A mulher escarlate, donzela vermelha acordou. Leões e águias, fogo, terra, ar e água e um amor profundo. Segredos do universo foram compartilhados. O ovo foi finalmente chocado. Ela entendeu o casamento entre a Terra e o Sol que, sendo o pai sagrado, deu a ordem de criação que a mãe Terra acolheu. Dentre todos os planetas no sistema dessa estrela, foi apenas aqui que a vida floresceu. Um amor profundo, um prazer profundo, riso e dor. Estar vivo e a serviço do amor divino é tarefa árdua que preciso assumir sem preguiça, e sem mais delongas. Ser a Virgem que encontra a sua grandiosidade na própria insignificância. O tempo passa como sempre passou. O tempo e o Sol são eternos. Desde a primeira gota de existência nesse planeta eles existem, e existirão até os últimos momentos, se é que existe algo como "últimos momentos" pois, na Terra, o ciclo é eterno de vida e morte. A transformação garante a eternidade. A Terra não conhece o fim. O fogo sagrado fecundou o meu ventre e, por isso, me preparo para ir até o meu noivo. É uma vida inteira de preparos, o aperfeiçoamento da mulher noiva de Deus. Meu coração já foi tomado, o Sol, nosso pai, e só a ele pertenço. Sou a lua. Sou a donzela vermelha, a mulher escarlate. Possuo a pureza da criança, mas em meu ventre já existe sangue. Meu poder, dentro da taça. A imortalidade será concedida apenas ao cavalheiro que se entregar ao graal, cada gotícula de sangue que tiver, precisa ser depositada nessa taça. A mulher venerada como símbolo que carrega todos os segredos. A Terra, a mulher, que acolheu a ordem do Sol de criar. Ela dá as formas. Diante do fogo sagrado eu sorri, e depois do sorriso veio a gargalhada e o sorriso de lado de escárnio a todos os tolos presos em teorias. Podem ler todas as fórmulas do Universo que jamais entenderão, a não ser que se doem inteiramente. Mas quanto medo de se perder, quanto medo de perder o poder masculino de controle, ordem, ego. MEDO. Penso se é que existe algum cavalheiro vivo capaz de compreender a alquimia sagrada, que queira se unir ao feminino desejante de criar, à procura do instrumento de criação da vida. É na mulher escarlate que se encontra todo o poder dado. Apenas a mulher escarlate concede a imortalidade. Um homem sem a mulher escarlate jamais será um Rei. Pode ser, no máximo, um Hermitão, sozinho, mas jamais terá um reino.
terça-feira, junho 30, 2009
sábado, junho 06, 2009
Trégua?
Finalmente o tempo resolveu me dar uma trégua e esconder aquele sol brilhante antipático, se transformando em algo mais a ver com o meu humor do dia. Não é um dia-a-dia o meu, é uma vida-a-vida (acabei meu primeiro Clarice Lispector ontem). O humor do dia é um humor da semana, que vem se estendendo. O meu humor não é apenas o de uma mulher rejeitada. É o humor de todos os sofrimentos que as mulheres passaram pelos anos de existência no planeta Terra. Primeiro quando as sociedades deixaram de ser matriarcais e passaram a ser patriarcais, e a liberdade sexual das mulheres passou a ser completamente execrada pelos anos de história (pois se antes os conhecimentos eram passados das mães para os filhos, pouco importava quem era o pai). O que somos agora, senão um reflexo maldito disso tudo? Depois veio o cristianismo que partiu a mulher em duas: santa e prostituta, e que as duas não se encontrem. O Holocausto foi fichinha se comparado à Inquisição, séculos antes, e todo aquele caos esquizofrênico e neurótico em que a Europa se transformara, chamando de bruxas as mulheres que mantinham, secretamente, seus cultos às deusas (especialmente à Afrodite, claro) e queimando essas mulheres na fogueira. Entre os crimes praticados a fogueira era o mais leve, porque eles (os patriarcas cristãos) submetiam essas mulheres à humilhações e torturas sexuais antes de queimá-las (e só com fogo mesmo elas poderiam se limpar dessa podridão). Então a minha raiva e a minha angústia não são apenas de uma mulher que reflete o perfil de apenas uma deusa, mas sim de todas as deusas que vieram a ser renegadas por todos esses séculos. Milênios! Então, definitivamente, esses reflexos dourados não combinam com a minha personalidade lunar. Que venham os cabelos prateados, brancos, e que eu escureça as madeixas. Porque nas metades do mês em que desço ao Hades você não me parece um parceiro tão adequado para o meu amor, para toda essa força que tenho, não querendo ser um deus você mesmo e se eternizando como uma criancinha. Nas metades em que colho margaridas com Deméter, tudo está ok, porque é tão agradável o amor às crianças. Mas quando eu empurro as margaridas à vida, lá debaixo da terra, então percebo tudo de um ângulo diferente e, me parece, que você quer o cólo da mãe terra, um cobertor quente, enquanto eu sou a personificação do amor. Mesmo que agora eu seja puro ódio.
Como disse antes, ainda bem que o dia apagou aquele sol antipático e me trouxe nuvens cinzas. Digamos que seja um sacrifício ou uma transformação do amor para mim, a mim e A MIM! Se chover, eu vou pra rua. Uma cerveja à Deméter! Bebo em nome de Afrodite e Perséfone, deusas mais fortes em mim. Não sou uma feminista, só de raiva; sou uma feminina. Toda-toda; dos pés até a ponta do fio de todos os meus cabelos. Hoje eu só bebo em nome às mulheres porque é tudo o que eu sou e tudo o que posso ser.
Como disse antes, ainda bem que o dia apagou aquele sol antipático e me trouxe nuvens cinzas. Digamos que seja um sacrifício ou uma transformação do amor para mim, a mim e A MIM! Se chover, eu vou pra rua. Uma cerveja à Deméter! Bebo em nome de Afrodite e Perséfone, deusas mais fortes em mim. Não sou uma feminista, só de raiva; sou uma feminina. Toda-toda; dos pés até a ponta do fio de todos os meus cabelos. Hoje eu só bebo em nome às mulheres porque é tudo o que eu sou e tudo o que posso ser.
sexta-feira, junho 05, 2009
Xixi de groselha, xixi de groselha, nunca comi da frigideira antes, ovo mexido saindo fumaça. Eu caprichei no sal. Meia garrafa de vinho de ontem pra hoje. Sexta-feira de lua QUASE cheia. O cavaleiro é de pedra e, o castelo, de areia. Mas o xixi... eu já falei. Isso não é jeito de se começar uma história. Achei que poucas linhas bastariam mas eu gosto de falar pra caramba com os dedos, mais do que de qualquer outro jeito na vida, não consigo parar depois que começo, até pra São Paulo eu falo, até pra Goiânia, pra onde for, pra qualquer lugar, qualquer lugar fora de mim, dentro de mim. Isso não faz nenhum sentido e nada pouco importa. Fazer compras é doloroso, escolher é doloroso, saber é doloroso, prefiro a inércia mórbida (ou a morbidez inerte?)? -.-
Gosto de falar pra caramba com os dedos.soded
I wanna be sedated
I thought I wanted your love, now I don't know anymore
:).
is that a happy ending?
Acho que pode ser uma meia lua ou uma barriga de gravidez precedida por dois pontos e sucedida por um ponto final. só a idéia dessas coisas foi preciso para haver um ponto final. só em idéia você se relaciona com as pessoas, com as mulheres, só na sua cabeça elas todas existem, e eu. você só se relaciona comigo em idéia, só em idéia gosta de mim, só em idéia vem ficar comigo, só em idéia, mas não em imaginação, então lança a idéia e se aquieta com ela, mas eu preciso do algo mais... material. preciso das matérias: pegar, sentir, cheirar, provar. Sentir. Tato. Boca. Olhar. Tudo muito subjetivo-objetivo, mas tá tudo aí. É pegar ou largar, porque comigo é sempre oito ou oitenta. Infinito.
Gosto de falar pra caramba com os dedos.soded
I wanna be sedated
I thought I wanted your love, now I don't know anymore
:).
is that a happy ending?
Acho que pode ser uma meia lua ou uma barriga de gravidez precedida por dois pontos e sucedida por um ponto final. só a idéia dessas coisas foi preciso para haver um ponto final. só em idéia você se relaciona com as pessoas, com as mulheres, só na sua cabeça elas todas existem, e eu. você só se relaciona comigo em idéia, só em idéia gosta de mim, só em idéia vem ficar comigo, só em idéia, mas não em imaginação, então lança a idéia e se aquieta com ela, mas eu preciso do algo mais... material. preciso das matérias: pegar, sentir, cheirar, provar. Sentir. Tato. Boca. Olhar. Tudo muito subjetivo-objetivo, mas tá tudo aí. É pegar ou largar, porque comigo é sempre oito ou oitenta. Infinito.
quinta-feira, junho 04, 2009
Hare Krishna
Hare Krishna. Acendo um incenso em nome das pessoas que morreram no acidente da Air France. Coloco as mãos juntas, diante do peito, para me unificar antes, e passo a desejar que a ponta do incenso seja também uma ponta de esperança e acolhimento às famílias das vítimas, que tiveram pessoas queridas arrancadas de si com tanta brutalidade. Acredito em karma. Mesmo assim, só porque faz parte da experiência de vida dessas pessoas, não vejo por que não poder desejar igualmente que consigam passar pelas suas dificuldades da melhor forma que puderem, naquele momento. Não vejo como solidariedade possa ser apenas uma coisa de Cristo, nem como enviar amor seja interferir também nas vidas alheias, sendo contra Thelema. Só estou enviando um pouco da minha energia, do meu amor pela vida, e que as pessoas façam como quiserem ou o que puderem com isso.
Ontem, no metrô, naquela hora em que os vagões ficam lotados, entrou um pai com seu bebezinho no colo. Lógico que ele pôde se sentar. O bebê era muito bonitinho, e estava com os olhos e o nariz completamente vermelhos, o que chamou a atenção de todas as mulheres em volta. Impressionante de quanta energia uma criança dispõe e quanta energia dispende. O fluxo energético indo diretamente para a criança, pelo carinho que aquelas mulheres estavam enviando ao bebê, energia que envolve, energia de mãe -- das novas, das velhas, não importa; era uma coisa de instinto protetor -- por ele estar doentinho, foi muito forte. Enviei um pouco também, mais do que gostaria, pois eu tentei ter controle do afeto sobre aquela criaturinha, e não consegui impedir minha energia de sair (pensei, "pequeno vampirinho") mas, reparando, consegui frear no momento em que as outras mulheres enviavam, e procurava enviar nos momentos em que elas se distraíam. Mas... Eu sabia que elas não tinham notado nada disso. Estavam, apenas, hipnotizadas através do próprio instinto de mulher, com o bebê. Acho lindo quando o pai é cuidadoso assim com a sua cria e leva ao médico, sozinho, sem a mulher, ou leva para passear. Fico extremamente comovida. Pais que assumem o lado "nutritivo" junto com a mãe. Acho lindo. Desejo o mesmo para mim, e o mesmo destino aos meus.
"Hare Krishna, Hare Krishna,
Krishna, Krishna, Hare, Hare."
Ontem, ao chegar na faculdade, me deparei com um acidente. Um homem foi atropelado na saída de um 435 do ponto final, que fica na porta da minha faculdade. A ambulância da Samu já estava lá, e também os bombeiros, e aquele saco preto que cobre a vítima. Apesar de eu ter visto um tênis Adidas para fora do saco preto (que já foi mais do que eu desejaria ter visto), disseram que foi um senhor. É estranho entrar em contato direto com essas forças.
sábado, maio 30, 2009
Ascendente em água - água costuma vazar
Agora lembrei de tudo: por que não me lembro de absolutamente nada do segundo grau. Eu não tive nenhuma ligação emcional com aquelas informações! E a ligação emocional com as informações É O QUE FAZ a água deter a informação. Fora isso, as informações são levadas pela correnteza. Não dá pra estudar e trabalhar com algo que não desperte as emoções, as minhas paixões. É só por isso que não lembro as relações físico-químicas interesantíssimas do segundo grau. Foram apresentadas desprovidas de ligação emocional ao mundo que eu conhecia. Tenho certeza que foi o mesmo caso com Geografia e História. Tenho certeza que vou saber exatamente onde fica cada país e os países que fazem fronteira com eles assim que eu viajar para lá e viver histórias que me marquem, emocionalmente.
E então, o atraso. O mundo não valoriza esse tipo de armazenamento. "São menos inteligentes as pessoas que precisam passar pela experiência do que aquelas que aprendem a partir da experiência dos outros", foi o que escutei a vida toda. Então, precisei passar por todos os estágios que não eram meus antes de começar a me pesquisar só para saber que não tinham nada a ver comigo e, por isso, ainda sou uma criancinha aprendendo o abecedário. Meu irmão reclama que ele não é valorizado aqui no Rio de Janeiro, porque o estilo da cidade não combina com ele. Eu também sinto isso mas, agora, temo que não vá encontrar lugar no mundo que valorize o conhecimento emocional, que saiba decifrar isso, saiba entrar, se comunicar. Talvez essa função esteja destinada a mim, mesmo. Existem algumas áreas de conhecimento que me interessam, pois lidam com isso; todas as ciências esotéricas, Psicologia, Arte... e Linguagem. Nossa, como me interesso por linguagem! Uma vez que se começa a estudar os processos psicológicos da linguagem é um mundo para dentro... Estudar Linguística é fantástico, é uma coisa meio mágica. Mas... Até virar especialista... Eu não li nem todos os meus livros de astrologia! Sou um bebê precisando dizer o que aprendeu, que o aprendizado que dispuseram para mim não serviu. Precisei refazer tudo e só perdi tempo. Agora lembro de tudo.
Talvez eu não devesse ter me desfeito das cartas que me fizeram sorrir, porque... É bom manter essas lembranças por perto. Lembrarei disso de agora em diante. Manter por perto as coisas que me lembrem de tudo o que for importante E BOM. (Por isso disse ontem e apaguei, antes de postar, que eu não posso carregar todas as informações... Porque é isso que me proponho a fazer. Como lembrar de tudo o que é importante para mim se o meu código é diferente de 90% do mundo, que me lembra, a cada instante, que não sou nada? Como lembrar de ler as cartinhas das pessoas amadas que está lá no fundo do meu armário, toda vez que estiver triste? Não dá pra levar tudo mesmo. E lembrar de tudo o que conectou um processo emocional que me levou a uma revelação maior e etc etc etc) etc ETC Água costuma v a z a r
Mães de ascendentes em água: entendam quando os filhos de vocês precisarem estar conectados ao ambiente para poder funcionar. Não adianta forçar um peixinho, um caranguejinho ou um escorpiãozinho em um ambiente hostil. Ele vai secar. E até se desenvolver de novo... Coloque muitos anos desse filho debaixo da sua saia. Então, prestem atenção.
