Deus é como o fogo da existência e nós somos centelhas divinas. A nossa VONTADE (Wilt-Will, Wille) é, através da matéria, nos elevar até lá, fazer o caminho de volta, cada um do seu próprio jeito. "Todo homem e toda mulher é uma estrela" e, por isso, possui uma própria órbita de atuação, um próprio campo energético. Não há quem se coloque no caminho, mas existem vários obstáculos, a começar por nós mesmos, pois esse retorno ao uno-primordial não é automático. Não é apenas "nascer, existir e pronto, estamos cumprindo o nosso papel". É preciso fazer essa escolha. "Amor é a Lei, amor sob Vontade". Tudo está subordinado a essa vontade. Nada é mais importante do que a realização do que viemos concretizar. Nada é mais importante do que nos voltar a Deus. A alquimia interna é alcançada quando vencemos os nossos próprios obstáculos e abrimos os nossos próprios caminhos. E não há obstáculo maior do que a nossa força. No entanto, há preguiça maior do que o nosso ímpeto de ação, pois o ego e a consciência conseguem justificar as nossas falhas de todas as formas. Os orientais chamam de "bruxa da ilusão" (Baba Yaga); é ela quem nos pega no colo, nos alimenta com mais um chocolatinho e diz, "tudo bem, as coisas não estão dando certo para você, não é? Pobre coitadinho, deite aqui, fique mais um pouco no colinho da vovó". Ilusão - quebrar as próprias crenças sobre nós mesmos, ver atrás do véu de Maia. Derramar todas as gotas de sangue na taça de Babalon que é COMPROMETIMENTO consigo próprio em prol desse único objetivo: a unificação do seu próprio ser (dentro de si, em primeiro lugar obtendo, como consequência, a unificação com os mistérios da vida). "Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei".
sábado, setembro 26, 2009
sexta-feira, setembro 18, 2009
As sementes que morrem antes de nascer
Acho que posso dizer que um momento acabou de morrer. As sementes que não florescem me frustram. É contra a minha natureza SOLAR -- dar amor e ver as coisas morrerem! Antes de acontecer! Ao meu redor não tem nada crescendo! Isso significa que eu esteja mudando? Nada depende de mim; as pessoas não precisam de mim. O que eu aprendi não serve para elas... Frustração! O que é de um sol que não cria vida?! Mas o calor do sol não é MEU, ele apenas me atravessa... Eu sou uma lua! E um sol também. Não nascem as sementes porque o processo com Lilith ainda não está completado? É isso? Assusto com a minha espontaneidade, sendo Vênus, independente, saudável! Quanto medo as pessoas sentem! Frustração. Medo, como se eu fosse uma daquelas mulheres das histórias do Eric Stanton... Mas antes elas morram logo ao nascer... Melhor para elas! Que ANTES de se tornarem plantas adolescentes já voltaram logo para o seio do vazio. Melhor do que ser uma planta adolescente solitária! Como sementes que não vingam elas têm TANTAS companhias! São tantas, tantas! Mas isso tudo vai contra a minha natureza solar... Vai contra a lei da confiança, contra a lei da transparência, da clareza, dos motivos explícitos, do crescimento, vai contra a vida em si! O medo que mata, que faz com que as pessoas se fechem, que faz com que elas morram antes de sair do casulo. Bem fazem elas... Dói muito mais ter saído do casulo e olhar as sementinhas que recém brotaram e não chegaram a ver a vida por inteiro.
"KILL-KILLKILLKILL that weird thing"
Ai, não consegui copiar o link pra cá, mas a história era que um ser bem esquisito apareceu no Paraná (entre ET, uma pessoa mutante e um bicho preguiça sem pêlo) e um grupo de adolescentes, com medo de ser atacado, matou o ser.
E eu fiquei meio chocada, mas entendo o medo deles... Ainda mais depois do advento Hollywood.
Só fiquei chocada com a reação. "Mata, mata! Antes que ele ataque! Não sabemos o que é, mas é uma coisa estranha". Acho que me senti, em parte, assassinada também.
E eu fiquei meio chocada, mas entendo o medo deles... Ainda mais depois do advento Hollywood.
Só fiquei chocada com a reação. "Mata, mata! Antes que ele ataque! Não sabemos o que é, mas é uma coisa estranha". Acho que me senti, em parte, assassinada também.
quinta-feira, setembro 17, 2009
Água fria - a nova sensação

a) O meu chuveiro pifou. Há três dias, bem quando virou o tempo e esfriou, estou tomando banhos frios, lavando o cabelo e tudo. Mesmo às 7:30 da manhã;
b) Fiquei achando que o universo teve algum propósito maior que eu não entendi para me fazer tomar esses banhos frios, então cada banho agora está sendo um teste de força e de força de (boa!) vontade;
c) Sabe que meu cabelo e a minha pele estão adorando? O dedão do pé fica roxinho, por causa do frio... E se pensam que eu passei a tomar banhos rápidos, estão enganados, eu me demoro, esfolio a pele, passo por todos os estágios, com a maior calma que eu consigo (por conta do frio - é uma calma nervosa).
d) Acho que acostumar com banho quente deixa as pessoas moles; pode ser que todos sejam filhinhos da mamãe e molengões porque só tomam banhos quentes. Não tomam? Banho frio traz saúde, banho frio poupa luz, banho frio educa. Adoro quebrar mesmices. Por isso nem vou resolver essa questão que, a meu ver, já esta resolvida.
