. Mas meus sentimentos são meus, muito meus, e esses ficam. Não dependo de ninguém para amar, e amo independentemente. Amo você por quem você é, não preciso que me devolva nada. Mas queria que me amasse também. Eros está atrás de mim, enchendo as minhas cinco taças. Enquanto não estão cheias serei paciente, dentre todas as outras coisas que também sou. Eu sinto você, queria que você me sentisse. Os peixes estão morrendo.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Aquilo que todo mundo tem, mas que ninguém admite.

todo mundo está certo.
a razão acima de tudo.
todos com as suas razões, eu prefiro ficar com o meu cu.

Hoje já é passado

Hoje eu raspei todos os pêlos do meu corpo: braços, cabelo, sobrancelha. Hoje você não me ligou. Hoje eu tirei a minha pele e a estiquei no varal. Hoje eu chorei. Hoje, eu abri as duas bandas de trás com as mãos e sorri para o sol. Hoje eu mergulhei no meu próprio sangue. Hoje eu fui até a rua e caminhei. Hoje eu não falei com você, mas falei com um amigo. Hoje eu fiz planos. Hoje eu indaguei. Hoje eu pensei em coisas e depois pensei noutras totalmente contrárias àquelas. Hoje eu quis ser só alma. Hoje eu pensei muito em sexo e até conversei sobre isso. Hoje eu tive vontade de estar só, mesmo com tesão. Ontem eu vi relâmpagos no céu, e hoje já choveu. Hoje eu fui ao banco. Hoje minhas unhas saíram correndo porque queriam chegar na frente. Hoje eu perdi um amigo. Hoje eu queria ter sido amada, ontem eu fui. Hoje foi um dia solto no meio da minha vida. Hoje eu me enfeitei e fui até o mar, me oferecer para Iemanjá. Hoje já acabou, se esgotando no meu pensamento sobre o que iria fazer no futuro próximo. E eu já fiz tudo, em um dia só, em poucos minutos.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

A liberdade do corpo

Eu quero possuir meu próprio corpo de forma que se eu resolver me deitar no chão com amigos e amigas e fazer como os gatos fazem, eu não tenha problemas com a consciência moralista.
Eu quero possuir o meu corpo de forma que não me preocupe em usá-lo quando sentir vontade, mesmo que laços de valor tenham sido estabelecidos anteriormente.
Eu quero possuir o meu corpo e amá-lo tão apaixonadamente que não sobre espaço nem vontade de sentir necessidade de ser amada por outros.
Eu quero possuir meu próprio corpo para dançar esperando o ônibus, para vestir uma roupa de fada e ir trabalhar.
Eu quero possuir o meu próprio corpo para não ter medo dos seus limites, para não ter vergonha dos seus defeitos, para ser a casa para o meu espírito, para que eu possa crescer em beleza e não em tamanho.
Quero ter uma liberdade de movimento que seja incrível.
Quero saber imitar a elegância dos gatos e a destreza dos macacos.
Eu invejo as pessoas que têm liberdade com o próprio corpo. O meu está aqui esse tempo todo e ainda não nos acostumamos um com o outro.