E então, o atraso. O mundo não valoriza esse tipo de armazenamento. "São menos inteligentes as pessoas que precisam passar pela experiência do que aquelas que aprendem a partir da experiência dos outros", foi o que escutei a vida toda. Então, precisei passar por todos os estágios que não eram meus antes de começar a me pesquisar só para saber que não tinham nada a ver comigo e, por isso, ainda sou uma criancinha aprendendo o abecedário. Meu irmão reclama que ele não é valorizado aqui no Rio de Janeiro, porque o estilo da cidade não combina com ele. Eu também sinto isso mas, agora, temo que não vá encontrar lugar no mundo que valorize o conhecimento emocional, que saiba decifrar isso, saiba entrar, se comunicar. Talvez essa função esteja destinada a mim, mesmo. Existem algumas áreas de conhecimento que me interessam, pois lidam com isso; todas as ciências esotéricas, Psicologia, Arte... e Linguagem. Nossa, como me interesso por linguagem! Uma vez que se começa a estudar os processos psicológicos da linguagem é um mundo para dentro... Estudar Linguística é fantástico, é uma coisa meio mágica. Mas... Até virar especialista... Eu não li nem todos os meus livros de astrologia! Sou um bebê precisando dizer o que aprendeu, que o aprendizado que dispuseram para mim não serviu. Precisei refazer tudo e só perdi tempo. Agora lembro de tudo.
Talvez eu não devesse ter me desfeito das cartas que me fizeram sorrir, porque... É bom manter essas lembranças por perto. Lembrarei disso de agora em diante. Manter por perto as coisas que me lembrem de tudo o que for importante E BOM. (Por isso disse ontem e apaguei, antes de postar, que eu não posso carregar todas as informações... Porque é isso que me proponho a fazer. Como lembrar de tudo o que é importante para mim se o meu código é diferente de 90% do mundo, que me lembra, a cada instante, que não sou nada? Como lembrar de ler as cartinhas das pessoas amadas que está lá no fundo do meu armário, toda vez que estiver triste? Não dá pra levar tudo mesmo. E lembrar de tudo o que conectou um processo emocional que me levou a uma revelação maior e etc etc etc) etc ETC Água costuma v a z a r
Mães de ascendentes em água: entendam quando os filhos de vocês precisarem estar conectados ao ambiente para poder funcionar. Não adianta forçar um peixinho, um caranguejinho ou um escorpiãozinho em um ambiente hostil. Ele vai secar. E até se desenvolver de novo... Coloque muitos anos desse filho debaixo da sua saia. Então, prestem atenção.
quinta-feira, maio 28, 2009
Cartas
Ficou pesado demais; o fluxo, as veias quase entupindo, o coração tardando em bater e, depois, batendo depressa demais. Não sei que fim tiveram o meu passaporte e os meus dólares, alguém pegou, acho, muito movimento em casa no último ano, obras, mudanças, etc. Enfim... Estavam guardados e sumiram. Mais de uma coisa sumiu. O meu livro de Saturno, da Liz Greene, também sumiu. Logo Saturno, que quer ser encontrado, sumiu. Procurando por eles, achei o meu número do PIS, coisa que nem em sonho eu pensaria em ter e que também estava precisando e, no processo, parei tudo para fuçar quatro pastinhas nas quais eu guardava cartinhas escritas a mim durante toda a vida; cartões de natal, de aniversário, bilhetinhos de escola e cartinhas de amor. E foi uma semana de poucas esperanças para mim, até bater de cara com essas mensagens do passado. Eu suguei para dentro de mim todo o conteúdo feliz, desejado, todo o amor que as pessoas me desejavam e sentiam por mim; todos os elogios, todas as felicidades, todas as coisas boas e rasguei em pedacinhos quase todas as representações dessas coisas na sua parte material, e depois, joguei fora. Guardava muito e queria guardar tudo, cada momento, cada lembrancinha. Senti um certo poder; rasguei as cartas de amor eterno, embora eu tenha ficado com o amor e a dedicação que foram usados no momento de escrita daquelas cartas. Rasguei as felicitações carinhosas de pessoas que jamais me esqueceram, e continuaram me enviando, ano após ano, cartões de aniversário e natal. Tem gente que realmente nunca se esquece. E foi tão interessante essa viagem. Foi tão bonita. Eu vi que também as pessoas vêem em mim a sua melhor parte, uma parte com a qual não têm muito contato, e que conseguiram, mesmo que brevemente, ver o fantástico de cada uma delas. Elas, então, acharam que eu era maravilhosa quando, em verdade, eram elas mesmas. Fiquei feliz. Muito amor as pessoas vinham me mandando todo esse tempo, e que eu estava deixando de lado; existem pessoas que são leais a você, mesmo estando afastadas. Existem outras que eu jamais imaginei que fosse encontrar uma carta delas ali, pessoas apaixonadas por mim, se declarando, mas falando coisas interessantes e bonitas (não só as óbvias e cafonas, muito pelo contrário), gente que se abriu, por algum momento e resolveu expor os sentimentos para mim. Gente que se pesquisou, se questionou, gente que se viu sem medo. Talvez, naqueles momentos, tenham sido péssimos momentos, mas espero ter tratado a maior parte dessas pessoas com carinho, como tento fazer hoje em dia. Retribuir ao máximo todas essas coisas boas que recebo, sendo generosa. Sim, rasguei as cartas mas não as pessoas, e joguei fora o peso do papel, e guardei apenas aqueles sentimentos bonitos, etéreos, leves. E aprendi hoje, muito! Porque li cartinhas que escrevi quando era pequena e tinha oito anos (e foi minha primeira experiência -- e fortíssima para oito anos -- de coração partido) e a carta que escrevi para lidar com isso, que nunca entreguei... Me mostrando uma pequena escorpiana, menina, já furiosa e cheia de rancores. E muita vontade de abraçar a mim mesma, por achar aquilo uma graça. Meu primeiro amor... E todos os outros que vieram depois. Não necessariamente apenas namorados, mas amigos também, por quem já fui apaixonada no sentido de grudar e andar pra cima e pra baixo, sem parar. Viver, sonhar e respirar aquelas amizades, morrer e ser transformada por elas e, é claro, transformar também. Fiquei tão orgulhosa de ter a maior parte daquelas pessoas por perto, ainda que longe, e de saber que sempre caminharão comigo por onde eu for. E de passar a saber que, quando pensarem em mim, pensarão em bons momentos, pensarão com saudades e com amor. Achei isso tão bonito, tão simbólico. Não sou apenas uma bruxa feia; também sou uma bruxa bonita. Isso vale muito mais do que os dólares que eu perdi.
quinta-feira, maio 21, 2009
Garganta e estômago
É preciso haver filtros. Cortinas coloridas translúcidas, pelas quais a luz possa passar quebrando em tons magníficos. Lentes de óculos escuros, uma para cada humor, para quantos dias for necessário. Até lentes cor-de-rosa sim, por que não? As vermelhas já não tanto me atraem; acho o mundo por demais marcial e cheio de UV para que mais vermelho seja pintado às bordas do meu mundo. Rosas perfumadas em cima da mesa; nunca havia visto uma rosa lilás, nem outra pink. Comprei uma de cada e ganhei mais uma. Estão belas, me olhando. Sol do meio-dia. Que mau-humor! Metade do dia hábil já se passou e estou começando o meu agora; mania de ser noturna, mania de criança de resistir (ao sono). Sol entrava pela janela sem pedir licença e quente, pelando, lambendo a minha coxa, incomodando. Foi só fechar um pouco a cortina bela verde translúcida que o mundo mudou. Tudo mudou. Nesse pequeno gesto e simplório, a vida pareceu um tanto melhor. Pessoas se protegem de diferentes maneiras. Formam pensamentos rígidos para se proteger contra as idéias invasivas alheias. No meu caso, agora, não é bem uma proteção, não é uma barreira nem um enrigecimento; é uma adaptação, um truque, para que eu não precise engolir mais do que posso cuspir, nem engolir mais do que posso digerir. É que gosto da vida em cores fortes mas quebradas em tons pastéis, já que sou fã do sombreado e do escuro (apesar de temê-lo). É preciso passar a vida numa peneira. Pedras rolam sobre nossas cabeças nessa "ida ao mundo diário". Meu conselho: use um chapéu de ralador de pedra. E use quantas lentes quiser, quanto mais melhor, se aproxime mesmo da loucura, escute todas as vozes. Mas não deixe que todas entrem, para que você não precise engolir mais do que pode cuspir, nem mais do que pode digerir. Usar as cores para acalentar-se, para sentir-se mais belo, mais feliz, mais próximo do próprio mundo. Ir ao mundo com esse matiz, morar atrás do arco-íris.
sábado, maio 16, 2009
SombraS
Escrevo em primeira pessoa para que o leitor tenha a possibilidade de se ver enquanto leitor de si mesmo. Ao invés de chamar você convidando a todos, falo diretamente a um interlocutor que é, ao mesmo tempo, narrador.
É uma possibilidade, um teste, uma inovação que faço por aqui. Não é necessariamente nem você, nem eu. Vamos tentar assim, ok? Vamos imaginar que estamos, os dois, suspensos nesse espaço da transição, e não somos nós agora, mas seres desprendidos de nós mesmos. E somos únicos, mas somos partículas, e somos todos.
Então, agora, vamos falar do momento da invasão. Um jeito de se defender é englobar o outro. Enquanto os homens fazem isso com as suas espadas, as mulheres assimilam o "estrangeiro". Assimilam seus parceiros, suas amigas, as situações, tudo. O mundo não percebe que tudo aquilo que é assimilado pela cultura de cada época passa, inevitavelmente, pela vagina gigante do próprio mundo.
Por isso é bom colocar os pingos nos "i". Os homens matam uns aos outros; oferecem resistência de ponta. As mulheres não oferecem resistência e sugam o outro para dentro. Mas ia dizendo que esse método é igualmente de defesa. Para não lidar com a exposição direta, faço a digestão do outro. É um processo muito orgânico. Não nos defendemos, necessariamente, de todos que encontramos; só quando acontecem as relações de espelho, e puxamos para nós as pessoas que vão nos lembrar daquilo que temos dificuldade de ver. Puxamos para nós pessoas que trazem as nossas sombras. Poucas pessoas trazem boas novas, nos trazem percepções irradiantes daquilo que somos; a maioria nos lembra mesmo de quem somos no aspecto telúrico, nos aspectos mais difíceis (porque são "escondidos", sólidos, secos).
Mas isso não significa que não podemos gostar desse processo e continuar tendo prazer; e quer dizer menos ainda que ele seja fácil de lidar quando acontece na realidade. As pessoas que entram em conflito estão se projetando mutuamente, e é precisamente esse o ponto mais difícil de encarar. A idéia é conseguir uma terceira maneira de lidar com as coisas, além da feminina e da masculina. Nem colocar o problema na ponta da espada, nem engolir para digerir. O negócio é conseguir pensar numa terceira alternativa, que seja (de alguma forma) o somatório das outras duas. É se aceitar enquanto ser maravilhoso e enquanto ser espezinhante também, e se amar nos dois momentos, enquanto rolam os conflitos e até depois, e o que nascer disso, dar comida pra crescer forte e cada vez mais definido em seus contornos mundanos. E aprender essa nova forma de lidar com as coisas, que precisa ser entendida e apreendida antes de ser usada.
É uma possibilidade, um teste, uma inovação que faço por aqui. Não é necessariamente nem você, nem eu. Vamos tentar assim, ok? Vamos imaginar que estamos, os dois, suspensos nesse espaço da transição, e não somos nós agora, mas seres desprendidos de nós mesmos. E somos únicos, mas somos partículas, e somos todos.
Então, agora, vamos falar do momento da invasão. Um jeito de se defender é englobar o outro. Enquanto os homens fazem isso com as suas espadas, as mulheres assimilam o "estrangeiro". Assimilam seus parceiros, suas amigas, as situações, tudo. O mundo não percebe que tudo aquilo que é assimilado pela cultura de cada época passa, inevitavelmente, pela vagina gigante do próprio mundo.
Por isso é bom colocar os pingos nos "i". Os homens matam uns aos outros; oferecem resistência de ponta. As mulheres não oferecem resistência e sugam o outro para dentro. Mas ia dizendo que esse método é igualmente de defesa. Para não lidar com a exposição direta, faço a digestão do outro. É um processo muito orgânico. Não nos defendemos, necessariamente, de todos que encontramos; só quando acontecem as relações de espelho, e puxamos para nós as pessoas que vão nos lembrar daquilo que temos dificuldade de ver. Puxamos para nós pessoas que trazem as nossas sombras. Poucas pessoas trazem boas novas, nos trazem percepções irradiantes daquilo que somos; a maioria nos lembra mesmo de quem somos no aspecto telúrico, nos aspectos mais difíceis (porque são "escondidos", sólidos, secos).