terça-feira, setembro 15, 2009
Flor-do-meio-dia que não se lembra onde é o próprio jardim
Não há saída para o meu espírito perturbado; viverei como nasci, como foi pré-determinado. Sou uma mulher reclusa, para sempre respirando à sombra do palácio, com meus vestidos e meus sapatos. Eu me sinto como aquela pomba que cisca na janela, como aquela nuvem que silencia, passageira. Sou qualquer impressão efêmera da vida, um piscar de olhos não percebido, o tilintar dos sinos de uma igreja de uma cidade fantasma: sou o som que se propaga em nada, que preciso ser sem a compreensão dos ouvidos. Sou uma mulher reclusa, presa em mim, sem nenhuma companhia, passo os dias a chorar o tempo dos dias que se passam e eu aqui, desperdiçada, sem dinheiro, sem amor, sem sorte; embaixo de um cobertor quente, mas sem frio e sem norte! Morte parecia bom quando apago a luz até finjo mergulhar em um nada escuro e sem conflitos. Parecia bom... Parecia bom não acordar jamais; me entregar ao fracasso, sentir os ovos não fecundados serem desperdiçados, sangrados. Ver como os dias vêm e vão e nada muda... Eu não mudei. Você mudou? Acho que não, e pouco importa a solidão pois amanhã o dia vai amanhecer de qualquer jeito e eu vou ser obrigada a acordar -- de novo... Chora as pernas musculosas que não tem, a casa perfeita no meio do mato com piscina e amigos que não tem, CHORa os buquês de flores que nunca ganhou, o verdadeiro elogio que nunca foi pronunciado através das pequenas ações dos namorados, chora os 'eu te amo' engolidos, chora a dor da não reciprocidade, flor-do- meio-dia... Flor, meu bem, você murchou sob o sol, também pudera... Arrancaram você do chão, e sem as raízes, quem é? Uma aparência vazia
de quem não se lembra de onde é o pró-prio-jar-dim. (respira) É o cantar de um pássaro que ao invés de despertar para a vida vira uma televisão ligada com um vizinho de voz alta ao telefone que incomoda... Vira um metrô lotado, vira as mil possibilidades de amantes desinteressantes e desinteressados... Vira uma vida de 29 anos mal aproveitada, vira o pessimismo do meu pai e as consequências da ingenuidade da minha mãe; vira o estômago do avesso... De quem é essa vida que eu vivo nos meus sonhos? Onde ela está, essa pessoa desalmada, pois a alma dela está aqui, corpo sem alma ou o contrário. que nunca se unem pois está um cá e outro lÀ, tão longe
cansaço sem nem começar
de quem não se lembra de onde é o pró-prio-jar-dim. (respira) É o cantar de um pássaro que ao invés de despertar para a vida vira uma televisão ligada com um vizinho de voz alta ao telefone que incomoda... Vira um metrô lotado, vira as mil possibilidades de amantes desinteressantes e desinteressados... Vira uma vida de 29 anos mal aproveitada, vira o pessimismo do meu pai e as consequências da ingenuidade da minha mãe; vira o estômago do avesso... De quem é essa vida que eu vivo nos meus sonhos? Onde ela está, essa pessoa desalmada, pois a alma dela está aqui, corpo sem alma ou o contrário. que nunca se unem pois está um cá e outro lÀ, tão longe
cansaço sem nem começar
Furacão-serpente
Luneta penetrada do céu em movimento reto, ângulo de cento e oitenta graus do alto para mim, o olho do furacão: não sinto nada. Mas o peso pungente dessa reta que eu tento equilibrar em uma das mãos às vezes corta como se fosse o dente de uma serpente. E a loucura que sinto é como se o veneno estivesse se espalhando pelo corpo. Tiro tudo da vida dos sonhos e eu realmente preferia continuar dormindo... Por mais pesado e intenso que fosse o sonho, acordar com hora marcada é um processo muito mais cruel. Estava sonhando com beijos e abraços, e serpentes venenosas. A serpente rastejava atrás de mim; ela era um verde intenso e tinha olhos amarelos. Em um determinado momento eu parei de correr, e pensei: "Está bem. Vou deixar você me morder só um pouquinho". E então ela rasgou a minha canela com as suas presas, mas eu a peguei pela cabeça, e disse: "Está bem. Agora já chega". E saí cambaleando, e a visão foi ficando turva. E eu fui cuidada por um xamã, que era alguém que já conheci e que também usava veneno de serpente para viver e ter visões. Mas os beijos e abraços eram em outro; alguém proibido, alguém secreto. A serpente percorreu o sonho inteiro e eu não fui a única com mordida de cobra, mas não lembro dos outros. Nos sonhos somos nós o centro sempre; na vida, às vezes deixamos as pessoas que nos cercam tomarem de nós o papel principal. Então hoje acordei com a cabeça rodando. Não estou mais no olho do furacão e, no entanto, continuo sem sentir nada. Vejo as coisas girando a minha volta ou seria eu que estou girando? Vou deixar que os ventos me levam e me depositem em algum lugar. . . Pois hoje não consigo pensar; respirar já é suficiente.
sexta-feira, setembro 11, 2009
Transfiguração
Queira que a minha boca lhe deseje sorte, pois sorte virá. Eu desejo de coração, e não por decoro.
Se eu acreditar que o meu tamanho ínfimo signifique "pouca importância", estarei reduzindo o meu sagrado à poeira. E, apesar de a poeira também fazer parte da vida e do sagrado, há muito além dela. Que você não veja o meu sagrado é justo; são apenas os seus olhos. Isso não significa que ele não esteja lá.
A Bíblia funcionou para mim como um livro de "o que não fazer". Os ensinamentos de Jesus não foram escritos por Jesus e, para ter acesso aos ensinamentos de Jesus não é preciso ler a Bíblia; os passos estão dispostos no infinito, é só segui-los até a divindade. Claro que essa ideia é ofensiva à igreja e às pessoas de coração fechado; apesar de a instituição não admitir a adoração de ídolos, o que se tornou Jesus? A ideia de que ele é mais do que nós, mesmo sendo HOMEM me enoja porque esconde dos homens a verdade: somos todos deuses, filhos de deus (e também os isenta do trabalho de aperfeiçoamento de si próprios, já que não poderão jamais se comparar a Deus). E em todos os nossos aspectos, positivos e negativos, esse sagrado se manifesta. Eles também existiam em Jesus. Jesus não é meu pai, é meu irmão. É nosso irmão, o que nos torna todos irmãos entre nós. Claro...
Todas as pessoas são cabreiras ao se relacionar, isso não é nenhuma novidade. Amar de coração aberto é que é o grande sinistro monstro das trevas e as boas novas. Mas... Como amar sem confiança? Só não possui confiança no outro aquele que não confia em si, pois aquele que tem consciência do seu sagrado acredita que faça sempre o melhor que pode, sabe de onde parte e para onde vai (independente se chega ou não). Auto-confiança é: se alguém duvida do sagrado em você é apenas porque não o vê em si mesmo. Isso não quer dizer que você não o tenha ou que não o seja. Não duvide de si por causa dos olhos alheios! Assim igualmente se dá com todas as outras características. Você precisa acreditar em si mesmo. Parece tão básico, não é? O básico é o mais menosprezado, é o que ninguém ensina. Se você não acreditar em si mesmo, nada acontece, nenhum amor de mãe vai suprir as suas faltas, nem o amor de nenhum homem e/ou de nenhuma mulher; nenhuma droga vai preencher o seu vazio, nem nenhum dever, função ou cargo.
Mas o convite é feito a todos. "Abra-se! AME! Conheça a si mesmo"! Faz quem quer, e esse querer dói. Não sei se há outra saída além de se aceitar a dor de ser e de estar. A liberdade passa pela dor do parto. O amor não é eufórico, mas também não é dor sob vontade. É amor sob vontade. Aceita-se que a dor faça parte disso, pois é a verdade. Fato é que poucos estão prontos. Não é o papel de todos e nem é uma obrigação. Existem outras formas de vida. Ainda não é uma ideia completa, algum dia venho com mais.