EstrategistaS

As pessoas que não se expõem, que não falam o que pensam, que não costumam reagir e nunca, jamais falam sobre as suas emoções são ótimas estrategistas. Para o quê, eu não sei, talvez para a vida. Acho que essas pessoas pensam que se relacionam melhor com as outras. No entanto, eu não as vejo se relacionando melhor comigo, ou seja, a estratégia delas é visível, mas não funciona para mim. E eu nem sonho com um mundo no qual as pessoas não briguem. Um mundo sem conflitos não faz parte da minha lista de "quereres". A minha estratégia de vida e de relacionamento é tentar ser coerente com o que sinto antes de tudo, o que para aquelas pessoas é uma estratégia péssima. Elas consideram o caldo emocional como uma pestilência porque as emoções são instáveis e egoístas. Eu tento fazer do que sinto a minha verdade, e sei que não é uma coisa fácil. Mas mais difícil seria ignorar o que sinto, ou sentir o que se sinto e deixar de expressar, deixar perdido, solto, em algum lugar dentro de mim. (...) Como essas pessoas fazem, eu não sei. Para onde vai tudo o que elas não expressam, toda a tristeza, toda a raiva, eu não sei. Ou então essas pessoas não sentem tanto. Estão fechadas, estão frias, treinaram para ser uma superfície de mármore ensaboada onde as pessoas e situações deslizam sem se fixar, nem se machucar. Corações de gelo. Seria um erro?
Mas, por outro lado, estou admirando, cada vez mais, as pessoas que são como eu, e vivem essa mesma verdade. Estou admirando as pessoas que se entregam às outras, que assumem a linha de frente da batalha, que empunham suas espadas e não têm medo dos problemas que vêm com as relações, que não fogem deles e vivem os conflitos, mesmo que sempre buscando o apaziguamento. As pessoas podem ter milhões de defeitos, mas para conquistar o meu respeito basta não ter medo de olhar os conflitos de frente para resolvê-los. O medo de falar sobre os sentimentos é muito comum, comum demais para mim. Eu preciso viver algo que ninguém nunca viveu e ser a pioneira em alguma coisa, de alguma forma. Eu não posso ter medo de falar, de me expressar. Eu vivo da linguagem! Se relacionar com aqueles estrategistas é praticamente traçar um monólogo de vida. Não dá para trocar, não dá para errar e acertar. Você vai falando e vai agindo, e a expressão do rosto não muda, e você nunca sabe como as coisas que acontecem as afetam. E você continua seguindo, quase sozinho. Eu tenho como uma necessidade básica acreditar que algum nível de comunicação e de acordo podem ser atingidos através do discurso e das conversas. O silêncio faz parte de uma comunicação de sucesso, mas só é bom quando a relação está boa. O fato de saber que o interlocutor pode responder criativamente é algo que considero maravilhoso.
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Enquanto isso, na sala de controles, depois de todo esse whikas sachê, eu só queria mesmo dizer que fulano e fulano são idiotas, e que me perderam pela incapacidade de dizer o que sentiam.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Estação da Luz

De um lado da ponte, mistério, arte e beleza, parte da cidade que não dorme: a Pinacoteca e o parque. Do outro, um cotidiano comum, cinzento e feio de uma cidade que não dorme: cerveja, sujeira, um monte de gente e churrasco grego. No meio da ponte, em baixo, dois sentidos para uma mesma linha de trem. Depois das seis, putas e travecos ficam fazendo pose ali, esperando trabalho. Na Estação da Luz, há um piano para todos aqueles que quiserem parar e tocar. Achei isso demais, bom demais. Estímulos auditivos super agradáveis para os corpos cansados. Foi tão legal isso! É como se houvesse um piano no meio da Central do Brasil, no RJ. Imagina? Resolvemos sair da exposição que não chegamos a visitar por conta da hora para ir tomar uma cerveja do outro lado. E a experiência foi muito interessante. Paramos num boteco qualquer ali daquele lado e perguntamos que cerveja eles tinham. Foram SUPER gentis e educados, nos falaram para ficar à vontade. -O Gabriel pediu para escrever que aqui é um lugar muito legal.- Mas, gente... Senti um acolhimento que não sinto em milhões de outros lugares. As pessoas simples nos receberam muito bem. Ninguém parou para mexer com a gente, ninguém tentou nos assaltar. Eu era uma playboyzinha misturada no meio daquela gente, minha roupa e minha pele não deixavam enganar. Mas eu me senti muito confortável no meio do povo; eu geralmente me sinto assim, muito acolhida, pela realidade honesta em que vivem aquelas pessoas... E, agora, eu. Será que eu nasci para ser pobre e feliz? Será que só tenho que admitir isso para ser feliz, e parar de tentar conquistar aquilo que eu acho que eu mereço, porque na verdade não mereço coisas mas sim tranquilidade? Se ser pobre fosse tranquilo... Eu trocaria num piscar de olhos. Mas aquelas pessoas pareciam bem. E felizes. Qualquer caraoquê de bar, qualquer cervejinha, qualquer bate-papo de esquina é estimulante e alegre. Eu sou uma dessas pessoas e eu faço o intermédio entre os ricos e os pobres, porque não sou nem uma coisa nem outra. Fui criada numa família decente, e tive educação, mas o nariz empinado não acontece, e nem o conforto em lugares luxuosos e suntuosos. Prefiro o barzinho da esquina, a quadra de samba, o churrasco no vizinho. Sabe? Então, estou descobrindo. E não é maravilhoso? Hoje eu andei de trem, e foi uma experiência acolhedora. Eu sou do povo, eu sou gente, eu sou terra molhada pela chuva. Eu nasci dessa terra e para ela voltarei algum dia. Eu sou gente.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Chuva de São Paulo