Mas isso não significa que não podemos gostar desse processo e continuar tendo prazer; e quer dizer menos ainda que ele seja fácil de lidar quando acontece na realidade. As pessoas que entram em conflito estão se projetando mutuamente, e é precisamente esse o ponto mais difícil de encarar. A idéia é conseguir uma terceira maneira de lidar com as coisas, além da feminina e da masculina. Nem colocar o problema na ponta da espada, nem engolir para digerir. O negócio é conseguir pensar numa terceira alternativa, que seja (de alguma forma) o somatório das outras duas. É se aceitar enquanto ser maravilhoso e enquanto ser espezinhante também, e se amar nos dois momentos, enquanto rolam os conflitos e até depois, e o que nascer disso, dar comida pra crescer forte e cada vez mais definido em seus contornos mundanos. E aprender essa nova forma de lidar com as coisas, que precisa ser entendida e apreendida antes de ser usada.
terça-feira, maio 12, 2009
(a -) E (- i - o -) U
A dor quebrou o gelo do meu corpo; ao invés de fechar, abriu. Posso abraçar, enfim, meus irmãos e irmãs: sou livre. E farei ao contrário do que todos dizem: "POR ORGULHO -- ISSO MESMO, NÃO ACEITE MIGALHAS! JOGUE FORA", amarei independente do que ganho (ou perco) com isso, amarei mesmo longe, mesmo sem volta, mesmo sem laço, mesmo sem outro e mesmo que sejam muitos, porque agora ficou tudo claro. Amar assim é me dar o que preciso; é medicina de cura. Sou eu, dando "oi" a mim mesma. Eu estou me retirando das trevas da negação, das trevas do não amor, da não aceitação, e estou fazendo isso sozinha e por mim mesma. Hoje à noite, encontrarei esse antigo monstro e o transformarei no melhor amigo que já tive.
segunda-feira, maio 11, 2009
Balança de Véus
quase toda postagem tem um título, assim como quase toda pessoa tem um nome, assim como quase todo nome pode ter uma quase toda pessoa como dono. quase todo namorado tem uma namorada, e quase toda namorada tem um namorado, com exceção daqueles que namoram sem querer ou que querem sem namorar. eu achei que pudesse ser por acidente que acontece o amor. o gato coça as orelhas com a pata de trás. o que será que é? eu não posso. tenho mãos. eu não posso. não posso! já disse que não coço! mas tenho pulgas atrás da orelha. uma e meia da manhã, menos cinco décimos na nota final de tradução porque deixei de fazer o trabalho chato, pra discutir uma ~relação -- que não existe mais -- pasmo. mas já tinha aberto a boca mesmo, achei melhor bocejar. que antes eu preferia ser beijada, mas agora tanto faz. não quero esperar mais. quanto mais eu toco a campaínha, mas ele sai pela janela dos fundos e quanto mais ele finge que não está em casa, mais eu corro atrás. eu acho que isso é algum tipo de equilíbrio; alguma toda gente procura exatamente o que não quer encontrar e deixa de procurar o que quer, com medo de encontrar e não achar. tem gente que se combina porque o que ele gosta de fazer ele faz e ela consegue gostar porque acha que ele faz só porque é pra ela, sem pensar que ele só faz porque gosta... tem gente que se encontra assim. eu só me encontro quando perco o outro. é sempre assim. nunca encontro alguém que por motivo algum esteja aqui só porque queira ficar. as pessoas sempre estão de passagem pelas minhas raízes compridas e longas. não é que eu queira descer, é que preciso de água. preciso viver. seiva. não é que eu seja profunda, não é que eu desça por querer. é que o dia que eu puder sugar seiva de gente eu acho que me acomodo. viro uma daquelas malignas. deitou aqui para sombra e frescura, deitou na raiz e virou dacáver. assim, do avesso, porque é num piscar de olhos, já aconteceu, não dá nem pra pronunciar certo. mas gostaria que você tivesse ficado um pouco mais. tenho coceiras que não posso coçar. você vive só; quanto mais você disser que não quer, mais eu vou querer, fica um pouco difícil de equilibrar. porque quanto mais eu quero, mais você diz que não quer. fica um pouco difícil de equilibrar.
sexta-feira, maio 08, 2009
Amor
Caso não pareça, esse é um lugar de amor. E eu gostaria de me desculpar pela força além da força. Eu amo, e parece que eu mato. E eu me transformo com e sem transtornos. Eu olho para você e vejo através de. Quero transformar você também. Através do amor, mas A FORÇA é maior que eu, ela é além de si mesma, e eu devia ter escutado quando você disse que eu dava muito medo, eu dou mesmo. Eu entendo. Quero mudar isso também, quero ser toque sensível, penetrar com cuidado, com carinho, acertar de levinho, ir macio. Queria saber a hora de parar E CONSEGUIR parar. Queria não ter que ir até o fim sempre... Queria simplesmente amar, sem morrer nem matar. Eu quis você.
EU QUIS VOCÊ.
Vi uma pessoa tão diferente de mim e tão bonita, quis ter perto para aprender, para compartilhar, para entender, para amar, para achar graça e todas as coisas boas que se tem quando gostamos de estar junto. Mas você quis estar Estamira, aqui e lá e em todo lugar, sem pertencer a ponto alguém. Não pertence nem ao nosso mundo, não pertence a nada conhecido, não SE pertence. Mas eu amo. Infinitamente. E continuarei, porque não posso parar. Preciso ir até o fim, por mim. E amar dói, viu? E COMO. Não existe uma letra que possa cobrir esse tamanho. Amar sem ser amado, amar e perder. Amar e perder, por um movimento mais brusco, assusta-se o gato. É que os gatos reagem, eles são pouco donos de si. São muito flexíveis e ágeis, mas também não se pertencem. E eu pretendo ser dona de mim, para poder ser livre quando quiser e ser o que quiser quando EU quiser, e não ser o que a vida faz de mim, ou as pessoas, ou a relação, ou qualquer outra coisa fora mudando quem eu sou dentro. Mas, gostaria de me desculpar pelo controle da situação, pela falta de jeito, pela força excessiva, pelo meu modo de operar sacerdotisa de ser. I'm so sorry, Alex. EU TE AMO.
EU QUIS VOCÊ.
Vi uma pessoa tão diferente de mim e tão bonita, quis ter perto para aprender, para compartilhar, para entender, para amar, para achar graça e todas as coisas boas que se tem quando gostamos de estar junto. Mas você quis estar Estamira, aqui e lá e em todo lugar, sem pertencer a ponto alguém. Não pertence nem ao nosso mundo, não pertence a nada conhecido, não SE pertence. Mas eu amo. Infinitamente. E continuarei, porque não posso parar. Preciso ir até o fim, por mim. E amar dói, viu? E COMO. Não existe uma letra que possa cobrir esse tamanho. Amar sem ser amado, amar e perder. Amar e perder, por um movimento mais brusco, assusta-se o gato. É que os gatos reagem, eles são pouco donos de si. São muito flexíveis e ágeis, mas também não se pertencem. E eu pretendo ser dona de mim, para poder ser livre quando quiser e ser o que quiser quando EU quiser, e não ser o que a vida faz de mim, ou as pessoas, ou a relação, ou qualquer outra coisa fora mudando quem eu sou dentro. Mas, gostaria de me desculpar pelo controle da situação, pela falta de jeito, pela força excessiva, pelo meu modo de operar sacerdotisa de ser. I'm so sorry, Alex. EU TE AMO.
quinta-feira, maio 07, 2009
E foi assim
Que depois de uns dias dentro da sua casinha, a lagartinha, que estava tristinha, pôde se reconciliar consigo mesma e procurar uma nova folha preferida. Na árvore, as opções eram tantas, que ela mal sabia por onde começar. Via todas aquelas folhas verdinhas, esperando para serem comidas. Umas eram melhores para janta, outras para servir de cama. Mas todas podiam ser aproveitadas e todas eram lindas. E então, foi a lagartinha procurar por diversão. Afinal, experimentar todas aquelas folhas levaria um bom tempo, e ela sentia que precisava começar já.
Depois, precisava pensar a frente: onde colocar o seu casulo? Viajou, passeou, conheceu, experimentou e descobriu. De lagartinha experiente passou a linda borboleta, e saiu voando por aí, agora de flor em flor! "Que vida deliciosa", pensava. E nunca mais precisou se preocupar com os dias no sol ou na chuva. Simplesmente a natureza estava ali para louvá-la e ser louvada por ela.
quarta-feira, maio 06, 2009
Submissão

Submissão imposta -- os valores do coletivo que tentaram matar minha alma de mulher.
A parte selvagem de mim que tem como natureza amar é o mesmo bicho selvagem que rosna e uiva para a lua cheia, quando ferido. É o bicho curioso que, por ignorância, se deixou ser capturado. Sem esperanças, a jaula passou a ser a única companhia, e por isso, aprendi a comer quando colocassem comida, e a somente pedir por água quando muito sedenta. Resignação. A parte domada aprendeu a comportar, devido aos chicotes e gritos, e é claro, à falta de alimento. Mas cada dia a fome da alma era maior, e nenhuma água saciava minha sede. Um dia a lua vermelha lançou os seus raios para reunir os seus filhos, e me libertou abrindo a porta da jaula. CORRA. E aviso: corra.
Submissão por vontade -- distorção da força instintiva de mulher loba. A mulher feral.
Eu me arrumei para você, você gostou? Está gostando da comida, quer mais um pouco de vinho? Você está cansado, quer uma massagem? Ah é, você gosta de apertar com força a minha boca? Que engraçado! Pode apertar, só tente não tirar sangue, pois como irei beijá-lo depois? Chega, já está doendo... Tá bom, só mais um pouquinho. Venha, deite aqui, deixe-me esfregar os seus pés. Amor, quer mudar de travesseiro? Não? Assim está bom? Que bom. Sim, a sua vida é deveras interessante. Nossa, como você é inteligente! Amor, eu te amo. Adoro viver com você.
[Por favor -- me ama. Fica comigo. Só mais um pouquinho, só por mais um dia, só mais uma hora. Não me importo que você não se importe comigo, me chute um pouco mais, pode me bater. Eu te perdôo se você desaparecer por dias. Eu juro que amo você. Não ligo pras suas amigas, pode sair com elas sem me avisar. Eu preciso de você. Faço o que você quiser, mas fica comigo. Diga o que quiser; mas fica. Desconte em mim a sua raiva, sua impotência. Pode caminhar em mim com os seus pés calçados: eu não ligo. Mas fica comigo.]
terça-feira, maio 05, 2009
Aceite o sacrifício do meu corpo
Difícil acostumar com a idéia de finitude. Talvez essa seja a maior lição dessa época de Saturno. Não é o peso das cobranças e das responsabilidades, não é o aumento de demandas e de carga horária produtiva, mas a falta de esperança com relação ao infinito. Existe uma percepção visceral de que o infinito não é alcansável, e que talvez eu não tenha tantas escolhas assim na vida, nem tantas opções de mudança, já que eu não consigo sair das minhas próprias limitações emocionais (que são: não conseguir ignorar, não conseguir fugir, não conseguir abstrair do que sinto). O fato de precisar entrar a fundo nos processos, me doer, entender, mastigar, aprender, tirar algo de bom disso tudo. Aprender a dor, aprender o difícil, aprender o fogo, aprender a me aceitar assim, intensa, cheia de paixão, tanto para doar ao outro quanto para destruí-lo. Evito, porque sei que quando mato também morro. Mas... Como manda o livro da lei, os acertarei num golpe rápido e violento. Eleguá me emprestou sua língua. E, que o outro seja um rei para que eu não possa feri-lo. Tantos que eu gostaria de ter destruído, mas que só engoli. Cronos e pedras; sapos e nós. Nós: pronome pessoal do caso reto e também substantivo masculino. Ambos no plural. É a primeira pessoa do plural... Nós não demos aos mãos, demos nós. E eu, dei a mim mesma: mente, corpo, coração. Fui uma mulher feral; selvagem e domesticada, depois selvagem de novo. Capenga, rasgada, sem um pedaço agora. A caminho da caverna para curar as feridas.
Diz que eu não sou de escorpião agora. Qualquer pessoa que tenha me escutado na última década... A dor no peito é um detalhe, o sangue é só um detalhe no cosmos. Mas é todo o infinito que eu consigo alcançar. Para dentro, e abaixo. Presa, dentro do meu próprio corpo. Submetida por vontade própria; escolhi a limitação. Escolhi?
segunda-feira, maio 04, 2009
A secura das águas doces
Odé era dono das matas, e um dia se enfureceu porque as águas de Oxum teimavam em invadir o seu reinado. Mesmo Oxum argumentando que suas águas eram necessárias aos animais e à vida da floresta, Odé não quis saber. Recorreu a Olorun, que resolver separar bruscamente os dois reinos. Com o tempo, a mata que antes era verde e exuberante foi ficando seca e definhando, a terra não era mais fértil e os animais não tinham de comer, nem de beber. Oxum sentia-se muito solitária, mas não intercedia na decisão de Odé, e era confortada por seus filhos, os peixes. Mesmo assim, Odé não deu o braço a torcer; teimou que conseguiria alimento em outro lugar para dar aos seres do seu reino, mas sempre encontrava o mesmo cenário desolador. A floresta estava morrendo, e Olorun explicou a Odé que ele precisaria se reconciliar com Oxum. Então, Odé colocou seu orgulho de lado e foi procurá-la. Mas, antes de aceitar, ela precisava que ele reconhecesse as suas qualidades, e precisava que ele se desculpasse. E ele o fez, e então, da união e reconciliação dos dois, nasceu o príncipe Logun-Edé, a margem dos rios.
Oxum costuma dar o melhor de si, e se ofende quando não é reconhecida. Ela também foi enfeitiçada pela bruxa Oxorongá, que a grudou em seu próprio trono, impedindo Oxum de reverenciar o grande orixá Oxalá, em uma visita ao seu palácio. Mesmo assim, fazendo um grande esforço, ela se levantou, se ferindo gravemente e manchando com sangue vermelho o palácio e as roupas. Oxalá, ofendido, vai embora do palácio de Oxum, que havia sido todo cuidadosamente preparado por ela para recebê-lo. Oxum fica muito entristecida. Mas Exú intercede a favor de Oxum e explica a Oxalá o ocorrido, que volta muito feliz com o esforço dela para recebê-lo. Por isso Oxalá sempre escuta Oxum.
Será que as filhas de Oxum sempre sofrem desses males?
Oxum costuma dar o melhor de si, e se ofende quando não é reconhecida. Ela também foi enfeitiçada pela bruxa Oxorongá, que a grudou em seu próprio trono, impedindo Oxum de reverenciar o grande orixá Oxalá, em uma visita ao seu palácio. Mesmo assim, fazendo um grande esforço, ela se levantou, se ferindo gravemente e manchando com sangue vermelho o palácio e as roupas. Oxalá, ofendido, vai embora do palácio de Oxum, que havia sido todo cuidadosamente preparado por ela para recebê-lo. Oxum fica muito entristecida. Mas Exú intercede a favor de Oxum e explica a Oxalá o ocorrido, que volta muito feliz com o esforço dela para recebê-lo. Por isso Oxalá sempre escuta Oxum.
Será que as filhas de Oxum sempre sofrem desses males?
