domingo, abril 20, 2008

A festa da "Banda Beijo" para Andreas


- Hehehehe.


Super-produção: Patrícia Moschini, Bebeto Daroz & família.



Aniversariante: Andreas Moschini Daroz (ô nomezinho do capeta! É um dos nomes mais legais que eu conheço.)



Old time friends showed up...

- Nice to see you!



... everybody knows that smile!



Eu não sei o que é isso; felicidade, talvez.

O Carlos bateu a foto. Ele detesta aparecer. :)

O que a gente não faz pelas crianças...



Proud-parent guitar man and me.

Proud-parents! That's the spirit!

*FIM*THE END*

sexta-feira, abril 18, 2008

Café... Mancha.

Passo a língua. Eu sinto o café colorindo o esmalte dos meus dentes. Não há língua que chegue nem saliva que limpe. Eu sinto o café colorindo o esmalte dos meus dentes. Como posso permanecer neutra, permanecer, se as coisas entram em mim???

quarta-feira, abril 16, 2008

Salma Victoria

Antes de acordar, era uma sensação de não pertencimento. Como se estivessem querendo tragá-la para um mundo ao qual não pertencia. Não podia ver quem queria, mas podia sentir o peso cinza e congelado. Se adormecia e sonhava que dormia ao lado de sua avó, e via o fantasma dela que ao mesmo tempo não a via, sabia estar dormindo ao lado de um cadáver. Ficou imóvel no sonho. Quis ir embora, mas não conseguiu acordar. Foi como se tivesse que se resignar com aquilo, relaxar, mesmo em um momento de pânico. Achou que estivessem exigindo demais dela, e desligou, voltou a dormir. Mesmo apavorada. Continuou a sonhar. Dessa vez, com uma casa de madeira muito velha. Tudo dentro dela estava em decomposição. Entrava na casa. Encontrava a vida em decomposição. E tinha contato com pessoas mortas que estavam vivas. Zumbis, o seu maior pesadelo, uma família solitária deles. Tinham até um gato. Uma gata; a gata dela que tinha morrido. Sem conseguir respirar, corria, corria o mais rápido que podia pelos caminhos de floresta que saíam da casa. Deixou a gata para trás, não podia fazer mais nada. Mas todos os lugares pareciam pertencer ao mesmo lugar e às mesmas pessoas, e ela não pertencia a nenhum deles. Via a casa do lado de fora, tentava acordar o seu companheiro, mas o sono dele era muito pesado. Tentava falar como ele, mas ele não escutava, mesmo que estivessem dormindo tão entrelaçados. Tinha acordado. Queria lembrar do que tinha visto dentro da casa, mas o pânico era maior. Via a casa, mas não conseguia entrar. Recusava-se a refazer os próprios passos, em pânico. Conseguiu acordar o companheiro, mas não conseguiu contar. Voltou a dormir e, no sonho, ele não acreditava nela. Então ela corria, e quando tentaram agarrar os seus pés, ela voava. Passou correndo por uma amiga de infância que da qual se lembrava numa condição financeira muito boa e que agora estava em uma muito ruim. Passara a vender coisas, oferecer roupas na feirinha. Voou por cima de uma cabine quando até mesmo a amiga querida tentou fazer com que ela ficasse naquele lugar. Na cabine as pessoas trocavam de roupa, no meio da praça, a mesma na qual a amiga era vendedora, experimentando roupas. Dali conseguia fugir. Foi para o andar de cima, no qual voltou a dormir. No sonho, uma enfermeira dizia... “É aqui que guardamos os nossos restos mortais. Você pode voltar às oito para buscar. Às oito.” E ela demorou-se a pronunciar esse “às oito”. Saiu correndo como quem fosse viajar. Já estava na rodoviária- aeroporto do lugar. Acordou o companheiro, contou tudo a ele, mas ele não acreditou. No sonho, eles subiam com uma aeromoça vestida de vermelho; agora, a roupa dela era branca e azul. Teve a certeza então de que tinham se infiltrado no seu sonho e sabiam que ela pretendia escapar. Quando chegaram à superfície de desembarque, a porta deles estava trancada com cadeado. Então ela não quis esperar, fugiu pela porta ao lado, enganando os seguranças. Deixou o companheiro gritando no sonho, “Salma, volte!”. Mas ela sabia que não se tratava de seu companheiro em si. Não podia acreditar em nenhuma imagem daquele mundo. Estava só. Todos os seguranças periféricos agora tinham se voltado para ela, tentavam capturá-la. Mas viu um grupo de jovens entrando num carro vermelho a esquerda e pensou que seria ótimo fazer uma viagem com eles. Segundos antes de fecharem as portas, jogou-se no banco de trás, por cima das pessoas mesmo e gritou com as vísceras: “Cooooooorre!!!!”. Conseguiram arrancar. Depois de dar sua primeira respiração profunda em local seguro, olhou para o lado e viu que Pedro estava dentro do carro: “Você está aqui!”. Sentiu-se tão protegida. Naquele mundo, tudo era possível. E não entendeu porque justamente ele faria com que ela se sentisse tão segura, mas era um ex-namorado do seu irmão, uma figura conhecida, em quem podia confiar. Acordou de um olhar fixo nos olhos dele, aliviada. Mas não conseguiu voltar a dormir. Tinha ganho um novo nome, Salma Victoria. E duvidava do companheiro que jazia ao seu lado; dormia.

sábado, abril 12, 2008

Fases alquímicas

Vou publicar esta tabela que saiu no livro "The Path of Alchemy", de Mark Stavish, porque achei interessante...

(Ainda não li, mas fiquei curiosa.)

Aries - Calcination
Taurus - Coagulation
Gemini - Fixation
Cancer - Dissolution
Leo - Digestion
Virgo - Distillation
Libra - Sublimation
Scorpio - Separation
Sagittarius - Incineration
Capricorn - Fermentation
Aquarius - Multiplication
Pisces - Projection

Não faz sentido, quando pensamos nos processos de alquimia interna??
Nossa, para mim fez muito... Ainda quero ver esses estágios mais cautelosamente.

quinta-feira, abril 10, 2008

O outro em mim

Vai ser confuso isso... Mas vou tentar.

Eu repito, de forma inconsciente, o padrão também inconsciente que as pessoas têm. Por exemplo, conheço uma pessoa que tem o padrão de ser escurraçada desde criança. Repito esse padrão sem querer e sem ser da minha natureza (a minha natureza é dar o que a pessoa procura já que um dos meus padrões é ser um espelho inconsciente - netuno de casa 1), e o que essa pessoa procura, sem saber, é ser escurraçada (para afirmar os vícios internos de não-aceitação, de não-amor, de rejeição, entre outros). É o vício dela e é, obviamente, inconsciente. Conheço outra que demorei muitos anos para parar de criticar, porque o padrão de tal pessoa era criticar todas as pessoas a quem amava, num padrão venusiano, por isso, especialmente as mulheres. Como se essa pessoa projetasse nas mulheres a própria menosvalia com relação à aceitação de si mesmo e a lida com o próprio corpo, com as próprias imperfeições da carne (e do corpo), colocando nas mulheres com que vive(u).

É como se as pessoas se apresentassem para mim com suas capas mas elas não cobrissem muito porque eu vejo o que há por trás e nos outros é tão mais fácil do que em mim mesma*. E esse é um movimento quase imperceptível, que se dá em nível etéreo, então é muito complicado... Especialmente porque nas relações EU e TU se misturam, então são os meus padrões se relacionando com os padrões, conscientes e inconscientes, do outro. Tudo muito complicado, mas eu lido com o mundo oculto e preciso treinar essas visões. E elas não são em si uma invasão, porque elas existem para todos.

Agora vou comentar o "*".

Por causa dessa habilidade "maravilhosa", eu achei que nunca mais fosse amar ninguém. Porque antes de poder me apaixonar por qualquer pessoa eu vejo muitos (senão todos) os "defeitos", vícios de pensamento, problemas de auto-estima e ETC... Não por não conseguir aguentar os probleminhas alheios, mas por achar que ninguém ia conseguir ficar tão nu diante de mim... De corpo e alma, sem se incomodar muito. Que ninguém fosse conseguir resistir ao meu poder de destruição ou vício de desconstrução. Sabe? E por conhecer essas mesmas coisas em mim e não conseguir disfarçar ou fingir que sou outra pessoa, achei que também jamais fosse conseguir ser amada...
E por isso, minha gente, é que existe terapia! Não resolve, porque quem resolve é você. Mas ajuda um tantão no processo. Certo? E vou dizer que muita gente que achava que terapia era mágica ou caô, está se rendendo, por cansaço. Bom pra elas.

- "Posso te ligar depois?"