Mp3 no ouvido, ouvindo [Hard Candy] pela primeira vez. Pensar que fui fazer depilação para esquecer minhas dores... Virilha cavada, saem os pêlos e a alma. É ótimo para acabar com qualquer que seja o seu tesão. Depois, resolvi ir caminhar. Como voltar para casa? Aquela casa escura, cheia de fantasmas e vozes. Passei pela frente do prédio e continuei andando. Vontade de comprar cigarros, mas eu não faço isso. Vontade de fazer tudo o que eu não faço. Estava frio e chovendo uma chuva fina. No meu rosto e, ao redor, um capuz cinza. Gosto de casacos com capuzes, mas o frio e a chuva não estavam me incomodando, já que se mesclavam delicadamente com o meu estado de espírito. Como entender uma pessoa que se isola e não conversa com você? O problema é dela? É seu? Você não sabe e fica confusa, e sente tesão, mas não sabe se fala ou se afasta, porque ficar em cima de uma pessoa que quer ficar sozinha é afastá-la mais ainda... Muitas dúvidas, fui caminhando e sentindo a minha dor, minha melhor amiga e companheira. Acredito nela mais que em tudo nessa vida. Fui até a Avenida Pacaembu olhar o movimento, antes que escureça e eu, mulher, perca minha liberdade. Hoje é um dia daqueles em que eu desperto o olhar de todos os homens ao meu redor, menos daquele que eu amo. Como pode ser isso? Todos olham pra mim curiosos e desejantes, eu não tenho nada demais hoje, a não ser feromônios. Mas o meu amante amado está em outro mundo hoje, e eu não tenho o endereço. A Madonna aos meus ouvidos me dá mais um pouquinho de coragem. Sabe como é, centro de São
Paulo, um prédio de fachada escura e portas fechadas, você se pergunta o que tem lá dentro. Me imagino tocando a campainha, abre um cara de terno e eu pergunto: "você tem um emprego pra mim"? Queria ser a mulher com poucas, mas lindas roupas, cabelo feito e super desejada. Queria estar nesse mundo de vícios e música, mundo de dança de pouca roupa, muito corpo, mundo do sinistro, do meu Samael. Mas eu uso uma burca, e vendo o meu rosto. Escondo o que eu realmente gosto nesses dias, porque eu sinto muito medo. Na chuva de São Paulo não vejo solução a não ser voltar para casa. Vejo o vento vindo, trazendo uma chuva que cai me acariciando e uma pena de galinha voa pelo meu dedão do pé. Ninguém me espera. Quero comprar cigarros, mas eu não faço isso. Hoje é um daqueles dias em que eu faria tudo o que não faço. Eu não ando de moto, mas HOJE eu subiria na garupa de qualquer um, qualquer um que parasse e me convidasse. Hoje é um daqueles dias.

domingo, janeiro 18, 2009

Santa Puta - Puta Santa

Com relação ao sexo, é mais fácil ser homem? Eu tive essa impressão outro dia, entrando no banho; a sensação me invadiu. Acho que eu estava um pouco revoltada com o fato de meus amigos estarem mostrando mulheres gostosas na internet pro meu namorado. Nós, mulheres, fazemos menos dessas coisas. Só me lembro de ficar divulgando foto de homem pelado uma vez na minha vida, há anos, aquela antiga do Peter Steel (Type'O'Negative). Mas fora esses casos anormais, não me lembro de ficar grudada em foto de homem, babando, salvo as do Bon Jovi na adolescência e as do Jerry Cantrel, na minha adolescência tardia. Mas eu mais suspirava do que desejava. Embora as fotos do Jerry, pra mim, tivessem o mesmo efeito de uma playboy. Era impressionante e inédito. Mas isso é comum entre as mulheres como é comum entre os homens? Eu também fico excitada com as fotos de mulheres nuas, mas algo dentro de mim despreza essa manifestação e a forma como tudo é feito. Quero saber qual é o limite entre ser uma mulher que posa nua e uma mulher consciente do seu poder sagrado. "Por que a cisão entre as duas formas?", é a minha pergunta.
Eu percebo muitos conflitos entre o meu papel sexual e a consciência do sagrado (nu) feminino. Por que existe a sensação de que preciso me resguardar porque sou sagrada? Por que o papel das santas seria o de se preservar? Por que também não posso ser uma mulher gostosa, desejada, desejável e desejante e ser, ao mesmo tempo, pura? Essa divisão é de responsabilidade da igreja católica, que colocou a mulher reservada, protegida e mãe como a sagrada e a mulher entregue sexualmente como a puta? Existe uma Maria mãe e santa e uma Maria santa que não era nem um pouco virgem.
A mulher prostituta se mostra e se expõe sem medos. A mulher santa é cheia de segredos. Por que a taça da mulher é tão menosprezada na nossa sociedade?