Creio no que creio e eu sei de mim, independente da experiência que os outros têm comigo.
Isso vem de muitos anos recorrendo no mesmo erro de tentar me enxergar através dos olhos das outras pessoas. Isso mudou há poucos meses, mas vem sendo um trabalho de anos a fio (e espero que tenha mudado mesmo!). Verei dentro de mais alguns anos. ho ho ho "No soup for you!"
Especial para os escorpianos:
"God of all my GOD'am" (Alice in Chains)
Já postei aqui o gostinho delícia de uma vingança bem aplicada e daquela reação perfeita no momento perfeito, e do gostinho de destruição quando você percebe que realmente abalou a estrutura interna de alguém. Chifrinhos à parte, esse não é o trabalho de escorpião. O trabalho nosso é TRANSFORMAR. O escorpiano só transforma após muito refletir. Refletir é diferente de pensar. O ego não tem parte nisso. O trabalho é aprender, não reagir. No refletir, separa-se o joio do trigo, descarta-se o que não é sentido pelo corpo como verdade (e é assim que percebemos a nossa verdade, é com o corpo todo, ressoa, estremece! Por favor, partindo de um lugar de saúde, ok? Lógico. Não vá justificar a sua expressão de raiva por tê-la sentido como a verdade ressonante no seu corpo todo. Vá para a academia correr, que você faz melhor. A raiva esconde os sentimentos reais. Acho que não existe reflexão com raiva; existe apenas raiva!) A reflexão posterior aos fatos tira a possibilidade do ego de se vangloriar com uma bela resposta ou reação. Sem conseguir reagir na hora, somos obrigados a refletir e, refletindo, aprendemos. Aprendendo, transformamos.
Post chato? É só clicar no X.
Jamais aceitarei a vida do homem medíocre; seria uma ofensa ao meu sagrado e aos meus ideais.
domingo, setembro 06, 2009
"A"
É engraçado pensar que Amor comece com a mesma letra do meu nome; pensar que o desconheço tanto quanto a mim mesma. "A"gradeço às suas mãos, uma espelhada e outra trazendo um Ás de copas, virem me mostrar os olhos de medusa, de medo, de descrença que eu tenho. E se antes transformei em bonitas esculturas as pessoas, objetos para ficarem lá parados nos confins do meu consciente, beirando o inconsciente, agora quem virou pedra fui eu, através dos meus próprios olhos espelhados; apenas trabalhamos com materiais afins. Embora acreditando que um grão ínfimo de areia possa virar infinito continuo trabalhando, pois que nasça do caos uma estrela. E você, meu amor, meu amor mais profundo, você é como se fosse eu, e nos devo as mais entristecidas desculpas. É a primeira vez que me comprometo comigo mesma, por isso todos esses enganos e a falta de respostas. Até ontem eu me comportava exatamente como você, descompromissadamente. E como é injusto exigir das pessoas um comportamento que nós mesmos nunca tivemos... Como é injusto esperar que as pessoas não nos reflitam, não nos levem a enxergar a nós mesmos. Como é injusto com o nosso ser mais íntimo criticar o outro, pois, na crítica do outro, existem milhões de críticas a nós mesmos. Como é fácil o desamor! E como é rápido também. Tenho uma galeria de imagens, das pessoas esculturas; todas foram desprovidas de vida. Sonhei que você se matava; mas por favor, não morra dentro de mim. Preciso que você fique vivo, me ensinando. Por favor, não se mate dentro de si mesmo, deixe o coração bater! E, por favor, me perdoe por todos os enganos. É a primeira vez que me comprometo comigo mesma. Eu nunca soube o que é amor, não tenho a pretensão de ensinar.
sábado, setembro 05, 2009
A sua Valentina negra
Vou tatuar corações negros sobre a pele, como se fossem sinais de nascença, um para cada amor encontrado e perdido. O meu vício, detenha-se um pouco nisso, não é amar: é sofrer. Então que o meu júbilo encontra o limite máximo quando a dor perfura a pele, trazendo o sangue à tona, deixando marcas. "Amar é morrer", as pessoas se chocam com essa verdade quando procuram ler o que há escrito no meu pé. "Ai! Não, amar é viver"... Elas dizem. Mas parece que dói nelas também. Como adoramos dar voltas no circuito do amor! Viver, morrer, morrer, viver! Como dói, como odiamos essa dor, como ela nos alimenta, como procuramos fugir dela quando a temos e como a procuramos mais que tudo quando está longe. Verdade. Esse é o destino que os nossos deuses deram para nós. A nossa unidade complexa que distingue-se circulando pelo corpo e alma, pelo claro e escuro, pelo sim e pelo não, pela vida e pela morte. Temos um pé de cada lado, não é?! Quem entende as minhas palavras está vivo. Muito vivo, mesmo que dolorido, mesmo que próximo da morte. Aliás, quem está próximo da morte está muito vivo. Muito vivo. E eu estou quase! (...) Posso ser a sua Valentina negra, aquela que se encontra perto de você, embaixo da sua cama, mas que logo surge, face junto a face, quando você se deita, quando está quase adormecendo? Aquela que lhe vê quando você está saindo do corpo para ir visitar o reino dos sonhos? Posso ser a sua Valentina negra? Aquela que vive na profundidade do seu coração que bate, surdo, no seu peito, e que não lhe deixa pregar os olhos? Eu o acalmarei, mesmo sabendo que, ao mesmo tempo, eu sou a causa de toda insônia, alisarei os seus cabelos, farei carinhos até que se acalme, até que se entregue, até que me ame, gastarei as palmas da mão lhe alisando, lhe darei amor até que sangre. Deixa? E foi quando, de repente, quando a mamãe doutora passarinho estava me dando de comer Nietzsche mastigado, que descia como se fosse o alimento mais puro do universo, com todo aquele amor e cuidados, que recebi um cartãozinho com a resposta mais singela. "... e morrer é necessário"! De uma amiga; "para o seu pé, para a tatuagem do seu pé"! E então, ela me calou em sorrisos e eu morri de amor e de alegria. Por todos os segundos infinitos contidos naquele breve momento, amém. Pois, se amar é morrer e morrer é necessário, amar também o é.
domingo, agosto 30, 2009
Vamos colocar assim:
Grau de independência legítimo de um indivíduo, eleito como supremo; conjunto de direitos reconhecidos de uma pessoa, considerados individualmente ou em grupo; poder que cada um tem de exercer a própria vontade dentro dos limites facultados pela "lei"; condição daquele que não é cativo nem propriedade de outro; possibilidade de mover-se e expressar-se de acordo com a própria vontade; condição de todo aquele que não se acha submetido a nenhuma força constrangedora física ou moral; autonomia
É DIFERENTE DE
licenciosidade de costume daquele que se entrega imoderadamente a prazeres sexuais; insubmissão e indisciplina; complacência; irreverência com relação a dogmas, crenças e práticas oficialmente aceitas
E não é uma questão de "sim ou não", mas de "mais ou menos". Não é uma questão de "ser", é uma questão de "valor".