"eu te amo": código operacional do sistema de segurança
Certificado. A rede pode prosseguir normalmente com as operações. Código de segurança "eu te amo" encontrado no arquivo "self". Download do novo programa em cinco, quatro, três, dois... Se não tiver certeza da operação ou não tiver encontrado a informação que procura, clique aqui. Para abortar operação, clique em "sair". Para prosseguir, ignore esta mensagem.
domingo, maio 03, 2009
Para sempre
A minha guitarra acústica perdoa, ao contrário de mim. E, por isso, eu a amo. Ela me ajuda a transmutar o que sozinha não consigo. Ela me eleva a potência de universo, o que sozinha não consigo. Ela é maior que eu e aumenta o meu tamanho, o meu alcance passa a ser em ondas ao invés de intervalos. Eu passo a ser contínua, uma voz, um tom, ao invés de relâmpagos explosivos. Eu prefiro viver assim.
oo
Nos tiraram o "para sempre", já perceberam? Onde a gente pode ter o para sempre na vida? Não existe mais eternidade, porque não existe mais além. As dimensões ocorrem simultaneamente. Não existe mais reencontrar os entes queridos e passar a eternidade juntos, porque o Cristianismo não é mais a crença preponderante. Não existe mais nenhum amor que dure para sempre, nem mesmo em pensamento; não existe nada que dure para sempre. Nem a vida no planeta Terra, nem mesmo o Sol, nem mesmo a nossa galáxia vai durar para sempre. E se alguém disser que a eternidade é formada por uma sucessão de eternos inícios e fins, que universos inteiros nascem enquanto outros morrem, é o mesmo ao que estou chamando de eternidade. Mas esse eterno passou a ser finito. O Universo é menos desconhecido e é finito. Não é mais para sempre. Marte está logo ali. Nem o para sempre dos contos de fada existem mais, foram desmitificados. Não existe a menor possibilidade de esticar nossa estadia aqui e, uma vez mortos, acabou; as nossas esperanças, o poder de olhar para cima e pensar que o céu ou o mar são infinitos: não são. A água pode acabar. Os recursos podem acabar. A vida pode acabar. Nossas esperanças morrem quando acordamos para o dia de luta. O amor pode acabar. As lembranças podem ser esquecidas. Nada é para sempre. Ele se foi e deixou a sua sombra. Queremos o para sempre, achamos injusto que outras gerações tenham tido a possibilidade de crer no para sempre (mesmo que não fosse de verdade); era tão bonito. Viver com a idéia de falta, secura, limite, finitude, morte a cada suspiro, a cada esquina, a cada nova possibilidade... É EXAUSTIVO. O para sempre era contínuo, era uma possibilidade de união, e nós vivemos todos segmentados uns dos outros, segmentados dentro de nós e segmentados na própria vida. Somos os espaço entre duas palmas da mão, vivendo no intervalo de tempo entre uma palma e outra.
sexta-feira, maio 01, 2009
Cristiana (Maybe California)
Não seria sexy se eu começasse a falar sobre as minhas calcinhas? Elas são de algodão e algumas têm coraçõezinhos. É a primeira coisa que faço depois de me enxugar, vestir uma calcinha. Uma gaveta inteira de calcinhas, de todos os tipos. Mas então as namoradas não viriam mais aqui e se esconderiam de mim, com medo de os namorados(as) descobrirem as minhas calcinhas, o meu sexo, o meu cheiro de mulher, e proibiriam seus homens/mulheres de vir aqui me visitar, e de ler o que eu tenho a dizer. Eu não ia gostar se meu namorado visitasse um blog de uma garota que falasse sobre as calcinhas dela. Eu não gosto de pensar que existem outras calcinhas no mundo além das minhas, quanto mais o que há além delas. Poxa, eu tenho uma gaveta inteira, cheinha de calcinhas, isso não pode ser suficiente?! Eu sei que também gosto de olhar, que o corpo feminino é a coisa mais perfeita que já inventaram, mas queria por um dia inteiro não pensar em peitinhos e bundinhas, e ser um dia inteirinho toda sua. E ser a única. Queria que o seu ser inteiro, a mistura entre o seu ser masculino e a sua ser feminina, fosse namorado do meu ser inteiro, mistura da minha feminina com o meu masculino. Para que tivéssemos um dia de liberdade. Mas como desconheço a minha inteireza, e desconheço a minha própria divindade, milagre único, a minha parte mais maravilhosa (e que existe neste mundo) que sou eu, nascida assim, com tudo o que eu já vivi, eu nego a minha própria sexualidade para fingir que nada mais existe no mundo além de você e além de mim. Eu finjo esse amor, e me restrinjo. Você finge esse amor, e vai morrendo aos poucos. E vamos morrendo juntos. Eu finjo que sou só sua, que minhas calcinhas só ficam coloridas por você. Eu finjo que eu entendo o mundo como é, as capas de revista masculina, o que as mulheres fazem com elas mesmas e finjo que não tenho o menor problema com as suas amigas que também são bonitas, nem com as que são feias mas que você já ficou, e finjo que você pode ser livre sem que isso me magoe. Eu finjo que os homens internalizaram bem as suas imagens de mãe, e que conseguem sim amar outra mulher. Eu finjo porque preciso, porque tenho que sobreviver a isso, não porque eu gosto. E eu olho para você e penso como tudo isso já ficou sem graça, porque é só uma repetição daquilo que todos nós já vivemos e já sabemos que não queremos -- mas que não sabemos fazer melhor porque o mundo passa por essa transformação dos relacionamentos e nós estamos bem na curva -- mas daí a ser completamente permissivo é morte súbita. E acho que eu também prefiro ir sentindo a morte chegar, aos poucos, para ser menos traumático. Geração de plutão em libra: ainda é só o começo. "Ok".
Abro mão
Abro mão da encarnação em que eu fui mulheres sem pudor, passeando nua pelos campos que ainda existiam, e dos vários amantes que tinha, homens e mulheres, abro mão de todos os dias que passamos juntos, dos passeios à cavalo, dos banhos aromáticos, dos quartos enfeitados de cetim, das luxúrias, dos carinhos. Abro mão do dia em que eu fui tão mais liberta, na mente e no corpo, e não tinha tantas preocupações e medos que me limitam tanto hoje em dia. Hoje em dia... Naquela época eu não tinha noção dessa expressão, então abro mão disso também. Abro mão das jóias, dos amores, das cortes, dos bailes, dos banquetes, das honras, dos panos, dos empregados, abro mão dos escravos, dos serviçais, dos 144 quartos, dos tapetes importados, dos cabelos longos... Abro mão das estações do ano bem definidas, do amor livre que eu sentia, de tudo o que era belo, abro mão da juventude, da saúde, da infâmia, do calor humano, da presença de outro corpo além do meu na cama... Abro mão dos suspiros, dos orgasmos, dos dias sem trabalho, da pele acetinada, de tudo feito com calma e com cuidado, abro mão de todas essas vidas. Abro mão das vidas brandas, quase sem dificuldades, nas quais minhas vontades eram feitas. Pronto. -- Olha o que eu fiz...
Abro mão - agora mais próximo de mim - do controle, da tentativa de manter qualquer relação, da tentativa de amar e ser amada, dos momentos de paz, dos de ansiedade também, qualquer segundo sem expectativa é um segundo divino, qualquer momento em que não pense em você ou no que está fazendo é voltar o foco para mim, então é divino por igual... Abro mão do futuro, das minhas vontades, dos meus planos, dos palcos, abro mão de cantar, abro mão dos meus dons, abro mão de ser reconhecida, abro a mão e seus dedos se desencontram dos meus, vão se esvaindo para uma terra distante, e vamos nos distanciando, você vai subindo para outras galáxias, eu fico aqui na Terra com o mundo e o submundo. Você vira ar, eu viro pó. Abro mão da morte, abro mão da vida após esta, da sobrevida, abro mão das noites, das luas Phobos e Daimos, abro mão dos anéis de Saturno, fico com os dedos de volta na minha mão, mão que estava contra a sua, quente, agora já não mais... Mão aberta.
Abro mão - agora mais próximo de mim - do controle, da tentativa de manter qualquer relação, da tentativa de amar e ser amada, dos momentos de paz, dos de ansiedade também, qualquer segundo sem expectativa é um segundo divino, qualquer momento em que não pense em você ou no que está fazendo é voltar o foco para mim, então é divino por igual... Abro mão do futuro, das minhas vontades, dos meus planos, dos palcos, abro mão de cantar, abro mão dos meus dons, abro mão de ser reconhecida, abro a mão e seus dedos se desencontram dos meus, vão se esvaindo para uma terra distante, e vamos nos distanciando, você vai subindo para outras galáxias, eu fico aqui na Terra com o mundo e o submundo. Você vira ar, eu viro pó. Abro mão da morte, abro mão da vida após esta, da sobrevida, abro mão das noites, das luas Phobos e Daimos, abro mão dos anéis de Saturno, fico com os dedos de volta na minha mão, mão que estava contra a sua, quente, agora já não mais... Mão aberta.
segunda-feira, abril 27, 2009
Um nível abaixo da superfície
Eu sou um inferno. Pouquíssimos sabem como eu deixo pouco para a imaginação, como não largo um osso quando mordo. Como abro todas as portas de armário e trago todos os esqueletos à tona, tanto os meus quanto os seus, como faço isso para que seja uma relação sincera, real, verdadeira. Fico obcecada, até enjoar. Não, não é daquela história da qual você se envergonha que vamos falar. Falaremos das suas emoções, dos motivos pelos quais você se envergonha, seu anseios e medos, qual a origem disso tudo e possibilidades para o futuro. E eu vou mostrar os meus antes, e que você tenha peito para, com calma e paciência, ouvi-los, senti-los, percebê-los e amá-los. E vou exigir que você me mostre os seus em troca. Sonho um dia encontrar quem deseje exatamente isso, exatamente quem sou, quem estou, por debaixo desses panos de pele e osso, alguém que deseje quem eu sou em alma. Até para mim, às vezes, parece difícil perceber um ponto onde tudo se acaba e eu possa começar a me dar o devido valor: o discurso. Mas esse ponto existe. Eu só preciso encontrá-lo expressando o que sinto, e deixar sair tudo até o ponto em que ele vem. Existe um ponto no qual me calo e entrego tudo à existência; existe um ponto onde as palavras não são mais necessárias e o silêncio compreende tudo. Só chego nesse ponto, falando. E só me salvo da loucura escrevendo. Então eu sou um inferno. As demandas que eu faria para você, em troca da nossa relação, de todo o amor que eu dou (embora eu também não saiba definir o que é esse amor -- se é amor ou posse, se é amor ou egoísmo, se é amor ou infantilidade minha), que é um grande amor, mas que exige simplesmente tudo em troca. Eu sou um inferno. Pouquíssimos sabem o inferno que é se relacionar comigo. Poucos, mas escolhidos. Às vezes bem, às vezes mal. Eu me esqueço, diariamente, do tamanho que eu tenho, porque dentro de mim, ainda sou um bebezinho.
sábado, abril 25, 2009
Moeda de troca
Você ousaria dizer aquilo que realmente quer em voz alta? Se fosse uma única coisa, aquilo que você mais quer em vida, diria isso para alguém, sem temer que virasse moeda de troca?
terça-feira, abril 21, 2009
Lentes de contato netunianas, impregnadas de plutão
Eles se amaram e tudo deu certo desde o início. Era algo especial, porque os dois se entendiam muito bem. Ela nunca tinha encontrado antes alguém que a tivesse em conta por seus dons próprios, e não estamos falando dos bonitos... Mas daquela mania que nunca a deixava de acompanhar de analisar as atitudes, suas e dos outros, e reações também, diante das situações da vida. Uma necessidade vital de se psico-analisar, obsessiva e compulsivamente. Então, ele gostava disso, e entendia. Se aproveitava das dicas também, claro, embora fossem doloridas.
Mas é basicamente isso. E tem a parte dos beijos, dos toques, dos olhares... Que também eram suficientemente boas, beirando a perfeição. Perfeição só haveria quando ele estivesse entregue tanto quanto ela, estivesse totalmente despejado dentro da tacinha "relação". A sacralidade da vida, e fonte de todos os pecados. Aí ela começou a exigir provas do amor dele por ela, buscando a integração dele entre atitudes e palavras. Qualquer coisa que ela percebesse como verdadeiro e genuíno, mas tudo o que via era o medo dele. Era tudo o que vinha à tona. O medo de se comprometer virava uma mina contra a relação (mina que explode na sua cara). Ele dizia que acreditava em várias coisas, mas não em "eu te amo", enquanto ela esperava que ele percebesse que, na verdade, ele havia desacreditado no "eu te amo", mas que ele também tinha direito a isso, se visse que realmente queria amar. Só os loucos amam; quanta dor, quanta preocupação, quanto desgaste. Qualquer pessoa em sã consciência permanece no seu ponto isolado de vista, dentro da própria cabeça, dentro do próprio corpo. Só os loucos ousam tomar o que não é deles, invadir outros espaços, conhecer o novo, procurar saber, morder da maçã da árvore, etc. Que ele a amasse, claro, mas que soubesse dizer isso olhando em seus olhos também. Que ele amasse a si mesmo antes de tudo, para saber que ela era tão boa quanto ele, e não melhor, e que ele era merecedor desse amor por ter esperado tanto tempo (e vidas) por isso.
Mas é basicamente isso. E tem a parte dos beijos, dos toques, dos olhares... Que também eram suficientemente boas, beirando a perfeição. Perfeição só haveria quando ele estivesse entregue tanto quanto ela, estivesse totalmente despejado dentro da tacinha "relação". A sacralidade da vida, e fonte de todos os pecados. Aí ela começou a exigir provas do amor dele por ela, buscando a integração dele entre atitudes e palavras. Qualquer coisa que ela percebesse como verdadeiro e genuíno, mas tudo o que via era o medo dele. Era tudo o que vinha à tona. O medo de se comprometer virava uma mina contra a relação (mina que explode na sua cara). Ele dizia que acreditava em várias coisas, mas não em "eu te amo", enquanto ela esperava que ele percebesse que, na verdade, ele havia desacreditado no "eu te amo", mas que ele também tinha direito a isso, se visse que realmente queria amar. Só os loucos amam; quanta dor, quanta preocupação, quanto desgaste. Qualquer pessoa em sã consciência permanece no seu ponto isolado de vista, dentro da própria cabeça, dentro do próprio corpo. Só os loucos ousam tomar o que não é deles, invadir outros espaços, conhecer o novo, procurar saber, morder da maçã da árvore, etc. Que ele a amasse, claro, mas que soubesse dizer isso olhando em seus olhos também. Que ele amasse a si mesmo antes de tudo, para saber que ela era tão boa quanto ele, e não melhor, e que ele era merecedor desse amor por ter esperado tanto tempo (e vidas) por isso.
O cérebro
Se você ficasse preso dentro da caixa craniana enquanto o ser vivo que é, não inventaria mil e uma realidades só para ter a possibilidade de se aventurar em algo novo? Não acredite em tudo o que a sua cabeça pensa, não faça tudo o que a sua cabeça manda. A sua mente, por vezes, engana você. Precisamos v
er o mundo fora do nosso cérebro, fora das nossas conexões neurais, ver além dos nossos limites; olhos para isso nós temos. O cérebro precisa pensar além de si mesmo, para transcendermos a condição humana (e racional) de solidão.
er o mundo fora do nosso cérebro, fora das nossas conexões neurais, ver além dos nossos limites; olhos para isso nós temos. O cérebro precisa pensar além de si mesmo, para transcendermos a condição humana (e racional) de solidão.domingo, abril 19, 2009
Além de mim -- (imagem: Aya Kato)

Esse post só funciona para quem estiver dentro da pista de dança comigo, no escuro, ouvindo o mesmo remix de Behind the Wheel que eu ouvi. Não sei por que gosto tanto dessa música -- madrugada de sábado e eu na rua. Senti que precisava me forçar a sair porque a vontade existia, embora uma boa parte de mim achava que eu não devesse. Eu queria me divertir, mas sentia medo dos meus próprios desejos, do meu corpo me enganando, e eu sabia exatamente aonde estava indo: templo de todas as perdições; minhas ao menos. Sentia aquele frio na barriga de quando se sai e se sabe que algo fantástico vai acontecer. Era uma certeza, por isso, senti medo. Eu me arrumei, sem muito cuidado, mas com esmero. Quero ficar tão bonita quanto posso, embora não a ponto de me sentir desconfortável. Tenho procurado o meio termo desses elementos; estar confortável é mais importante que tudo, em muitos níveis.