Meus irmãos que parecem uns lobos babões, fariam o papel de defensores da minha dignidade para outros homens, caso eu resolvesse tomar posse do meu corpo? Ou ficariam babando em cima das minhas fotos, como todos os outros homens, fazendo todos os comentários machistas e sexistas que já conhecemos?

Foi pensando no olhar masculino sobre os papéis que as mulheres interpretam hoje, principalmente esses dois (até onde uma mulher pode ser sexual sem ser vulgar, por que as mulheres vulgares são colocadas abaixo das mulheres reservadas, porque os homens só conseguem lidar com mulheres sexualmente expostas enquanto objetos, etc) que resolvi escrever sobre isso, correndo o risco de estar totalmente equivocada sobre todos os assuntos juntos. Mas, como não estou tentando dar nenhum tipo de resposta, acho que não vai ser tão polêmico.

Eu acredito no poder mágico das mulheres; nós somos as taças sagradas, o Santo Graal. Por que eu me sentiria uma puta ao me oferecer a vários homens ao mesmo tempo e por que me sentiria mal de ser confundida com uma prostituta? Por que essa divisão entre o sexo e sagrado, já que o desejo existe?
Por que eu acho que as mulheres que se expõem sexualmente são desconectadas do sagrado delas? Que história é essa de mulher objeto? O desejo é nosso, o consentimento também. Não sei por que é tão fácil e tão difícil, para mim, lidar com essa questão. Onde foi que ficou desconectada a sexualidade da noção de sagrado? Por que as orgias não podem ser santas? Por que temos medos e sentimentos de posse sobre nossos parceiros?
E a pergunta que não quer calar... Por que todas as Afrodites querem ser únicas, a única deusa mais bela do Olimpo, se somos muitas, todas e infinitamente belas?

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Escrito em papel higiênico

Eu me olho no espelho desde que sou pequena, mas nunca me vi como me vejo hoje.
Eu estou grande. (!) É uma surpresa?!
Acho que não senti os anos passarem, acho que talvez muitas coisas tenham se mantido nos mesmos lugares por 29 longos anos. O endereço das avós, seus gostos e posicionamentos, a minha rinite, o meu endereço e telefone, os amigos de infância - não, os amigos jamais se mantiveram, nem os namorados. Malu disse que esse é o carma da família, de ambos os lados; amores que não dão certo. Sabendo de antemão que meu amor me será infiel, quero acabar com tudo já. Sabendo, prevendo a dor que vou sentir, quero acabar com tudo já. J, A. Já. o Sol. Mas esse não é o meu tigre. O meu tigre e a minha paixão são uma só: a música. Sim, eu vim salvar o Al, mas o que ele veio fazer por mim? ["The spire is hot"]
Tori Amos
Thelema
Coração partido
Astrologia
Rinite
São coisas que me acompanham há muitos anos. Minha mente é mais rápida que minha verdade. E eu desconfio antes de me conectar ao seu coração. E eu sou uma caçadora nata. E ele é um animal assutado; foge ao menor sinal de perigo.
Ainda tenho vontades... Aprender mais línguas, a cozinhar e a costurar. Também quero melhorar na música. Por que eu gosto desses homens pintudos? Não há um homem amável e fiel para mim, ó universo cabalístico? Quero completar com interrogações até o final desse rolo. Sou uma escritora em ["Building, tumbling down..."] desespero, escrevendo no primeiro papel encontrado, que é um rolinho amigo de papel higiênico, que me acompanha nas crises de rinite e mudanças de tempo["Didn't know our love was so small..."].
"TEACH ME HOW TO LOVE MY BROTHERS WHO DON'T KNOW THE LAW"
Se você me perder,
você vai sentir a minha falta
mais do que você imagina.
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Talvez eu devesse ter dito isso a todos os malditos traidores, amigas e ex-namorados. Mas esse não é o tipo de coisa que se avisa, é?
Me perca e sofra para sempre com a minha lembrança, a lembrança de mim, de luz, paz, alegria e conflito. Sim, por que não?
Aceito.
Me aceito.
Me permito. Você deveria fazer o mesmo.
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Ficar com outra pessoa, já tendo alguém, é fácil. Difícil é amar de corpo e alma. Sentir tesão é fácil, é amor de bicho; quero ver você se entregar aos orgasmos dolorosos de prazer do tamanho do universo sem temer a morte. Eu quero ver. Eu te desafio.

