sexta-feira, julho 31, 2009

Quanto mais maldita, mais sagrada

Pode ter certeza que a lembrança de mim é mais forte do que a minha presença. O ponto ínfimo "eu" no SEU cérebro vai ficar piscando... Não é porque eu queira, porque não é... É porque acontece assim e eu já vi e já fiquei sabendo também. É muito importante isso. Não sei por que, só sei que é. E acontece quando eu me esquecer que você existe, qualquer que seja esse "você". Quando eu esquecer, o ponto "eu" acende em você. Pode esperar para ver, quando eu acender, você já sabe. Acho que estou avisando um pouco tarde, mas... "Antes tarde do que nunca" não é uma frase que caiba aqui, pois tenho certeza que você, se pudesse escolher, escolheria nunca se lembrar de mim, porque vai doer. Se voCê gostar de dor, talvez seja mais fácil. E "quem avisa amigo é" também não cabe, porque sabemos que não sou sua amiga; essa palavra tem um conteúdo muito profundo para ser compreendido por alguém que me deixou escapar. Enfim: é muito simples. Enquanto eu estiver vivendo a minha vida, tudo à sua volta que tiver ligação comigo vai ser percebido por você, detectado e associado a mim e, de imediato, todo o seu ser estremecerá de saudade ou remorso, por eu não estar mais disponível a você. Estive pensando se seria uma questão egóica minha escrever isso, querer ser lembrada pelas pessoas que se foram, que foram muitas, mas mesmo quando eu não quis outras pessoas me escreveram cartas testemunhando os fatos que estou falando, então... Pode ser que sim e que não também. Ainda me lembro, por isso escrevo. Mas isso só funciona quando eu esquecer. Capisci? Não é para ter medo. É só uma coisa; se você não soube lidar comigo na sua vida, e isso é verdade tanto para mim quanto para você, nossos deuses se ressentiram disso e eu paguei a dívida na dor da perda, mas... E você? Que nem parou para perceber? A negação de mim é a negação de Deus, e o universo vai cobrar, cedo ou tarde. Entendeu? Existe a possibilidade do total esquecimento, mas aí... É com você. Jamais me esquecerei das coisas que são importantes para mim, como DEUS, por exemplo. O meu DEUS, sagrado e profundo. O meu DEUS, ínfimo e pertencente a tudo. O meu DEUS em todos os detalhes. Quanto mais maldita, mais sagrada. Você me dá dor e eu faço música. E você, faz o quê? Esquece? -Risos- Não, você não vai esquecer.
>:)

Carta de amor




terça-feira, julho 28, 2009

O "perdão"

Hoje recebi uma mensagem via celular de uma pessoa que, há mais ou menos um mês, para defender um ponto de vista específico, beijou o meu ex-namorado na minha frente. Essa pessoa queria me mostrar que eu não tinha o amor, o respeito nem a fidelidade desse "ex" (estávamos ainda no processo de término -- eu estava). Bom... A mensagem foi em um tom tão casual que eu quase me deixei levar. A dor que senti no dia do tal beijo foi devido à afronta, à traição do meu momento lúdico, me roubando o prazer da noite e o substituindo por desamor, desrespeito e deslealdade. Mas, devido ao tom desapegado e frouxo da mensagem, quase coloquei de lado tudo aquilo (o beijo em si foi ridículo, um duelo de espadas -- por uma donzela!), e quase as deixei entrar de novo em minha vida. O tom foi tão casual, como se nada tivesse acontecido, que quase me convenceu. Quase-me-convenceu. A não ser pela suspeita imediata que me gerou.
Então, a razão diz: todos são dignos de erros e erros são humanos. Até eu estou sujeita a erros. Mas eu me permito? Eu me permito errar assim? Eu me permito magoar as pessoas que eu chamo de amigas dessa forma? Eu me permito me atrair e ficar com os namorados e maridos das minhas amigas? Eu me permito sujar o espaço que as pessoas me concederam em honra e confiança, das suas casas e corações?
Quando chamo uma pessoa de amiga, quando essa pessoa tem acesso aos recônditos do meu ser, sabe onde me escondo, onde me retiro, o que sinto, o que penso, o que faço... Eu espero que ela reconheça o valor desse espaço, a honra que é para ela estar presente nisso, fazendo parte da minha vida e espero que cuide desse bem. Em troca, ela tem a minha lealdade e o meu amor. (...) E, por milhares de vezes, as pessoas entraram com sapatos imundos de lama no chão que eu acabara de limpar, cuspiram, comeram, beberam e se entornaram no chão sem a menor oferta de ajuda para colocar as coisas de volta no lugar. Saíram sem o menor pudor para a próxima festa e para o próximo banquete, sem nem ao menos ligar para agradecer o tempo em que ficaram nesse espaço. Foram pessoas que eu deixei entrar.
Essa "punição" de deletar as pessoas que me cortaram (e quem cortou quem primeiro -- eu sou cortada apenas uma vez, é sempre um corte no ventre, é sempre esse golpe baixo e sujo que expõe as minhas tripas em público. só que é UMA VEZ para nunca mais) é de fato uma punição de quem? Acho que é uma punição de mim mesma por ter errado, por não ter previsto o imprevisto, por estar na hora certa e no lugar certo para o momento errado acontecer, por ter tido essas experiências e não outras, que fossem boas de fato.
Acho que talvez existam pesos e medidas diferentes: se alguém me corta o braço, ele cicatriza em duas semanas. O perdão vem mais rápido. Se alguém me expõe à visão das minhas próprias tripas, além de dermes e músculos, em um mês não estarei pronta para sarar. E o perdão não vem tão simples assim.
E isso é ficar apegada às sensações ruins? E isso é não perdoar? Ou ainda não passou o tempo necessário para eu me concentrar em outras coisas (coisas mais importantes, novas alegrias)?
As novas alegrias ainda não apareceram por aqui, porque a cicatriz está só a meio caminho andado e eu levo muito tempo para me recuperar dos baques então, que forças tenho eu para ir ao mundo? Que forças tenho eu? -- De ter as tripas expostas por uns MERDAS! Se sou tão facilmente abalável por esses malditos que amei, que forças tenho?
É esse o perdão que não me dou. Não é aos outros que preciso perdoar, é a mim.
Eu convidei o vampiro para entrar. Deixei que ele traçasse os passos; ele se deitou comigo na minha cama, beijou a minha boca naquela mesma noite por iniciativa minha e me deixou com a porra de uma qualquer-Verônica, um livro de poesias-manual-de-instrução-extraviado (que só chegou depois do namoro) e RUIM e a memória desse beijo escroto. E onde é que isso fica, atravessado em mim?
Se esse é o tipo de gente que me cerca, que tipo de gente eu sou?
Mas se eu não me importasse comigo, se não me gostasse, se me permitisse voltar a falar com essas pessoas não estaria embarcando nas mesmas ondas superficiais e descuidadas em que elas flutuam? E agora que sei diferenciar joio de trigo, não é adequado que afaste os dois lados? Inclusive, não é esperado que eu faça isso?
Ficar sozinha e em silêncio é uma prova de amor a mim, respeitando o meu tempo de cicatrização? Ou é uma punição por eu ter caído na mesma história de sempre e ter me envolvido com pessoas sem a menor cautela, pessoas que eu não sabia bem quem eram. Pessoas que achei que tivessem honra e que não tinham (...)?
Um tempo para pensar. Quanto tempo levar.
Mas essas pessoas que foram não voltam mais, porque eu não vou deixar.
E a mim não terão jamais. Acho que esse é o pior castigo que posso dar.
E quanto sofro com isso...

A cup of tea to settle it down

I had you inside my stomach. It was upsetting. How come you didn't love me? I know you know how it hurts to fall flat on your knees. You have your scars, I got mine. I tried to kiss your pains away, you brought yours to me and I gave in. And you got out. But this isn't about pride, it's about a broken heart, the loss of love -- which is known and here and always -- while you're not. It's about the about the mountains and it's about my shoes. How come: So many shoes, so many colors of a lost rainbow to your eyes; you never saw it. So many shoes, so many outfits and none of them have made you stay? There was the writer, there was the singer, the plain woman and the lonely girl with her fancies. There was the mother and the sister, and there was the fairy and also the demon. So many outfits, so many looks, so many hairs and moods: just like a doll. And you didn't even fell for the naked. Your next stop will be falling flat on your face. Because you just never learn, and I don't either. My next stop will be another broken heart (because I tend to think I got nine lives when I don't -- and how many are already gone?)

domingo, julho 26, 2009

Para onde vão todas as nuvens?


Primeiro o céu estava azul. Depois, havia uma única nuvem muito comprida, sozinha e apressada seguindo na frente, apontando em uma direção. Atrás dela, várias outras juntas, brancas e rechonchudas pareciam apostar corrida, mas elas também passaram, levadas pelo vento. Então vieram outras com mais calma, e o céu foi ficando mais cinza do que azul. Essas nuvens caminhavam muito devagar e deviam ser mais velhas, pois também eram mais escuras e traziam o peso da maturidade nelas. Acho que todas essas nuvens estavam indo em direção ao encontro de nuvens, lá perto da montanha mais alta. Já ouviu falar? As nuvens mais jovens foram na frente para aproveitar melhor e, as mais velhas, caminhavam na velocidade que podiam, atrás de suas nuvens filhas e sobrinhas. Todas as nuvens de um céu são aparentadas. É que as nuvens são seres muito sociáveis e adoram fazer encontros em lugares bem altos e úmidos. Elas gostam de se encontrar e dançar, de conversar muito alto -- daí que vêm os trovões -- e os raios nada mais são do que as luzes da discoteca das nuvens. Então, quando a montanha chega e impede que elas sigam adiante, elas começam a discutir e, às vezes, a ficar bravas pela aglomeração, e aí fazem muito barulho. Quanto mais nuvens se aproximam, maior fica o burburinho. Até que, de toda a confusão, dá-se a chuva, que faz com que as nuvens se dissipem. A chuva é o jeito da vida de diminuir a população das nuvens. Elas resolvem deixar os céus e vir se aventurar aqui na terra. Quando uma nuvem se desfaz em milhares de gotículas, elas fazem as maiores aventuras aqui embaixo, mergulham em poças, formam rios e laguinhos. E o céu volta a ficar azul, até a próxima reunião das nuvens.

domingo, julho 19, 2009

Almofada rosa com rímel preto

Eu conheço esse choro. Os olhos pretos ficam na almofada, rosa. Borrados, manchados, molhados. Choro de ontem, de anteontem, de todos os dias até hoje, choro que vem da infância, choro do passado e de algum dia no futuro também. Choro-faxina. Choro-vagina. Chora, menina! Chora tudo... Chora e vem comigo, explorar. Chora sem vergonha. Chora, sem-vergonha. Se envergonha, e chora. Chora. Xota. Xota. Bota para fora, enxota. Tudo molhado ao redor da almofada. Rosa cansado. Olhos inchados. Tá, tá usada sim. É, foi, se deixou ser usada assim. Não sabia o que era o amor! Não sabia que o amor era unicamente de si para si mesma; Achou que poderia vir dos pais, depois achou que podia vir do peito, depois achou que viria das irmãs que achou por aí (só para saber que jamais seriam amigas), depois dos namorados, ficou procurando o amor em todos os homens que passaram por sua vida e acabou aqui, ínfima, borrada, transbordante, íntima de si, estranha a tudo mais. Então chora. Chora. E vamos embora que amanhã tem vida.