E a festa estava rolando, e eu encontrei com vários amigos lá dentro da boate, e isso foi surpresa, e não precisei pagar por nenhum drinque, e todos estavam me elogiando, e eu estava feliz, e a música estava boa, e as pessoas eram bonitas, e todos estavam de bom humor e eu queria dançar muito. E eu dancei muito. Deixei as pessoas confortáveis onde estavam e fiquei na pista, sozinha. Algumas pessoas vieram tentar me fazer companhia, mas eu queria mesmo era ficar sozinha ali e senti um alívio quando isso aconteceu. Fiquei dançando sem parar, porque a música estava me levando e eu adoro quando isso acontece. E estava concentrada em mim, mas eu não era mais eu, eu era só música quando, de repente, fui para um lugar estranho. Dentro de mim, o que esperava que fosse o acontecimento fantástico acabou como uma descoberta de estrela. Mas o que eu vi me encheu de raiva.
Queria não perceber você no meio de mim, pensar e desejar que você estivesse junto comigo; queria sentir a música me penetrando, e não você se metendo no meio dos meus pensamentos, sentimentos, roubando os meus desejos, sendo alvo deles. Queria ter ficado com várias pessoas ali e não percebido a sua falta, nem a minha monogamia, a minha devoção, o meu amor. Queria ter beijado várias bocas, e não ter ficado esperando pela sua todos esses dias. Queria sair e também não lembrar que você existe, que é o que você me diz. Que raiva ser livre dentro da minha própria prisão, porque por amor a mim, eu estava sendo fiel a você. Senti raiva. No meio da pista de dança, agora estou sob o holofote porque eu danço e eu sou o centro de mim mesma e de todas aquelas pessoas que estavam ali. E aconteceu assim porque, no meu vazio, era onde entrava a música e fazia com que eu me movesse, como uma marionete movida a som, preenchida no vazio. E a música não tem limites, ela simplesmente encontra o seu lugar. E eu encontrei a mim, e encontrei a você também, só que você não estava lá. E enquanto eu via outros casais namorando deliciosamente, eu voltei para casa sozinha, e mais uma vez, dormi sozinha.
quarta-feira, abril 15, 2009
Posso apresentar-contornar-circundar os meus medos?
É uma vergonha, eu sei e também acho, que eu esteja no último ano da faculdade e, até hoje, não tenha pego um livro na biblioteca... E não é qualquer uma biblioteca, é uma senhora enorme, viajada e muito culta, mas cheia de burocracias. E foi com essa vergonha que cheguei lá, acanhada, sem saber por onde ir, em que corredor passar primeiro. É preciso passar a carteirinha em um dos guichês, pegar uma chave para o armário onde se é obrigado a guardar os seus pertences (menos a carteirinha, porque vamos precisar dela em outras etapas), achar o armário, e depois você olha num computador o título que procura, vê que exemplar está disponível, passa a carteirinha novamente, e... Falta uma senha. Saio eu do computador, vou para outra fila, cadastro uma senha e volto, para conseguir finalizar o meu pedido. É que na minha vida nada passa impune, e mesmo que eu saiba das minhas vergonhas, isso não impede que outros presenciem minhas incapacidades e apontem seus dedos. Por isso, encontrei um conhecido que até já terminou a graduação e começou o mestrado, e que ficou rindo de mim, me recriminando, achando um absurdo eu nunca ter pego um livro lá. Também, não basta só que as coisas aconteçam comigo; eu preciso contá-las aos outros, mostrar os meus processos ridículos, porque acho que eu não tenho um sentido de auto-preservação muito aguçado, ou tenho um de auto-destruição aguçado demais.
A questão é: eu tenho muitos medos, e os meus medos me limitam, por exemplo, a pegar um exemplar de livro nessa tal biblioteca que é tão boa, que chega a dar medo. Demorei cinco anos pra tomar coragem e ir lá, passar ridículo. Tudo bem, passado o trauma, senti que precisaria escrever sobre isso e sobre muito mais. O livro que eu peguei eu nem quero ler: A Ilíada. Muita gente pode achar o máximo, mas eu estou no meio do meu Clarice Lispector "Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres" (definitivamente, "Uma aprendizagem"... !!!), e os cantos da saga de Homero não me atraem neste momento. Mas, passei por isso, e também passei por outros momentos bem piores, como o meu primeiro namorado, que resolveu me comer durante dois meses e ir morar na Inglaterra e, quando voltou, começou a namorar a minha melhor amiga, que era uma amiga de infância (coisa que parece que eu não vou esquecer nunca, embora eu tenha feito de tudo para isto) e outra coisa que também não vou esquecer foi outro namorado que me levou para os Estados Unidos, e um belo dia, no meio do meu dia de trabalho, me ligou para anunciar que estaria voltando para o Brasil naquele mesmo dia, só que à noite. E como essas histórias eu tenho várias outras, que não vêm ao caso agora pra não causar um halloween antecipado. Na medida em que for conquistando leitores, eu vou espalhando essas pérolas minhas.
Então perdoem-me os invejosos se algum dia eu for feliz no amor e tiver uma relação bem sucedida, mas como vocês puderam perceber, ela vai ter sido (gostaram: vai-ter-sido) raladinha. Tá? E o mundo tem bastante gente e espaço pra cada um conquistar a sua própria, e tudo mais que os fizerem felizes. Mas permitam-se, em primeiro lugar. Mesmo a fazer papel de ridículos (na concepção de ridículo de cada um, of course). Mas acho que a primeira conquista é a de si mesmo. Sabe? E isso leva uma vida inteira. Então... Amem-se, por mais que doa.
A questão é: eu tenho muitos medos, e os meus medos me limitam, por exemplo, a pegar um exemplar de livro nessa tal biblioteca que é tão boa, que chega a dar medo. Demorei cinco anos pra tomar coragem e ir lá, passar ridículo. Tudo bem, passado o trauma, senti que precisaria escrever sobre isso e sobre muito mais. O livro que eu peguei eu nem quero ler: A Ilíada. Muita gente pode achar o máximo, mas eu estou no meio do meu Clarice Lispector "Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres" (definitivamente, "Uma aprendizagem"... !!!), e os cantos da saga de Homero não me atraem neste momento. Mas, passei por isso, e também passei por outros momentos bem piores, como o meu primeiro namorado, que resolveu me comer durante dois meses e ir morar na Inglaterra e, quando voltou, começou a namorar a minha melhor amiga, que era uma amiga de infância (coisa que parece que eu não vou esquecer nunca, embora eu tenha feito de tudo para isto) e outra coisa que também não vou esquecer foi outro namorado que me levou para os Estados Unidos, e um belo dia, no meio do meu dia de trabalho, me ligou para anunciar que estaria voltando para o Brasil naquele mesmo dia, só que à noite. E como essas histórias eu tenho várias outras, que não vêm ao caso agora pra não causar um halloween antecipado. Na medida em que for conquistando leitores, eu vou espalhando essas pérolas minhas.
Então perdoem-me os invejosos se algum dia eu for feliz no amor e tiver uma relação bem sucedida, mas como vocês puderam perceber, ela vai ter sido (gostaram: vai-ter-sido) raladinha. Tá? E o mundo tem bastante gente e espaço pra cada um conquistar a sua própria, e tudo mais que os fizerem felizes. Mas permitam-se, em primeiro lugar. Mesmo a fazer papel de ridículos (na concepção de ridículo de cada um, of course). Mas acho que a primeira conquista é a de si mesmo. Sabe? E isso leva uma vida inteira. Então... Amem-se, por mais que doa.
segunda-feira, abril 13, 2009
-- Reclama mais? Por favor.
Hoje, quando eu acordei, fui até o banheiro e ainda meio sonolenta, abri o armário. Fiquei escovando os dentes mais perto da pia, e quando levantei a cabeça não lembrava de ter aberto, e me assustei com aquela imagem sem reflexo de interior de armário do banheiro. Armário aberto, e cadê eu?
Esse 'cadê eu' me seguiu o dia inteiro. Procurei dentro do meu estômago; não tinha nada lá, só dor. Nem fome eu tinha. Na hora do meu almoço, que já era quase hora do lanche, eu devorei meus pensamentos entre as garfadas suculentas. Devorava a mim mesma, uma garfada de comida, uma garfada de mim, tentando encher o vazio que ecoava em sinos lentos e doloridos, fazendo um grande silêncio oco.
Tá todo mundo assim: velho, ranzinza, de mau-humor, cheio de problema, mal amado, mal dormido, mal passado. Todo mundo tem que trocar a bomba d'água, tirar o mofo do armário, resolver entre encanamento de gás ou butijão e tomar as devidas providências, tirar raio-x da boca ou da coluna, fazer os exames, mudar de setor no trabalho. Ninguém ganha na megasena. Ninguém tira a sorte grande no amor e ensina aos outros como fazer. Eu não tenho nenhum amigo big-brother. Todo mundo pesado. Os metais pesados que vêm na água estão fazendo uma grande diferença na nossa evolução, colocando nós tudo pra baixo.
Ói que maravilha. Ainda ando roubando as idéias do meu irmão e colocando em trabalhos acadêmicos, por falta de criticavidade. Sem fôlego, sem vontade. Mas pelo menos eu não tenho televisão, o que já é um grande alívio. Posso ter o ócio que FOR; ele é meu, mais meu, muito meu. Nou teevee pra eu ficar mais burra ainda. burrainda. burrinda. burrnda. burnda. já fizeram isso em batmacumba, hein? Olha só, que repetitividade da vida me atingindo. Ô, deixa eu acertar um poco!!
Ainda assim, alguns poucos (bons) exemplos transpassam o meu caminho, e eu vejo como a bondade das pessoas é infinita (assim: eu tenho noção que a maldade também, mas a bondade das pessoas tem cruzado mais o meu caminho, apesar do meu mau-humor) e ainda existe e está ativa. Tantas coisas ruins, mas continuam oferecendo para carregar a minha mochila no metrô lotado, e se eu durmo, me acordam para perguntar se eu vou saltar na Estácio (risos). Mas essas coisinhas, pequenos atos tão calorosos e totalmente grátis tiram um pouquinho do peso, e eu vim para casa um pouco mais leve depois disso. E o metrô é ótimo para essas coisinhas especiais acontecerem, porque é uma situação extrema pegar o trem na hora do rush e é quase desumano também. Mas as pessoas sobrevivem e ainda conseguem ser solidárias umas com as outras, e quando eu vejo isso, eu fico feliz pelo mundo e me sinto mais aliviada.
Esse 'cadê eu' me seguiu o dia inteiro. Procurei dentro do meu estômago; não tinha nada lá, só dor. Nem fome eu tinha. Na hora do meu almoço, que já era quase hora do lanche, eu devorei meus pensamentos entre as garfadas suculentas. Devorava a mim mesma, uma garfada de comida, uma garfada de mim, tentando encher o vazio que ecoava em sinos lentos e doloridos, fazendo um grande silêncio oco.
Tá todo mundo assim: velho, ranzinza, de mau-humor, cheio de problema, mal amado, mal dormido, mal passado. Todo mundo tem que trocar a bomba d'água, tirar o mofo do armário, resolver entre encanamento de gás ou butijão e tomar as devidas providências, tirar raio-x da boca ou da coluna, fazer os exames, mudar de setor no trabalho. Ninguém ganha na megasena. Ninguém tira a sorte grande no amor e ensina aos outros como fazer. Eu não tenho nenhum amigo big-brother. Todo mundo pesado. Os metais pesados que vêm na água estão fazendo uma grande diferença na nossa evolução, colocando nós tudo pra baixo.
Ói que maravilha. Ainda ando roubando as idéias do meu irmão e colocando em trabalhos acadêmicos, por falta de criticavidade. Sem fôlego, sem vontade. Mas pelo menos eu não tenho televisão, o que já é um grande alívio. Posso ter o ócio que FOR; ele é meu, mais meu, muito meu. Nou teevee pra eu ficar mais burra ainda. burrainda. burrinda. burrnda. burnda. já fizeram isso em batmacumba, hein? Olha só, que repetitividade da vida me atingindo. Ô, deixa eu acertar um poco!!
Ainda assim, alguns poucos (bons) exemplos transpassam o meu caminho, e eu vejo como a bondade das pessoas é infinita (assim: eu tenho noção que a maldade também, mas a bondade das pessoas tem cruzado mais o meu caminho, apesar do meu mau-humor) e ainda existe e está ativa. Tantas coisas ruins, mas continuam oferecendo para carregar a minha mochila no metrô lotado, e se eu durmo, me acordam para perguntar se eu vou saltar na Estácio (risos). Mas essas coisinhas, pequenos atos tão calorosos e totalmente grátis tiram um pouquinho do peso, e eu vim para casa um pouco mais leve depois disso. E o metrô é ótimo para essas coisinhas especiais acontecerem, porque é uma situação extrema pegar o trem na hora do rush e é quase desumano também. Mas as pessoas sobrevivem e ainda conseguem ser solidárias umas com as outras, e quando eu vejo isso, eu fico feliz pelo mundo e me sinto mais aliviada.
theseaweed

mommy made me into a little seed. i never watched myself grow. i have the power to explode. i haven't met my strenghth yet. they tell me i am brave, they tell me that i can, i just don't believe it. i fit anywhere, i'm so small. i'm so light that i flow. but i have the power to explode. i just haven't met my strenghth yet. i feel unattached, unreachable. i could fit anywhere. i guess i never looked myself in other mirrors than the floating surfaces of the sea. sometimes, i am the water.
domingo, abril 12, 2009
The untold tale of the monkey and the rooster
There were two friends: a monkey and a rooster. Wherever the rooster would go, the monkey would follow. The monkey loved the bravery in the rooster. The monkey felt like it was ok to be curious around its fellow, so it followed. Should the rooster explore the territory, the monkey would watch. The rooster was righteous, the monkey, tricky. The rooster was righteous, the monkey had many skills. Then, it would go right after, checking wherever the rooster's beak would point at. The rooster is never the best of the animals, but it was right for keeping the monkey some company. The monkey was not the best of the animals, but he would carry the rooster on its back, since it had many more usable hands and tails than the rooster, and the rooster appreciated it. They were a funny pair to watch, but it worked. The monkey could become an ashtray or an attraction in some circus, the rooster could become dinner. So, they would save each other skin, because they did not represent a real threat to each other. And they were so brave together, until one day, accidentally, the rooster picked the monkey in the eye, while looking for a worm. "Couldn't you realize this was no hole?", asked the monkey. "I'm sorry, dear fellow", said the rooster. "It was so shinny, it was looking at me". And the monkey bit off the rooster's head. And that was not the end of the story, because the rooster, now a ghost, runned away in its body, leaving the head behind. And this is how the first shooting start came up in China, crossing the sky with blood.