Achei que ele não gostasse mais de mim. Porque eu sou muito chata, porque falo demais, porque reclamo de tudo, que por isso ele rolou para o lado e dormiu. Essa palavra, "chata", tão pejorativa... O que aconteceu com "sensível"? Sou mais sensível do que aparento ser. Muito mais sensível. Então, tudo o que está fora do lugar me incomoda. Inclusive e principalmente comentários e atitudes muito tortas. Não sei, não sei... Ele nunca disse que me amava. Mas eu não disse também. A gente tem medo de assumir e um de nós sumir. Nós dois sabemos que essa possibilidade existe e, não queremos admitir mas, nós dois temos medo. E um medo grande de não fugir, de ficar preso, de ser chato, de ficarmos pesados, impossíveis de sermos amados. E um medo maior ainda de, apesar de tudo o que somos, sermos amados! Dá medo... Dá muito medo. Então eu disse que havia ligado só para ouvir a voz dele... Enrolado no trabalho, ele disse que ligaria depois, foi atencioso, mas corriqueiro. Nunca mais ligou. Até o dia seguinte. No dia seguinte, quando ligou, não pude atender. Fiquei me perguntando se deveria sofrer até o final do sofrimento, esperando ele ligar de novo ou retornar a ligação. Somos assim, não é? Paranóicas até não poder mais. Vingativas? Orgulhosas? Confusas? Tudo se soma ao pacote. Mas fiquei horas achando que ele não me queria mais. E já sabia todos os motivos do porquê. Chorei na noite anterior, no banheiro, quando disse que ia escovar os dentes. Um choro forte e preso na garganta, porque foi engolido pelo meu próprio silêncio. Pensei que esse choro me faria muito mal mais pra frente, que não se engole um sapo desse tamanho. Sapo ou choro? Choro. Tive muito medo por uma noite, muito medo. Até pegar no sono. O que aconteceu bem rápido, pois estava cansada.

terça-feira, abril 08, 2008

Those fears that you have


Those fears that you have

are all gonna come true.

Not what you wished for, not what you feel it's good for you, but those fears.


Before your dreams do come true, you need to get past the fears. In order to conquer your Graal, that is the task. It is dark, it is cold, it is ugly... But it is REAL.


And then, once you've finished, you'll be ready to be home. And then you can come back from the journey. But first, you gotta face your fears. And it might hurt, but it's essencial for the soul. Specially if you come out as a winner; if you gain yourself in the process.


Fear, embrace your fear, but don't be afraid. Darkness is also part of Light.


domingo, abril 06, 2008

Casa nova casa

Essa é a minha casa. Vocês sabem que a gente carrega a casa, né? Nós somos nossa casa. "Nosso corpo, nosso templo". Então é assim que se cuida de si mesmo. Oh sim, extrair perólas das ostras. Pois ela existe, lá dentro. A(s) pérola(s). Por fora, uma casca menos interessante. Porém, bastante útil.



minhas cores: rosa e laranja. o que as cores falam sobre nós? um estado de espírito, talvez, reflexo das coisas que nos cercam. ou reflexo do nosso espírito nas coisas que nos cercam.


Então eu comecei... Tempo para mim. Apertei, liguei um showzinho da Sherryl Crow... Abri o tarot, toquei violão. Estrela é minha maior companheira. Ela gosta de passar tempo sozinha comigo, no que eu mais gosto de fazer. Meu tarot espalhado, descobri que cuido dele bem demais; quero mais marquinhas e dobrinhas.

O show da Cherry Crow (: que eu comprei nas lojas americanas arrasou. Sábado saí com a cestinha, fui catando as frutinhas mais saborosas. Mas hoje, só fiquei dentro de casa. A minha casa natal. O show dela me levou a vários lugares diferentes. Super bom.

domingo, março 30, 2008

"Music takes you round and round and round and round...Hold on to your love"

Esse baixista mandou ver, algumas vezes. Principalmente quando estava no teclado!

Vimos o show todo de pertinho assim!

Ele veio algumas vezes para perto de mim, mas não me deu muita bola. Ele leu meus lábios, viu que eu disse "I love you. Thank you", porque consentiu com a cabeça, mas ele só se veste de branco e pode ter se assustado porque eu estava de preto, com olhos puxados pretos e etc.


Daddy foi comigo. Não reclamou do ingresso caro. Ponto para daddy.



Acho que isso foi em "Killer". Eu sabia que era essa música, mesmo antes de ele dizer.





Isso também foi em Killer. Foi daí que começamos a ver o show.

* 8 *
Algumas considerações:
Eu não tinha certeza se iria mesmo porque 1) não conhecia o caminho; 2) meu otorrino me proibiu de dirigir por causa da suspeita de labirintite; 3) eu já fui a show sozinha, o do New Order, e foi uma bosta.
Nessas horas é que a gente vê como o tarot é ótimo! É perfeito para essas situações de decisão, quando se tem dúvida entre uma questão e outra. Você põe duas cartinhas para o "sim" e duas para o "não", e impressionante como ajuda! Eu já tinha quase decidido não ir, quando pensei melhor e fui jogar pra ver... Poxa, eu adoro Seal há anos, já fiz até cover dele, e se eu não fosse, não sei quando teria outra oportunidade. Saiu "O Sol" com a rainha (ou princesa?) de copas para o "sim". Fiquei feliz de ter conseguido a companhia de papi, que foi ótima, e mais ainda de ter ido ao show. Foi muito legal.

Tudo isso graças ao tarot de Thoth. Merci Thoth! Linda lua na saída, por sinal. Obrigada duplamente.

terça-feira, março 25, 2008

Flashes do underground que go round and round

Descendo as escadas, sempre algumas figuras chamam mais a atenção do que outras. Tento me distrair, vez ou outra, para que as pessoas não percebam que eu desço as escadas como se fosse uma princesa usando um vestido com uma cauda enorme num salto agulha. Homem que mastiga pipoca de lado, com o canto da boca esticado. Prestes a embarcar, mas está lá, eu estou aqui, e ele não tem a menor noção de que alguém está prestando atenção nele e achando horrível o jeito dele de mastigar. Carros lotados, abrem as portas do trem, todo mundo já entrou, eu digo que não vou entrar, mas entro. Homem parado no vagão errado; será que ele se deu conta e finge que não? Decotes e muita bijuteria. Minhas mãos encostam no seio de alguém. Nas costas de uma senhora morena e humilde existe algo que sai pelo canto da blusa que parece com um chiclete mastigado e que foi feito bolinha, e depois pisado... Eca, uma verruga! Nesse carro tem os seguradores que eu tinha pensado... Deve ser novo. — Esse vagão sacode mais porque temos peitos? Parece que sacode mais que os outros. E todos os funcionários ficam rindo de nós da sala de controles, pelas câmeras escondidas no metrô. Todos os peitos pulam. Olho pros meus do outro lado do corredor, no reflexo do vidro, mas meu sutiã é potente. Ih, menina bonita, pele branquinha, cabelos ruivos, curtos. Marca de piercing cicatrizado na sobrancelha direita. Os peitos dela pulam muito. Pegou um livro que pensei ser a biografia do Marilyn Manson, mas que não era. Era algo como “torne-se uma mulher de negócios”. Pulso imobilizado. Ela me olha. Tem pinta no canto direito da boca. Menino no vagão errado é retirado pelo segurança negão. Seguranças negões fazem eu me sentir segura. A mulher que está ao meu lado tem várias feridas na boca, sinto medo. Medo do que está nesses postes escorregadios onde as minhas mãos estão. Viro de costas pra ela. Agora tem uma cadeira, posso sentar. Mas logo chega a minha estação. Vou para um lado e a menina bonita vai para outro.

domingo, março 23, 2008

Cabeça desmontável

Ainda bem que meu som é desmontável; se está incomodando, tiro ele de um quarto e coloco em outro. Tudo é removível, menos a cabeça. Seria ótimo se quando a cabeça estivesse incomodando, eu pudesse retirá-la de um quarto para colocá-la em outro. (...) Escrita enigmática. (...)Se as pessoas que passam pelo corredor se incomodam com o barulho e fecham uma das portas, eu vou em frente e fecho a outra. Mas, fechada em um dos extremos, com o aparelho de som e suas notas, todos dentro do quadrado, troco com quem? O gato ronca. E quem disse que eu quero trocar? Por isso gatos são ótimos; estão sempre roncando. E eu estou sempre trocando de um extremo a outro. Em ambos os casos, os repetecos são os mesmos. O cd pula, arranhado. Mesma música over and over in repeat, arranhada. Minha metáfora pobre de vida para o hoje: "There's no love, no money, no thrill anymore". Sol em casa, na janela do meu quarto, sol de casa quatro, dia recluso para o estudo. Quatro dias estudando. Estudando minha cabeça. Assunto de família. Sendo perturbada por ela, a cabeça. Bom, não por ela em si, mas por suas reações aos outros, minha família. Quatro membros disfuncionais: dois braços e pernas, cada um querendo se mover por conta própria. Pai, mãe, filha e filho achando que são mais que meros membros disfuncionais de uma sociedade falida. Ainda vem avó e resolve discutir o meu humor no telefone com a mãe e achar que eu não estou entendendo tudo. Elas gostam de discutir sobre a minha vida. Acho isso uma perda de tempo completamente irritante. Tudo irrita hoje. Por que sol de casa quatro parece vermelho? Que associação entre vermelho e quatro é essa que faço? Não sei. Vontade de gritar: NAAAAAAAAAAAAAAAAAAAÃO SEEEEEEEEEEEEEEEIIIEEEEEEEEEEEÊ!!!!!! Vontade de assumir que não sei, de ser burrinha, ficar mesmo chupando o dedo enquanto os teóricos discutem. Sociologia. Amanhã tem prova. Ainda recebo email gigantesco em conteúdo do pai e respondo mais gorda ainda. O irmão viaja. Eu não sei me colocar no meio dessa confusão. E sei que todos os meus problemas vêm dela.

sábado, março 22, 2008

M'esqueço

Eu me esqueço que não desejo pisões e pontapés, que não desejo ser despedaçada entre rodas nem atirada aos cães da miséria e da discórdia. Eu me esqueço que a substância é o amor. Eu me esqueço de sentir, porque estou ocupada fluindo no senso-comum, e eu me esqueço de me amar. Eu começo a demandar amor das pessoas, mas elas não produzem amor. Ninguém produz amor; a substância vem da fonte, não há amor dentro de nós que seja gerado sozinho. Eu me esqueço. Me esqueço de fazer apenas carinhos e de entender que se existem espinhos, de saber que não são para os meus dedos. Me esqueço, porque as coisas que me lembram são tão diferentes de tudo o que eu já tive como verdadeiro... E o que é real? Aquilo que nos repetem t o d o s o s d i a s ou aquilo que sabemos de dentro da alma mas que nos é tão raro? Eu me esqueço e não sei como lembrar. São apenas palavras os sentimentos se não são sentidos. E palavras carecem de sensação. Palavras são cascas ocas, vazias, impregnadas por nós de algum significado. As palavras estão soltas por aí como górgonas, satirizando nossas mentes perturbadas.