É DIFERENTE DE
licenciosidade de costume daquele que se entrega imoderadamente a prazeres sexuais; insubmissão e indisciplina; complacência; irreverência com relação a dogmas, crenças e práticas oficialmente aceitas
E não é uma questão de "sim ou não", mas de "mais ou menos". Não é uma questão de "ser", é uma questão de "valor".
Na incapacidade de amarmos uns aos outros, a gente se fode.
Mas eu não vivo mais assim. E pode vir quem vier tentando me reduzir a uma simples mulher ciumenta, pois eu sei que essa é a saída mais fácil para quem não quer se ver nem se enfrentar.
sábado, agosto 29, 2009
Eu começo onde você termina. No desencontro, dançamos.
A lua estava cortada pela metade, e o contato deles também. Ela chegou em casa da rua, suada e queria liberdade, então tirou o sutiã. Mas antes limpou a casa in-tei-ra pensando nele. Ouvindo Roxette. Pensou que, se estava fazendo um serviço de Maria, podia muito bem se dar ao luxo de ser brega. Cantou, varreu, varreu, olhou-se no espelho e fez da vassoura um microfone. Gostou que o cabo ficasse mais baixo que a sua boca e que ela precisasse afastar as pernas para dar altura; se achou bonita. Pensou em como era bom poder cantar "I can't live without your love..." porque, de fato, podia. E vivia muito bem até. Mas todos os dias pensava nele e sentia a sua falta, e como era triste essa realidade, e como na morte tinha ganhado a vida. Sentia que os dois ainda estavam ligados, que ela o continuava nutrindo em algum plano transparente e invisível, sentia que ele podia sentir e pensava... Que se tinha tanto amor assim por ele, estaria ele procurando por ela em várias outras mulheres? Estaria enviando de volta a energia dela, através de outras bocas, outras peles? Depois sorriu, tola, com uma quase certeza de que ele poderia procurar à vontade, pois ELA só tinha essa que estava aqui. Sorriu, como quem sentia que seria impossível essa tarefa, como se o destino dele fosse para sempre se lembrar e nunca alcançar. Sorriu porque o pensou muito tolo, e se perguntou se poderia perdoá-lo por ter preferido viver a falta e o vazio ao invés do amor. Que, no amor, ficariam muito confortáveis e felizes, mas, na falta e no vazio, ele ficaria mais completo do que tudo. E sozinho. E ela entendeu, mas não sabia se ia conseguir perdoar; no entanto, não conseguia odiá-lo. Sabia que ele amava a si mais do que tudo e que não havia espaço para uma outra pessoa em sua vida. "Narciso", pensou. O odiou por um segundo. Ele era, em muitos segundos, maldito. Mas depois logo esquecia as maldições todas; o amaria para sempre. Cantou mais. "Fading like a flower... Fading like a rose..." Sabia que ele estava em trânsito; como o som estava alto, não pôde escutar o telefone tocar. Sabia que ele poderia aparecer em sua porta a qualquer momento ou, ao menos, sonhava com isso. Imaginou se ele iria embora ou se daria meia volta ao chegar na porta e a encontrasse escutando Roxette. Achou-se novamente tola. Foda-se o fantasma dele, a possibilidade ínfima de que ele viesse encontrá-la e, se viesse e desse as costas, que fosse para os diabos. Que o diabo o carregasse. Que o levasse para as profundezas do inferno -- mas lá não, pois ela conhecia o inferno muito bem e se veriam sempre. Não queria vê-lo, mas em pensamento e em desejo o visitava sempre. Estavam sempre juntos. Inferno. Ela o conhecia muito bem. Mas, o telefone tocou e ela não escutou. Viu que havia uma chamada não atendida depois que tirou o sutiã e se deu sorvete de presente, por ter limpado a casa in-tei-ra. Tentou ligar de volta. Não sabia de onde era o número. "Talvez fosse ele", pensou. E pensou que, se ninguém atendia, era porque não era para se falarem. O engraçado é que, de fato, poderia ser ele do outro lado e que, se ele tivesse ligado e ninguém tivesse atendido, ele teria o mesmo pensamento. E assim tentavam sempre se encontrar, e estavam sempre ligados pelo desencontro, pela lembrança, pela falta, pelo desejo e pela filosofia.
quinta-feira, agosto 27, 2009
Em nome de quem?
Sinto a pressão das perguntas: "Em nome de quem você fala? Que título você tem para afirmar tais coisas? Quais são as teorias e estudos que fundamentam a sua experiência"? Preciso ter, atrás de mim, vozes de pessoas que já morreram. Preciso ter, atrás de mim, vozes consagradas. Preciso decorar as passagens dos seus livros, ler sobre os seus pensamentos, ter consciência que, antes de mim, existiram Schopenhauer e Nietzsche. Preciso comparar e associar os meus próprios pensamentos com os deles antes de poder afirmar com convicção as minhas próprias crenças (como se a vida fosse uma tese de mestrado), antes de ser levada a sério. Que autoridade tenho eu para fazer as afirmações que faço nos meus textos senão a voz da minha própria experiência? Quem sou eu para falar? Qual a validade dos meus pensamentos? Como posso resumir os aprendizados que tive fundamentando as minhas próprias crenças apenas em filosofia, esquecendo da astrologia e da música? Acho impossível e uma perda de tempo valorizar esses títulos... Valorizo tanto a voz que vem diretamente do céu; eu bebi dessa fonte e essa é a minha autoridade. Porém, dê valor quem conseguir dar valor a si.
domingo, agosto 23, 2009
O cheiro do outro
A parte animal
Com todas as pessoas, em todos os relacionamentos, em todos os encontros nós, humanos, buscamos um par. Não é uma patologia nem algo que devemos reprimir, esses pensamentos de uma possível união com cada um que encontramos é simplesmente a nossa parte animal falando. Devemos deixar o pensamento ir da mesma forma como veio, naturalmente. É apenas natural.