sábado, abril 11, 2009
Ontem

Escrever sobre o amanhã três dias atrás, e escrever sobre o ontem, hoje. Essa ordem natural das coisas, que é uma ordem imprevista e bagunçada, que não respeita a ordem em que as exigências externas acontecem, podem acontecer a qualquer um. Esteja esperto: para reconhecer as dádivas que chegam sem que você esteja preparado. Esteja atento; às vezes a vida acontece só depois da morte. Às vezes o branco acontece só depois do preto, depois que confrontados no cinza, pudessem se perceber e se separar. Às vezes o arco-íris acontece antes da chuva e o orgasmo, antes do sexo. Às vezes o seu olhar chega antes dos olhos, e os seus pensamentos, antes das palavras. E eu entendo. E, muitas vezes, não entendo e só vejo as coisas passando de um lado para o outro, numa forma meio curva porque na Terra dizem não existir retas, voando como estrelas cadentes, nessa ordem cósmica que não segue a razão. Muitas vezes, o entendimento só vem bem depois. Às vezes os filhos vêm antes que possamos nos preparar; às vezes o amor acontece depois de trancarmos nossos corações sem esperança na gaiola do desespero seco, sozinho e triste. Mas que sempre os seus beijos cheguem antes da boca, para que eu não fique à mercê dos dentes, certa de que irão me morder. E que mesmo que seus beijos nunca cheguem, que eu possa saber que um dia serei beijada novamente, e tenha sempre a certeza de que as coisas não acontecem numa ordem em que eu possa compreender, para que, ontem, hoje e sempre eu possa ser surpreendida.
sexta-feira, abril 10, 2009
Hojeam
Antes de destruir as minhas forças por completo, deixe-me vivenciar o samba que há em minhas veias. Índios, negros e mulatos, com brancos, pretos e mestiços. Todos amarelos e até que deixe vir os meio verdes... Assim, meio vermelhos de dançar, meio roxos de tentar e de não conseguir (nunca), vamos pegar o primeiro ônibus que vai da Lapa para a Tijuca e... E o que? E nadaa.
Hoje eu gostei de um bigodinho na rua, mas porque fiquei pensando no seu. Na verdade, esse sujeito é a cara do cara personagem do livro que estou traduzindo, então me fascinei. Como pôde ele ter pulado das páginas para a minha cabeça, e da minha cabeça para o mundo?! Como pode haver uma pessoa igual ao Andrew Imhof, cílios longos, cabelos bagunçados, pêlos castanhos?! Amorzinho platônico da personagem principal do livro, estou vendo demais, estou vendo que entro demais nas histórias que ando lendo, estou vendo eu mergulhando na voz da personagem e perdendo a minha própria. É por isso que não vejo novelas, e é por isso que não assisto a filmes. Todos entram em mim, entrando em mim para nunca mais sair. E não saem.
É por isso que eu sou uma péssima amiga. Sou boa assim, à distância. Na redoma. Na jaulinha. Me dêem comida. Mas cuidado com os dedos. Eu já gostei mais de anéis. Podem ficar com eles.
Opa Camarade! Esqueci de contar... Que já não canto, muito menos encanto. Se eu quiser passar invísivel, não tem playboy da Lapa que puxe a minha saia! Só não posso sorrir. Se passa qualquer bêbeda acham que você está alegre e querem conversar. Não pode passar qualquer boba alegre, que eles acham que está bêbada e querem puxar a saia. É foda. Não tem saída para os homens ruins do mundo. Que todos eles sejam engolidos.
Le-Olam-Amém. Saravá. Axé, Oxum.
Atchim.
Tenho mais histórias pra contar? Só aquela velha, da Chapeuzinho vermelho e daquele bicho pulguento. Mas hojeam, eu olhei as bananas de uma forma meio diferente. Como nunca tinha olhado antes. Senti medo. De mim mesma. Medo dos raiozinhos da Lua para mim naquele dia de dois duas noites atrás. Zzz zzZZZzZZzzzz
Hoje eu gostei de um bigodinho na rua, mas porque fiquei pensando no seu. Na verdade, esse sujeito é a cara do cara personagem do livro que estou traduzindo, então me fascinei. Como pôde ele ter pulado das páginas para a minha cabeça, e da minha cabeça para o mundo?! Como pode haver uma pessoa igual ao Andrew Imhof, cílios longos, cabelos bagunçados, pêlos castanhos?! Amorzinho platônico da personagem principal do livro, estou vendo demais, estou vendo que entro demais nas histórias que ando lendo, estou vendo eu mergulhando na voz da personagem e perdendo a minha própria. É por isso que não vejo novelas, e é por isso que não assisto a filmes. Todos entram em mim, entrando em mim para nunca mais sair. E não saem.
É por isso que eu sou uma péssima amiga. Sou boa assim, à distância. Na redoma. Na jaulinha. Me dêem comida. Mas cuidado com os dedos. Eu já gostei mais de anéis. Podem ficar com eles.
Opa Camarade! Esqueci de contar... Que já não canto, muito menos encanto. Se eu quiser passar invísivel, não tem playboy da Lapa que puxe a minha saia! Só não posso sorrir. Se passa qualquer bêbeda acham que você está alegre e querem conversar. Não pode passar qualquer boba alegre, que eles acham que está bêbada e querem puxar a saia. É foda. Não tem saída para os homens ruins do mundo. Que todos eles sejam engolidos.
Le-Olam-Amém. Saravá. Axé, Oxum.
Atchim.
Tenho mais histórias pra contar? Só aquela velha, da Chapeuzinho vermelho e daquele bicho pulguento. Mas hojeam, eu olhei as bananas de uma forma meio diferente. Como nunca tinha olhado antes. Senti medo. De mim mesma. Medo dos raiozinhos da Lua para mim naquele dia de dois duas noites atrás. Zzz zzZZZzZZzzzz
quinta-feira, abril 09, 2009
AMANhãn?
Amanhã, você pode perceber que se envolveu numa relação de co-dependência, e terminar tudo comigo, com medo. Amanhã, meu pai ou minha avó podem morrer, e me deixarem sozinha. Amanhã eu posso ser mandada embora, porque minha chefe finalmente vai perceber que engano ter me contratado. Amanhã eu posso perder a voz por horror total e nunca mais conseguir cantar. Amanhã eu posso estar tão mal de saúde que não vou conseguir nem passar da porta para cumprir com as obrigações que tanto me chamam. Amanhã eu posso não ter mais nenhum amigo. Amanhã uma inundação pode invadir a minha casa, acabando com tudo o que eu tenho, ou um incêndio, ou um roubo, ou a minha conta bancária pode ser invadida por hackers, ou posso não conseguir levantar por desistência de viver. Ou tudo isso pode acontecer ao mesmo tempo, porque nada na vida é previsível e, quando um mal acontece, geralmente todos vêm juntos. Sem comida, sem dinheiro, sem família, sem namorado, sem emprego, sem carinho, sem sol e sem lua, sem norte, e sem rumo. Amanhã, tudo pode acontecer. Mas amanhã, please, só amanhã. Me deixa hoje aqui só com medo. Viver com medo das incertezas, melhor do que viver na certeza das perdas? I'm scared. And scared to say it out loud. -does writing it make me a little brave- R?
terça-feira, abril 07, 2009
Presa numa questão de liberdade
Posso tudo: não sei o que fazer. O espaço é meu (o quarto, o mundo), o corpo é meu (veículo), as vontades são minhas (mas quais são elas?). Preciso trabalhar um pouco, preciso me concentrar. Congelo. Nada posso fazer. Não sei por onde começar. Nada faço. Tento me deitar. Fecho as cortinas. Tiro a roupa. Gozo um pouco. Nada satisfaz. Sento pelada para tocar violão: eu posso. Penso em ir tomar banho, eu posso não ir almoçar antes. Preciso ir comprar água, tenho sede. Penso em jejuar. Para ser livre, preciso tomar decisões! Se você tudo pode fazer, nada faz. Se nada pode, você luta para poder, que é a causa dos rebeldes. Vou continuar me debatendo, que é a luta contra si mesmo, daquele que é livre e não sabe contra aquele que não é livre, sabe e gosta disso (porque é mais fácil), daquele que pensa que liberdade é falta de organização contra aquele que não pode usar o seu tempo livre porque se organiza sem parar, daquele que abre a porta e convida a primeira a entrar, a tomar uma água e a chupar o seu órgão - daquele que age como um animal-, contra aquele que tem seus instintos totalmente dominados pela sua parte Homem. Daquele que tem a alma numa jaula porque se soltar, destrói tudo ao redor, contra aquele que fica com feridas na pele, loucuras na mente e infelicidades na vida porque não se solta nunca. Se você tudo pode fazer, nada faz. Se nada pode, você luta para poder. Essa é a causa dos rebeldes. A liberdade congela; quem tudo pode não sabe por onde começar, a ponto que aquele que nada pode sabe exatamente o que faria. Prisões para todos sermos livres então.
segunda-feira, abril 06, 2009
Toalha molhada
O impulso da escrita é na hora que se pega, é na hora ou se perde, e deixa um rastro, como uma gota que escorre depois do banho pelo corpo, deixa uma marca, deixa a sua presença ali. Tirar o excesso da água com as mãos antes de se enxugar, meu pai me ensinou, me ensinou a tirar o excesso para a tolha não ficar ensopada. E eu detesto toalha molhada, mesmo hoje, depois de grande, mesmo depois de ter revisto milhões de conceitos aprendidos desde criança, depois do banho, se enxugar com aquela coisa felpuda, gelada e úmida, às vezes no frio, com aquele molhado que parece não cumprir com o seu dever, ainda me incomoda. E eu não gosto de pessoas e objetos que não cumprem com o seu dever. Quer dizer, qual é o papel da toalha, senão o de simplesmente enxugar?
Nem todas as toalhas secam a tempo, nem todas as toalhas novas enxugam bem, nem todas as coisas felpudas são gostosas (tipo lodo no fundo do lago), nem todo mundo que mora na favela tem vocação para ser pobre e as pessoas que pegam conduções lotadas não nasceram todas para isso. Está/amos cumprindo com o seu/nosso dever?
O mundo é permeado de questões estúpidas assim, tão pequenas que são tão óbvias, e que de tão óbvias são invisíveis, que nos impedem de ver as questões maiores, que de tão próximas não enxergamos, e lançamos mão de soluções muito mais complexas, dispendiosas em energia e dinheiro, investimos tanto tempo em coisas tão fenomenais, mas nas pequenas coisas, nos detalhes, nas pequenas organizações, quase não perdemos tempo. Tipo: gastar dinheiro com médicos e milhões de coisas que nos fazem acreditar que são boas para nós, quando poderíamos simplesmente saber as coisas que são certas para nós.
E eu não me sinto limpa se não me enxugo com uma tolha seca, e não me sinto confortável pisando em lodo, e continuo com nervosinho na nuca se grudar muita poeira na sola do meu pé e também penso mentalmente numa senha eletrônica sempre errada no último algarismo, para se a pessoa ao lado estiver lendo a minha mente, não saber a minha senha. E não consigo fazer nada, não consigo me manifestar em brados e causar a mesma indignação nas pessoas a minha volta quando anunciam no metrô que a passagem vai aumentar de novo, e vai atrapalhar todo o meu orçamento, que já estava apertado.
E será que alguém pode ser vangloriado por ter nascido bonito? E será que podemos dizer que estamos em plena Era do desenvolvimento da comunicação? E será que o Lula acredita que ele seja realmente "o cara", e que tanto a Rainha da Inglaterra quanto o presidente Barak O. sejam super "gente boa", ao invés de perceber que todos esses líderes querem um pedaço do Brasil?
Não é você, senhor presidente, que está sentado naquela cadeira: SOMOS NÓS. E nós estamos cumpridos com os nossos deveres. Você é apenas uma toalha molhada (e em cima da cama!). - mais uma coisa felpuda que não é legal. Você é ilegal.
E mais um pedaço meu vai sendo levado embora pelas corporações quando todas as contas aumentam e eu preciso gastar o meu precioso tempo trabalhando ao invés de fazer as coisas que eu deveria estar fazendo para a minha própria sanidade, como ir gastar a minha agressividade movimentando as massas e causando tumultos contra essas corporações abusivas (Light, CEG, etc, etc, etc).
Nem todas as toalhas secam a tempo, nem todas as toalhas novas enxugam bem, nem todas as coisas felpudas são gostosas (tipo lodo no fundo do lago), nem todo mundo que mora na favela tem vocação para ser pobre e as pessoas que pegam conduções lotadas não nasceram todas para isso. Está/amos cumprindo com o seu/nosso dever?
O mundo é permeado de questões estúpidas assim, tão pequenas que são tão óbvias, e que de tão óbvias são invisíveis, que nos impedem de ver as questões maiores, que de tão próximas não enxergamos, e lançamos mão de soluções muito mais complexas, dispendiosas em energia e dinheiro, investimos tanto tempo em coisas tão fenomenais, mas nas pequenas coisas, nos detalhes, nas pequenas organizações, quase não perdemos tempo. Tipo: gastar dinheiro com médicos e milhões de coisas que nos fazem acreditar que são boas para nós, quando poderíamos simplesmente saber as coisas que são certas para nós.
E eu não me sinto limpa se não me enxugo com uma tolha seca, e não me sinto confortável pisando em lodo, e continuo com nervosinho na nuca se grudar muita poeira na sola do meu pé e também penso mentalmente numa senha eletrônica sempre errada no último algarismo, para se a pessoa ao lado estiver lendo a minha mente, não saber a minha senha. E não consigo fazer nada, não consigo me manifestar em brados e causar a mesma indignação nas pessoas a minha volta quando anunciam no metrô que a passagem vai aumentar de novo, e vai atrapalhar todo o meu orçamento, que já estava apertado.
E será que alguém pode ser vangloriado por ter nascido bonito? E será que podemos dizer que estamos em plena Era do desenvolvimento da comunicação? E será que o Lula acredita que ele seja realmente "o cara", e que tanto a Rainha da Inglaterra quanto o presidente Barak O. sejam super "gente boa", ao invés de perceber que todos esses líderes querem um pedaço do Brasil?
Não é você, senhor presidente, que está sentado naquela cadeira: SOMOS NÓS. E nós estamos cumpridos com os nossos deveres. Você é apenas uma toalha molhada (e em cima da cama!). - mais uma coisa felpuda que não é legal. Você é ilegal.