The Blue


"Once, I'm gonna die my hair blue", she said. Then she dived into herself and came back with the most wonderful idea. "Once, I'm gonna die my arm blue", she said. And then, blue arm tattoed she got. Seconds later, she thought "I need to become whole". And the seconds went by as days when she became the first blue human being. And her daughter was the first blue born baby. And other colored humans started to pop, afterwards.

quarta-feira, março 19, 2008

Pensamentos cortados, na vida, igual à loucura.

Entrei hoje no astro.com
E estava lá, um trânsito longo que vai desde maio do ano passado até janeiro do ano que vem.
Dizia assim: "Thinking things through
***
Valid during many months: This is a very positive influence, a time when your mind will be stimulated as never before. New ideas, new techniques and new approaches to life will continually come to you. Radical ideas that you would never have entertained before seem perfectly all right now, and you are able to use them positively."
Traduzindo:
"Válido durante vários meses: Esta é uma influência muito positiva, uma época na qual a sua mente será estimulada como nunca antes. Idéias e técnicas novas, assim como novas formas de ver a vida vão chegar até você de modo contínuo. Idéias radicais para as quais você nunca deu ouvidos antes parecem perfeitamente ok neste momento, e você será capaz de usá-las de uma forma positiva."
Contesto; não sei que idéias radicais podem aparecer neste momento que eu já não tenha ouvido ou pensado antes. Mas o que há de contrastante com todas as minhas formas de pensar do passado é que, se opondo a todas as minhas idéias liberais de antes, estou me percebendo muito mais conservadora e tradicional do que sequer ousei me imaginar antes! Modelos de vida com os quais não me importo de conviver mas que não quero para mim e outros modelos, com as quais não quero mesmo a mínima proximidade, estão se mostrando de forma muito mais clara.
Tapa na cara da menina moderninha que tentou, durante anos, ir contra as crenças tradicionais de uma família de pensamento rígido e militar... Estou ficando cada vez mais próxima deles. Isn't that funny?!
But I'm not laughing. Isso está me dando um trabalho do cão. Me obrigando a rever milhões de histórias para a minha vida, tipo... A de que não fui criada para morar em qualquer lugar nem conviver com qualquer tipo de gente. Sou muito mais madame do que a minha "piscianice" gostaria. Nada daquilo de aceitar um amor "numa casa, uma cabana". Quero meu conforto, minha organização, limpeza e vizinhança silenciosa.

sexta-feira, março 07, 2008

Irmão

Tão macio e sensível que precisa se fechar para o mundo, para as experiências da vida, para as pessoas queridas. Tem medo de se machucar. Todos temos cicatrizes. Mas enquanto eu as exibo com orgulho, você as acaricia, gemendo, encolhidinho e envergonhado. "Exibir" é mesmo um verbo estranho na primeira pessoa. Mas não é tão importante pra você a nova forma que pode aprender de lidar com esse mundo que se apressa em engolir; mais importante foi o impacto dos aprendizados anteriores que você não conseguiu descartar porque marcaram você de forma negativa. É um problema de forma esse, o nosso. Eu não acho que você tenha se entregue tanto ao amor de forma a se machucar assim... Eu acho que foi o medo. E acho que o medo impede você de sentir o amor maior, aquele de você para você mesmo que você precisa tanto. E acho que o medo impede você que o amor que recebe a cada dia fique claro como a luz do primeiro raio de sol dentro do seu coração. Claro que é necessário se proteger; mas se fechar não é "viver e aprender", é se isolar, é ser sociólogo do século dezenove quando estamos no vinte-e-um. Como você se diz bom dia todas as manhãs? Com que caneca bebe o seu café? Com que cores pinta a sua alma hoje em dia?

Eu garanto uma coisa: você não corre o risco de se perder ao se dar por amor. Desse medo você não precisa fugir. "Você" não é algo que se esgote quando a entrega é em nome do amor, seja ela para o que for. Lembre-se sempre: por amor. Faça as coisas por amor.

Amiga da Instabilidade


Ao invés de dizer "tenho amigos instáveis" ou "eu sou instável", o que traz uma série de complicações pejorativas aos nomes, prefiro admitir essa outra amizade mais recente com a Instabilidade. Percebo alguns amigos que, como eu, viajam de um canto a outro em instantes. São pessoas muito ricas que possuem jatinhos emocionais e carregam a gente junto com eles. Mas quem não gosta de surpresa, novidade e aventura se incomoda. E gente, besteira se incomodar, porque o negócio é se permitir mudar, viajar. Presta atenção:


A Instabilidade vem com a vida, e só aprendemos a desfilar com equilíbrio uma vez que nossas pernas se acostumam a flexionar-se na medida em que o chão muda de nivelamento. Temos que saber andar em terra tremida. Nenhum estado permanece. A estabilidade interior só se aprende na mudança e a minha lida com esses difíceis amigos instáveis serviu apenas como um espelho (criativo e maravilhoso) para a minha própria mudança de estado. Assim como a água é volúvel e depende do recipiente que a molda para ter forma, bastando alterações no ambiente para que se altere, não somos seres feitos aquáticos e sim feitos de água. Sofremos as mesmas alterações. No entanto, meus amigos e eu levamos essa condição a outros níveis nunca antes experimentados por pessoas. Contradizendo; várias espécies já desapareceram por conta disso, mas acredito que a mudança tenha sido um cansaço interno do tipo: "Agora chega. Quero não ser mais".


Mas é muito gratificante conversar com a Instabilidade, observar seus movimentos sempre imprevisíveis e nada calculados. E os encontros são de repente, sempre de repente e algo novo acontece a cada segundo. É demais.

terça-feira, março 04, 2008

"Type-writer"


Sou uma type-writer, faço gênero que escrevo, me isolo, penso, penso, penso e cuspo os pensamentos mastigados e com saliva com a ponta dos dedos, nem mais em um papel; teclas de uma máquina. As pontas dos meus dedos são frenéticas, precisam de muito movimento e existe uma rápida conexão delas com o mundo não-verbal, antes que eu possa refletir sobre o que estou empurrando com a ponta dos dedos, lá estão elas as palavras, todas prontas. Não sei como escrevo com sentido ao invés de aertekjeh wjeotjsa epjqw arijwuuuwb fkww, porque não sei onde vão as pontas dos dedos com os olhos grudados no resultado que vai aparecendo magicamente na tela do computador, uso computador, mas aprendi com máquina de escrever. Cheguei a fazer datilografia, empurrada pelo meu pai. Eu era uma teclinha enferrujada que ele obrigou a funcionar, mas estúpidos como são, os pais sempre se atrasam e seis meses depois já não se usava mais; as tais máquinas eram outras... Teclinha enferrujada que sou, teria vergonha de ser mãe solteira. I'm a type-writer, not any other type.

domingo, fevereiro 24, 2008


Essas são as duas filhotes novas que eu acabei de adotar.
Sejam bem vindas gatinhas!
Gatos são bichos muito especiais... Quem tem, sabe.
Espero que elas se dêem bem com a mais velha e que fiquem bem amigas. Bichos fofinhos... Pequenas! Prrrrr

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

A palavra namorado


Estou -odiando- a palavra namorado.
Detestando essa caixa quadrada de definição daquilo que não é definível, como uma relação por exemplo.
É atribuir uma mesma palavra às diversas formas de amar e de se relacionar, que as coisas começam a desandar.

Assim que se chama alguém de namorado, parece que existe uma série de comportamentos padrões a serem seguidos e que entram em choque com as pessoas e com o que elas realmente são. É o conteúdo da caixa que me irrita. Esse título, namorado, não pode definir a forma como eu me sinto e como me comporto com relação a alguém. Mas existe o peso da cobrança das pessoas, inclusive dentro da relação; inclusive de você para você mesmo! Estou dizendo... É loucura total.
Mas é o mesmo título que afasta os amigos, porque, uma vez que se namora, as pessoas já deduzem que você 'não vai poder ou não vai querer sair sozinha, sem o seu namorado' e você perde a chance de conhecer várias pessoas legais quando sai 'porque está com o namorado'.
Fora a cobrança da família em rapidamente atribuir um título... "Você e fulano... Estão namorando?"
- parece que se estiver, está dado o sinal verde, caso contrário, "que ele não pise mais aqui em casa!"
Precisamos renovar o conteúdo da caixa... Mas, por hora, vou seguir o que um dos meus amigos me ensinou e chamar de AMIGO. Melhor amigo. O melhor de todos.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Amigas 8

Na segunda-feira, minha melhor amiga vai voltar pro "lar-doce-lar" dela, que fica em outro Estado. Ela veio passar férias durante um ano no Rio, quer dizer, em Niterói e agora, de ontem pra hoje, quando eu achei que ao menos fôssemos ainda ter uma semana juntas e que ela poderia partir logo após meu aniversário, soubemos da notícia súbita.