O que une então, dois seres humanos, quando duas pessoas se encontram e acham que "se acharam"? Muitas outras coisas. Talvez um somatório de identidades: pensamentos afins, combinação química, atração visual, intelectual, etc. Mas todos por quem nos sentimos atraídos são pares sexuais? Não mesmo. É que as pessoas empurram a excitação e o tesão para a virilha. Gostam de conversar com alguém, e empurram esse gostar para a virilha. Acham alguém bonito, empurram a sensação para a virilha. Nós somos viciados em sentir com a virilha, embora todos os sentimentos, na virilha, fiquem bem desconfortáveis. A respiração ajuda o prazer a circular, porque o prazer preso na virilha enlouquece; aliás, o prazer preso enlouquece. O prazer precisa circular pelo corpo TODO. Prazer nos olhos, no nariz, na boca, na pele, no cabelo, nos pés, na barriga, na espinha dorsal... Em todos os lugares. O prazer é seu e é para você senti-lo; não precisa entendê-lo como um tesão que precisa ser expresso sexualmente. O tesão pode ser expresso por um abraço, por uma troca intelectual, duas pessoas conversando sobre um mesmo livro, ou sobre uma pintura que gostam, ou sobre animais, ou sobre alimentação, ou sobre o diabo a quatro. Existem tantas pessoas quanto existem interesses e vamos nos identificar com muitas pessoas ao longo do caminho. Imagina o que acontece se acharmos que TODOS são possíveis parceiros sexuais.
Acontece que ficaríamos completamente perdidos, achando que não conseguimos escolher; acontece que todas as relações virariam paranóia pura, acontece que talvez não conseguíssemos nos relacionar, achando que estaríamos traindo aquele outro, por sentirmos um tesão enjaulado e secreto por ele. Mas não precisamos nos maltratar assim; isso é natural. É que não aprendemos como amar na escola e nem aprendemos que é normal sentir prazer no outro e que esse prazer chama-se tesão. Aprendemos que amor e tesão andam separados e que o tesão é sempre piru-xoxota, quando isso não é verdade. Amor e tesão são a própria vida e não podemos reprimir a vida, ela precisa brotar. E é preciso que entendamos isso para poder então, com maestria, saber quem é realmente um parceiro sexual de quem não é. (Por que e para quê? É essa a pergunta? Por que não sair transando com todas as pessoas com quem nos identificamos? -- Apenas porque não somos animais puramente. E a sociedade anda doente, sexualmente doente, doente em comportamento. Apenas porque devemos frear os comportamentos automáticos e instintivos e nos perguntar: o que eu estou fazendo? por que estou fazendo isso? Porque foi para isso que ganhamos consciência.)
quinta-feira, agosto 20, 2009
20 desgosto de 2009 (2009?)
Gosto oito de agosto, desgosto, agouro, vinte e amanhã um, de dois mil e nove. Quantos? Já? Mais de vinte, mais de mil, mais de dois mil. Mais de dois mil e três; mais de dois mil e seis, dois mil e sete...? Não. Oito? Volte para a casa um. Não existe dado; a gente joga com as escolhas, as bolhas, as folhas e as falhas são o melhor aprendizado TALVEZ odazidnerpa
Amo, gamo, mamo, chamo, vamo, clamo, pano, dano, ano, tamo... Tamo mermo? 'Cho que não.
Mão na mão, olho no olho, meu dente no seu pente, seu pentelho no meu... cano!
Sim, pelo cano, pelo cano... Levou água. Tomou bomba esse submarino sub-luz-marinho-amarelo claro e ralo. Eu falo, EU, claro. Não é mais o SEU phalo. Cortei, Uranos! Saturninamente. Adivinha quem nasceu?! Sim, sim, sim, por mim, para mim. Sim SIM e sempre sim. Perguntaram... Você quer nascer? E respondi: "Aceito a vida"
Então respiraram dentro da minha boca e tomei forma
Ontem mesmo me disseram que viram você mergulhar em uma coroa de alface (não era nem de louro! risos) e traçar o seu caminho até os peitos de silicone que aplaudiam a sua loucura na areia da praia; você como uma lagarta, abrindo caminho comendo areia. E quem esteve presente para observar achou a cena ri-dí-cu-la, que você estava fora de si. Os peitos de silicone, tão bronzeados... Os cabelos eram tão cacheados, tão lúcidos. Os olhos, tão azuis. Mas os peitos, mano, eram de silicone. Você não ia conseguir chupar leite daquela teta. Mas você tentou, que me disseram. Tentou nascer da alface e da areia da praia.
20 desgosto não é o dia do meu aniversário; não mesmo.
Mas eu já tenho mais de 2000 e 9 anos, mais de 2009 irmãos, mais de 2--9 amantes, mais de 00 olhos mais de 2 braços, mais de 9 línguas mais de siam misa asim misa
`Perguntaram se eu queria nascer e eu respondi: "Aceito a vida", então respiraram dentro da minha boca e tomei forma. Mas ainda aprendo a forma dessa fala ainda tão sem sentido acá para explicá o motivo pelo qual vim
Amo, gamo, mamo, chamo, vamo, clamo, pano, dano, ano, tamo... Tamo mermo? 'Cho que não.
Mão na mão, olho no olho, meu dente no seu pente, seu pentelho no meu... cano!
Sim, pelo cano, pelo cano... Levou água. Tomou bomba esse submarino sub-luz-marinho-amarelo claro e ralo. Eu falo, EU, claro. Não é mais o SEU phalo. Cortei, Uranos! Saturninamente. Adivinha quem nasceu?! Sim, sim, sim, por mim, para mim. Sim SIM e sempre sim. Perguntaram... Você quer nascer? E respondi: "Aceito a vida"
Então respiraram dentro da minha boca e tomei forma
Ontem mesmo me disseram que viram você mergulhar em uma coroa de alface (não era nem de louro! risos) e traçar o seu caminho até os peitos de silicone que aplaudiam a sua loucura na areia da praia; você como uma lagarta, abrindo caminho comendo areia. E quem esteve presente para observar achou a cena ri-dí-cu-la, que você estava fora de si. Os peitos de silicone, tão bronzeados... Os cabelos eram tão cacheados, tão lúcidos. Os olhos, tão azuis. Mas os peitos, mano, eram de silicone. Você não ia conseguir chupar leite daquela teta. Mas você tentou, que me disseram. Tentou nascer da alface e da areia da praia.
20 desgosto não é o dia do meu aniversário; não mesmo.