quarta-feira, julho 15, 2009

O poder das convenções sociais

O que você gosta de fazer, quando encontra alguém? Dar dois beijinhos no rosto, um aperto de mão, um abraço? O cara gostava de dar selinhos, de apertar o peitinho das amigas ou de apertar o saco dos amigos. Ele era doido? Muito sexual? Puras convenções sociais. Acreditava que seria muito mais honesto cumprimentar as pessoas pelos seus órgãos genitais, sacudir o pau, ao invés da mão, pegar nos dois peitos e apertar a bunda. Ele dizia que os macacos faziam assim e que, por isso, ele estava isento de culpa. Os cachorros cheiravam os rabos uns dos outros. No reino animal, era assim que os bichos se conheciam, pelos seus "cheiros". Para ele, estava tudo certo. Mas ele não conseguia ser feliz, porque as pessoas não o compreendiam. Suas crenças eram muito peculiares, impossível de ser colocadas em prática no dia-a-dia. Tentava consertar a pia da cozinha, mas, quando o encanador chegava e tinha o seu pau apertado, dava-lhe um soco na cara, no menos esbravejava e lhe dava um empurrão. Nada ficava decente em casa, pois as amigas, com medo do assédio, deixaram de aparecer, e também as empregadas. Ele vivia sozinho, muito apegado às próprias crenças. Ficava satisfeito de ser tão íntegro. Incapaz de se enturmar com as moças e os rapazes que talvez gostassem de ser tratados dessa forma (porque não sabia bem que isso existia. Um grupo de pessoas que pensassem como ele, que o aceitassem como ele era, de fato.) E foi assim com o homem da padaria, o do jornal, etc. Todas as portas se fechavam quando ele passava. Ninguém queria cumprimentá-lo. Mas ele achava que o mundo não era capaz de reconhecer a sua genialidade, que o mundo não estava ao seus pés, muito apegado que era às próprias crenças.

quinta-feira, julho 09, 2009

O dilema de I I

-- Eu quero. Você também quer?
-- Eu quero.
-- Então vamos.
-- Vamos.
E deram um com a testa no outro porque, para cada um deles, o "ir" era em uma direção. Infelizmente, eram sentidos opostos.
-- Ei, por que você está indo para lá?
-- Como assim, é para onde devo ir.
-- Ué, mas não íamos juntos?
-- Sim! E por que você não vem comigo?
-- Porque é naquela direção que devemos ir.
-- Devemos? Eu não devo nada. Vou na direção que eu quiser.
-- Mas não queria vir comigo? Então o que importa a direção? Estar comigo não é o suficiente?
-- Se eu for com você, esquecendo de para onde estava indo, não estarei esquecendo de mim também, para ir com você? Não quero me tornar você.
-- Nem eu quero que você se torne eu, nem pretendo me tornar você, mas... Vamos juntos?
-- Vamos.
-- Para onde?
-- Não sei, você decide agora.
-- Ah, como assim? Vamos conversar. Me explique por que você antes queria ir para lá, que eu digo por que acho que devemos fazer exatamente o contrário.
-- Bom, mas se você já sabe da sua verdade, antes de eu dizer a minha, do que adianta conversarmos? Não vamos sair de lugar nenhum!
-- É, mas já estamos parados aqui, pelo menos, nos conhecemos um pouco melhor. Achei que já estava acertado a direção que deveríamos seguir. Acho que o que vale mais é o amor.
-- Você, por amor, abandonaria a sua direção para ir na minha?
-- Talvez.
-- Talvez o quê?
-- Se você me apresentasse argumentos válidos. Hum... Mas se os argumentos fossem mais fracos que as suas atitudes... Acho que entraria em conflito e não conseguiria mais confiar em você.
-- Bom, eu já conheço uma pessoa que foi naquela direção em que eu estava indo.
-- Conhece alguém? Que alguém? Quem é essa pessoa?
-- Ué, uma pessoa! Qualquer pessoa! Mas eu conheço.
-- O que quer dizer com isso? É alguém do seu passado?
-- Ué, CLARO! Se não está aqui agora e eu conheço, só pode ser do passado...
-- Não se faça de desentendido! Sabe muito bem o que quero dizer. Você não foi na minha direção comigo, mas ia na mesma direção da pessoa que você conheceu no passado. Que ótimo! Parabéns. E de estresse agora, já não consigo nem mais andar. Acho que você só pensa que me ama.
-- Eu não acredito em amor. Só acredito em andar.
E assim, permaneceram discutindo, se amando profundamente, ambos batendo testa com testa; um queria seguir pela mente, o outro pelo coração. Ficaram assim até que todas as noites e todos os dias haviam se passado, o sol havia secado a água dos corpos, os urubus comido o que sobrara de suas carcaças e, agora, só restava pó. Ficaram juntos para sempre, parados no mesmo ponto. Até que passou uma brisa ligeira e separou as poeirinhas cósmicas. Uma poeirinha um passarinho comeu, a outra, um lagarto. E, mais a frente, foram defecados no solo, de onde nasceram florezinhas...

terça-feira, julho 07, 2009

Mês da Baba Yaga - "Ao caldeirão!"

Dia 02/07, quinta-feira, fui comemorar o final das aulas em um bar, em Botafogo. Ótimo encontro, cerveja gelada, tudo bem. Pagamento da conta: passei a senha do cartão, mas a máquina não completou a operação. Pedi para o garçom imprimir a fatura da máquina para ver se tinha computado. Não tinha, o número do cartão era outro. Tive que passar a senha de novo. Na fatura, estão me cobrando essa conta duas vezes. Terei que voltar a Botafogo para discutir no restaurante, dizendo que estão me cobrando indevidamente e ELES terão que entrar em contato com o cartão para resolver. Menos uma tarde de trabalho, e eu ganho por produção. E só poderei resolver isso na semana que vem, que é quando a central do cartão terá certeza de que esse valor duplo entrará mesmo na fatura do mês que vem ou não.

Dia 03/07, sexta-feira, dia de Vênus, uma amiga havia voltado de viagem há uma semana e me chamou para ir a um bar novo que abriu aqui no bairro (não era aniversário de ninguém), e eu fui, mesmo que tenham me chamado em cima da hora de sair. Já eram mais de 22hs e eu não trabalharia mais, de qualquer jeito. Fui com ela, o namorado dela e uma amiga. Chegando lá, a amiga, que tinha que acordar cedo no dia seguinte (e antecipando a furada), deu no pé, me deixando sozinha com ela e o namorado, que ficaram se alfinetando a noite toda. O bar estava cheio, o som estava altíssimo e o serviço, péssimo. Ele com as crises dele para um lado, ela com as crises dela para o outro, e eu no meio. Eu já fui um dos lados do casal-briguinha, mas nunca tinha sido a pessoa do meio! Ok. Ao colocar o meu limite "Amados, não saí para ficar ouvindo brigas de vocês", angariei a raiva das pessoas. Domingo eles fizeram um almoço para "os amigos" e eu não fui convidada (também não teria ido, visto o que me aconteceu na noite de sábado e quão pouco afim de socializar estava).

Dia 04/07, sábado, foi um evento duplo: fui comemorar o aniversário de um amigo querido que também me convidou para ir beber cerveja, mas, nesse dia, o meu ex-namorado e atual paixão estaria aqui no Rio (ele é de outra cidade) para pegar os seus pertences que ficaram aqui e ficar um pouquinho comigo, talvez até o dia seguinte (estávamos num clima amigável e carinhoso). Tudo bem, estávamos nos divertindo todos juntos, mas o amigo que era aniversariante estava alucinadamente bêbado, querendo beijos na boca das pessoas. Depois queria com língua. Eu não dei, o melhor amigo dele não deu, mas o meu ex-namorado, querido, deu! Na frente das pessoas que estavam lá, comigo ao lado dele, e aquele beijo em destaque porque os dois estavam de pé. E o meu amigo (não o ex-namorado) veio gritando atrás de mim (sim, porque fui embora, antes entornando a minha vodka com limão e gelo na cabeça do ex -- e se alguém achar cômico, que esteja no meu lugar alguma vez para ver se acha engraçado) que ele sim deveria ser pai dos meus filhos porque ele seria fiel a mim enquanto o outro jamais seria, e que nós criaríamos uma criança feliz! (Isso sim é meio engraçado... Mas um tanto quanto surreal. Uh... Acho que nasci em um universo paralelo ao da realidade, só pode. Fato: era noite de lua cheia também, tanto no meu nascimento quanto nessa data maldita.)

Dia 05/07, domingo, comemoração do aniversário de vovó que completou a linda idade de 93 anos, e fiquei sabendo de um segredo de família seríssimo que todos sabiam, menos eu e meu irmão, há mais de dez anos. Claro que isso foi menos importante do que o fato em si, mas... Efeito defastador tremendo. Não posso contar o que é porque estaria invadindo a privacidade das pessoas e a minha também. Passei outra noite em claro, chorando, encolhida. Ninguém sabe disso, ninguém pode ou poderia imaginar.

Dia 06/07, segunda-feira, o ex-namorado descobriu que eu, dentro da minha razão e raiva, havia apagado todas as fotos da máquina dele, fotos da festa junina das amigas dele para a qual não fui convidada e fotos do Bauer Fest, para a qual também não fui convidada. Fotos das ex-namoradas dele e "amigas". Pena que apagando as fotos não se apaga também as pessoas. Eu gostaria de ser uma pessoa care-free, mas sou apenas absorvente.

Dia 07/07, terça-feira, liguei para o cartão de crédito para ter todas aquelas notícias maravilhosas que falei no primeiro item.

1) Estou com medo do que o futuro guarda para mim, embora creia que seja apenas esse mês, Saturnino, na astrologia védica.
2) Não me chamem para comemorações de aniversário até o final do ano.
3) Por favor, pensem duas vezes antes de me ligar, porque se forem fazer críticas, dispenso.
4) Preciso trabalhar, mas o pensamento está lá longe.
5) Antecipei a terapia da semana que vem porque o coração deu um nó.
6) Pelo menos esse mês vou ficar mais bonita. Será que isso é compensação?
7) Só para constar, porque gosto de sete mais do que seis.

segunda-feira, julho 06, 2009

Silêncio no tumulto

Na minha última visão, vi que precisaria ficar em silêncio. Ser a Virgem necessitaria falar muito pouco; compartilhar mais em energia do que em palavras. Mas foi só sair do transe que isso passou. Não consegui manter. A vida me faz ser sociável. As saídas me fazem falar mais do que gostaria. Estar disponível às pessoas me obriga a gastar quando eu quero e preciso conter. Mas a necessidade do silêncio é enorme, premente. Falar o mínimo possível, só mesmo o necessário, e com muito poucas pessoas. Para evitar machucar e ser machucada. Essas pessoas especiais conseguem sentir como estou sem nem mesmo precisar perguntar, e já sabem os caminhos que estou atravessando. Pessoas que, como eu, não julgam apressadamente, não imprimem rótulos, usam menos adjetivos. O que acontece é que vou falar a verdade, e vou ouvir verdades de volta. Mas as verdades são muito subjetivas e, como tais, as verdades podem ser precisas em magoar, sem resolver nenhuma questão. E chega disso, agora. Amor e respeito me valem mais do que as verdades. Prefiro calar mas, quando requisitada ou provocada, são verdades que vão sair. Existem problemas como "ai, não gosto do meu namorado mas não consigo terminar com ele", e existem problemas como "sou soro positivo", e estou lidando com pessoas que têm todos os tipos de problemas agora. Mas, uma coisa é uma pessoa estar perdida na vida e outra coisa é tentar fazer com que eu me perca. Com amor e com carinho eu lido com todos, mas, até respirar se torna cansativo. Não há a força de um novo amor para dar impulso e eu preciso tirar essa força apenas de mim mesma. Sei que tenho essa força e uma ainda muito maior e, por isso, a vida traz esses testes de "equilíbrio". A palavra certa é: malabarismo. A pressão comprime, o estômago sente. Não deixe cair nada. Continue trabalhando, mesmo que, vinte vezes ao dia você deixe a cabeça despencar sobre a mesa, olhando a superfície lisa da madeira, contemplando o vazio existencial e as dores que sinto. É verdade, transformo as pessoas e sou transformada por elas, fortemente. Faço isso através do amor, e os tipos que atraio por conta disso são inúmeros. Todas as crianças carentes, surtadas, perturbadas, menosprezadas, precisando de alimento, calor e atenção. Crianças grandes que, quando alimentadas, pisam em você sem o menor escrúpulo. Crianças podem ser cruéis. Não vêem os terroristas? O que eles são, senão crianças perdidas em suas fantasias? Estou centrada, apesar do tumulto. Estou sofrendo, apesar da alegria. Estou bem, apesar de não parecer. Estou feliz com minhas conquistas, apesar de serem profundas e tensas. E peço à vida para trazer experiências mais refrescantes, para compensar um pouco, as últimas que tive.