E embora eu saiba que ela vai ficar mais feliz lá do que aqui, me acostumei a tê-la por perto, coisa que nunca aconteceu antes. É como se eu tivesse recebido ontem uma sentença de ampulheta, na qual cada grãozinho de areia representasse nosso precioso tempo, escorrendo até a partida. A partir de segunda-feira, não vão ter mais telefonemas de hora em hora para casa de Vanessa. A partir de segunda-feira, passa a ser interurbano. A distância física volta a se instalar.
Eu não sei perder! E aí, todas as pessoas fazem aqueles comentários infelizes, de quem tenta consolar o inconsolável: "pense pelo lado positivo.../pense na felicidade dela...". Mas eu não consigo pensar, só consigo sentir falta.

A sensação é essa; não adianta me falar que ela não vai morrer. Eu sinto assim: perda. E não sei perder. Eu sofro. Eu choro. Dói. Eu me apego. Mesmo sabendo que eu ganhei meu playground de volta, porque eu adorava viajar pra casa dela.

Deve ser por isso que eu guardo e acumulo, porque não sei deixar ir embora. Eu tenho memórias infinitas, inclusive em papéis e milhões de coisas que eu guardo, porque são referências de quem eu sou em decorrência dos caminhos pelos quais passei. E desde que conheci a Van, ela é uma das minhas grandes referências em vida. Aprendi tantas coisas com ela que fizeram de mim uma pessoa tão melhor! Pelo menos por aceitar melhor a mim mesma.
Mas assim são os amigos, né? Nos amam incondicionalmente e com esse amor, nos curam.
E agora, não consigo pensar em coisas legais como o meu aniversário que está chegando e na festa que eu vou dar e em todos os meus outros amigos, nem nos reencontros.

Assim é a vida; cheia de despedidas.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Questão de sorte? (Relacionamentos)

O que faz com que um homem e uma mulher fiquem juntos? Não é o tesão. Também não é só amizade e companheirismo. O que é, então?

Uma combinação de fatores de "falta e excesso"? Talvez seja uma combinação de procura e oferta, "preciso disso e você me dá". Mas aí, se a "troca" é baseada nas inseguranças de cada um ou nas vontades, já são outros quinhentos.

"Express yourself, don't repress yourself" - Madonna (Human Nature)

E continua... "And I'm not sorry, it's human nature... And I'm not sorry, I'm not your bitch, don't hang your shit on me"

- Somos cabides para as projeções e desejos inconscientes daquele que é nosso parceiro?

Somos a projeção externa de um amor que deveria estar sendo internalizado? Porque assim que temos "alguém" para amar, não é a ordem "natural" deixarmos de amar a nós mesmos porque a relação exige que passemos por cima de vontades, individualidades e etc em nome de se manter?
(numa relação tradicional do ocidente, não é isso o que acontece em 99% dos casos?)

O que faz uma relação se manter, que as individualidades continuem cada uma seguindo seus próprios caminhos? Não vemos tanto pessoas que mantém suas relações através de "eu abro mão disso e você abre mão daquilo, estamos acertados?"... (?)

Do que adianta apenas uma das partes ter acesso às estrelas e suas mensagens se a outra parte não crê que nada disso possa existir? Mesmo que as relações sejam complementares, não é necessário que as duas pessoas estejam querendo?
(...) Mas querendo o que?
* * *
Se comprometer, cuidar e se entregar?
São essas as três palavrinhas a base das relações de sucesso?

O que é uma relação de sucesso... Para cada pessoa é de um jeito, eu sei... Então tá; o que é uma relação de sucesso pra você?

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Lista do ano passado (to my man)

Minha terapeuta tinha dito para eu fazer uma lista com exatamente tudo o que eu procurava em uma pessoa, outra que não eu, pra somar comigo... Tá entendendo?
E eu fiz uma lista minuciosa, mas não consegui encontrar. Pouco tempo depois fiz outra, que vou publicar aqui. (não sei porque me veio em inglês; isso acontece muito comigo)

- you gotta love me and I gotta love you
- we gotta feel good together
- the comfort of intimacy and security on the hugs gotta be present
- I need to feel safe, loved, desired and protected
- I want my man to have some freckles on the chest and a few on the face
- we got to work great in bed, both for sex as for sleeping together. Must be warm and delicious.
- you gotta be a good man and trust me and treat me well. you gotta honour our relationship and I must admire you for who you truly are
- you need to understand and feel my importance in your life and make me feel it
- we need to communicate well and always, even if silently
- In exchange for your faithfulness to me I'm gonna be loving and gentle at (almost) all times. Loving and generous.
- you must be faithful to me because you also believe in energies, and in a monogamic and two way hand relationship and also because you have a good Saturn in your chart working in our behalf, which gives you a strong sense of self and security, so you can pass it along to our kids also (when they come).
- you gotta have a way with me and with the kids
- we must be honest to ourselves in order to be honest with each other and we will respect eachs' individualities without drama
- our relationship must be calm and creative, but the feelings we share must be deep, intense and strong based on well built up emotions.
- you gotta believe in the stars, just like I do.


Eu alimentava os que tinham fome. Mas eles eram ambiciosos e sugavam até a última gota do meu sangue.

do meu suor se banhavam
da minha saliva bebiam
nos meus olhos se espelhavam

e dos meus cabelos teceram os próximos passos das suas vidas

hoje em dia não mais abocanham meus seios
que deles brotam jatos dourados
do leite mais puro e divino que possa existir, estrelas magníficas do meu céu particular.

muitos universos a serem desvendados,
muito a ser criado e destruído
e muito destinado a permanecer.

(e pegou fogo minha flor de plástico e respingou no papel, feito cera derretida, ficando tudo vermelho.)

tela de http://www.filipeneryartes.blogspot.com/

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Onde está a sua coragem?

Vou contar uma historinha que vi ontem:
Kanye West, no quinqüagésimo ano do Grammy Awards, estava no meio do discurso quando a produção do evento começou a tocar uma música de fundo em cima da fala dele para que ele encurtasse os agradecimentos. Ele então interrompeu a fala para perguntar: "Oh man, are you really gonna play music on me?", e continuou com os agradecimentos, mas a produção não cortou a música, deixou rolando.
Ao final do discuro, logo antes de homenagear a mãe, e também já muito puto, resolveu dizer (já que a musiquinha de fundo continuava 'on and on'): "It would be of really good taste if you'd stop the music now". Daí a produção cortou a música e ele foi aplaudido.
* * *
O que eu entendi disso? Ele estava lá como pessoa física, aberto, não era mais representante de nenhuma instituição. Era o direito dele enquanto pessoa, contra a estrutura de um mega evento com limites de tempo e comportamento.
Estar no palco do Grammy, fazendo um discurso após ter sido premiado, se expondo para milhares de pessoas em todo o mundo, via-satélite, e peitar a produção de um mega evento como esse requer muita coragem.
É uma coragem que eu vejo faltando às pessoas em geral. E não é fácil vencer essa barreira. É preciso estar seguro de si, de quem se é e do que se sente. É preciso saber no quê se acredita pra poder peitar. Então talvez o que falte não seja coragem, mas sim a segurança interna.
Vamos falar sobre coragem no nosso dia-a-dia. Pessoas com medo de se apaixonar, pessoas com medo de se expor, de sofrer, pessoas com medo de fazer valer os seus direitos, medo de perder as outras pessoas, medo de ser tido como arruaceiro, etc.
Esses medos vão minando a nossa segurança interna de que temos certos direitos, o direito de expressar o que sentimos, o direito ao nosso espaço e à nossa integridade e não é a produção de nenhuma festa nem qualquer governo, assaltante ou posição de destaque social que vai tirar isso de mim ou de qualquer outra pessoa!
Kanye West é negro, e assim como ele poderia ter se sentido amedrontado de não ter o seu pedido atendido, nós somos nascidos no terceiro mundo, com medo de outras nações mais fortes, como se os gringos pudessem ser melhores que nós por terem organização e dinheiro.
ACORDA Brasil. Integridade é necessária agora. Sem medo de expor nossas emoções; quando nos sentirmos aviltados, não precisa gritar, não precisa bater nem ameaçar. É só expor com clareza a quem quer que seja que pisou no seu calo para que a situação não se repita. Violência não é necessária. E violência aqui inclui engolir os sapos, porque é uma violência contra si mesmo. Isso não pode ser permitido jamais.
Coragem meu povo, coragem! (ou melhor... Segurança interna, meu povo! Não tenham medo de se posicionar por si mesmos.)