Mas eu já tenho mais de 2000 e 9 anos, mais de 2009 irmãos, mais de 2--9 amantes, mais de 00 olhos mais de 2 braços, mais de 9 línguas mais de siam misa asim misa
`Perguntaram se eu queria nascer e eu respondi: "Aceito a vida", então respiraram dentro da minha boca e tomei forma. Mas ainda aprendo a forma dessa fala ainda tão sem sentido acá para explicá o motivo pelo qual vim
Maconha e a goma astral (efeitos colaterais daquele "bom" beque)
Sou a favor da legalização por questões de ordem prática, embora eu não fume mais. A ilegalidade dá margem para muita sujeira, sem necessidade. Uma amiga da faculdade que morava na Rocinha uma vez me disse que acompanhava de perto a dor que o tráfico de drogas causava às famílias, o sofrimento e tudo mais envolvido, e isso me fez pensar. Então, se cada usuário tivesse a sua própria planta e pudesse fumar em casa, já seria um grande feito; sem preconceitos. O tráfico também transforma os policiais e os usuários em bandidos, o que é horrível. Eu tenho muita pena dos policiais. Acho que, de todas as profissões existentes, essa é uma das mais desgraçadas. Eles precisam de muita luz. E os usuários não são bandidos, mas por fazerem uso de uma coisa ilegal, se colocam à mercê de todos os tipos de situação. (E tome "dura"!)
Depois dessa pequena introdução política, queria falar um pouco do que eu aprendi, em experiências passadas, sobre a erva, em termos energéticos. A maconha é uma droga netuniana (como todas sem geral são, embora umas mais que outras) que, depois de utilizada vira uma onda "líquida"; mas é um líquido denso e espesso, como se fosse uma gosma, depois de assimilada pelo organismo. Ainda não tive a oportunidade de perguntar por quê, mas os pajés xamãs do México e muitas tribos do norte do Brasil que trabalham com plantas medicinais nenhum deles usa a maconha. Eles têm uma visão preconceituosa sobre a erva que não sei se é política ou espiritual. O que eu sei é que ela nubla a visão de alguém sobre si mesmo e sobre o mundo incitando a Pathos e a ilusão.
Muitos amigos se sentem criativos e presos ao uso da maconha para criar, para se envolver com a arte, para sentir, mas arte é vida e vida é arte e, se precisam dessa bengalinha para mergulhar nas próprias emoções estão doentes, vivendo uma ilusão. Claro que a erva ativa a criatividade; é uma ponte imediata para o local das ideias criativas! Mas só que o uso prolongado prende mais do que libera; escraviza mais do que liberta. E os sonhos não são sempre bonitos; há sonhos de perseguição, paranóia, medos (os medos, especialmente, vêm muito à tona com a maconha, a ponto de travar os músculos e paralizar - e o coração também é um músculo; e a sensibilidade é uma prática). A goma/gosma astral resulta em menosprezo quanto às próprias capacidades, vem em forma de insegurança pessoal, preguiça, esquecimentos e passamos a desacreditar na vida; ou achamos que somos mais ou menos do que o que realmente somos. A gosma astral (para quem pode ouvir) é uma voz que fica resmungando no fundo da cabeça, que se recusa a acordar, a sair, se recusa a conquistar, a vencer, a fazer, a se abrir, a mudar. A gosma astral leva à estagnação do ser, leva à inércia.
Eu estimulo uma experiência para os usuários constantes. A experiência é a seguinte: durante duas semanas, vocês vão escrever uma lista com os pensamentos positivos que sentem com a maconha e outra lista com os negativos. Depois, experimentem ficar três meses seguidos sem usar, fazendo as anotações apenas no terceiro mês (porque nos dois primeiros rola uma limpeza do organismo). Não pode substituir maconha por nenhuma outra droga. E depois comparem os resultados, e cheguem às suas próprias conclusões.
domingo, agosto 16, 2009
Apontamentos de domingo - véspera de tudo
O grafite apontado da lapiseira é como uma agulha que perfura o papel imprimindo nele tatuagens, como os pensamentos mancham a alma e a incitam de sentimentos, o grafite vai manchando as folhas de papel, derramando em palavras as coisas mais líquidas, borrando a tinta com a mão canhota. Essa é a prática da escrita, um borrão em forma.
E a vida? A vida pode ser lida pelas páginas escritas? Ou justamente a vida é o que existe entre uma linha e outra, entre uma palavra e outra, entre uma respiração e outra daquele que escreve?
É possível proteger-se com palavras e, no mostrar, esconder-se? No pé carrego uma tatuagem que o protege de tropeços e topadas. O outro pé, que não acredita em nada, o que ficou livre, vive tropeçando por aí; é dele o dedinho que sempre sobra contra as parades, pés de móveis, etc. Mas não mais quero acreditar no que está escrito lá naquele; no entanto, não posso apagar. Apagar essa memória seria como tentar contornar as cicatrizes da alma, não se faz. É como jogar esmeraldas no lixo. Se Milan Kundera narra que está no sexo as pérolas preciosas de cada um, os segredos que não podemos mostrar em público, se ele acredita que é no sexo que está a porcentagem milionésima que distingue as mulheres uma das outras, a porcentagem do inesperado e da diferença, eu acredito que essas pérolas estejam na alma, nas cicatrizes que cada pessoa carrega. A sexualidade é apenas uma das portas, mas existem muitas outras. Não entendo por que as pessoas guardam suas riquezas apenas para si. Talvez sejam pouco generosas, talvez tenham medo de que outra pessoa possa lhes roubar. Nada que seja por demasiado real; é como temer que alguém, ao apreciar uma tatuagem, possa lhe recortar da pele aquele pedaço de desenho. Nossas jóias estão encrostadas na alma e se não podemos de fato entregá-las a ninguém, podemos, ao menos, mostrá-las. Quando o sol bate nessas pedras, reflete as luzes mais incríveis.