quinta-feira, julho 02, 2009

HARMÔNICOS

Alpha(. . .)
Ela precisa; é, ela precisa, ela precisa, ela precisa, ela precisa. Aqui é vazio. Aqui é vazio, aqui é vazio, aqui é vazio, aqui é vazio. (...) Eu sou incompleta; ela é incompleta, ela é incompleta, é incompleta, incompleta. Preciso ser amada. Precisa ser amada? Precisa ser amada, precisa ser amada, precisa ser amada, precisa ser amada. Preciso encontrar a saída. Ela precisa encontrar a saída, precisa encontrar a saída, precisa encontrar a saída, precisa encontrar a saída. A saída é por aqui? A saída é por aqui? É por aqui, é por aqui, é por aqui, é por aqui. A saída é por ali? A saída é por ali, é por ali, é por ali, é por ali, é por ali. Vocês não podem me ajudar? Vocês não podem me ajudar? É, não podem ajudar, não podem ajudar, não podem ajudar, não podem ajudar. Por que ficam repetindo? Repetindo? É, ficam repetindo, ficam repetindo, ficam repetindo, repetindo. Vou ter que achar a saída sozinha? A saída sozinha? Achar a saída sozinha, achar a saída sozinha, achar a saída sozinha, a saída sozinha. Vou ficar perdida para sempre? Ficar perdida para sempre? Vai ficar perdida para sempre, vai ficar perdida para sempre, ficar perdida para sempre. Ah, vocês não servem para nada! Não servem para nada? É, não servem para nada, não serve para nada, não serve para nada, não serve para nada.
(. . .)Omega

terça-feira, junho 30, 2009

Asas abertas

A mulher escarlate, donzela vermelha acordou. Leões e águias, fogo, terra, ar e água e um amor profundo. Segredos do universo foram compartilhados. O ovo foi finalmente chocado. Ela entendeu o casamento entre a Terra e o Sol que, sendo o pai sagrado, deu a ordem de criação que a mãe Terra acolheu. Dentre todos os planetas no sistema dessa estrela, foi apenas aqui que a vida floresceu. Um amor profundo, um prazer profundo, riso e dor. Estar vivo e a serviço do amor divino é tarefa árdua que preciso assumir sem preguiça, e sem mais delongas. Ser a Virgem que encontra a sua grandiosidade na própria insignificância. O tempo passa como sempre passou. O tempo e o Sol são eternos. Desde a primeira gota de existência nesse planeta eles existem, e existirão até os últimos momentos, se é que existe algo como "últimos momentos" pois, na Terra, o ciclo é eterno de vida e morte. A transformação garante a eternidade. A Terra não conhece o fim. O fogo sagrado fecundou o meu ventre e, por isso, me preparo para ir até o meu noivo. É uma vida inteira de preparos, o aperfeiçoamento da mulher noiva de Deus. Meu coração já foi tomado, o Sol, nosso pai, e só a ele pertenço. Sou a lua. Sou a donzela vermelha, a mulher escarlate. Possuo a pureza da criança, mas em meu ventre já existe sangue. Meu poder, dentro da taça. A imortalidade será concedida apenas ao cavalheiro que se entregar ao graal, cada gotícula de sangue que tiver, precisa ser depositada nessa taça. A mulher venerada como símbolo que carrega todos os segredos. A Terra, a mulher, que acolheu a ordem do Sol de criar. Ela dá as formas. Diante do fogo sagrado eu sorri, e depois do sorriso veio a gargalhada e o sorriso de lado de escárnio a todos os tolos presos em teorias. Podem ler todas as fórmulas do Universo que jamais entenderão, a não ser que se doem inteiramente. Mas quanto medo de se perder, quanto medo de perder o poder masculino de controle, ordem, ego. MEDO. Penso se é que existe algum cavalheiro vivo capaz de compreender a alquimia sagrada, que queira se unir ao feminino desejante de criar, à procura do instrumento de criação da vida. É na mulher escarlate que se encontra todo o poder dado. Apenas a mulher escarlate concede a imortalidade. Um homem sem a mulher escarlate jamais será um Rei. Pode ser, no máximo, um Hermitão, sozinho, mas jamais terá um reino.

sábado, junho 06, 2009

Trégua?

Finalmente o tempo resolveu me dar uma trégua e esconder aquele sol brilhante antipático, se transformando em algo mais a ver com o meu humor do dia. Não é um dia-a-dia o meu, é uma vida-a-vida (acabei meu primeiro Clarice Lispector ontem). O humor do dia é um humor da semana, que vem se estendendo. O meu humor não é apenas o de uma mulher rejeitada. É o humor de todos os sofrimentos que as mulheres passaram pelos anos de existência no planeta Terra. Primeiro quando as sociedades deixaram de ser matriarcais e passaram a ser patriarcais, e a liberdade sexual das mulheres passou a ser completamente execrada pelos anos de história (pois se antes os conhecimentos eram passados das mães para os filhos, pouco importava quem era o pai). O que somos agora, senão um reflexo maldito disso tudo? Depois veio o cristianismo que partiu a mulher em duas: santa e prostituta, e que as duas não se encontrem. O Holocausto foi fichinha se comparado à Inquisição, séculos antes, e todo aquele caos esquizofrênico e neurótico em que a Europa se transformara, chamando de bruxas as mulheres que mantinham, secretamente, seus cultos às deusas (especialmente à Afrodite, claro) e queimando essas mulheres na fogueira. Entre os crimes praticados a fogueira era o mais leve, porque eles (os patriarcas cristãos) submetiam essas mulheres à humilhações e torturas sexuais antes de queimá-las (e só com fogo mesmo elas poderiam se limpar dessa podridão). Então a minha raiva e a minha angústia não são apenas de uma mulher que reflete o perfil de apenas uma deusa, mas sim de todas as deusas que vieram a ser renegadas por todos esses séculos. Milênios! Então, definitivamente, esses reflexos dourados não combinam com a minha personalidade lunar. Que venham os cabelos prateados, brancos, e que eu escureça as madeixas. Porque nas metades do mês em que desço ao Hades você não me parece um parceiro tão adequado para o meu amor, para toda essa força que tenho, não querendo ser um deus você mesmo e se eternizando como uma criancinha. Nas metades em que colho margaridas com Deméter, tudo está ok, porque é tão agradável o amor às crianças. Mas quando eu empurro as margaridas à vida, lá debaixo da terra, então percebo tudo de um ângulo diferente e, me parece, que você quer o cólo da mãe terra, um cobertor quente, enquanto eu sou a personificação do amor. Mesmo que agora eu seja puro ódio.
Como disse antes, ainda bem que o dia apagou aquele sol antipático e me trouxe nuvens cinzas. Digamos que seja um sacrifício ou uma transformação do amor para mim, a mim e A MIM! Se chover, eu vou pra rua. Uma cerveja à Deméter! Bebo em nome de Afrodite e Perséfone, deusas mais fortes em mim. Não sou uma feminista, só de raiva; sou uma feminina. Toda-toda; dos pés até a ponta do fio de todos os meus cabelos. Hoje eu só bebo em nome às mulheres porque é tudo o que eu sou e tudo o que posso ser.

sexta-feira, junho 05, 2009

Xixi de groselha, xixi de groselha, nunca comi da frigideira antes, ovo mexido saindo fumaça. Eu caprichei no sal. Meia garrafa de vinho de ontem pra hoje. Sexta-feira de lua QUASE cheia. O cavaleiro é de pedra e, o castelo, de areia. Mas o xixi... eu já falei. Isso não é jeito de se começar uma história. Achei que poucas linhas bastariam mas eu gosto de falar pra caramba com os dedos, mais do que de qualquer outro jeito na vida, não consigo parar depois que começo, até pra São Paulo eu falo, até pra Goiânia, pra onde for, pra qualquer lugar, qualquer lugar fora de mim, dentro de mim. Isso não faz nenhum sentido e nada pouco importa. Fazer compras é doloroso, escolher é doloroso, saber é doloroso, prefiro a inércia mórbida (ou a morbidez inerte?)? -.-
Gosto de falar pra caramba com os dedos.soded

I wanna be sedated

I thought I wanted your love, now I don't know anymore

:).
is that a happy ending?
Acho que pode ser uma meia lua ou uma barriga de gravidez precedida por dois pontos e sucedida por um ponto final. só a idéia dessas coisas foi preciso para haver um ponto final. só em idéia você se relaciona com as pessoas, com as mulheres, só na sua cabeça elas todas existem, e eu. você só se relaciona comigo em idéia, só em idéia gosta de mim, só em idéia vem ficar comigo, só em idéia, mas não em imaginação, então lança a idéia e se aquieta com ela, mas eu preciso do algo mais... material. preciso das matérias: pegar, sentir, cheirar, provar. Sentir. Tato. Boca. Olhar. Tudo muito subjetivo-objetivo, mas tá tudo aí. É pegar ou largar, porque comigo é sempre oito ou oitenta. Infinito.

quinta-feira, junho 04, 2009

Hare Krishna

Hare Krishna. Acendo um incenso em nome das pessoas que morreram no acidente da Air France. Coloco as mãos juntas, diante do peito, para me unificar antes, e passo a desejar que a ponta do incenso seja também uma ponta de esperança e acolhimento às famílias das vítimas, que tiveram pessoas queridas arrancadas de si com tanta brutalidade. Acredito em karma. Mesmo assim, só porque faz parte da experiência de vida dessas pessoas, não vejo por que não poder desejar igualmente que consigam passar pelas suas dificuldades da melhor forma que puderem, naquele momento. Não vejo como solidariedade possa ser apenas uma coisa de Cristo, nem como enviar amor seja interferir também nas vidas alheias, sendo contra Thelema. Só estou enviando um pouco da minha energia, do meu amor pela vida, e que as pessoas façam como quiserem ou o que puderem com isso.
Ontem, no metrô, naquela hora em que os vagões ficam lotados, entrou um pai com seu bebezinho no colo. Lógico que ele pôde se sentar. O bebê era muito bonitinho, e estava com os olhos e o nariz completamente vermelhos, o que chamou a atenção de todas as mulheres em volta. Impressionante de quanta energia uma criança dispõe e quanta energia dispende. O fluxo energético indo diretamente para a criança, pelo carinho que aquelas mulheres estavam enviando ao bebê, energia que envolve, energia de mãe -- das novas, das velhas, não importa; era uma coisa de instinto protetor -- por ele estar doentinho, foi muito forte. Enviei um pouco também, mais do que gostaria, pois eu tentei ter controle do afeto sobre aquela criaturinha, e não consegui impedir minha energia de sair (pensei, "pequeno vampirinho") mas, reparando, consegui frear no momento em que as outras mulheres enviavam, e procurava enviar nos momentos em que elas se distraíam. Mas... Eu sabia que elas não tinham notado nada disso. Estavam, apenas, hipnotizadas através do próprio instinto de mulher, com o bebê. Acho lindo quando o pai é cuidadoso assim com a sua cria e leva ao médico, sozinho, sem a mulher, ou leva para passear. Fico extremamente comovida. Pais que assumem o lado "nutritivo" junto com a mãe. Acho lindo. Desejo o mesmo para mim, e o mesmo destino aos meus.
"Hare Krishna, Hare Krishna,
Krishna, Krishna, Hare, Hare."
Ontem, ao chegar na faculdade, me deparei com um acidente. Um homem foi atropelado na saída de um 435 do ponto final, que fica na porta da minha faculdade. A ambulância da Samu já estava lá, e também os bombeiros, e aquele saco preto que cobre a vítima. Apesar de eu ter visto um tênis Adidas para fora do saco preto (que já foi mais do que eu desejaria ter visto), disseram que foi um senhor. É estranho entrar em contato direto com essas forças.