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Em prol da CARNE

Em prol da carne, de mulheres carnudas, de carne para ser apertada, mordida, mastigada, venho por meio deste anunciar que carne é novamente bem aceita no mercado.
Nada de esforço para ficarmos magrelinhas, saradonas. O negócio é carne. Há muitos carnívoros por aí, sedentos por uma barriguinha, coxas grossas e saias curtas com aquela celulitezinha à mostra. Vários esperando por uma mulher que esteja em paz com o seu corpo. Vários que sabem que celulite e mulher são um pacote e sabem o que é bom. Vários esperando por uma bundinha celulítica e farta.
Mulheres! Acordem. Amem seus corpos. Amém.
Nós somos todas lindas.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

O beijo de pálpebras azuis sob o esplendor de Nuit


Na ponta dos pés, a vontade vinha da alma. A força de um amor pausado e proibido é maior que tudo. O tempo de espera durou até o último segundo. Não antes disso. Nem um segundo antes disso. Todos os segundos antes foram gastos com o preparo daquele momento. Dois lábios se projetando na direção de outros que queriam e precisavam receber calor. E assim, delicado, suave, macio, molhado, quente e generosos dois segundo de pausa; um universo inteiro se desvela. Emoções não mais importam, pois não existem mais pensamentos e gostoso querer mais sem poder, sem poder demonstrar, sem poder pedir. E com todas as células do corpo desejando mais, muito mais.

As mãos completavam o beijo, pousadas sobre o peito dele. E ainda assim, nada aconteceu. E esse nada foi todo o universo.



"Por um beijo tu então estarás querendo dar tudo, mas aquele que der uma partícula de pó perderá tudo nessa hora." (Livro da Lei, capítulo I - ver. 61 )



Nuit, todo o trabalho é por você; estou à espera e "dividida por causa do amor, pela chance de união". Meu veículo é o amor. Eu sou uma sacerdotisa do tempo & espaço, sua irmã e sua filha. Todas as estrelas brilham por mim e para mim. E eu sou uma estrela. Eu também sou a lua. E foi você quem disse. E eu amo, Nuit; eu amo todos os segundos e espaços, e para sempre amarei. Você disse: "Em todos os meus encontros convosco deverá a sacerdotisa dizer — e seus olhos arderão de desejo enquanto ela se mantém nua e regozijante em meu templo secreto — A mim! A mim!- Chamando para fora a chama dos corações de todos em seu cântico de amor", e eu aceitei e obedeci.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Holy Cow

To me, all cows are holy, as well as all animals. In fact, I even dare to compare myself to them and treat them like equals. Am I less of a human for not subjugating other beings? Do YOU think so?

(. . .)

One of the reasons why the ancient indians used to sing for the death of their animals, the animals serving as their food, was because they respected every single soul in the planet and they knew, because they lived very close to them, observing the animals, the equals we are, that they had souls. And they knew it; they turned their attention to nature to absorb the qualities of the animals for power and physical strength. How to deny it?

So today, when I eat meat it's not only because of the paladar, once I've been a vegetarian and could easily become one again, but for that same strength the ancients were seeking. And I respect and I am thankful for that meat, that what I eat can make me a better person than I already am. And I think cows are holy, have I ever mentioned that before?

domingo, fevereiro 10, 2008

Entendendo os fenômenos da natureza: a água em todas as suas formas.


E de repente, mudou a cor do céu. Um vento levantava cortinas e coisas do chão e as folhas das árvores ficaram muito inquietas. Todas as senhoras começaram fechar suas janelas enquanto ela olhava o céu, as nuvens cinzas e pesadas se movimentando contra um fundo azul ensolarado. E pensava sobre os estrondos que faziam as nuvens ao chocarem-se umas contra as outras. Tudo ficou escuro; ouviu uma sirene. Ficou com medo. Estado de emergência?
(...)
As nuvens ainda se revolvendo no céu, pareciam estar indo embora... Mas um vento contra ao que estava ocorrendo intercedeu, fez com que todas as nuvens cobrissem aquele pedaço de céu que podia enxergar da sua varanda. Num minuto, tudo ficou estático. Ela esperava conseguir ver a chuva cair, antes que tocasse o chão; queria ver o exato segundo no qual as gotas começariam a se proliferar e os relâmpagos a aparecer. Mas nada. Apenas os estrondos quebrando o silêncio. Agora o gato, antes no seu colo, roia a ração. Cadê a chuva prometida? Adoraria vê-la e senti-la nesse momento. Ficou pensando que sensação gostosa era aquela das pessoas de terem um teto sobre as cabeças nesse momento aparentemente extremado de expressão da natureza e pensou por que era a única na varanda, esperando pela chuva, enquanto os outros se protegiam. Mas sabia que prazeres estavam escondidos em não ter como fugir do aguaceiro de uma tempestade e das sensações de coragem e liberdade despertadas pela enxurrada de água fria na cabeça e no corpo. Sabia também que não há proteção contra a natureza e que não há ameaças numa tempestade de verão.

Voltou o vento. Agora a chuva. “Venha chuva! Venha!” – exclamou. E não é que a chuva veio? Uma enxurrada, diga-se de passagem. Uma enxurrada.

sábado, fevereiro 09, 2008

somos todos marginais

No Rio de Janeiro, somos todos invisíveis e marginais. Não temos presença, nosso voto não conta, não temos voz, ficamos à margem do caos. Que sociedade é esta, indefinida e indefinível? Soltos, largados, vivendo na sarjeta do sonho do que poderíamos ser ou ter sido. Temos uma garrafa pela metade nas mãos e dentro da garrafa existe uma mistura que causa agitação e náusea; a excitação do samba nas veias e nos pés, as batidas do funk no coração, o medo da grandeza da euforia do poder que temos ao gritar os gols do Maracanã, as balas perdidas enquanto ameaças alucinógenas, a paranóia que vem e que é na verdade efeito da amônia misturada ao prensado, há o sangue dos inocentes misturado e dos animais mortos para oferendas; a culpa cristã líquida causada pelo barulho dos goles a galope que fazemos diretamente no gargalo. Perto de nós há um vômito, mas não sabemos bem se é nosso ou se já estava ali quando chegamos. Não sabemos se cobrimos com um saco plástico de um lixinho que estava ali no poste onde estávamos agarrados depois que a água começou a subir, um lixinho que estava ali, fuçado por um cachorro, logo ao lado do cocô do cachorro, ou se deitamos em cima (porque afinal, é nosso... saiu de nós; é sagrado e bonito). Não sabemos ao certo. Mas somos marginais. Se somos playboys, somos marginais para os gays e policiais, somos os "playboyzinhos" maconheiros. Se somos da comunidade, somos marginais para os policiais e para a classe média. Se somos policiais, somos marginais para aqueles que são parados e obrigados a liberar um "cinquentinha". Se somos ladrões, somos marginais para os que trabalham honestamente. Se somos trabalhadores, somos marginais para os políticos. Se somos do funk, somos marginais para os roqueiros; se somos roqueiros, somos marginais para os conservadores. Todos somos marginais. Não sobra ninguém que possa colocar ordem. Sobra a ressaca de ter bebido todo o conteúdo da garrafa e sobra um recipiente vazio que, espera-se poder ser reciclado para o carnaval do ano que vem.

Eu quero ver o óbvio

Eu quero ver o óbvio, para não ter mais dúvidas. Deixar passar o óbvio pode ser um erro fatal; ver o óbvio pode ser uma vantagem incomensurável. É enxergar o palmo a frente do nariz. Estar um palmo a frente de qualquer outro que não enxergue.

A fina linha entre conectados e desconectados. Perceber a cor dos verdes das plantas, a gravidade me puxando para baixo e deixando meu corpo funcionar, sentir a troca do ar que acontece no meu pulmão e nas minhas células, sentir meus batimentos cardíacos; sentir quando se alteram. Saber o óbvio. Eu quero saber o óbvio. Quero sentir e percebê-lo.

Quero ter paciência para explicar o óbvio e paciência para dizer o óbvio. O óbvio é irmão do sentido e da verdade. Podemos discutir infinitamente sobre ele, mas o meu óbvio é só meu. Talvez eu consiga encontrar mais pessoas que vejam o mesmo óbvio que eu vejo.
Talvez eu não seja uma visionária do óbvio em separado; talvez sejamos um grupo! E quando eu encontrá-los, quando eu conseguir me abrir para o óbvio e conseguir explicar o meu óbvio a quem pedir explicação, poderemos, obviamente, ser todos felizes.

Poder de invisibilidade

O poder de ser invisível deve estar sob controle. Estar ou se tornar invisível precisa acontecer sob vontade, precisa ser uma escolha consciente.
O melhor trabalho de quem traduz ou de quem edita é manter-se invisível, imperceptível aos olhos externos. Aquela tradução e edição que passam despercebidas são trabalhos excelentes.
Mas a excelência do trabalho tem um preço: a invisibilidade no reconhecimento. A forma como as pessoas esquecem do óbvio, do que está ali mas que não foi dito nem mostrado. Como se fazer um bom trabalho fosse óbvio, uma obrigação óbvia demais para ser mencionada, reconhecida.
É como a gravidade. Quem repara nela? Tudo só acontece no nosso mundo porque temos a gravidade, ou melhor: só porque temos a gravidade é que tudo é possível. É como o ar que respiramos. Não está aqui? Não é óbvio que o ar inspirado precisa fazer o seu trabalho óbvio e excelente de levar substâncias ao nosso organismo, permitindo que as coisas boas entrem e as ruins saiam?
Mas quem repara no ar que se respira e na própria respiração em si quando ela está normal, conciliada ao ritmo do organismo?
Quem repara a importância do tradutor e do editor? Quem repara? TUDO, absolutamente tudo o que vem de fora e vêm por escrito passa pelas nossas mãos.
No caso da tradução, se os profissionais se fizessem presentes, a tradução deixaria de ser tradução (que é de fato uma transformação necessária) e passaria a ser uma outra espécie de reescrita (adaptação, imitação, etc). E se os editores parassem ou deixassem passar um errinho de ortografia do autor famoso?
Mas quem dá importância a um trabalho (invisível) bem feito?

domingo, fevereiro 03, 2008

A Lua de casa dez

Nada é perfeito. Tudo a gente faz ser.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

E quem disse que vegetarianos comem pão integral?