E mais um pedaço meu vai sendo levado embora pelas corporações quando todas as contas aumentam e eu preciso gastar o meu precioso tempo trabalhando ao invés de fazer as coisas que eu deveria estar fazendo para a minha própria sanidade, como ir gastar a minha agressividade movimentando as massas e causando tumultos contra essas corporações abusivas (Light, CEG, etc, etc, etc).
quinta-feira, março 12, 2009
I just settled for the last fridge in the store
There was only one, and it was going to be mine. That one. Just for me? This eager to get what I want does not always comes for good. But I researched the field, all the stores, and it was the closest thing to the ideal fridge I had in mind. It was not frost-free, but it was dry anyway, and since I have a problem with space, it was supposed to fit in my flat perfectly, and it was also supposed to fit the wholes in my life. A fridge, just for me; my fridge organization, my very well selected food items, my things, my things. And it was the middle of the afternoon when mother called me to say that there was only one, and that she was only calling to make sure that I would hurry up to the store later on. But I got so nervous that all my researching would go down the drain that I didn't think about anything else but getting to the store to get my fridge. It's kinda like to pick a boyfriend; it's not really what you want, but since you need one, there you go searching. You need a cooling for your mind heat, and you need chills in your life. I mean good chills, the kind that relaxes you once you're home. I was not entirely happy about it, but it was the fridge for me. Can you believe that it got to me all dirty and I even had to pay for the delivery? I mean, this whole deal of settling for the last item just because you think you need it is really not a good deal. I hope it's -at least- working. This thing came with the destiny to fulfill my life for many nights to come... Very lonely nights. We should never settle for anything less than what we deserve or we get less than what we deserve.
pelo meio das pernas
Bom dia, tristeza. Você acabou de acordar e eu ainda nem fui dormir. Sabemos de nós duas; nos encontramos sempre às zero horas. Sabemos que você mora no meu ventre, e que em noites de lua cheia como esta, e nas noites de copo cheio e de vida vazia, ou se transborda ou se quebra. Copo frio, sangue quente. Hoje eu quebrei, porque vi o reflexo do sol no copo e quis alcançá-lo, amá-lo, mas hoje não era dia de sol e sim de lua, e meus cacos ficaram espalhados pela vida. Essas pontas afiadas são tão atraentes... Brilham como os olhos dele. Me cortar seria como tê-lo por perto. Os cantos, os ralos e a umidade também; é tudo muito atraente. Se eu fosse líquida, derramaria. Talvez hoje isso aconteça e amenize a pressão do coração que não se aguenta, e sangra por baixo. Ao invés de explodir em amor, implodiu pelo meio das pernas, e vai para baixo, nutre a terra, vai para o subsolo. E nada de cuidar de um amor, hoje. Nada de subir aos céus para nós, mulheres. Lilith maldita, ri de mim, com suas mil labaredas dentro do meu útero, me fazendo querer sangrar para parar de sofrer.
Amor escorrido pelo meio das pernas, para o solo, para ser reabsorivo pela terra. Mais um ciclo, mais uma morte. E mais um dia em minha vida sem amor.
Amor escorrido pelo meio das pernas, para o solo, para ser reabsorivo pela terra. Mais um ciclo, mais uma morte. E mais um dia em minha vida sem amor.
domingo, março 08, 2009
The ones that never got to be - diário de um momento de show
O espectro formado por todos aqueles que nunca chegaram a ser vai aumentando toda vez que
mais uma alminha sobe (ou desce) para os céus dos desalmados, somando mais uma alminha ao seu espectro que vai ficando cada vez mais gigante e mais assombrador pela soma dos seus antigos entes queridos que vão se empilhando, um a um e misturados, na enorme sombra fumê de relacionamentos mortos, sentimentos mortos, lembranças e passados.
Aí você sai da visão e está no meio de um show muito inspirador, no escuro e ainda bem, sente uma saudade, uma vontade do papel e da caneta que vai saindo quase como um vômito, e você sente um calor molhado entre as pernas e acha que pode ter ficado menstruada no meio do salão, em cima da cadeira -"ainda bem que está escuro/ainda bem que a saia é da cor de sangue", e depois pensa que é mesmo bem possível pois está mesmo na época, e então, começa a se rabiscar porque acha a caneta,, mas não o papel, e no meio do show, ali, no meio de todos, mas não escondida por estar em cima da cadeira, não comportada por estar escrevendo no braço enquanto as pessoas talvez achem que você está se cortando, e eu pensando em pedir um café para tomar ali mesmo, só porque com a idéia de escrever veio junto uma vontade monstro de tomar café... Eu penso que deve ser o olhar de fora disso que me justifica como "ela é meio maluquinha". Bom... Café... Veio e foi-se. Mas eu escrevi, escrevi em mim, e nos guardanapos da mesa, e guardei todos eles na bolsa.
. ..... ........................................ ............ ........................ ...
É tão triste estar no palco e cantando para tantos que te acham tão bonita, eles amam a sua voz, dizem que amam vocÊ também, e dizem que você é muito foda, e você tenta ser fofa, e diz "vc tb é", mas ouve "você é mais, muito mais", de uma voz que quase te devora ali do gargarejo, e você encanta a tantas pessoas, mas encanta porque canta com a verdade das coisas que construiu, e se lembra dos sentimentos que fizeram você escrever aquelas canções, e das pessoas que foram responsáveis pela sua inspiração, e aí pensa que você tem várias pessoas mas não tem justamente quem gostaria, porque você está fazendo turnê e o seu amado está sozinho na província de origem, "esperando" (isso é quase engraçado de dizer), e que não está ali. (...)
Então, acho que só 3 reticências é muito curto...................................................................................................................................................................................................................................................
Kd o meu amado, que não está ali também, alimentando todas as minhas dúvidas e vontades de escrever??
Sabe uma frase que me veio na cabeça nessa hora?
"Santo de casa não faz milagre." Bom, se você encanta tanto, deve ter encantado o amado em algum momento. Mas, de repente, de diva do rock vocÊ passa a ser lugar comum. E, por algum motivo, eles não gostam disso. Deve ser por issooo que erram tanto aquele ponto.
E precisam da diva que não tem pontos, nem vontades. :/
Opa, essa saiu sem querer. É a quase-lua-cheia, na pré menstruação e eu estou maldOSA, mau humorada, com cólicas. É preciso amar demais o lugar comum para me amar. É preciso conhecê-lo para saber do seu oposto.
E estou de mau humor com os homens e ainda descobri que odeio os machões do metal, que falam "linda" pra cantora do palco, e literalmente pisam e esbarram com força nas mulheres da platéia. Nunca vi gente mais idiota. JURO que os comentários que eu ouvi hoje foram os piores, do tipo de gente que não tem nada dentro e veste de preto só pra esconder o vazio.
... .
E as garras estão ficando afiadas.
E as pálpebras começam a não me obedercersr
[pós show de Annique]
mais uma alminha sobe (ou desce) para os céus dos desalmados, somando mais uma alminha ao seu espectro que vai ficando cada vez mais gigante e mais assombrador pela soma dos seus antigos entes queridos que vão se empilhando, um a um e misturados, na enorme sombra fumê de relacionamentos mortos, sentimentos mortos, lembranças e passados.
Aí você sai da visão e está no meio de um show muito inspirador, no escuro e ainda bem, sente uma saudade, uma vontade do papel e da caneta que vai saindo quase como um vômito, e você sente um calor molhado entre as pernas e acha que pode ter ficado menstruada no meio do salão, em cima da cadeira -"ainda bem que está escuro/ainda bem que a saia é da cor de sangue", e depois pensa que é mesmo bem possível pois está mesmo na época, e então, começa a se rabiscar porque acha a caneta,, mas não o papel, e no meio do show, ali, no meio de todos, mas não escondida por estar em cima da cadeira, não comportada por estar escrevendo no braço enquanto as pessoas talvez achem que você está se cortando, e eu pensando em pedir um café para tomar ali mesmo, só porque com a idéia de escrever veio junto uma vontade monstro de tomar café... Eu penso que deve ser o olhar de fora disso que me justifica como "ela é meio maluquinha". Bom... Café... Veio e foi-se. Mas eu escrevi, escrevi em mim, e nos guardanapos da mesa, e guardei todos eles na bolsa.
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É tão triste estar no palco e cantando para tantos que te acham tão bonita, eles amam a sua voz, dizem que amam vocÊ também, e dizem que você é muito foda, e você tenta ser fofa, e diz "vc tb é", mas ouve "você é mais, muito mais", de uma voz que quase te devora ali do gargarejo, e você encanta a tantas pessoas, mas encanta porque canta com a verdade das coisas que construiu, e se lembra dos sentimentos que fizeram você escrever aquelas canções, e das pessoas que foram responsáveis pela sua inspiração, e aí pensa que você tem várias pessoas mas não tem justamente quem gostaria, porque você está fazendo turnê e o seu amado está sozinho na província de origem, "esperando" (isso é quase engraçado de dizer), e que não está ali. (...)
Então, acho que só 3 reticências é muito curto...................................................................................................................................................................................................................................................
Kd o meu amado, que não está ali também, alimentando todas as minhas dúvidas e vontades de escrever??
Sabe uma frase que me veio na cabeça nessa hora?
"Santo de casa não faz milagre." Bom, se você encanta tanto, deve ter encantado o amado em algum momento. Mas, de repente, de diva do rock vocÊ passa a ser lugar comum. E, por algum motivo, eles não gostam disso. Deve ser por issooo que erram tanto aquele ponto.
E precisam da diva que não tem pontos, nem vontades. :/
Opa, essa saiu sem querer. É a quase-lua-cheia, na pré menstruação e eu estou maldOSA, mau humorada, com cólicas. É preciso amar demais o lugar comum para me amar. É preciso conhecê-lo para saber do seu oposto.
E estou de mau humor com os homens e ainda descobri que odeio os machões do metal, que falam "linda" pra cantora do palco, e literalmente pisam e esbarram com força nas mulheres da platéia. Nunca vi gente mais idiota. JURO que os comentários que eu ouvi hoje foram os piores, do tipo de gente que não tem nada dentro e veste de preto só pra esconder o vazio.
... .
E as garras estão ficando afiadas.
E as pálpebras começam a não me obedercersr
[pós show de Annique]
sábado, março 07, 2009
Positivo, negativo, infinito
Quando estou por cima, você está por baixo. Quando estou por baixo, você está por cima. Acho que não temos como ficar lado a lado, olhando para a mesma direção, numa posição confortável. Se você está por cima e pode olhar para mim, olha para mim e não para onde estou olhando, que é você. O problema é quando você não olha nem para mim, nem para você. E você sempre procura olhar para algo que tire você do estado concentrado da sensação, de raiva, de dor. Você não procura sentir a sensação que sente, mas procura fugir dela. Qualquer distração, qualquer maresia ou miragem que tire você da agonia que você carrega dentro de você, e não na sua mochila, tira você de você mesmo. Mas o que vai sobrar para mim, quando estivermos juntos?
E o que vai sobrar aqui, depois que você seguir adiante de todos esses olhares e não olhares?
Eu pergunto e questiono: por que olhar a beleza de tudo o que existe ao seu redor, mas não olhar a beleza de tudo aquilo que existe dentro de você?
Por que você ignora essa senhora sedutora e profunda, cheia de dedos, seios, tatos, cheiros e bocas, e pernas e unhas e todas as coisas de que você gosta, e que vive e clama e grita pela sua atenção, e arranha, e faz você sangrar, e separa o seu coração em dois ou o transforma em cofre fechado no fundo do mar... Mas cede aos desejos mais superficiais da sua telha?
Por que continuar vivendo sem amar e sem se deixar amar?
Eu não sigo adiante, até resolver. As questões para mim não morrem no suspiro.
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
Olhar cristalizador
[The Gossip - Eyes Open]
Tenho vivido umas experiências interessantes, porém um pouco dolorosas, já que o material de pesquisa sou eu mesma. Eu me coloco à prova, eu sou a isca; eu mesma me coloco no anzol para os peixes e corro os riscos. Nem sempre isso é proposital; muitas vezes, estou apenas "sendo". Tem uma coisa que observo de comum nessas situações: o estresse emocional que acontece dentro das pessoas quando elas observam uma mudança brusca em você. E elas reagem profundamente, às vezes quase partindo para a agressão física, e muitas agridem verbalmente, pela frustração das expectativas que elas mesmas construíram e tinham sobre você.
Eu entendo que moldamos as pessoas que conhecemos e todas as coisas do mundo, numa tentativa de torná-lo um lugar mais seguro. Essas são as prisões que construímos para nós: tentar moldar as pessoas, tentar moldar a nós mesmos e também prever as situações, por ideologias, modos de vida, hábitos, e etc, achando que diminuímos a carga de surpresas da vida. Colocamos em nós mesmos uma enorme carga negativa por tentar prever o que as pessoas e as situações podem nos trazer, mesmo sabendo que essas expectativas vão ser, quase sempre, frustradas, quebradas. Não cansamos; precisamos estabelecer parâmetros e limites. Precisamos criar um cercadinho para nós.
Eu realmente não esperava chegar num churrasco de aniversário e ter causado tanta comoção só por estar comendo um pedacinho de carne e umas rodelinhas de salsichão. Assim, na vida de tantos outros isso é uma coisa tão corriqueira. Mas na minha, acontecem comoções. Algumas pessoas não se conformam que eu possa estar comendo carne, já que anos antes defendia a proteção dos animais. Pois bem, continuo ao lado dos animais, mas já não acho uma ofensa a eles que eu os coma, pelo contrário, acho que eles estão sendo honrados. Muita gente que eu conheço não consegue lidar com essa mudança de paradigma e realmente se bagunça. Até quase te agride.
Estou cansada desse olhar cristalizador, que não admite mudanças, e sei que ainda é só o começo para uma pessoa que almeja a vida pública. Ainda não sei lidar com isso. Eu também tenho dificuldades de lidar com as minhas próprias frustrações, mas eu admito que as pessoas mudem de idéia e procuro não julgá-las por isso. Eu não acho que seja um problema que as pessoas experimentem, que elas saiam do casulo e sejam ousadas. Acho perfeitamente natural qualquer experiência que amplie nosso circuito de visão, geralmente tão fechado e limitado pelas coisas em que acreditamos, pelas coisas que fomos obrigados a acreditar, e por tudo aquilo que queremos ser. Sair um pouco do próprio mundinho e tentar entender como as outras pessoas vivem, dentro dos seus próprios universos, é uma coisa boa. Mas acho que eu sou um caso isolado. E acho que esse tipo de comportamento não tem muita vez no mundo social e segmentado em que vivemos, que PRECISA dos rótulos. As pessoas que procuram mais e querem mais devem ser alvos fáceis, especialmente quando pretendem compartilhar as experiências e informações. Ainda estou em construção com relação a essa idéia (e tantas outras). Mas não vejo nenhuma confusão nisso. Está tudo muito claro: eu sou uma pessoa contraditória, e acho isso muito natural.
sábado, fevereiro 21, 2009
O que está acontecendo com a minha auto-imagem?