sábado, maio 30, 2009

Ascendente em água - água costuma vazar

Agora lembrei de tudo: por que não me lembro de absolutamente nada do segundo grau. Eu não tive nenhuma ligação emcional com aquelas informações! E a ligação emocional com as informações É O QUE FAZ a água deter a informação. Fora isso, as informações são levadas pela correnteza. Não dá pra estudar e trabalhar com algo que não desperte as emoções, as minhas paixões. É só por isso que não lembro as relações físico-químicas interesantíssimas do segundo grau. Foram apresentadas desprovidas de ligação emocional ao mundo que eu conhecia. Tenho certeza que foi o mesmo caso com Geografia e História. Tenho certeza que vou saber exatamente onde fica cada país e os países que fazem fronteira com eles assim que eu viajar para lá e viver histórias que me marquem, emocionalmente.

E então, o atraso. O mundo não valoriza esse tipo de armazenamento. "São menos inteligentes as pessoas que precisam passar pela experiência do que aquelas que aprendem a partir da experiência dos outros", foi o que escutei a vida toda. Então, precisei passar por todos os estágios que não eram meus antes de começar a me pesquisar só para saber que não tinham nada a ver comigo e, por isso, ainda sou uma criancinha aprendendo o abecedário. Meu irmão reclama que ele não é valorizado aqui no Rio de Janeiro, porque o estilo da cidade não combina com ele. Eu também sinto isso mas, agora, temo que não vá encontrar lugar no mundo que valorize o conhecimento emocional, que saiba decifrar isso, saiba entrar, se comunicar. Talvez essa função esteja destinada a mim, mesmo. Existem algumas áreas de conhecimento que me interessam, pois lidam com isso; todas as ciências esotéricas, Psicologia, Arte... e Linguagem. Nossa, como me interesso por linguagem! Uma vez que se começa a estudar os processos psicológicos da linguagem é um mundo para dentro... Estudar Linguística é fantástico, é uma coisa meio mágica. Mas... Até virar especialista... Eu não li nem todos os meus livros de astrologia! Sou um bebê precisando dizer o que aprendeu, que o aprendizado que dispuseram para mim não serviu. Precisei refazer tudo e só perdi tempo. Agora lembro de tudo.

Talvez eu não devesse ter me desfeito das cartas que me fizeram sorrir, porque... É bom manter essas lembranças por perto. Lembrarei disso de agora em diante. Manter por perto as coisas que me lembrem de tudo o que for importante E BOM. (Por isso disse ontem e apaguei, antes de postar, que eu não posso carregar todas as informações... Porque é isso que me proponho a fazer. Como lembrar de tudo o que é importante para mim se o meu código é diferente de 90% do mundo, que me lembra, a cada instante, que não sou nada? Como lembrar de ler as cartinhas das pessoas amadas que está lá no fundo do meu armário, toda vez que estiver triste? Não dá pra levar tudo mesmo. E lembrar de tudo o que conectou um processo emocional que me levou a uma revelação maior e etc etc etc) etc ETC Água costuma v a z a r

Mães de ascendentes em água: entendam quando os filhos de vocês precisarem estar conectados ao ambiente para poder funcionar. Não adianta forçar um peixinho, um caranguejinho ou um escorpiãozinho em um ambiente hostil. Ele vai secar. E até se desenvolver de novo... Coloque muitos anos desse filho debaixo da sua saia. Então, prestem atenção.

quinta-feira, maio 28, 2009

Cartas

Ficou pesado demais; o fluxo, as veias quase entupindo, o coração tardando em bater e, depois, batendo depressa demais. Não sei que fim tiveram o meu passaporte e os meus dólares, alguém pegou, acho, muito movimento em casa no último ano, obras, mudanças, etc. Enfim... Estavam guardados e sumiram. Mais de uma coisa sumiu. O meu livro de Saturno, da Liz Greene, também sumiu. Logo Saturno, que quer ser encontrado, sumiu. Procurando por eles, achei o meu número do PIS, coisa que nem em sonho eu pensaria em ter e que também estava precisando e, no processo, parei tudo para fuçar quatro pastinhas nas quais eu guardava cartinhas escritas a mim durante toda a vida; cartões de natal, de aniversário, bilhetinhos de escola e cartinhas de amor. E foi uma semana de poucas esperanças para mim, até bater de cara com essas mensagens do passado. Eu suguei para dentro de mim todo o conteúdo feliz, desejado, todo o amor que as pessoas me desejavam e sentiam por mim; todos os elogios, todas as felicidades, todas as coisas boas e rasguei em pedacinhos quase todas as representações dessas coisas na sua parte material, e depois, joguei fora. Guardava muito e queria guardar tudo, cada momento, cada lembrancinha. Senti um certo poder; rasguei as cartas de amor eterno, embora eu tenha ficado com o amor e a dedicação que foram usados no momento de escrita daquelas cartas. Rasguei as felicitações carinhosas de pessoas que jamais me esqueceram, e continuaram me enviando, ano após ano, cartões de aniversário e natal. Tem gente que realmente nunca se esquece. E foi tão interessante essa viagem. Foi tão bonita. Eu vi que também as pessoas vêem em mim a sua melhor parte, uma parte com a qual não têm muito contato, e que conseguiram, mesmo que brevemente, ver o fantástico de cada uma delas. Elas, então, acharam que eu era maravilhosa quando, em verdade, eram elas mesmas. Fiquei feliz. Muito amor as pessoas vinham me mandando todo esse tempo, e que eu estava deixando de lado; existem pessoas que são leais a você, mesmo estando afastadas. Existem outras que eu jamais imaginei que fosse encontrar uma carta delas ali, pessoas apaixonadas por mim, se declarando, mas falando coisas interessantes e bonitas (não só as óbvias e cafonas, muito pelo contrário), gente que se abriu, por algum momento e resolveu expor os sentimentos para mim. Gente que se pesquisou, se questionou, gente que se viu sem medo. Talvez, naqueles momentos, tenham sido péssimos momentos, mas espero ter tratado a maior parte dessas pessoas com carinho, como tento fazer hoje em dia. Retribuir ao máximo todas essas coisas boas que recebo, sendo generosa. Sim, rasguei as cartas mas não as pessoas, e joguei fora o peso do papel, e guardei apenas aqueles sentimentos bonitos, etéreos, leves. E aprendi hoje, muito! Porque li cartinhas que escrevi quando era pequena e tinha oito anos (e foi minha primeira experiência -- e fortíssima para oito anos -- de coração partido) e a carta que escrevi para lidar com isso, que nunca entreguei... Me mostrando uma pequena escorpiana, menina, já furiosa e cheia de rancores. E muita vontade de abraçar a mim mesma, por achar aquilo uma graça. Meu primeiro amor... E todos os outros que vieram depois. Não necessariamente apenas namorados, mas amigos também, por quem já fui apaixonada no sentido de grudar e andar pra cima e pra baixo, sem parar. Viver, sonhar e respirar aquelas amizades, morrer e ser transformada por elas e, é claro, transformar também. Fiquei tão orgulhosa de ter a maior parte daquelas pessoas por perto, ainda que longe, e de saber que sempre caminharão comigo por onde eu for. E de passar a saber que, quando pensarem em mim, pensarão em bons momentos, pensarão com saudades e com amor. Achei isso tão bonito, tão simbólico. Não sou apenas uma bruxa feia; também sou uma bruxa bonita. Isso vale muito mais do que os dólares que eu perdi.

quinta-feira, maio 21, 2009

Garganta e estômago

É preciso haver filtros. Cortinas coloridas translúcidas, pelas quais a luz possa passar quebrando em tons magníficos. Lentes de óculos escuros, uma para cada humor, para quantos dias for necessário. Até lentes cor-de-rosa sim, por que não? As vermelhas já não tanto me atraem; acho o mundo por demais marcial e cheio de UV para que mais vermelho seja pintado às bordas do meu mundo. Rosas perfumadas em cima da mesa; nunca havia visto uma rosa lilás, nem outra pink. Comprei uma de cada e ganhei mais uma. Estão belas, me olhando. Sol do meio-dia. Que mau-humor! Metade do dia hábil já se passou e estou começando o meu agora; mania de ser noturna, mania de criança de resistir (ao sono). Sol entrava pela janela sem pedir licença e quente, pelando, lambendo a minha coxa, incomodando. Foi só fechar um pouco a cortina bela verde translúcida que o mundo mudou. Tudo mudou. Nesse pequeno gesto e simplório, a vida pareceu um tanto melhor. Pessoas se protegem de diferentes maneiras. Formam pensamentos rígidos para se proteger contra as idéias invasivas alheias. No meu caso, agora, não é bem uma proteção, não é uma barreira nem um enrigecimento; é uma adaptação, um truque, para que eu não precise engolir mais do que posso cuspir, nem engolir mais do que posso digerir. É que gosto da vida em cores fortes mas quebradas em tons pastéis, já que sou fã do sombreado e do escuro (apesar de temê-lo). É preciso passar a vida numa peneira. Pedras rolam sobre nossas cabeças nessa "ida ao mundo diário". Meu conselho: use um chapéu de ralador de pedra. E use quantas lentes quiser, quanto mais melhor, se aproxime mesmo da loucura, escute todas as vozes. Mas não deixe que todas entrem, para que você não precise engolir mais do que pode cuspir, nem mais do que pode digerir. Usar as cores para acalentar-se, para sentir-se mais belo, mais feliz, mais próximo do próprio mundo. Ir ao mundo com esse matiz, morar atrás do arco-íris.

sábado, maio 16, 2009

SombraS

Escrevo em primeira pessoa para que o leitor tenha a possibilidade de se ver enquanto leitor de si mesmo. Ao invés de chamar você convidando a todos, falo diretamente a um interlocutor que é, ao mesmo tempo, narrador.

É uma possibilidade, um teste, uma inovação que faço por aqui. Não é necessariamente nem você, nem eu. Vamos tentar assim, ok? Vamos imaginar que estamos, os dois, suspensos nesse espaço da transição, e não somos nós agora, mas seres desprendidos de nós mesmos. E somos únicos, mas somos partículas, e somos todos.

Então, agora, vamos falar do momento da invasão. Um jeito de se defender é englobar o outro. Enquanto os homens fazem isso com as suas espadas, as mulheres assimilam o "estrangeiro". Assimilam seus parceiros, suas amigas, as situações, tudo. O mundo não percebe que tudo aquilo que é assimilado pela cultura de cada época passa, inevitavelmente, pela vagina gigante do próprio mundo.