Eu queria escrever sobre o amor. Mas as chuvas que caíram inflaram a água em mim e levaram tudo pela frente... Misturaram tudo, o que estava ao fundo veio à superfície, o que estava boiando afundou. Agora que o sol está saindo, meu fluxo baixou. De fora, da pedra, pode-se começar a ver o fundo das águas novamente. O fundo das águas não; o fundo do córrego por onde ela passa. Porque a água pode ser profunda, mas não tem fundo. Onde ela começa e onde ela termina? A água só preenche onde tiver espaço.
Um pequeno olho d'água, daqueles que brotam de levinho. Eu estou. A pressão fez a água subir e encontrar escoamento. Escorrendo, porque transbordou. A pressão era tamanha... Nós mulheres parecemos a água, mas escorremos por baixo.
Está acontecendo uma mudança de paradigma, na forma de me relacionar. Essa mudança é fatal para este ser que se encontra e crucial para o que está por vir. E sem bandeiras levantadas, sem quadrados pré-determinados. Sem afirmações que limitem meu crescimento. Vai ser difícil para os olhos que se encontram observando vidrados nas pedras compreender. Não vão saber distinguir o que vem trazido por essas novas águas. Mas será feliz para a alma, ser surpreendido por algo que ainda não existe. É feliz ver uma sereia ou uma estrela-cadente, ainda mais quando se está olhando apenas para o telhado.
Acho que esse post é dedicado às pessoas que fecham muito rapidamente os seus paradigmas em quadrados (ou seja, conceitos). Tipo, que vegetarianos comem só farinha integral, entre outros.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Quero dizer a deus

quero dizer a deus desculpas
agradeço o que mastigo e visto, mesmo que me desgrace
que pelo meio do meu corpo caminha deus
que pelo meio do meu corpo também anda o meio das minhas pernas
e eu acho que o prazer não mancha tanto quanto a dor e eu quero aproveitar
esse corpo antes das cinzas, antes do sangue...
quero dizer adeus a culpas
que na loucura há cura
desgraço o que mastigo e visto, mesmo que me agradeça
por escolher e sempre ter que escolher
t o d o d i a e s c o l h e r
(que não é permitido vegetar a quem não é vegetal
e nem é permitido atacar por quem não é animal)
o trapo com que me visto, a desgraça que mastigo, a culpa que me pesa
os passos dados pelas pernas que me carregam

a deus, todas as culpas. adeus às desculpas. a mim, leveza. é assim que quis deus.
é assim q ue quero eu.

então tá
ficamos combinados assim.

"O fim do axé no Brasil"

Ivete Sangalo e Claudinha Leite foram cantar deprimidas e não conseguiram tirar os pés do chão.
O BOPE proibiu o uso do pó para as celebridades. Acabou a alegria contagiante da música popular brasileira.

domingo, janeiro 20, 2008

Em um ano



Acabei de ver um comercial sobre aproveitar o nosso tempo de vida ao máximo. Correr, correr para fazer o que queremos fazer. Camundongos, eles disseram, apenas vivem um ano. E me perguntaram o que eu faria por mim mesma nesse tempo, então fiquei pensando...

Deveria fazer tudo por mim mesma em um ano? Tudo o que sempre desejei fazer? Correr para alcançar? Passar a planejar a minha vida pelo dia da minha morte, como se não restasse tempo? Ansiosa por terminar todas as minhas vontades e opções, antes que seja tarde ou que eu tenha saciado completamente minha vontade de viver? Ou meus desejos? Ou antes que se esgote a minha saúde?

(. . .)

Sem pensar. Viver sem pensar nos movimentos. Ir saltar de pára-quedas; xingar um policial corrupto, jogar ovos na blitz, sem pensar no depois. Ligar para as pessoas que deixaram marcas ruins e perdoá-las pelos seus feitos ou deixar um grande pote de cocô na porta delas, sem pensar no depois. Fazer uma viagem pelo mundo sem rumo programado nem dinheiro no bolso. Sentar com minha mãe e realmente explicar para ela quem sou eu e quem é ela. Fazer coisas loucas e sem nexo no meio da rua e rir da reação das pessoas. Falar tudo o que eu penso para todo mundo, sem me importar com refluxos. Sentar e cantar em público, sem medo de errar nem de chamar a atenção.

(. . .)

Em quantas coisas eu consigo pensar e quantas coisas eu conseguiria fazer em um ano que fossem iguais a “aproveitar a minha vida ao máximo”? Coisas que talvez eu escolhesse não fazer, caso não fosse a ameaça de o tempo estar acabando?

Eu gostaria de ter uma filha. E de me casar, no sentido matrimonial mas não tradicional da palavra. E gostaria de morar numa casa que fosse minha e bem decorada, com um jardim bonito, tranqüilo e perfumado. E de construir um futuro digno e bonito, em paz, respeitando e sendo respeitada. Coisas que não são feitas rapidamente em um ano. E não são para serem feitas mesmo. E quero ter tempo de aproveitar todas elas.

Esse pique de aproveitar a vida ao máximo deixa as pessoas neuróticas. Pois eu sou do contra, e digo: não aproveite sua vida intensamente ao máximo. Leve o maior tempo possível fazendo cada tarefa. Faça a menor quantidade de tarefas possíveis. Durma a maior parte de horas do seu dia. Faça apenas aquilo que lhe der prazer. Coma sempre o que quiser. E se demore. Demore no banho, gaste água. Não corra, não corra. O tempo não está acabando. O tempo é infinito.

domingo, janeiro 13, 2008

*HOJE* encontrei meu ócio criativo: a tradução de mim mesma.

A) O ócio criativo:
Ócio criativo deve ser o nome do meu sagrado anjo guardião. Hoje encontrei ele. Os Querubins ficaram agitados no céu, fizeram eu me mexer. Que bom, depois de um final de semana amarguinho...
Mas aí hoje, bam! Bateu em mim o ócio. Uma alternativa produtiva contra a explosão emocional, sabe? É, fico feliz no final das contas. Para não "matar mais gente"*. Tipo, excluí-las do meu quadradinho, já que são pessoas queridas. (*Retorno de Saturno é muito foda. O quadradinho é real e corta fora mesmo tudo o que não é essencial além de tudo aquilo que não está fluindo no momento presente.)
Graças a uma conversa com um amigo, induzida pelos queridos Querubs que queriam que eu tivesse esse encontro comigo hoje, tive a idéia de cantar em portuglês, e compus "Espaço". E é linda essa música... Emocionante. Tudo emocionante. Hoje foi uma aventura só.
B) A tradução de mim mesma:
Vocês vão achar que eu sou louca. Mas eu componho assim... Em inglês. É totalmente natural, sempre foi dessa forma e todo mundo sempre reclamou. A minha emoção se expressa em inglês, então as letras são todas em inglês e as melodias são para letras em inglês (o que está jogando a Tradução estudada na faculdade para um outro nível).
Então, para escrever as letras em português, eu tive que traduzir a mim mesma. A mensagem foi recebida numa língua e depois decodificada e adaptada para outra, para me fazer entender aqui nesta terra. AFINAL o Brasil está precisando muito mais de mim do que o resto do mundo. Acho que aqui meu trabalho tem muito mais propósito, porque é uma linguagem diferente a que eu proponho das mensagens sonoras que estão soltas e rábicas por aí.

Achei que isso foi o pulo do gato.
E acho que consegui fazer um bom trabalho, dentro das possibilidades da língua e das minhas.
A Natacha me ensinou a ser mais leve com as palavras e o Duca me inspirou a saltar.
Me arrisquei. Veremos se perdura. Tenho faixas bilingües! Olha só! Que chique.
Tenho chance de ganhar o dobro de amor, fãs e dinheiro. Iuhu pra mim.
Hoje é o dia. Se meu final de semana tivesse sido alegrinho e fofo, talvez eu não tivesse nunca tido essas idéias...

sábado, janeiro 12, 2008

A substituta da noiva

Estavam todos apressados com a cerimônia, mas não sabia exatamente com o quê se preocupavam, já que estava tudo pronto. A família perambulava de um lado para o outro, certificando-se de que os convidados estavam presentes e bem arranjados, de que o fotógrafo estava a postos e de que o bufê estaria servindo as bebidas assim que acabasse a cerimônia.
Enquanto isso, eu caminhava de um lado para o outro. Fui até o jardim; era um fim de tarde agradável, numa casa interessante feita toda de pedras e com um deck que dava para uma piscina pequena, porém muito aconchegante, e nas paredes de pedras cresciam flores coloridas. Eu já estava pronta, me divertindo com aquele longo e rodado vestido branco, com aplicações em prata e luvas brancas de cetim, observando tudo à distância. Estava sentindo o perfume das flores quando meu querido veio até mim; não o noivo, mas um dos padrinhos, por quem eu estava apaixonada. E nos apertamos um contra o outro, nos inflamando em um beijo ardente. Como conhecíamos várias pessoas da festa e eu estava trabalhando, não queríamos chamar muita atenção. Afinal, eu estava prestes a representar o papel da noiva em um casamento e ele era um dos padrinhos. Seria muito estranho se as pessoas nos vissem juntos. Mas a sensação de estarmos nos escondendo era muito excitante.