domingo, janeiro 11, 2009

Lata de atum para dois

Você tem uma lata de atum e quer fazer um sanduíche para duas pessoas. Se foi você quem preparou, pode ter o benefício de ser o primeiro a se servir do recheio. Se você escolhe o benefício de ser o primeiro, poderia aproveitar para pegar mais recheio e ficar com um sanduíche gordo. Mas se você já escolheu um dos benefícios, pegar mais do que a sua metade faz você sair com a alma gorda também, e você sai devendo. Mas se você escolhe pegar apenas a sua metade, sai com um sanduíche gostoso e com o ego preenchido de satisfação por ter feito a sua parte, abrindo mão de um benefício extra e egoísta para que o próximo também possa aproveitar o recheio da mesma forma que você.
O nosso mundo é uma lata de atum, para ser dividido entre milhões de pessoas. Fazer apenas a sua parte, trabalhar no seu campo energético, interferir apenas na sua própria vida, manter-se centrado em você, faz a lata ser melhor dividida entre todos.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

7-JAN-09 (APX-5 NA)

Eu comprei o meu violão elétrico de nylon, um modesto Yamaha APX-5 NA, suficiente para cumprir minhas promessas de voz, de vida, de música. Meus amigos foram comigo, acompanharam partes do processo, há anos me escutam cantar; gostaram do som do violão também. Comprei. Estou feliz, mas preocupada. Será que vou conseguir me igualar à imagem que as pessoas têm de mim, na expectativa que temos que ser dona desse violão me leve a praticar mais e faça de mim uma cantora melhor? Eles sonham, eu sonho, o violão agora é instrumento de sonho. Eu toco, eu canto... Eu quero gravar as músicas novas. Espero que alguém se encante com elas o suficiente para me acompanhar e fazer parte do processo criativo. Eu preciso desse "mais um". Eu tento acompanhar o sonho, mas ele é muito mais rápido do que eu. Ele vai, eu fico. Mesmo que eu falhe em conseguir ser a imagem que as pessoas imaginam de mim, cantando, pelo menos, ficam os sonhos.

What will you be

Do you see that train coming in your direction? What will you do when it hits you, what will you do? It is going to hit you, for sure... Will you keep the promise of what you would be?

Can you be yourself in your everyday life, or do you dream of some parallel life where you can be what you want to be, what you said you would be?

Can you be what you want in your everyday life? It's in the dog, in the people you're with, it's in the street, in every place that you meet. Can you keep the promise of what you would be? Can you keep the promise of what you said you would be?

domingo, janeiro 04, 2009

Quando eu sinto dor, o mundo se torna demasiadamente real. As coisas são cortadas nos seus excessos e só fica o que é essencial. A consciência se amplia e a completude se apresenta de um jeito aterrorizante. São poucas as coisas que eu percebo nesse estado, mas elas são vastas, imensas. Tipo: a solidão. A consciência de que estamos mesmo sozinhos. Geralmente a sensação que acompanha é sentida nos ossos ou nas vísceras, mas eu sinto menos medo quando estou sofrendo do que quando não estou. Eu sei o que pode se apresentar. Acho que eu conheço o lado das sombras e até me sinto confortável ali. Também sinto menos fome.

Ao mesmo tempo em que eu sinto que estarei sozinha em absolutamente qualquer ocasião da minha vida, eu quero acreditar que isso é uma mentira que ficou muito arraigada, e que podemos contar com "coisas". Podemos contar com as pessoas próximas naquele momento (idealmente), e podemos contar com a nossa própria dor. Lidar com a própria dor talvez seja o princípio da percepção de nós mesmos, ou seja, perceber que somos um indivíduo com quem podemos contar. Costumamos nos isentar da nossa própria lista de pessoas com quem podemos contar. E, talvez, descobrir que somos uma pessoa dessa lista faça com que outras pessoas assim apareçam na nossa vida.