Por isso é bom colocar os pingos nos "i". Os homens matam uns aos outros; oferecem resistência de ponta. As mulheres não oferecem resistência e sugam o outro para dentro. Mas ia dizendo que esse método é igualmente de defesa. Para não lidar com a exposição direta, faço a digestão do outro. É um processo muito orgânico. Não nos defendemos, necessariamente, de todos que encontramos; só quando acontecem as relações de espelho, e puxamos para nós as pessoas que vão nos lembrar daquilo que temos dificuldade de ver. Puxamos para nós pessoas que trazem as nossas sombras. Poucas pessoas trazem boas novas, nos trazem percepções irradiantes daquilo que somos; a maioria nos lembra mesmo de quem somos no aspecto telúrico, nos aspectos mais difíceis (porque são "escondidos", sólidos, secos).

Mas isso não significa que não podemos gostar desse processo e continuar tendo prazer; e quer dizer menos ainda que ele seja fácil de lidar quando acontece na realidade. As pessoas que entram em conflito estão se projetando mutuamente, e é precisamente esse o ponto mais difícil de encarar. A idéia é conseguir uma terceira maneira de lidar com as coisas, além da feminina e da masculina. Nem colocar o problema na ponta da espada, nem engolir para digerir. O negócio é conseguir pensar numa terceira alternativa, que seja (de alguma forma) o somatório das outras duas. É se aceitar enquanto ser maravilhoso e enquanto ser espezinhante também, e se amar nos dois momentos, enquanto rolam os conflitos e até depois, e o que nascer disso, dar comida pra crescer forte e cada vez mais definido em seus contornos mundanos. E aprender essa nova forma de lidar com as coisas, que precisa ser entendida e apreendida antes de ser usada.

terça-feira, maio 12, 2009

(a -) E (- i - o -) U

A dor quebrou o gelo do meu corpo; ao invés de fechar, abriu. Posso abraçar, enfim, meus irmãos e irmãs: sou livre. E farei ao contrário do que todos dizem: "POR ORGULHO -- ISSO MESMO, NÃO ACEITE MIGALHAS! JOGUE FORA", amarei independente do que ganho (ou perco) com isso, amarei mesmo longe, mesmo sem volta, mesmo sem laço, mesmo sem outro e mesmo que sejam muitos, porque agora ficou tudo claro. Amar assim é me dar o que preciso; é medicina de cura. Sou eu, dando "oi" a mim mesma. Eu estou me retirando das trevas da negação, das trevas do não amor, da não aceitação, e estou fazendo isso sozinha e por mim mesma. Hoje à noite, encontrarei esse antigo monstro e o transformarei no melhor amigo que já tive.

segunda-feira, maio 11, 2009

Balança de Véus

quase toda postagem tem um título, assim como quase toda pessoa tem um nome, assim como quase todo nome pode ter uma quase toda pessoa como dono. quase todo namorado tem uma namorada, e quase toda namorada tem um namorado, com exceção daqueles que namoram sem querer ou que querem sem namorar. eu achei que pudesse ser por acidente que acontece o amor. o gato coça as orelhas com a pata de trás. o que será que é? eu não posso. tenho mãos. eu não posso. não posso! já disse que não coço! mas tenho pulgas atrás da orelha. uma e meia da manhã, menos cinco décimos na nota final de tradução porque deixei de fazer o trabalho chato, pra discutir uma ~relação -- que não existe mais -- pasmo. mas já tinha aberto a boca mesmo, achei melhor bocejar. que antes eu preferia ser beijada, mas agora tanto faz. não quero esperar mais. quanto mais eu toco a campaínha, mas ele sai pela janela dos fundos e quanto mais ele finge que não está em casa, mais eu corro atrás. eu acho que isso é algum tipo de equilíbrio; alguma toda gente procura exatamente o que não quer encontrar e deixa de procurar o que quer, com medo de encontrar e não achar. tem gente que se combina porque o que ele gosta de fazer ele faz e ela consegue gostar porque acha que ele faz só porque é pra ela, sem pensar que ele só faz porque gosta... tem gente que se encontra assim. eu só me encontro quando perco o outro. é sempre assim. nunca encontro alguém que por motivo algum esteja aqui só porque queira ficar. as pessoas sempre estão de passagem pelas minhas raízes compridas e longas. não é que eu queira descer, é que preciso de água. preciso viver. seiva. não é que eu seja profunda, não é que eu desça por querer. é que o dia que eu puder sugar seiva de gente eu acho que me acomodo. viro uma daquelas malignas. deitou aqui para sombra e frescura, deitou na raiz e virou dacáver. assim, do avesso, porque é num piscar de olhos, já aconteceu, não dá nem pra pronunciar certo. mas gostaria que você tivesse ficado um pouco mais. tenho coceiras que não posso coçar. você vive só; quanto mais você disser que não quer, mais eu vou querer, fica um pouco difícil de equilibrar. porque quanto mais eu quero, mais você diz que não quer. fica um pouco difícil de equilibrar.

sexta-feira, maio 08, 2009

Amor

Caso não pareça, esse é um lugar de amor. E eu gostaria de me desculpar pela força além da força. Eu amo, e parece que eu mato. E eu me transformo com e sem transtornos. Eu olho para você e vejo através de. Quero transformar você também. Através do amor, mas A FORÇA é maior que eu, ela é além de si mesma, e eu devia ter escutado quando você disse que eu dava muito medo, eu dou mesmo. Eu entendo. Quero mudar isso também, quero ser toque sensível, penetrar com cuidado, com carinho, acertar de levinho, ir macio. Queria saber a hora de parar E CONSEGUIR parar. Queria não ter que ir até o fim sempre... Queria simplesmente amar, sem morrer nem matar. Eu quis você.

EU QUIS VOCÊ.

Vi uma pessoa tão diferente de mim e tão bonita, quis ter perto para aprender, para compartilhar, para entender, para amar, para achar graça e todas as coisas boas que se tem quando gostamos de estar junto. Mas você quis estar Estamira, aqui e lá e em todo lugar, sem pertencer a ponto alguém. Não pertence nem ao nosso mundo, não pertence a nada conhecido, não SE pertence. Mas eu amo. Infinitamente. E continuarei, porque não posso parar. Preciso ir até o fim, por mim. E amar dói, viu? E COMO. Não existe uma letra que possa cobrir esse tamanho. Amar sem ser amado, amar e perder. Amar e perder, por um movimento mais brusco, assusta-se o gato. É que os gatos reagem, eles são pouco donos de si. São muito flexíveis e ágeis, mas também não se pertencem. E eu pretendo ser dona de mim, para poder ser livre quando quiser e ser o que quiser quando EU quiser, e não ser o que a vida faz de mim, ou as pessoas, ou a relação, ou qualquer outra coisa fora mudando quem eu sou dentro. Mas, gostaria de me desculpar pelo controle da situação, pela falta de jeito, pela força excessiva, pelo meu modo de operar sacerdotisa de ser. I'm so sorry, Alex. EU TE AMO.

quinta-feira, maio 07, 2009

E foi assim

Que depois de uns dias dentro da sua casinha, a lagartinha, que estava tristinha, pôde se reconciliar consigo mesma e procurar uma nova folha preferida. Na árvore, as opções eram tantas, que ela mal sabia por onde começar. Via todas aquelas folhas verdinhas, esperando para serem comidas. Umas eram melhores para janta, outras para servir de cama. Mas todas podiam ser aproveitadas e todas eram lindas. E então, foi a lagartinha procurar por diversão. Afinal, experimentar todas aquelas folhas levaria um bom tempo, e ela sentia que precisava começar já.
Depois, precisava pensar a frente: onde colocar o seu casulo? Viajou, passeou, conheceu, experimentou e descobriu. De lagartinha experiente passou a linda borboleta, e saiu voando por aí, agora de flor em flor! "Que vida deliciosa", pensava. E nunca mais precisou se preocupar com os dias no sol ou na chuva. Simplesmente a natureza estava ali para louvá-la e ser louvada por ela.

quarta-feira, maio 06, 2009

Submissão


Submissão imposta -- os valores do coletivo que tentaram matar minha alma de mulher.

A parte selvagem de mim que tem como natureza amar é o mesmo bicho selvagem que rosna e uiva para a lua cheia, quando ferido. É o bicho curioso que, por ignorância, se deixou ser capturado. Sem esperanças, a jaula passou a ser a única companhia, e por isso, aprendi a comer quando colocassem comida, e a somente pedir por água quando muito sedenta. Resignação. A parte domada aprendeu a comportar, devido aos chicotes e gritos, e é claro, à falta de alimento. Mas cada dia a fome da alma era maior, e nenhuma água saciava minha sede. Um dia a lua vermelha lançou os seus raios para reunir os seus filhos, e me libertou abrindo a porta da jaula. CORRA. E aviso: corra.


Submissão por vontade -- distorção da força instintiva de mulher loba. A mulher feral.

Eu me arrumei para você, você gostou? Está gostando da comida, quer mais um pouco de vinho? Você está cansado, quer uma massagem? Ah é, você gosta de apertar com força a minha boca? Que engraçado! Pode apertar, só tente não tirar sangue, pois como irei beijá-lo depois? Chega, já está doendo... Tá bom, só mais um pouquinho. Venha, deite aqui, deixe-me esfregar os seus pés. Amor, quer mudar de travesseiro? Não? Assim está bom? Que bom. Sim, a sua vida é deveras interessante. Nossa, como você é inteligente! Amor, eu te amo. Adoro viver com você.

[Por favor -- me ama. Fica comigo. Só mais um pouquinho, só por mais um dia, só mais uma hora. Não me importo que você não se importe comigo, me chute um pouco mais, pode me bater. Eu te perdôo se você desaparecer por dias. Eu juro que amo você. Não ligo pras suas amigas, pode sair com elas sem me avisar. Eu preciso de você. Faço o que você quiser, mas fica comigo. Diga o que quiser; mas fica. Desconte em mim a sua raiva, sua impotência. Pode caminhar em mim com os seus pés calçados: eu não ligo. Mas fica comigo.]


terça-feira, maio 05, 2009

Aceite o sacrifício do meu corpo

Difícil acostumar com a idéia de finitude. Talvez essa seja a maior lição dessa época de Saturno. Não é o peso das cobranças e das responsabilidades, não é o aumento de demandas e de carga horária produtiva, mas a falta de esperança com relação ao infinito. Existe uma percepção visceral de que o infinito não é alcansável, e que talvez eu não tenha tantas escolhas assim na vida, nem tantas opções de mudança, já que eu não consigo sair das minhas próprias limitações emocionais (que são: não conseguir ignorar, não conseguir fugir, não conseguir abstrair do que sinto). O fato de precisar entrar a fundo nos processos, me doer, entender, mastigar, aprender, tirar algo de bom disso tudo. Aprender a dor, aprender o difícil, aprender o fogo, aprender a me aceitar assim, intensa, cheia de paixão, tanto para doar ao outro quanto para destruí-lo. Evito, porque sei que quando mato também morro. Mas... Como manda o livro da lei, os acertarei num golpe rápido e violento. Eleguá me emprestou sua língua. E, que o outro seja um rei para que eu não possa feri-lo. Tantos que eu gostaria de ter destruído, mas que só engoli. Cronos e pedras; sapos e nós. Nós: pronome pessoal do caso reto e também substantivo masculino. Ambos no plural. É a primeira pessoa do plural... Nós não demos aos mãos, demos nós. E eu, dei a mim mesma: mente, corpo, coração. Fui uma mulher feral; selvagem e domesticada, depois selvagem de novo. Capenga, rasgada, sem um pedaço agora. A caminho da caverna para curar as feridas.
Diz que eu não sou de escorpião agora. Qualquer pessoa que tenha me escutado na última década... A dor no peito é um detalhe, o sangue é só um detalhe no cosmos. Mas é todo o infinito que eu consigo alcançar. Para dentro, e abaixo. Presa, dentro do meu próprio corpo. Submetida por vontade própria; escolhi a limitação. Escolhi?


segunda-feira, maio 04, 2009

A secura das águas doces

Odé era dono das matas, e um dia se enfureceu porque as águas de Oxum teimavam em invadir o seu reinado. Mesmo Oxum argumentando que suas águas eram necessárias aos animais e à vida da floresta, Odé não quis saber. Recorreu a Olorun, que resolver separar bruscamente os dois reinos. Com o tempo, a mata que antes era verde e exuberante foi ficando seca e definhando, a terra não era mais fértil e os animais não tinham de comer, nem de beber. Oxum sentia-se muito solitária, mas não intercedia na decisão de Odé, e era confortada por seus filhos, os peixes. Mesmo assim, Odé não deu o braço a torcer; teimou que conseguiria alimento em outro lugar para dar aos seres do seu reino, mas sempre encontrava o mesmo cenário desolador. A floresta estava morrendo, e Olorun explicou a Odé que ele precisaria se reconciliar com Oxum. Então, Odé colocou seu orgulho de lado e foi procurá-la. Mas, antes de aceitar, ela precisava que ele reconhecesse as suas qualidades, e precisava que ele se desculpasse. E ele o fez, e então, da união e reconciliação dos dois, nasceu o príncipe Logun-Edé, a margem dos rios.