Era sim totalmente natural ter sido paga para substituir a noiva que não poderia estar presente no próprio casamento devido ao trabalho dela. Era uma profissão até comum naqueles dias.
Eu estava um pouco ansiosa, pois apesar de ser uma gig como qualquer outra, era a minha primeira vez de substituta da noiva. E como eu nunca havia me casado antes, eu estava nervosa. Tínhamos ensaiado, mas de qualquer forma era apenas uma encenação, e eu tentava não pensar na hora do beijo. Tinha que ser natural, afinal ficaria eternizado nas fotos. Era um casamento, mais tradicional impossível.
No entanto a ansiedade me trazia uma sede enorme, o que sorrateiramente me levava até os pró-secos geladinhos que suavam no balcão da cozinha e que estavam logo ali, tão perto da minha boca, mas toda vez que eu me aproximava era interrompida pela mãe da noiva original e não podia beber, porque ela ficava me seguindo, não deixando eu aproveitar nem uma gotinha antes da festa. Aparentemente, o destino daquela bebida era mais importante que a vontade da noiva do casamento que ela mesma havia organizado; fiquei pensando se não tratava da mesma forma a própria filha. Me senti uma mera contratada, mesmo que para o papel principal do casamento. Depois pensei se não tinha sido esse o real motivo da ausência da noiva. A mãe.
O grande terror de ser paga para fazer qualquer trabalho é ter o prazer interrompido em nome do contrato.
Duas casas depois daquela havia um anfiteatro chiquérrimo no qual aconteceria também um casamento. Daí, depois da cerimônia que tinha sido paga para estar presente, corri até lá para espiar. Era uma super-produção: meia luz, convidados sentavam-se na platéia e orquestra, noivos, padrinhos e padre ficavam no palco. A decoração era feita com voal em dourado pendurados que rebaixavam o teto, e tudo de muito bom gosto, inclusive os arranjos de flores. Como eu estava vestida de noiva, não podia ficar à vista, caso contrário poderia roubar a cena dos participantes reais. E eu não queria isso, queria apenas poder observar uma linda cerimônia de verdade, tão rara naqueles dias.
Acordei com a sensação do vestido branco, naquelas cenas agoniadas de vestido esvoaçantem e mulher correndo com a maquiagem borrada. Tudo muito lindo.

o cercadinho de carne

(Eu vim de "todas as minhas relações profundas estão virando farinha". E também da segunda metade do "Under the Pink". Reparei que fiquei escrevendo no diário até acabar o cd.)
... nem eu caibo dentro do meu cercadinho. Nem eu caibo direito dentro de mim mesma. Sei que não sou a única; vejo as pessoas só cabendo dentro delas mesmas. Vejo que todas as pessoas possuem corpos onde apenas cabe uma SÓ pessoa. O cercadinho de carne; a solitária realidade do planeta Terra. A realidade da nossa escolha de encarnar; o preço que pagamos talvez. Só podemos nos reconectar inteiramente (e talvez nem isso) com a fonte original de luz, mas não a outro ser humano. Engraçado como vírus, vermes e bactérias acham lugar dentro de mim, mas não outro da minha espécie.
Sinto uma sede avassaladora neste - exato- momento.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Toc-toc

Sempre tive uma mania horrível de achar que sempre tinha alguma coisa grudada na minha bunda. E não podia me sentar que, ao levantar, achava que tinha alguma coisa atrás que fosse fazer eu me sentir ridícula ao perceber que todo mundo estava percebendo, menos eu.
Daí isso passou. Porque agora eu sempre olho. Cada costura dos sovacos, cada pedacinho que geralmente não olhamos para saber se existem manchas, pêlos, fiapos, etc. Antes eu perguntava aos amigos, de cinco em cinco minutos. Quem lembra, fica quieto. Eu sei que várias pessoas têm essa sensação, mas quase ninguém fala. Por aqui funciona assim; todo mundo com medo de tudo, né?
Tá. Daí hoje eu saio na rua e se eu me arrumei muito rápido eu fico achando que saí faltando alguma parte, tipo, saí sem calça, saca? E mesmo estando de jeans e tênis eu fico olhando uns dois minutos, tocando meu corpo pra sentir, não só ver, se estou mesmo vestida como acho que estou.
E quando eu tiro algo da bolsa no meio da rua, fico olhando algumas vezes para me certificar de que eu coloquei mesmo o treco dentro da bolsa, que não caiu pelo chão nem nada do gênero. E são coisas que eu tenho me controlado para NÃO fazer, porque é muita falta de confiança em si mesmo, saca? Ter ACABADO de guardar uma parada com todo cuidado e achar que não está lá onde colocou.
É muita falta de várias coisas. Mas não disso que vocês estão pensando.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

PermeabilidadeS

Uma célula invadindo a outra é um pouquinho de universo, da órbita de uma estrela ou planeta invadindo o outro. Uma pessoa que invade a outra com uma falta de respeito; um marimbondo que invade uma casa no campo. Um ano que invade o outro. Como é possível acordar em 2008 ainda com gostinho de 2007 na boca? Acordou com aquele gosto azedo e com os dentes muito sensíveis por causa bebedeira frenética da noite anterior e do sono sem ter feito a higiene bucal adequada e agora pagava por suas escolhas. Levantou-se e foi esfregar a barba na frente do espelho, agora um ano mais velho. "Quero determinar bem meus espaços este ano", pensou. "Nada de invasões. Não quero avançar nem ser invadido." Logo precisou agarrar o livro que quis começar a ler anos antes e que só agora tinha sentido vontade. Outra vontade. Sentou-se no vaso e entendeu tudo: como começar um ano todo novo se ainda estava cagando o ano anterior??

quarta-feira, janeiro 02, 2008

mais música e menos guerra
















Sem saber qual era o planeta regente de 2008, escolhi passar a virada justamente com a cor do dito cujo... Vermelho, para o planeta Marte.

Mas apesar da cor forte, era um vestido com florezinhas coloridas na barra e a calcinha era cor-de-rosa.

Além de ser regente das guerrilhas, Marte também rege o tempo da música. É ele quem marca os compassos. Então é isso o que estou querendo de 2008: uma vida marcada por compassos criativos e melódicos.
My own beat to make a life worth living.







Plenitude


A gente precisa de mais contato com a natureza, de sair para admirar a beleza do mundo.
E vai existir vida enquanto soubermos louvar as paisagens com suspiros e votos de eternidade.
Daí o mundo continuará existindo com todas as suas belezas. As belezas precisam de suspiros e de admiração. Enquanto tivermos olhos sensíveis para observar, elas continuarão para sempre.

Eu senti isso olhando a Baía de Guanabara... Cruzando na barca, de um lado para o outro, como aquele lugar é belo. E mesmo apesar de tantos maus-tratos, continua lá, firme, forte e ainda com vida! E vai continuar, enquanto passarmos por lá dizendo como é linda.

Acho que de todas as bandeiras que eu já tive, essa é a mais agradável de defender. Sim, de fato, é mesmo. Porque não requer nenhum esforço, é algo completamente natural proteger a natureza por admirar as suas belezas.

domingo, dezembro 30, 2007

Neuro-ótica

A qualidade atribuída a mim e a outros milhões se auto define pela própria construção da palavra: a ótica neurológica, a mente em comando. O ponto de vista racional que SEMPRE se lança a frente das outras respostas mais criativas e independentes que possamos querer ter. Mas a mente não deixa. Ela racionaliza e justifica cada detalhe analisado, ponderado, pesado, dividido e segmentado, depositando ruminações nos compartimentos dos nossos pré-conceitos. Isso quer dizer: a mente nos mantém presos a padrões já estabelecidos. Essa é a sua ótica.


Tudo o que possa se apresentar como diferente e novidade para as nossas vidas, a mente se antecipa e nos faz temer que a surpresa seja uma ameaça que vai tirar o nosso chão e nos pregar uma peça do tamanho de um bonde. Tudo que acontece sem ter sido planejado é prioritariamente ruim e então a mente fica tentando prever e antever cada circunstância sem, no entanto, conseguir ter sucesso.

Não sou eu. É a mente. Não é você. É a sua mente.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

O mês das organizações finais

Dezembro...
Mês das quadradices, queremos aparar arestas para o ano seguinte entrar redondinho. Organizações finais, as que embalam 2007 e anos anteriores num só pacote. Destino: gaveta.
Todos os arquivos estão lá, para curiosidade ou inspeção do governo; está tudo certo, só não quero que fique à vista. Lugarzinho todo especial longe dos olhos.
Liberando espaço para os arquivos novos. Que os antigos sejam guardados apenas como lembranças, com organização e asseio. Por número de série e data, cada qual no seu lugar.
Várias pessoas me dizem que sou organizada. Sendo o caso, estou me profissionalizando nas organizações antes amadoras. Levar a vida bem certinha para render mais; tempo e qualidade de vida.
Contratos renovados, outros rescindidos; é assim mesmo. O que está satisfatório até bom, mantemos. De resto, o reembolso se faz necessário. Pelo menos a troca por algo mais útil, mais agradável.
Pelo menos do meu ano eu quero isso: que tudo seja eficiente e belo; além disso, quero que todas as coisas boas venham sem dor.

Fim de ano

DE OLHO NA BOCA.

msn 5

offline.