sexta-feira, agosto 14, 2009
Orgulho com orgulho
Aproveitando o raio de Zeus que me partiu ao meio, não tentarei esconder o que sinto, já que o coração pulsa em aberto. Quero mesmo que todos vejam, para que se alimente todo aquele que se identificar comigo. Mas acabei percebendo que é muita pretensão da minha parte achar que devo me expor, e que meu ego é realmente um ser extremamente forte, que vive nas trevas do meu inconsciente e que, por isso, não posso ver as atitudes ridículas que ele me leva a tomar (sim, o ego age contra a minha vontade e o orgulho me leva a crer que tenho consciência dos meus atos). Paradoxalmente, é essa a origem da minha força, então sigo sem medo, embora tema o ridículo mais que tudo. Em silêncio brilho, longe dos olhos, enquanto pensam que estou caída (pois esse é o invólucro), me regozijo. Enquanto falo das dores, crises e mazelas estou, em verdade, gozando. Orgulho e vaidade são forças motrizes como a raiva. Se soubermos aproveitá-las, vamos longe. Mas essa longa distância é o que questiono, e também o motivo pelo qual desejo percorrê-la. Ainda é uma questão atrelada a um ego infantil que precisa se provar capaz ao mundo: vaidade (papai e mamãe queriam que eu fosse a melhor, preciso mostrar que sou mesmo). O sucesso é movido pela falta de amor na infância, mas, quando alcançado, apenas reforça o vazio. O sucesso é a questão número um, o amor é a questão número dois. Eu não sinto que possa confiar nos meus olhos para o romance; meus olhos me traem e me atrem para o perigo. Mesmo que, em aparência, seja alguém inofensivo, eu tenho plena noção de que me atraio pelos complexos e difíceis, que só refletem a minha própria complexidade. Vaidade. Orgulho e vaidade são duas palavras muito importantes aqui porque constroem as minhas armadilhas. E é essa a risada que o aiwasca tira com a nossa cara; pega o nosso orgulho, a nossa vaidade, o nosso ego e atira na fogueira. E nós, tolos, ainda achamos que a planta tem algum poder sobre nós, nos sentimos mais leves depois de apanhar, nos sentimos preenchidos por um amor inexplicável, viciados em levar porrada! Eu sempre acreditei no mito eu mesma. Confio que possa me tornar um mito, mas... Neste momento me sinto um pouco ridícula por perceber que o mito é uma construção irreal e que as minhas seduções são ilusórias. Objetivamente: Beyoncé é linda, ágil, rica, mas aposto que chora toda vez que sai do palco, e se tranca em algum camarim porque se lembra que não é amada, despida de si mesma. Quem a ama, a ama pelo conjunto de coisas que ela mostra ser e pelo quê faz bem. E eu não quero isso para mim. Então, o que eu quero? O sucesso como forma de me distanciar das pessoas do passado, como forma de mostrar "Olha, eu consegui, estão vendo? E vocês estão excluídos dessa nova vida!", ou como fórmula de transformação? É possível ser transformada em um produto através das suas qualidades sem que você mesma passe a acreditar nesse produto? Pretendo me despir desse ego em breve a aprender a ficar em silêncio, aprender a meditar. Não quero pular nenhum degrau e toda a atenção e concentração são necessárias agora. O mínimo passo em falso pode me levar ao fracasso de mim mesma, embora eu saiba que sempre vou sair vitoriosa.
Ode ao ridículo daquilo que não podemos ver!
Orgulho e ego são escorpiões acoplados às solas dos nossos pés. Toda vez que pisamos em alguém, sentimos o veneno queimando pelo corpo, subindo de baixo, penetrando no coração e trazendo um calor febril até a cabeça, enquanto os nossos membros inferiores ficam cada vez mais sonâmbulos e moribundos. Inflamação e febre são de escorpião. Não podemos ver que não são as pessoas em quem pisamos que nos ferem, mas os nossos próprios escorpiões pessoais! Embaixo das solas dos nossos pés! Não podemos ver.
Escorpião se orgulha do próprio orgulho: é por isso que é o demônio. Mata e morre, cria a discórdia e confusão e se orgulha do próprio poder destrutivo. É uma criança sem dono, que aprendeu a se virar pelas ruas. É uma criação do instinto de sobrevivência; é força sem limites. Os olhos do escorpião não são confiáveis, mas não para aqueles que olham, e sim para o próprio! Os seus olhos são como ímãs que atraem o perigo e a desordem emocional. Os olhos escolhem as vítimas! Mas o que o escorpião não percebe é que é para sempre vítima de si mesmo, pois escolhe! Sim, a inteligência é um ferrão escuro e eriçado que deposita o veneno pelo rabo. Enquanto ele acha que seduz as suas vítimas para a sua gruta, é ele quem se seduz por elas. Ao matá-las, ele também morre mas continua com sede por novas vítimas, como um vampiro tem sede de sangue. Gargalhadas dão as pessoas que assistem ao escorpião se debatendo em uma piscina rasa. É que a profundidade é para dentro e os olhos externos não podem ver a escuridão completa em que se encontra; sua alma vive em uma escuridão abissal, e as ações ocorrem em silêncio.
Todos à sua volta vêem o que é tão simples; o escorpião estuda o que vai em cada célula que forma cada tecido, que compõe cada órgão que faz funcionar cada organismo. A complexidade o encanta. Sedutor? Sim. Provocante? Sim. Mas é de propósito? Não, é apenas natural. E o que essa sedução tem de divino? (Se é uma dádiva dada por Deus, precisa ser divina... Mas como?)
Orgulho e vaidade são forças motrizes, como a raiva. E são o remédio e a droga para o escorpião. Nada vem sem a sua contraparte, e o escorpião percebe bem o lado negro de todas as coisas, menos o de si mesmo, pois o grande demônio que carrega em si o faz sentir-se orgulhoso das próprias mazelas. E porque a morada de sua alma é a casa de um ser cego, surdo e mudo, a melhor estratégia seria calar-se e não interferir nos destinos! Viver em silêncio, sem interferir e sem interferências, em reclusão. Mas ame, e que isso baste. Perdoe-se, e que isso baste (se bem que o perdão é uma das lições mais difíceis para o vingativo e orgulhoso escorpião, que sente prazer em morrer através dos próprios vícios).
O que temos além das nossas opiniões...? O SILÊNCIO!
quarta-feira, agosto 12, 2009
"O nosso amor a gente inventa"?
Não tem saída: para esquecer um amor é preciso esquecer DO amor e de todas as possibilidades de amor. É preciso erradicar a lembrança de amor do corpo, ignorando todos os sentidos e os desejos. Porque quanto mais se tenta esquecer, mais se reforça a lembrança. Quanto mais pessoas eu conhecer e insistir em amá-las ou em descobri-las ou em explorá-las (e a mim mesma), mais pensarei naquele que amo. E não é que ele fosse bom demais; é que o amor transforma. As pessoas ficam lindas, ótimas, inteligentes, criativas, habilidosas, etc. Os defeitos passam a ser peculiaridades que definem aquele que se ama, tornando-a uma pessoa única e incomparável.