Oxum costuma dar o melhor de si, e se ofende quando não é reconhecida. Ela também foi enfeitiçada pela bruxa Oxorongá, que a grudou em seu próprio trono, impedindo Oxum de reverenciar o grande orixá Oxalá, em uma visita ao seu palácio. Mesmo assim, fazendo um grande esforço, ela se levantou, se ferindo gravemente e manchando com sangue vermelho o palácio e as roupas. Oxalá, ofendido, vai embora do palácio de Oxum, que havia sido todo cuidadosamente preparado por ela para recebê-lo. Oxum fica muito entristecida. Mas Exú intercede a favor de Oxum e explica a Oxalá o ocorrido, que volta muito feliz com o esforço dela para recebê-lo. Por isso Oxalá sempre escuta Oxum.

Será que as filhas de Oxum sempre sofrem desses males?

"eu te amo": código operacional do sistema de segurança

Certificado. A rede pode prosseguir normalmente com as operações. Código de segurança "eu te amo" encontrado no arquivo "self". Download do novo programa em cinco, quatro, três, dois... Se não tiver certeza da operação ou não tiver encontrado a informação que procura, clique aqui. Para abortar operação, clique em "sair". Para prosseguir, ignore esta mensagem.

domingo, maio 03, 2009

Para sempre

A minha guitarra acústica perdoa, ao contrário de mim. E, por isso, eu a amo. Ela me ajuda a transmutar o que sozinha não consigo. Ela me eleva a potência de universo, o que sozinha não consigo. Ela é maior que eu e aumenta o meu tamanho, o meu alcance passa a ser em ondas ao invés de intervalos. Eu passo a ser contínua, uma voz, um tom, ao invés de relâmpagos explosivos. Eu prefiro viver assim.
oo
Nos tiraram o "para sempre", já perceberam? Onde a gente pode ter o para sempre na vida? Não existe mais eternidade, porque não existe mais além. As dimensões ocorrem simultaneamente. Não existe mais reencontrar os entes queridos e passar a eternidade juntos, porque o Cristianismo não é mais a crença preponderante. Não existe mais nenhum amor que dure para sempre, nem mesmo em pensamento; não existe nada que dure para sempre. Nem a vida no planeta Terra, nem mesmo o Sol, nem mesmo a nossa galáxia vai durar para sempre. E se alguém disser que a eternidade é formada por uma sucessão de eternos inícios e fins, que universos inteiros nascem enquanto outros morrem, é o mesmo ao que estou chamando de eternidade. Mas esse eterno passou a ser finito. O Universo é menos desconhecido e é finito. Não é mais para sempre. Marte está logo ali. Nem o para sempre dos contos de fada existem mais, foram desmitificados. Não existe a menor possibilidade de esticar nossa estadia aqui e, uma vez mortos, acabou; as nossas esperanças, o poder de olhar para cima e pensar que o céu ou o mar são infinitos: não são. A água pode acabar. Os recursos podem acabar. A vida pode acabar. Nossas esperanças morrem quando acordamos para o dia de luta. O amor pode acabar. As lembranças podem ser esquecidas. Nada é para sempre. Ele se foi e deixou a sua sombra. Queremos o para sempre, achamos injusto que outras gerações tenham tido a possibilidade de crer no para sempre (mesmo que não fosse de verdade); era tão bonito. Viver com a idéia de falta, secura, limite, finitude, morte a cada suspiro, a cada esquina, a cada nova possibilidade... É EXAUSTIVO. O para sempre era contínuo, era uma possibilidade de união, e nós vivemos todos segmentados uns dos outros, segmentados dentro de nós e segmentados na própria vida. Somos os espaço entre duas palmas da mão, vivendo no intervalo de tempo entre uma palma e outra.

Morar sozinha II

Tudo fica bom na panela de pressão.

sexta-feira, maio 01, 2009

Cristiana (Maybe California)

Não seria sexy se eu começasse a falar sobre as minhas calcinhas? Elas são de algodão e algumas têm coraçõezinhos. É a primeira coisa que faço depois de me enxugar, vestir uma calcinha. Uma gaveta inteira de calcinhas, de todos os tipos. Mas então as namoradas não viriam mais aqui e se esconderiam de mim, com medo de os namorados(as) descobrirem as minhas calcinhas, o meu sexo, o meu cheiro de mulher, e proibiriam seus homens/mulheres de vir aqui me visitar, e de ler o que eu tenho a dizer. Eu não ia gostar se meu namorado visitasse um blog de uma garota que falasse sobre as calcinhas dela. Eu não gosto de pensar que existem outras calcinhas no mundo além das minhas, quanto mais o que há além delas. Poxa, eu tenho uma gaveta inteira, cheinha de calcinhas, isso não pode ser suficiente?! Eu sei que também gosto de olhar, que o corpo feminino é a coisa mais perfeita que já inventaram, mas queria por um dia inteiro não pensar em peitinhos e bundinhas, e ser um dia inteirinho toda sua. E ser a única. Queria que o seu ser inteiro, a mistura entre o seu ser masculino e a sua ser feminina, fosse namorado do meu ser inteiro, mistura da minha feminina com o meu masculino. Para que tivéssemos um dia de liberdade. Mas como desconheço a minha inteireza, e desconheço a minha própria divindade, milagre único, a minha parte mais maravilhosa (e que existe neste mundo) que sou eu, nascida assim, com tudo o que eu já vivi, eu nego a minha própria sexualidade para fingir que nada mais existe no mundo além de você e além de mim. Eu finjo esse amor, e me restrinjo. Você finge esse amor, e vai morrendo aos poucos. E vamos morrendo juntos. Eu finjo que sou só sua, que minhas calcinhas só ficam coloridas por você. Eu finjo que eu entendo o mundo como é, as capas de revista masculina, o que as mulheres fazem com elas mesmas e finjo que não tenho o menor problema com as suas amigas que também são bonitas, nem com as que são feias mas que você já ficou, e finjo que você pode ser livre sem que isso me magoe. Eu finjo que os homens internalizaram bem as suas imagens de mãe, e que conseguem sim amar outra mulher. Eu finjo porque preciso, porque tenho que sobreviver a isso, não porque eu gosto. E eu olho para você e penso como tudo isso já ficou sem graça, porque é só uma repetição daquilo que todos nós já vivemos e já sabemos que não queremos -- mas que não sabemos fazer melhor porque o mundo passa por essa transformação dos relacionamentos e nós estamos bem na curva -- mas daí a ser completamente permissivo é morte súbita. E acho que eu também prefiro ir sentindo a morte chegar, aos poucos, para ser menos traumático. Geração de plutão em libra: ainda é só o começo. "Ok".

Morar sozinha

-- preciso aprender a gostar de lavar a louça do almoço... (panelas, fogão...).

Abro mão

Abro mão da encarnação em que eu fui mulheres sem pudor, passeando nua pelos campos que ainda existiam, e dos vários amantes que tinha, homens e mulheres, abro mão de todos os dias que passamos juntos, dos passeios à cavalo, dos banhos aromáticos, dos quartos enfeitados de cetim, das luxúrias, dos carinhos. Abro mão do dia em que eu fui tão mais liberta, na mente e no corpo, e não tinha tantas preocupações e medos que me limitam tanto hoje em dia. Hoje em dia... Naquela época eu não tinha noção dessa expressão, então abro mão disso também. Abro mão das jóias, dos amores, das cortes, dos bailes, dos banquetes, das honras, dos panos, dos empregados, abro mão dos escravos, dos serviçais, dos 144 quartos, dos tapetes importados, dos cabelos longos... Abro mão das estações do ano bem definidas, do amor livre que eu sentia, de tudo o que era belo, abro mão da juventude, da saúde, da infâmia, do calor humano, da presença de outro corpo além do meu na cama... Abro mão dos suspiros, dos orgasmos, dos dias sem trabalho, da pele acetinada, de tudo feito com calma e com cuidado, abro mão de todas essas vidas. Abro mão das vidas brandas, quase sem dificuldades, nas quais minhas vontades eram feitas. Pronto. -- Olha o que eu fiz...

Abro mão - agora mais próximo de mim - do controle, da tentativa de manter qualquer relação, da tentativa de amar e ser amada, dos momentos de paz, dos de ansiedade também, qualquer segundo sem expectativa é um segundo divino, qualquer momento em que não pense em você ou no que está fazendo é voltar o foco para mim, então é divino por igual... Abro mão do futuro, das minhas vontades, dos meus planos, dos palcos, abro mão de cantar, abro mão dos meus dons, abro mão de ser reconhecida, abro a mão e seus dedos se desencontram dos meus, vão se esvaindo para uma terra distante, e vamos nos distanciando, você vai subindo para outras galáxias, eu fico aqui na Terra com o mundo e o submundo. Você vira ar, eu viro pó. Abro mão da morte, abro mão da vida após esta, da sobrevida, abro mão das noites, das luas Phobos e Daimos, abro mão dos anéis de Saturno, fico com os dedos de volta na minha mão, mão que estava contra a sua, quente, agora já não mais... Mão aberta.

segunda-feira, abril 27, 2009

Um nível abaixo da superfície

Eu sou um inferno. Pouquíssimos sabem como eu deixo pouco para a imaginação, como não largo um osso quando mordo. Como abro todas as portas de armário e trago todos os esqueletos à tona, tanto os meus quanto os seus, como faço isso para que seja uma relação sincera, real, verdadeira. Fico obcecada, até enjoar. Não, não é daquela história da qual você se envergonha que vamos falar. Falaremos das suas emoções, dos motivos pelos quais você se envergonha, seu anseios e medos, qual a origem disso tudo e possibilidades para o futuro. E eu vou mostrar os meus antes, e que você tenha peito para, com calma e paciência, ouvi-los, senti-los, percebê-los e amá-los. E vou exigir que você me mostre os seus em troca. Sonho um dia encontrar quem deseje exatamente isso, exatamente quem sou, quem estou, por debaixo desses panos de pele e osso, alguém que deseje quem eu sou em alma. Até para mim, às vezes, parece difícil perceber um ponto onde tudo se acaba e eu possa começar a me dar o devido valor: o discurso. Mas esse ponto existe. Eu só preciso encontrá-lo expressando o que sinto, e deixar sair tudo até o ponto em que ele vem. Existe um ponto no qual me calo e entrego tudo à existência; existe um ponto onde as palavras não são mais necessárias e o silêncio compreende tudo. Só chego nesse ponto, falando. E só me salvo da loucura escrevendo. Então eu sou um inferno. As demandas que eu faria para você, em troca da nossa relação, de todo o amor que eu dou (embora eu também não saiba definir o que é esse amor -- se é amor ou posse, se é amor ou egoísmo, se é amor ou infantilidade minha), que é um grande amor, mas que exige simplesmente tudo em troca. Eu sou um inferno. Pouquíssimos sabem o inferno que é se relacionar comigo. Poucos, mas escolhidos. Às vezes bem, às vezes mal. Eu me esqueço, diariamente, do tamanho que eu tenho, porque dentro de mim, ainda sou um bebezinho.