Mas a descoberta de que os relacionamentos são superficiais e horizontais, e que somos nós que agimos na vertical a partir desses relacionamentos reafirma a minha posição de que estamos sozinhos. Então, apesar das dificuldades, preciso admitir que a dor e a solidão são partes integrantes do ser.

O ano passado não fechou, assim como o novo não se abriu. As vidas se carregam. Os rituais vulgares de datas são falhos porque não abarcam o geral e são extremamente impositivos. Não há fugas para o Natal; não há fugas. Isso é extremamente real. Temos escolha? Para tudo existe um início e um fim. E me falta essa compreensão. É difícil aceitar que não temos controle.

Mas por que nós, pessoas como eu, participamos da vida no pilar da severidade, sofrendo dessa forma? Sentindo uma realidade interna e lutando contra ela, querendo acreditar em outras verdades, verdades da mente? 

Tenho dois copos ao meu lado, um de vinho e um de coca-cola. Queria uma resposta, mas não consigo decidir de que copo beber. Queria companhia para a minha escrita, mas não quero tirar as pessoas do que estão fazendo e puxar um assunto que eu não sei muito bem onde quero chegar. E não puxe um assunto quando você sabe o que podem responder, e não quer ouvir. Confrontação.

Ter uma idéia vaga do que se quer dizer é tudo o que eu tenho agora. 

sexta-feira, dezembro 19, 2008

ANT ARES

Quem mandou eu encarnar... Se eu soubesse que seria tão trabalhoso, teria feito metade nas vidas passadas. Escute bem o meu "ai...", lá no fundo. Está lá. Os anjos não são mansos e nunca foram, e essas vozes GRITAM - bem nos meus ouvidos. E eu venho falhando nos testes, e a música é como um alívio, uma água que mata a sede dos meus gritos. Gasta-se muita saliva neste corpo, nessa vida. Antes fosse beijando (saudade de beijar o amor com amor). Mas não tem trégua. Anjinhos bonzinhos? Com trompetas, anunciando as boas novas? Anunciadores que são/somos? Contestam(os). Quebram(os) as estruturas anteriores, deixando as ruínas pros outros. Suuuuper legais. Esses são os meus irmãos que ficaram do lado de lá. Trazemos a espada da justiça, e o meu trabalho tem a ver com isso, só que eu ainda não sei o que é. Esse ofício que vem com o meu dharma. Ele vem da esfera dos anjos, e eu achei que fosse a música. (...) -Uma pausa.- E, Alexandra, não mais desculpas. E não mais pedir ou agradecer amor, que é derrota. -Outra pausa.- Ver o anjo no outro é ver o anjo de todos. Você precisa trabalhar a dois, mas veio com a Estrela Alfa que antagoniza o deus da guerra (!). E ainda colocam em você um nome de guerreiro. Queria eu ser uma doce garotinha, leve e regozijante, brincando de subir em árvores pra comer os frutos, correndo atrás das borboletas até completar treze anos, e depois poder namorar de mãos dadas, ser cortejada, namorada. Não dessa vez. Mas subestime o meu 1,63m. Subestime o meu sexo, a minha inteligência, subestime qualquer aspecto do meu ser. Então você reconhece a Estrela Alfa. Mas não pretendo assustar, meu objetivo não é ficar contra você. Na verdade, eu preciso de muita paciência pois preciso virar você, vestir a sua pele, ver com os seus olhos. Ver o anjo em você é ver o anjo de todos. E eu preciso ver o meu próprio.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