The Completion about Venus in Ares

I don't want anyone to have me;

I want to belong to myself.


msn 4

i am always busy

msn 3

you are always absent

msn 2

nobody talks to anybody

msn 1

you become a name on a list

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Meu nome

Eu quero um novo nome. Há anos procuro um nome para mim; é como se o meu não me bastasse. Com ele vim à Terra; foi o nome dado ao corpo e à individualidade. Mas que nome tem a minha alma?
(. . .)
É com esse nome que eu quero ir ao mundo; não com o que recebi. Quero manter privado o meu nome próprio e receber um outro, um mote . Coleto nomes. Recolho nomes. Estou sempre pensando em nomes. Sempre procurando pelo meu.

Realmente uma pessoa muito popular

Tenho certeza que mais gente do que eu conheço sabe quem eu sou. Conheci gente em todo lugar. Aí entrei na fase do corte. Espectros de gente, sentimentos antigos e rotos, nomes com teia de aranha, frases antigas que costumava dizer, formas de pensamento adolescentes... Tudo down the drain. Gostei! Gostei tanto que não consegui parar. Virou uma compulsão enxugar. Tudo porque cada centímetro da minha vida quero que pertença a mim. E qualquer um ou qualquer coisa que estiver ocupando qualquer espaço sem se fazer valer será jogado para fora. Eu sou internamente reciclável, como são os templos. Estou UQASE nova em folha. Quase-quase. Wait-and-see. Foram sete anos de azar! Quatorze... Talvez vinte-e-um.
Ontem eu vi que tenho menos fãs no orkut que a maioria das pessoas que eu conheço. E fui lá, naquela lista, ver quem eram os afortunados insanos fãs meus!! Por que algumas pessoas me adicionaram como fãs, eu não sei. Mas achei fofo mesmo assim, ver alguns rostos por lá... "Sim, você pode ser meu fã, porque eu te gosto!" - falava minha voz interna de aprovação. Sobre pouquíssimos pensei: "o que você está fazendo aqui?!"
De qualquer forma, as pessoas sobre quem teria tal pensamento rude já se mantém naturalmente longe. Muito bem. Foram bem ensinadas. Mas algumas outras eu gostaria que estivessem mais perto. Percebi que esse treco de perto e longe é relativo (a gente sabe da mesma coisa mil vezes diferentes, né? porque as coisas mudam de prisma, cada hora a gente aprende a mesma coisa de um jeito novo, ou então eu sou bem burra) porque na verdade não são as pessoas que se aproximam e que se afastam, mas minha órbita que é irregular. Eu sou um Plutão da vida. Pessoas só seguem o fluxo do Sol. Sou eu que preciso de muito espaço, mesmo sendo um planetóide.
E também preciso de distância. Para sentir saudade. Para saber o que é meu e o que não é. Eu só quero o que é meu, mais nada. Tenho necessidade de sentir falta e medo de perder, não sei perder... Tenho medo de perder. Por isso jogava fora antes. Mas agora eu deixo morrer antes de enterrar. Acabamos em plutão mesmo, hein? Achei que fosse qualquer outro fenômeno.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

THE QUEST

The thing is: not everyone is intended to evolve spiritually.
It is not the quest for everybody; but it is for many.
And the thing of our time is: there is not just one way to do it.
The difficulty of our time is that every individual has got to find his own path.
Not to follow, but to become.
It is not about mass evolution. It is about individual evolution.
Respect for every differenT.

A mala

Há meses (talvez anos!) estou convivendo com uma infiltração numa das paredes do meu quarto. As manchas agora estão mais feias, grudadas no armário, quebrando a parede interna que é feita de madeira e se alastrando pelo chão, entortando os tacos.

Há anos eu puxei um fio para dentro do armário para fazer uma tomada que servisse para ligar uma luminária na prateleira que tem no meio do armário, onde coloco estatuetas, livros e outras coisas interessantes. E eu nunca confiei muito nessa tomada. Outro dia coloquei o recarregador da bateria da câmera e o troço não ligou... Caraca! Pensando que ia rolar um curto na combinação entre possível água e eletricidade e que eu ia perder todas as minhas coisas quando o armário pegasse fogo é que na última terça-feira resolvi arrumar uma mala de viagem, daquelas grandes, de viagem internacional.

Peguei todas as minhas roupas preferidas, todas de que mais gosto, dobrei tudo e arrumei dentro da mala. As bolsas também tirei e coloquei num cesto de roupa suja, que agora é a nova casa de temporada das bolsas. Preciso tirar essas coisas daqui!!! Preciso tirar TUDO de dentro do armário. As cartinhas, as fotos, os sapatos, os casacos, as calcinhas, as meias, os acessórios, OS LIVROS, CDs, etc. Tudo o que importa mais pra mim. Imagina se pegasse fogo na sua casa... As coisas que você tiraria primeiro... Saca? Ou viver naqueles países em que se precisa ter sempre uma mochila de escape pronta, com passaporte, dinheiro, documentos e acessórios de necessidade básica. No meu caso é uma mala. É essa a sensação. De que vai acontecer alguma coisa.

I'm almost going crazy with that.
Almost.

Veio vindo num crescente a sensação até que não me aguentei e tive que arrumar a tal da mala.
E enquanto eu arrumava, me perguntava... "Pra que você está fazendo isso, cara? Já está se preparando para a obra, ou para a partida? Mas pra onde eu vou?"

E essa sensação de que a qualquer momento vou ter que fugir e se tiver os preparativos são mínimos porque a mala já está pronta estava muito intenso. Agora estou convivendo com esse trambolho no meu quarto, que ocupa todo o espaço central do cômodo. Ainda nem marquei a obra! Nem a partida. Mas a mala está pronta.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Início e Fim

TUDO pra mim é tudo. E não menospreze esses momentos; porque tudo se resume a tudo. Se no início você gostou mas não entendeu: acabou.

Ponto de vista


Eu mastigo o seu ponto de vista.
Mastigo, mas não engulo.

domingo, dezembro 02, 2007

D maior

RÉ, aqui o maior. Está sendo tocado na sua forma básica, sem pestanas; acorde com cordas soltas. É que eu acho tão bonito quando os acordes têm cordas soltas; eles ganham outra vida. Acho que os dedos ou são muito apressados em passar de um som ao outro ou fazem muita força para prender todas as cordas que são, como nós, mais felizes soltas.
Sei que ainda não tenho a velocidade nos dedos necessária para dizer que "não faço porque não quero" (ao invés de "não faço porque não consigo"), mas me falta a vontade de passar de um acorde a outro assim, tão rápido; não vejo por que uma música não possa ser perfeitamente linda e tocante tendo apenas um acorde. Sinto a necessidade de reduzir ao mínimo, encantar o ouvido com o mero poder de vibração de um mesmo acorde que vai indo, assim como um pré-orgasmo que necessita de uma mesma posição prolongada ali, num mesmo pontinho, para acontecer.
Isso tem feito com que minhas músicas mais recentes sejam bem pequenas e humildes, mas longas e expansivas. Não requerem paciência de quem as ouve, mas sim almas receptivas à sensação. Eu quero um som simples e profundo, algo de que perdemos o costume. Quero desacelerar os corações e mentes nesse gesto simples. E em um toque desarmar. Chega de desamor. Precisamos de tempo para entender e digerir a vibração; quanto menos variações, melhor. Podemos fluir numa mesma onda de frequência? Talvez através de uma música possamos.

sábado, dezembro 01, 2007

A Sereia

Eu sou úmida e fria, e vivo por debaixo da superfície de contato que existe entre o ar & a água. Não importa o quão disforme esteja a superfície, o movimento que acompanho está sempre submerso, ao fundo, e é o único tipo de terra que conheço também; aquela jazida ao fundo do mar. Mas há muita vida aqui. Algas, corais e os seres mais diferentes, de todas as espécies possíveis e imagináveis. As imaginações começaram e acabaram na água; elas todas saíram daqui e volta e meia correm para cá, assim como os medos, os pensamentos interrompidos e os sentimentos reprimidos, que criam peixes estranhos... Mas nenhuma criatura é feia, cada uma apresenta uma beleza para os olhos que conseguem enxergar. Acho que as pessoas não olham direito; para elas os seres daqui são muito mais assustadores e maiores do que para mim. Talvez seja um problema do olhar; elas também não conseguem respirar por aqui. Não conseguem retirar o alimento para o corpo da água, embora tenham saído daqui. O oxigênio que eu respiro vem de uma matéria mais densa. E essa densidade pode ser o que causa tal distorção nas pessoas. Ou fica tudo embaçado, ou sempre tudo é maior. Assim me contaram os marujos náufragos. Mas esses já não existem mais. Antes era uma honra fazer de si próprio banquete para o fundo do mar. Cada parte do corpo era aproveitada e a pessoa sofria uma completa regeneração em vida dentro de outras vidas. Agora as pessoas somente têm um gosto estranho, e não derretem como antigamente.
Mas eu tenho um segredo, uma paixão e sempre que podemos, nos encontramos. O fogo me ama, e sabe que pode lamber-me a face e os cabelos, corpo e calda, que nenhum mal me faz. Como os golfinhos que saltam à superfície, faço truques que não permitem que o enorme amor do fogo por mim se transforme em cinzas, ele ainda não pode me vencer... Mas quando estamos próximos, a frieza desaparece e a umidade vai ficando seca. Também minha calda mostra rachaduras e depois parece cicatrizar em pele. Um dia terei força o bastante para ficar até o final, ver o que acontece com meu corpo e o dele ao nos entregarmos inteiramente a esta união através do amor entre fogo & água. Tudo se transforma na sua presença. E até eu quero isso também. Para todo o sempre.