sábado, abril 25, 2009

Moeda de troca

Você ousaria dizer aquilo que realmente quer em voz alta? Se fosse uma única coisa, aquilo que você mais quer em vida, diria isso para alguém, sem temer que virasse moeda de troca?

terça-feira, abril 21, 2009

Lentes de contato netunianas, impregnadas de plutão

Eles se amaram e tudo deu certo desde o início. Era algo especial, porque os dois se entendiam muito bem. Ela nunca tinha encontrado antes alguém que a tivesse em conta por seus dons próprios, e não estamos falando dos bonitos... Mas daquela mania que nunca a deixava de acompanhar de analisar as atitudes, suas e dos outros, e reações também, diante das situações da vida. Uma necessidade vital de se psico-analisar, obsessiva e compulsivamente. Então, ele gostava disso, e entendia. Se aproveitava das dicas também, claro, embora fossem doloridas.
Mas é basicamente isso. E tem a parte dos beijos, dos toques, dos olhares... Que também eram suficientemente boas, beirando a perfeição. Perfeição só haveria quando ele estivesse entregue tanto quanto ela, estivesse totalmente despejado dentro da tacinha "relação". A sacralidade da vida, e fonte de todos os pecados. Aí ela começou a exigir provas do amor dele por ela, buscando a integração dele entre atitudes e palavras. Qualquer coisa que ela percebesse como verdadeiro e genuíno, mas tudo o que via era o medo dele. Era tudo o que vinha à tona. O medo de se comprometer virava uma mina contra a relação (mina que explode na sua cara). Ele dizia que acreditava em várias coisas, mas não em "eu te amo", enquanto ela esperava que ele percebesse que, na verdade, ele havia desacreditado no "eu te amo", mas que ele também tinha direito a isso, se visse que realmente queria amar. Só os loucos amam; quanta dor, quanta preocupação, quanto desgaste. Qualquer pessoa em sã consciência permanece no seu ponto isolado de vista, dentro da própria cabeça, dentro do próprio corpo. Só os loucos ousam tomar o que não é deles, invadir outros espaços, conhecer o novo, procurar saber, morder da maçã da árvore, etc. Que ele a amasse, claro, mas que soubesse dizer isso olhando em seus olhos também. Que ele amasse a si mesmo antes de tudo, para saber que ela era tão boa quanto ele, e não melhor, e que ele era merecedor desse amor por ter esperado tanto tempo (e vidas) por isso.

Destaque

E u e n c o n t r e i você, e você n ã o e s t a v a l á .

O cérebro

Se você ficasse preso dentro da caixa craniana enquanto o ser vivo que é, não inventaria mil e uma realidades só para ter a possibilidade de se aventurar em algo novo? Não acredite em tudo o que a sua cabeça pensa, não faça tudo o que a sua cabeça manda. A sua mente, por vezes, engana você. Precisamos vCor do textoer o mundo fora do nosso cérebro, fora das nossas conexões neurais, ver além dos nossos limites; olhos para isso nós temos. O cérebro precisa pensar além de si mesmo, para transcendermos a condição humana (e racional) de solidão.

domingo, abril 19, 2009

Além de mim -- (imagem: Aya Kato)


Esse post só funciona para quem estiver dentro da pista de dança comigo, no escuro, ouvindo o mesmo remix de Behind the Wheel que eu ouvi. Não sei por que gosto tanto dessa música -- madrugada de sábado e eu na rua. Senti que precisava me forçar a sair porque a vontade existia, embora uma boa parte de mim achava que eu não devesse. Eu queria me divertir, mas sentia medo dos meus próprios desejos, do meu corpo me enganando, e eu sabia exatamente aonde estava indo: templo de todas as perdições; minhas ao menos. Sentia aquele frio na barriga de quando se sai e se sabe que algo fantástico vai acontecer. Era uma certeza, por isso, senti medo. Eu me arrumei, sem muito cuidado, mas com esmero. Quero ficar tão bonita quanto posso, embora não a ponto de me sentir desconfortável. Tenho procurado o meio termo desses elementos; estar confortável é mais importante que tudo, em muitos níveis.


E a festa estava rolando, e eu encontrei com vários amigos lá dentro da boate, e isso foi surpresa, e não precisei pagar por nenhum drinque, e todos estavam me elogiando, e eu estava feliz, e a música estava boa, e as pessoas eram bonitas, e todos estavam de bom humor e eu queria dançar muito. E eu dancei muito. Deixei as pessoas confortáveis onde estavam e fiquei na pista, sozinha. Algumas pessoas vieram tentar me fazer companhia, mas eu queria mesmo era ficar sozinha ali e senti um alívio quando isso aconteceu. Fiquei dançando sem parar, porque a música estava me levando e eu adoro quando isso acontece. E estava concentrada em mim, mas eu não era mais eu, eu era só música quando, de repente, fui para um lugar estranho. Dentro de mim, o que esperava que fosse o acontecimento fantástico acabou como uma descoberta de estrela. Mas o que eu vi me encheu de raiva.


Queria não perceber você no meio de mim, pensar e desejar que você estivesse junto comigo; queria sentir a música me penetrando, e não você se metendo no meio dos meus pensamentos, sentimentos, roubando os meus desejos, sendo alvo deles. Queria ter ficado com várias pessoas ali e não percebido a sua falta, nem a minha monogamia, a minha devoção, o meu amor. Queria ter beijado várias bocas, e não ter ficado esperando pela sua todos esses dias. Queria sair e também não lembrar que você existe, que é o que você me diz. Que raiva ser livre dentro da minha própria prisão, porque por amor a mim, eu estava sendo fiel a você. Senti raiva. No meio da pista de dança, agora estou sob o holofote porque eu danço e eu sou o centro de mim mesma e de todas aquelas pessoas que estavam ali. E aconteceu assim porque, no meu vazio, era onde entrava a música e fazia com que eu me movesse, como uma marionete movida a som, preenchida no vazio. E a música não tem limites, ela simplesmente encontra o seu lugar. E eu encontrei a mim, e encontrei a você também, só que você não estava lá. E enquanto eu via outros casais namorando deliciosamente, eu voltei para casa sozinha, e mais uma vez, dormi sozinha.

quarta-feira, abril 15, 2009

Posso apresentar-contornar-circundar os meus medos?

É uma vergonha, eu sei e também acho, que eu esteja no último ano da faculdade e, até hoje, não tenha pego um livro na biblioteca... E não é qualquer uma biblioteca, é uma senhora enorme, viajada e muito culta, mas cheia de burocracias. E foi com essa vergonha que cheguei lá, acanhada, sem saber por onde ir, em que corredor passar primeiro. É preciso passar a carteirinha em um dos guichês, pegar uma chave para o armário onde se é obrigado a guardar os seus pertences (menos a carteirinha, porque vamos precisar dela em outras etapas), achar o armário, e depois você olha num computador o título que procura, vê que exemplar está disponível, passa a carteirinha novamente, e... Falta uma senha. Saio eu do computador, vou para outra fila, cadastro uma senha e volto, para conseguir finalizar o meu pedido. É que na minha vida nada passa impune, e mesmo que eu saiba das minhas vergonhas, isso não impede que outros presenciem minhas incapacidades e apontem seus dedos. Por isso, encontrei um conhecido que até já terminou a graduação e começou o mestrado, e que ficou rindo de mim, me recriminando, achando um absurdo eu nunca ter pego um livro lá. Também, não basta só que as coisas aconteçam comigo; eu preciso contá-las aos outros, mostrar os meus processos ridículos, porque acho que eu não tenho um sentido de auto-preservação muito aguçado, ou tenho um de auto-destruição aguçado demais.

A questão é: eu tenho muitos medos, e os meus medos me limitam, por exemplo, a pegar um exemplar de livro nessa tal biblioteca que é tão boa, que chega a dar medo. Demorei cinco anos pra tomar coragem e ir lá, passar ridículo. Tudo bem, passado o trauma, senti que precisaria escrever sobre isso e sobre muito mais. O livro que eu peguei eu nem quero ler: A Ilíada. Muita gente pode achar o máximo, mas eu estou no meio do meu Clarice Lispector "Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres" (definitivamente, "Uma aprendizagem"... !!!), e os cantos da saga de Homero não me atraem neste momento. Mas, passei por isso, e também passei por outros momentos bem piores, como o meu primeiro namorado, que resolveu me comer durante dois meses e ir morar na Inglaterra e, quando voltou, começou a namorar a minha melhor amiga, que era uma amiga de infância (coisa que parece que eu não vou esquecer nunca, embora eu tenha feito de tudo para isto) e outra coisa que também não vou esquecer foi outro namorado que me levou para os Estados Unidos, e um belo dia, no meio do meu dia de trabalho, me ligou para anunciar que estaria voltando para o Brasil naquele mesmo dia, só que à noite. E como essas histórias eu tenho várias outras, que não vêm ao caso agora pra não causar um halloween antecipado. Na medida em que for conquistando leitores, eu vou espalhando essas pérolas minhas.

Então perdoem-me os invejosos se algum dia eu for feliz no amor e tiver uma relação bem sucedida, mas como vocês puderam perceber, ela vai ter sido (gostaram: vai-ter-sido) raladinha. Tá? E o mundo tem bastante gente e espaço pra cada um conquistar a sua própria, e tudo mais que os fizerem felizes. Mas permitam-se, em primeiro lugar. Mesmo a fazer papel de ridículos (na concepção de ridículo de cada um, of course). Mas acho que a primeira conquista é a de si mesmo. Sabe? E isso leva uma vida inteira. Então... Amem-se, por mais que doa.

segunda-feira, abril 13, 2009

-- Reclama mais? Por favor.

Hoje, quando eu acordei, fui até o banheiro e ainda meio sonolenta, abri o armário. Fiquei escovando os dentes mais perto da pia, e quando levantei a cabeça não lembrava de ter aberto, e me assustei com aquela imagem sem reflexo de interior de armário do banheiro. Armário aberto, e cadê eu?

Esse 'cadê eu' me seguiu o dia inteiro. Procurei dentro do meu estômago; não tinha nada lá, só dor. Nem fome eu tinha. Na hora do meu almoço, que já era quase hora do lanche, eu devorei meus pensamentos entre as garfadas suculentas. Devorava a mim mesma, uma garfada de comida, uma garfada de mim, tentando encher o vazio que ecoava em sinos lentos e doloridos, fazendo um grande silêncio oco.

Tá todo mundo assim: velho, ranzinza, de mau-humor, cheio de problema, mal amado, mal dormido, mal passado. Todo mundo tem que trocar a bomba d'água, tirar o mofo do armário, resolver entre encanamento de gás ou butijão e tomar as devidas providências, tirar raio-x da boca ou da coluna, fazer os exames, mudar de setor no trabalho. Ninguém ganha na megasena. Ninguém tira a sorte grande no amor e ensina aos outros como fazer. Eu não tenho nenhum amigo big-brother. Todo mundo pesado. Os metais pesados que vêm na água estão fazendo uma grande diferença na nossa evolução, colocando nós tudo pra baixo.