continuous


I know it's my fault it's my fault i know i have developed into something not likeable. i know it's my eyes that change, its my eyes that change when i sing from the hurt you made, i'm different. i'm not the same as yesterday, but it's even better than tomorrow cause my chords had just made me built up in confidence and now i can sing from pain, real pain, real noise in my head your words caused me to be so low in confidence, all this missing, all this not knowing, all your taking too long to decide and all my waiting. it seems like my fault, how can it not be when i know everything will always come undone for me because i probably do that, when i know i can only love the death of myself, when i know this, when i know this and i smell my own death, then i jump in any situations, like with you. love with you is death for me, certain. i know i'm a walking target for my own poisonous tail. you are like a silly twisted little wood i borrowed from the shadows of that valley. you are worth nothing, but to me you were it all. the hope for a spark, the start of a fire, the hope to keep warm in this freezing hell of emotions called world.
i hoped for it all, it all came undone before i could start that fire, because my own fire overshadowed your spark. i was a flame and you were air; you are gone and i am coming down on ashes. the floor, stick to the floor... not forgeting to breath, do not forget to breath, breath in and out, listen to your heart beat, listen to your inner cry. the hanged cat i dreamt about it was not a real cat; it was me. chocking on my own tears, the rope was too tight and i was so angry at myself like i am now, but i was trying to set it free. and, eventually i can, so how can i keep going out on swimming with sharks? --like everyday is a different fishing-- all i see is tails and bones (the bate, my mouth, the hook.) oops, this one used to be mine. just ashes now. there is no now. just yesterdays. of course there is no tomorrows, and of course there is not me

domingo, dezembro 14, 2008

Eu sou o cano da arma

Eu sou o cano da arma

Não sou a bala que perfura o alvo, nem a pólvora que se espalha pela roupa. Não sou os dejetos amorfos que caem pelo chão, cheios de sangue, nem o próprio sangue em si, que escorre como cera líquida. Não sou o calor do atrito, não sou o gatilho, não sou o dedo que dispara o projétil, não sou nem a própria raiva do ser, inquietude do dedo. Não sou um fim e nem um motivo. Não sou um objetivo. Não sou feita de algodão, nem de papel, e não derreto com a chuva. Poucas coisas podem me deter. Mas nada fica no meu caminho. Eu sou o canal que liga o princípio ao fim, mas dentro de mim, é apenas oco e escuro. Antes, eu sou fria. Depois, quente. Eu sou o canal que leva a mensagem, seja na esportiva, seja na brincadeira que acaba em desastre, seja na vida ou na morte, no erro ou no acerto. Dentro de mim, é apenas escuro e vazio.

sábado, dezembro 13, 2008

DESACREDITE

Não acredite nas verdades. O que sai da boca é sempre duvidoso. Não acredite nos "eu te amo", nos "eu sou seu amigo". Não acredite quando alguém diz que você não é, que você não pode. Mas também não acredite quando dizem o contrário. Duvide sempre de você mesmo. E se já faz isso, passe a duvidar dos outros também. Duvide de TUDO. Não acredite em nada. Somos grandes mentirosos complexos. Tente definir o que é a verdade. (Grande pausa vazia) Existe algo mais subjetivo do que a verdade? O que é a arte, senão uma tentativa de aproximação de uma verdade interior? O que é a religião, senão uma tentativa de preencher o vazio que suas verdades não preenchem? O papel da verdade não é construir. Elas são postas no mundo para que contestemos. Nós construímos; as verdades não fazem nada. Não existe nada que não possa ser destruído. Portanto, as verdades são uma tentativa de estabelecer seguranças que não existem. A única segurança vem da construção das nossas próprias verdades, que são temporárias. Quem carrega uma verdade eternamente é uma estrutura em decadência. Devemos sempre deixar espaço para o novo, para os medos, para o desconhecido, para o diferente. E viver nesses espaços, viver com medos, com inseguranças, com dúvidas, destruindo e construindo o tempo todo. A sanidade vem do caos, não da estruturação de verdades. Duvide de tudo o que eu disse e seja saudável. Mas jamais acredite na foto. Imagens e palavras não são confiáveis. Seus pés são confiáveis. Seus instintos são confiáveis. Seus medos são confiáveis. Seus sentimentos também. Mas duvide sempre para aprender coisas novas sobre você e o mundo.