As pessoas dizem que eu sou bonita, e eu sempre achei que saía muito bem nas fotos, qualquer foto, mesmo fazendo careta costumava ficar ótima. De repente, como que de supetão, todas as fotos começaram a ficar feias. "O que será que está acontecendo?" - tento achar algum referencial, alguma origem para o problema... "Vênus? Lua? Saturno? Problemas de casa 1? Casa 5? Casa 1o?" Antes, eu sabia fazer pose, e o sorriso que eu imaginava estar sorrindo era o mesmo que aparecia na foto. Agora eu procuro sorrir os meus sorrisos, mas os dentes saem tortos. O sol sempre está acima do meu nariz, e eu fico com narigão. Narigão e dentes tortos. Gorda. As bochechas saem gordas. O cabelo está sempre desgrenhado. Cabelo de bruxa, narigão de batata, cada olho para um lado, dentuça e com a boca torta. A boca parece que foge ao controle. Antes, quando eu era bem mais confusa e nublada, eu saía ótima nas fotos! Agora que estou um pouco mais inteira e ensolarada, fico horrorosa. *O que será que está acontecendo?* Seja lá o que for, já acontece há algum tempo. Quando falam em "FOTO!", já vou saindo de fininho, ou ficando na fila de trás, pra aparecer menos e dar menos chance ao acaso. Será que isso tem a ver com a presença de Saturno, com seu olhar limitador? Feio. Vamos ser honestos: olhar feio. Será que isso tem a ver com a idade? Vamos ficando mais velhos e precisando de, cada vez mais, parafernalhas serelepes para sairmos bem na capa e sermos felizes. Cadê a minha beleza natural transportada para as fotos?! Deve ser um problema de luz. Muita luz não dá certo em fotografia.
Hunf.
>: /
Ou então, um dos gatos deve ter comido.
Hunf.
>: /
Ou então, um dos gatos deve ter comido.
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
É só girar o botão (Drica, esse é pra você! Pra nós...)
Então... Três anos de terapia reichiana, mais dois de astrologia, algumas consultas astrológicas, dentre elas uma leitura védica muito impactante, acupuntura, elixires de cristal, florais, homeopatias. Milhares de consultas de tarô, milhões de visitas ao meu site guru astro.com, ainda vou contar se são dezenas ou centenas de mapas natais de pessoas conhecidas e análises mil; vários livros comprados e lidos de auto-conhecimento e auto-ajuda, uma infinidade de conversas com amigos e até com pessoas menos íntimas. Incontáveis choros trancada em banheiros, quartos, varandas, cozinhas, etc. São horas e horas de bateria de diskman e, agora, de mp3 player ouvindo música e chorando pela rua, alguns cigarros fumados por angústia, várias células mortas queimadas das mãos por socar o colchão com raiva tentando expressar a minha revolta... Nem sei quantas unhas roídas por nervosismo e ansiedade... Alguns dias desperdiçados por tristeza... Anos e anos investindo no meu aprendizado sobre mim mesma, achando que a evolução espiritual é a coisa mais importante que existe nessa vida (só pra quem sente que "tá no atraso"). Enquanto isso, são dezenas de amigos perdidos, várias noites sem dormir... Pior! Várias noites mal dormidas, várias noites mal comida, várias noites e dias e meses e anos mal amada... Será que isso algum dia passa? Joanette Napolitano diz que não. Shirley Manson diz que não. Tori Amos diz que não. Quem mais, gente? Ajuda aí! Fiona Apple com certeza diria que não. Alanis Morissete diz que não. Madonna! Diria que não também. E o Raul... Que disse não milhões de vezes e até esperava a própria morte, achando que seria salvo de tudo. O que muda em nós então? É só girar o botão? Que botão é esse, gente, e onde é que ele está?! São quase trinta anos de vida, e ainda não achei. Será que em mim veio faltando???
Uma real transformação... Id extreme make over. Soul extreme make over.
Que dia será que isso vai acontecer, hein? "Tic-tac, tic-tac, tic-tac. I only got 4 minutes to save the world". Tem gente que diz que sabe onde o meu botão está... risos. Seus bobos. Será que vocês sabem mesmo como girar esse botão?
; )
Uma real transformação... Id extreme make over. Soul extreme make over.
Que dia será que isso vai acontecer, hein? "Tic-tac, tic-tac, tic-tac. I only got 4 minutes to save the world". Tem gente que diz que sabe onde o meu botão está... risos. Seus bobos. Será que vocês sabem mesmo como girar esse botão?
; )
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
AMAR É MORRER
EU BUSCO O AMOR, EU NÃO BUSCO VOCÊ. ONDE ELE ESTIVER, EU VOU. AONDE ELE ME CHAMAR, EU VOU. O AMOR, E SEMPRE O AMOR. ARREBATAMENTO, ETERNIDADE. SE VIER EM FORMA DE ABRAÇO, ENCONTRO. SE VIER EM FORMA DE BEIJO APAIXONADO, ACEITO E AGRADEÇO. SE VIER NUM CONTATO COMPLETO DE CORPO, MENTE E ESPÍRITO, É SAMADHI E MORREREI. MAS É EXATAMENTE MORRER QUE EU QUERO. AMAR É MORRER. DISSOLUÇÃO DE DOIS EM UM OUTRO ENORME E SEM FACE E SEM LIMITES. UNIVERSO. AMAR É SER O UNIVERSO INTEIRO, TODOS OS PONTOS EM UM, E SER UM PONTO EM TODOS OS OUTROS. AMAR É TORNAR-SE ENORME E ÍNFIMO, É DESPERTAR PARA TODOS OS TEMORES E SOFRER SÓ COM UM. É DERRETER COM O TOQUE. É SENTIR-SE QUASE VIVO.
domingo, fevereiro 08, 2009
artes plásticas
a manipulação de materiais... a escolha dos materiais... as obras em si, a expressão daquilo que o artista quer mostrar... eu nunca vi uma obra quente feita com vidro. eu nunca vi uma obra quente feita com chumbo. eu nunca vi uma obra quente feita com mármore. materiais frios, temperamento frio do artista? onde fica a expressão da alma, quando a arte reflete apenas a inteligência do seu criador? Que concepção estética e de vida tem um artista que trabalha com esses elementos lisos e límpidos? Que relações essa pessoa trava com o meio? A arte filosófica não é impessoal com relação ao objeto? Impessoalidade me lembra frieza. Mas também, não posso misturar artista e arte. Talvez, uma pessoa que trabalhe com materiais frios queira esconder o que sente. Se expressar através de outros meios, porque tenta suprimir as vozes do coração, e não quer se expor. Clarice Lispector disse que faz arte aquele que não sabe fazer a outra coisa... O que seria essa outra coisa? Pensei em amor. Para mim, arte tinha que vir do coração, mas estou aprendendo que não. Ela pode muito bem vir do intelecto também. E eu desvalorizo um pouco. Gosto mais do simples que vem do coração, do que do sofisticado que é frio. Calafrios. Escolho o arroz com feijão feitos no quintal do que o restaurante chique de comida francesa. Do que adianta esculpir em mármore uma cena de amor ou de sexo? Plástico sim, porém não vazio. Plástico, porém preenchido. Eu questiono. Música não pode ser uma arte plástica para os ouvidos? Eu destesto quando alguém diz que eu canto bem. Ok, mas eu tenho alma. Cantar bem não é envolver com a voz. Cantar bem não é ninar os seus fantasmas, e fazer você ficar bem com os próprios demônios. Cantar bem não é a minha alma. Cantar bem é apenas a parte plástica da minha arte. Espero que não seja apenas isso que você vê em mim.
sábado, fevereiro 07, 2009
Te espero siempre mi amor
: Enxergo o mar imenso da Baía de Guanabara e me transformo na sua superfície. Me estico, alongando o meu corpo horizontalmente, para que eu possa cobrir a sua vastidão, mas não consigo. A longitude das suas águas é do tamanho de tudo aquilo que desconheço sobre você, meu amor, e o meu grau de urgência pelas necessidades mil é altíssimo, leste e oeste. Minha pele não te cobre, embora eu tente. Enquanto isso, fico nua, nervos à mostra. Eu não te cubro, você não me descobre. Eu vejo você, queria que você me visse também. Psiquê quer ver o rosto do seu amado, mas sabe que não pode olhar para trás. Eros não pode ser visto e vai embora por conta da teimosia dela, a deixando só. Mas meus sentimentos são meus, muito meus, e esses ficam. Não dependo de ninguém para amar, e amo independentemente. Amo você por quem você é, não preciso que me devolva nada. Mas queria que me amasse também. Eros está atrás de mim, enchendo as minhas cinco taças. Enquanto não estão cheias serei paciente, dentre todas as outras coisas que também sou. Eu sinto você, queria que você me sentisse. Os peixes estão morrendo.
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
Aquilo que todo mundo tem, mas que ninguém admite.
todo mundo está certo.
a razão acima de tudo.
todos com as suas razões, eu prefiro ficar com o meu cu.
a razão acima de tudo.
todos com as suas razões, eu prefiro ficar com o meu cu.
Hoje já é passado
Hoje eu raspei todos os pêlos do meu corpo: braços, cabelo, sobrancelha. Hoje você não me ligou. Hoje eu tirei a minha pele e a estiquei no varal. Hoje eu chorei. Hoje, eu abri as duas bandas de trás com as mãos e sorri para o sol. Hoje eu mergulhei no meu próprio sangue. Hoje eu fui até a rua e caminhei. Hoje eu não falei com você, mas falei com um amigo. Hoje eu fiz planos. Hoje eu indaguei. Hoje eu pensei em coisas e depois pensei noutras totalmente contrárias àquelas. Hoje eu quis ser só alma. Hoje eu pensei muito em sexo e até conversei sobre isso. Hoje eu tive vontade de estar só, mesmo com tesão. Ontem eu vi relâmpagos no céu, e hoje já choveu. Hoje eu fui ao banco. Hoje minhas unhas saíram correndo porque queriam chegar na frente. Hoje eu perdi um amigo. Hoje eu queria ter sido amada, ontem eu fui. Hoje foi um dia solto no meio da minha vida. Hoje eu me enfeitei e fui até o mar, me oferecer para Iemanjá. Hoje já acabou, se esgotando no meu pensamento sobre o que iria fazer no futuro próximo. E eu já fiz tudo, em um dia só, em poucos minutos.
terça-feira, fevereiro 03, 2009
A liberdade do corpo
Eu quero possuir meu próprio corpo de forma que se eu resolver me deitar no chão com amigos e amigas e fazer como os gatos fazem, eu não tenha problemas com a consciência moralista.
Eu quero possuir o meu corpo de forma que não me preocupe em usá-lo quando sentir vontade, mesmo que laços de valor tenham sido estabelecidos anteriormente.
Eu quero possuir o meu corpo e amá-lo tão apaixonadamente que não sobre espaço nem vontade de sentir necessidade de ser amada por outros.
Eu quero possuir meu próprio corpo para dançar esperando o ônibus, para vestir uma roupa de fada e ir trabalhar.
Eu quero possuir o meu próprio corpo para não ter medo dos seus limites, para não ter vergonha dos seus defeitos, para ser a casa para o meu espírito, para que eu possa crescer em beleza e não em tamanho.
Quero ter uma liberdade de movimento que seja incrível.
Quero saber imitar a elegância dos gatos e a destreza dos macacos.
Eu invejo as pessoas que têm liberdade com o próprio corpo. O meu está aqui esse tempo todo e ainda não nos acostumamos um com o outro.
Quero saber imitar a elegância dos gatos e a destreza dos macacos.
Eu invejo as pessoas que têm liberdade com o próprio corpo. O meu está aqui esse tempo todo e ainda não nos acostumamos um com o outro.
EstrategistaS
As pessoas que não se expõem, que não falam o que pensam, que não costumam reagir e nunca, jamais falam sobre as suas emoções são ótimas estrategistas. Para o quê, eu não sei, talvez para a vida. Acho que essas pessoas pensam que se relacionam melhor com as outras. No entanto, eu não as vejo se relacionando melhor comigo, ou seja, a estratégia delas é visível, mas não funciona para mim. E eu nem sonho com um mundo no qual as pessoas não briguem. Um mundo sem conflitos não faz parte da minha lista de "quereres". A minha estratégia de vida e de relacionamento é tentar ser coerente com o que sinto antes de tudo, o que para aquelas pessoas é uma estratégia péssima. Elas consideram o caldo emocional como uma pestilência porque as emoções são instáveis e egoístas. Eu tento fazer do que sinto a minha verdade, e sei que não é uma coisa fácil. Mas mais difícil seria ignorar o que sinto, ou sentir o que se sinto e deixar de expressar, deixar perdido, solto, em algum lugar dentro de mim. (...) Como essas pessoas fazem, eu não sei. Para onde vai tudo o que elas não expressam, toda a tristeza, toda a raiva, eu não sei. Ou então essas pessoas não sentem tanto. Estão fechadas, estão frias, treinaram para ser uma superfície de mármore ensaboada onde as pessoas e situações deslizam sem se fixar, nem se machucar. Corações de gelo. Seria um erro?
Mas, por outro lado, estou admirando, cada vez mais, as pessoas que são como eu, e vivem essa mesma verdade. Estou admirando as pessoas que se entregam às outras, que assumem a linha de frente da batalha, que empunham suas espadas e não têm medo dos problemas que vêm com as relações, que não fogem deles e vivem os conflitos, mesmo que sempre buscando o apaziguamento. As pessoas podem ter milhões de defeitos, mas para conquistar o meu respeito basta não ter medo de olhar os conflitos de frente para resolvê-los. O medo de falar sobre os sentimentos é muito comum, comum demais para mim. Eu preciso viver algo que ninguém nunca viveu e ser a pioneira em alguma coisa, de alguma forma. Eu não posso ter medo de falar, de me expressar. Eu vivo da linguagem! Se relacionar com aqueles estrategistas é praticamente traçar um monólogo de vida. Não dá para trocar, não dá para errar e acertar. Você vai falando e vai agindo, e a expressão do rosto não muda, e você nunca sabe como as coisas que acontecem as afetam. E você continua seguindo, quase sozinho. Eu tenho como uma necessidade básica acreditar que algum nível de comunicação e de acordo podem ser atingidos através do discurso e das conversas. O silêncio faz parte de uma comunicação de sucesso, mas só é bom quando a relação está boa. O fato de saber que o interlocutor pode responder criativamente é algo que considero maravilhoso.
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Enquanto isso, na sala de controles, depois de todo esse whikas sachê, eu só queria mesmo dizer que fulano e fulano são idiotas, e que me perderam pela incapacidade de dizer o que sentiam.
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