Não é que o sexo fosse bom demais; era que eu estava entregue. Não é que o beijo fosse bom demais, era que eu amava! Então o problema é o amor, não é a pessoa. Eu devo ter inventado a situação, devo ter inventado o prazer nas coisas que compartilhamos, o prazer na companhia um do outro, devo ter inventado os encorajamentos que me levaram a acreditar que ele gostava de mim, quando não gostava. Eu inventei uma relação! (?) Da minha parte, porque acreditei no que meus sentidos me diziam e, da outra, porque fui encorajada em pequenas doses, pequenas demais para eu poder cobrar qualquer compromisso (como "mas você DISSE QUE me amava" -- ele não disse, nunca disse. Assim como não dizia que eu era bonita, nem o quanto ele gostava de estar comigo. Não tendo dito, não achava tudo isso? E se não gostava, por que estava? Por que escolheu ficar isento de afirmar que não gostava, que medo é esse? Por que quis ficar isento do compromisso de dizer que não gostava quando gostava, ou de dizer que gostava quando não gostava? Isento de tomar alguma posição?), mas que o mantinha naquela posição privilegiada de receber tudo o que eu estava disposta a dar.
Tudo o que não entendo vira uma obsessão. A obsessão é um substantivo feminino, que nem "droga". O gênero é muito preconceituoso, como a religião. Aprendemos a nos expressar por essa gramática do português, que coloca o masculino como o padrão geral e o feminino em segundo plano. As nossas reações e o nosso universo feminino ficam fora do padrão geral. E olha o que eu acho sobre isso: [uma banana]. Eva pode até ter dito que estava com fome, mas aposto que foi Adão que pegou a maçã para ela! E aposto que ele ainda deu a primeira mordida. E aposto que ela levou a culpa. Os homens esquecem que não são filhos só das mulheres; só as mulheres são culpadas pelos frutos que geram. Esqueça o pai e esqueça o pau; eles estão isentos de culpa.
Então, se gosto, a responsabilidade é só minha. Se lembro ou se esqueço, tanto faz para o outro. O que sinto ou deixo de sentir é um fruto só meu. (É?) O meu amor é o filho de uma mãe sem pai. Mas desacredito. E essa descrença me faz pensar que ele gostava sim, mas tinha medo. E essa crença de que ele gostava me faz continuar gostando. E é assim que eu invento. Eu me recuso a acreditar que eu tenha inventado tudo! E ele permanece na posição número um, e não porque era bom demais. E ele consegue justamente o que queria: tem a mim, sem nenhum compromisso (mas também sem presença) -- já que a fidelidade para ele era apenas isso: que ele fosse o melhor entre todos. Só que ele não entende que não é ele que está lá com a medalha, é o próprio amor. E eu não entendo como viemos parar aqui, como, apesar do que sentíamos, fomos para o beleléu. Eu sentia sozinha? Será que estar comigo era apenas uma questão de vaidade? E volto à questão um.
Não é que o sexo fosse bom demais; era que eu estava entregue. Não é que o beijo fosse bom demais, era que eu amava! Então o problema é o amor, não é a pessoa. Eu devo ter inventado a situação, devo ter inventado o prazer nas coisas que compartilhamos, o prazer na companhia um do outro, devo ter inventado os encorajamentos que me levaram a acreditar que ele gostava de mim, quando não gostava. Eu inventei uma relação! (?) Da minha parte, porque acreditei no que meus sentidos me diziam e, da outra, porque fui encorajada em pequenas doses, pequenas demais para eu poder cobrar qualquer compromisso (como "mas você DISSE QUE me amava" -- ele não disse, nunca disse. Assim como não dizia que eu era bonita, nem o quanto ele gostava de estar comigo. Não tendo dito, não achava tudo isso? E se não gostava, por que estava? Por que escolheu ficar isento de afirmar que não gostava, que medo é esse? Por que quis ficar isento do compromisso de dizer que não gostava quando gostava, ou de dizer que gostava quando não gostava? Isento de tomar alguma posição?), mas que o mantinha naquela posição privilegiada de receber tudo o que eu estava disposta a dar.
Tudo o que não entendo vira uma obsessão. A obsessão é um substantivo feminino, que nem "droga". O gênero é muito preconceituoso, como a religião. Aprendemos a nos expressar por essa gramática do português, que coloca o masculino como o padrão geral e o feminino em segundo plano. As nossas reações e o nosso universo feminino ficam fora do padrão geral. E olha o que eu acho sobre isso: [uma banana]. Eva pode até ter dito que estava com fome, mas aposto que foi Adão que pegou a maçã para ela! E aposto que ele ainda deu a primeira mordida. E aposto que ela levou a culpa. Os homens esquecem que não são filhos só das mulheres; só as mulheres são culpadas pelos frutos que geram. Esqueça o pai e esqueça o pau; eles estão isentos de culpa.
Então, se gosto, a responsabilidade é só minha. Se lembro ou se esqueço, tanto faz para o outro. O que sinto ou deixo de sentir é um fruto só meu. (É?) O meu amor é o filho de uma mãe sem pai. Mas desacredito. E essa descrença me faz pensar que ele gostava sim, mas tinha medo. E essa crença de que ele gostava me faz continuar gostando. E é assim que eu invento. Eu me recuso a acreditar que eu tenha inventado tudo! E ele permanece na posição número um, e não porque era bom demais. E ele consegue justamente o que queria: tem a mim, sem nenhum compromisso (mas também sem presença) -- já que a fidelidade para ele era apenas isso: que ele fosse o melhor entre todos. Só que ele não entende que não é ele que está lá com a medalha, é o próprio amor. E eu não entendo como viemos parar aqui, como, apesar do que sentíamos, fomos para o beleléu. Eu sentia sozinha? Será que estar comigo era apenas uma questão de vaidade? E volto à questão um.
segunda-feira, agosto 10, 2009
Venha hoje, no dia mais fértil
Venha hoje, e faça eu esquecer os meus pesares com o peso do seu corpo. Nenhuma palavra é necessária; venha hoje respirar na minha boca, roubar a minha alma, beber o meu sangue, me levar pela mão, trocando comigo o segredo da vida. Venha hoje me tatuar com o seu tato, ser o meu sol, me esquentar e me preencher, como a água penetra nos lugares por onde passa. Traga as suas marés com as suas tempestades e eu serei o seu rochedo de acalento. Traga o desespero dos seus ventos e eu serei os grãos de areia que viajam em seu corpo. Seja o meu pão, o alimento sacro, o centro da minha cruz dourada, venha e devore o meu corpo com a sua fome, fecunde o meu corpo antes que nove meses se passem desde a nossa separação e eu dê à luz a um fantasma. As minhas colinas esperam, com as gramas aparadas, os matos escondidos e todos os gostos da floresta, com os monstros que vivem nas grutas e os peixes abissais do meu mar, e os pássaros que esperam em seus ninhos... e também aqueles que levantam vôo, contemplando. E as feras e os animais domésticos que tenho em mim. Vamos ser o chão da savana, a própria vida selvagem, sem diferenciar caça de caçador. Venha hoje, eu aguardo, de onde estiver.
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