domingo, dezembro 07, 2008

Arnica - tempo e espaço

Estou dentro de um caixão que é laranja, e é movido para cima e para baixo com energia elétrica. Confiamos demais naqueles cabos. Aperto o botão do primeiro andar. Me olho no espelho e vejo minha melhor amiga e minha pior inimiga, dentro dos meus olhos. A primeira jura que me ama e amará até a morte; a outra, desacredita. E dessa luta, nasce a criatura ensangüentada. Para viver melhor, acreditamos no amor das pessoas que nos cercam. E então percebo que estou sozinha. Não há ninguém ao meu redor. As pessoas que vivem na minha cabeça: confio demais nelas. Na vida prática, cedo ou tarde o ferrão encontra a pele, e me machucam. Ainda não aprendi a depurar o veneno que percorre o corpo através do sangue, atingindo partes que eu nem sabia que existiam. O veneno me ensina a profundidade do meu ser. Ainda não aprendi a achar bonita essa ramificação. [Ninguém pode nos dar aquilo que não temos. Ninguém confiante aparece para derramar em nós um pouquinho da sua confiança. Mas é muito provável que todas as pessoas que você conhece testarão a sua, porque as pessoas são sempre espelhos.] E assim vai o veneno da destruição, capilar após capilar, contaminando todas as células do corpo. Então acordo para o que há de mais real na vida: a dor, a solidão. Fico íntegra, me sinto indivíduo, não nego. Mas percebo a falta de controle em mim, no mundo. Colocamos tantas coisas importantes nas mãos de outros; nossa vida, por exemplo. Todos os dias, nos atos mais simples, nas coisas mais banais, nas mãos de médicos, de motoristas... E confiamos que tudo vai dar certo, que o amor existe em algum lugar, e que vamos chegar lá. Confiamos nos apertos de mão e nos beijos na bochecha que cumprimentam. Confiamos nos sorrisos. Pelo menos, eu sempre confiei. Até perceber como eu lido com as "quebras de contrato". Quando eu amo, não consigo ter armas de defesa. Mas se eu me defendo o tempo todo, não dá tempo -nem espaço- de amar.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Caganers


O Papa e o Bush são caganers. O Lula também. Eu vi um do Ronaldinho gaúcho. Todos caganers.
Achei tudo isso muito engraçado. A merda é símbolo de fonte de vida e de boa sorte (na Espanha). Talvez, aqui, nos faltem símbolos. Mas (*) não falta.

*MERDA






No thing girl



You are countryside boy and I am not an urban girl.
I am nothing girl.

terça-feira, dezembro 02, 2008

Conversa séria listrada

Hoje que eu parei em casa, me bateu aquele sentimento de vazio desesperado para consumir algo, e desesperador. É como se eu corresse dele, mas está amarrado ao meu pé e, toda vez que eu páro, ele bate em mim. TUM! O sentimento. Parece com um tédio profundo. E, talvez, seja o motivo pelo qual eu tenho vontade de beber todos os dias. "O que está acontecendo comigo?", eu pergunto em vão. Eu não sei o que está acontecendo comigo.

É uma coisa boa virar um ser único? Ser uma personalidade integrada? A Estrela central do nosso sistema é uma das poucas que não possui nenhuma companheira orbitando em volta. Quase todas as outras estrelas têm. Seria esse o carma da nossa existência nesse planeta, refletir uma estrela solitária? Ter que aprender a amar a nós mesmos, independente se as outras estrelas têm uma companheira? É a nossa sina ser um centro, um ponto único no Universo?

Me encontro incapacitada de sair e conquistar, pois não quero me inserir em nenhum tipo de padrão - and the Gods know this is crazy O.o! preestabelecido de sucesso. Ou qualquer outro. Estou quase fracassando para poder criar uma nova arte, feita através da linha da vida, a minha própria vida com as minhas marcas de alma, fora das obrigações de "conseguir". Analisando, carinhosamente, a forte possibilidade de "não ser tudo aquilo que sonharam para mim", nem "tudo aquilo que eu sempre sonhei ser".

A conversa listrada é aquela que não segue as linhas do caderno. Ela atravessa a página, porque está atravessada na garganta, indo contra a imposição das linhas preestabelecidas. O espaço destinado à escrita está lá, e eu querendo ter uma conversa séria comigo mesma, pensei que não podia obedecer aquilo. Até o caderno dita como devo conversar comigo mesma, se quiser escrever, preciso seguir os espacinhos que foram feitos para facilitar a minha vida, espacinhos que não foram pensados por mim, foram mastigados e entregues prontos. Padrões, que foram feitos para quê? Por que me incomodam tanto?

O que seria de mim se eu fosse uma listra como qualquer outra, impressa em qualquer uma das 323 páginas desse caderno? Imagina se meu destino fosse ser uma listra e NEM ASSIM eu conseguisse satisfazer alguém e completar o meu destino, porque bem na página em que eu estivesse impressa, uma pessoa com sono e sem vontades teria resolvido que, logo ali, na minha vez, não escreveria entre as linhas, mas sim, contra elas. Essa é bem a cara do meu destino. Ser uma das linhas dessa página fora de ordem, de alguém que resolveu escrever fora da linha. Fim para mim.