Ói que maravilha. Ainda ando roubando as idéias do meu irmão e colocando em trabalhos acadêmicos, por falta de criticavidade. Sem fôlego, sem vontade. Mas pelo menos eu não tenho televisão, o que já é um grande alívio. Posso ter o ócio que FOR; ele é meu, mais meu, muito meu. Nou teevee pra eu ficar mais burra ainda. burrainda. burrinda. burrnda. burnda. já fizeram isso em batmacumba, hein? Olha só, que repetitividade da vida me atingindo. Ô, deixa eu acertar um poco!!

Ainda assim, alguns poucos (bons) exemplos transpassam o meu caminho, e eu vejo como a bondade das pessoas é infinita (assim: eu tenho noção que a maldade também, mas a bondade das pessoas tem cruzado mais o meu caminho, apesar do meu mau-humor) e ainda existe e está ativa. Tantas coisas ruins, mas continuam oferecendo para carregar a minha mochila no metrô lotado, e se eu durmo, me acordam para perguntar se eu vou saltar na Estácio (risos). Mas essas coisinhas, pequenos atos tão calorosos e totalmente grátis tiram um pouquinho do peso, e eu vim para casa um pouco mais leve depois disso. E o metrô é ótimo para essas coisinhas especiais acontecerem, porque é uma situação extrema pegar o trem na hora do rush e é quase desumano também. Mas as pessoas sobrevivem e ainda conseguem ser solidárias umas com as outras, e quando eu vejo isso, eu fico feliz pelo mundo e me sinto mais aliviada.

theseaweed


mommy made me into a little seed. i never watched myself grow. i have the power to explode. i haven't met my strenghth yet. they tell me i am brave, they tell me that i can, i just don't believe it. i fit anywhere, i'm so small. i'm so light that i flow. but i have the power to explode. i just haven't met my strenghth yet. i feel unattached, unreachable. i could fit anywhere. i guess i never looked myself in other mirrors than the floating surfaces of the sea. sometimes, i am the water.

domingo, abril 12, 2009

The untold tale of the monkey and the rooster

There were two friends: a monkey and a rooster. Wherever the rooster would go, the monkey would follow. The monkey loved the bravery in the rooster. The monkey felt like it was ok to be curious around its fellow, so it followed. Should the rooster explore the territory, the monkey would watch. The rooster was righteous, the monkey, tricky. The rooster was righteous, the monkey had many skills. Then, it would go right after, checking wherever the rooster's beak would point at. The rooster is never the best of the animals, but it was right for keeping the monkey some company. The monkey was not the best of the animals, but he would carry the rooster on its back, since it had many more usable hands and tails than the rooster, and the rooster appreciated it. They were a funny pair to watch, but it worked. The monkey could become an ashtray or an attraction in some circus, the rooster could become dinner. So, they would save each other skin, because they did not represent a real threat to each other. And they were so brave together, until one day, accidentally, the rooster picked the monkey in the eye, while looking for a worm. "Couldn't you realize this was no hole?", asked the monkey. "I'm sorry, dear fellow", said the rooster. "It was so shinny, it was looking at me". And the monkey bit off the rooster's head. And that was not the end of the story, because the rooster, now a ghost, runned away in its body, leaving the head behind. And this is how the first shooting start came up in China, crossing the sky with blood.

The Wild

My wild has been tamed. I am a tamed beast, a domesticated monkey... So very polite.

sábado, abril 11, 2009

Ontem


Escrever sobre o amanhã três dias atrás, e escrever sobre o ontem, hoje. Essa ordem natural das coisas, que é uma ordem imprevista e bagunçada, que não respeita a ordem em que as exigências externas acontecem, podem acontecer a qualquer um. Esteja esperto: para reconhecer as dádivas que chegam sem que você esteja preparado. Esteja atento; às vezes a vida acontece só depois da morte. Às vezes o branco acontece só depois do preto, depois que confrontados no cinza, pudessem se perceber e se separar. Às vezes o arco-íris acontece antes da chuva e o orgasmo, antes do sexo. Às vezes o seu olhar chega antes dos olhos, e os seus pensamentos, antes das palavras. E eu entendo. E, muitas vezes, não entendo e só vejo as coisas passando de um lado para o outro, numa forma meio curva porque na Terra dizem não existir retas, voando como estrelas cadentes, nessa ordem cósmica que não segue a razão. Muitas vezes, o entendimento só vem bem depois. Às vezes os filhos vêm antes que possamos nos preparar; às vezes o amor acontece depois de trancarmos nossos corações sem esperança na gaiola do desespero seco, sozinho e triste. Mas que sempre os seus beijos cheguem antes da boca, para que eu não fique à mercê dos dentes, certa de que irão me morder. E que mesmo que seus beijos nunca cheguem, que eu possa saber que um dia serei beijada novamente, e tenha sempre a certeza de que as coisas não acontecem numa ordem em que eu possa compreender, para que, ontem, hoje e sempre eu possa ser surpreendida.

sexta-feira, abril 10, 2009

Hojeam

Antes de destruir as minhas forças por completo, deixe-me vivenciar o samba que há em minhas veias. Índios, negros e mulatos, com brancos, pretos e mestiços. Todos amarelos e até que deixe vir os meio verdes... Assim, meio vermelhos de dançar, meio roxos de tentar e de não conseguir (nunca), vamos pegar o primeiro ônibus que vai da Lapa para a Tijuca e... E o que? E nadaa.

Hoje eu gostei de um bigodinho na rua, mas porque fiquei pensando no seu. Na verdade, esse sujeito é a cara do cara personagem do livro que estou traduzindo, então me fascinei. Como pôde ele ter pulado das páginas para a minha cabeça, e da minha cabeça para o mundo?! Como pode haver uma pessoa igual ao Andrew Imhof, cílios longos, cabelos bagunçados, pêlos castanhos?! Amorzinho platônico da personagem principal do livro, estou vendo demais, estou vendo que entro demais nas histórias que ando lendo, estou vendo eu mergulhando na voz da personagem e perdendo a minha própria. É por isso que não vejo novelas, e é por isso que não assisto a filmes. Todos entram em mim, entrando em mim para nunca mais sair. E não saem.

É por isso que eu sou uma péssima amiga. Sou boa assim, à distância. Na redoma. Na jaulinha. Me dêem comida. Mas cuidado com os dedos. Eu já gostei mais de anéis. Podem ficar com eles.

Opa Camarade! Esqueci de contar... Que já não canto, muito menos encanto. Se eu quiser passar invísivel, não tem playboy da Lapa que puxe a minha saia! Só não posso sorrir. Se passa qualquer bêbeda acham que você está alegre e querem conversar. Não pode passar qualquer boba alegre, que eles acham que está bêbada e querem puxar a saia. É foda. Não tem saída para os homens ruins do mundo. Que todos eles sejam engolidos.

Le-Olam-Amém. Saravá. Axé, Oxum.

Atchim.

Tenho mais histórias pra contar? Só aquela velha, da Chapeuzinho vermelho e daquele bicho pulguento. Mas hojeam, eu olhei as bananas de uma forma meio diferente. Como nunca tinha olhado antes. Senti medo. De mim mesma. Medo dos raiozinhos da Lua para mim naquele dia de dois duas noites atrás. Zzz zzZZZzZZzzzz

quinta-feira, abril 09, 2009

AMANhãn?

Amanhã, você pode perceber que se envolveu numa relação de co-dependência, e terminar tudo comigo, com medo. Amanhã, meu pai ou minha avó podem morrer, e me deixarem sozinha. Amanhã eu posso ser mandada embora, porque minha chefe finalmente vai perceber que engano ter me contratado. Amanhã eu posso perder a voz por horror total e nunca mais conseguir cantar. Amanhã eu posso estar tão mal de saúde que não vou conseguir nem passar da porta para cumprir com as obrigações que tanto me chamam. Amanhã eu posso não ter mais nenhum amigo. Amanhã uma inundação pode invadir a minha casa, acabando com tudo o que eu tenho, ou um incêndio, ou um roubo, ou a minha conta bancária pode ser invadida por hackers, ou posso não conseguir levantar por desistência de viver. Ou tudo isso pode acontecer ao mesmo tempo, porque nada na vida é previsível e, quando um mal acontece, geralmente todos vêm juntos. Sem comida, sem dinheiro, sem família, sem namorado, sem emprego, sem carinho, sem sol e sem lua, sem norte, e sem rumo. Amanhã, tudo pode acontecer. Mas amanhã, please, só amanhã. Me deixa hoje aqui só com medo. Viver com medo das incertezas, melhor do que viver na certeza das perdas? I'm scared. And scared to say it out loud. -does writing it make me a little brave- R?

terça-feira, abril 07, 2009

Presa numa questão de liberdade

Posso tudo: não sei o que fazer. O espaço é meu (o quarto, o mundo), o corpo é meu (veículo), as vontades são minhas (mas quais são elas?). Preciso trabalhar um pouco, preciso me concentrar. Congelo. Nada posso fazer. Não sei por onde começar. Nada faço. Tento me deitar. Fecho as cortinas. Tiro a roupa. Gozo um pouco. Nada satisfaz. Sento pelada para tocar violão: eu posso. Penso em ir tomar banho, eu posso não ir almoçar antes. Preciso ir comprar água, tenho sede. Penso em jejuar. Para ser livre, preciso tomar decisões! Se você tudo pode fazer, nada faz. Se nada pode, você luta para poder, que é a causa dos rebeldes. Vou continuar me debatendo, que é a luta contra si mesmo, daquele que é livre e não sabe contra aquele que não é livre, sabe e gosta disso (porque é mais fácil), daquele que pensa que liberdade é falta de organização contra aquele que não pode usar o seu tempo livre porque se organiza sem parar, daquele que abre a porta e convida a primeira a entrar, a tomar uma água e a chupar o seu órgão - daquele que age como um animal-, contra aquele que tem seus instintos totalmente dominados pela sua parte Homem. Daquele que tem a alma numa jaula porque se soltar, destrói tudo ao redor, contra aquele que fica com feridas na pele, loucuras na mente e infelicidades na vida porque não se solta nunca. Se você tudo pode fazer, nada faz. Se nada pode, você luta para poder. Essa é a causa dos rebeldes. A liberdade congela; quem tudo pode não sabe por onde começar, a ponto que aquele que nada pode sabe exatamente o que faria. Prisões para todos sermos livres então.
... você gosta?

segunda-feira, abril 06, 2009

Toalha molhada

O impulso da escrita é na hora que se pega, é na hora ou se perde, e deixa um rastro, como uma gota que escorre depois do banho pelo corpo, deixa uma marca, deixa a sua presença ali. Tirar o excesso da água com as mãos antes de se enxugar, meu pai me ensinou, me ensinou a tirar o excesso para a tolha não ficar ensopada. E eu detesto toalha molhada, mesmo hoje, depois de grande, mesmo depois de ter revisto milhões de conceitos aprendidos desde criança, depois do banho, se enxugar com aquela coisa felpuda, gelada e úmida, às vezes no frio, com aquele molhado que parece não cumprir com o seu dever, ainda me incomoda. E eu não gosto de pessoas e objetos que não cumprem com o seu dever. Quer dizer, qual é o papel da toalha, senão o de simplesmente enxugar?

Nem todas as toalhas secam a tempo, nem todas as toalhas novas enxugam bem, nem todas as coisas felpudas são gostosas (tipo lodo no fundo do lago), nem todo mundo que mora na favela tem vocação para ser pobre e as pessoas que pegam conduções lotadas não nasceram todas para isso. Está/amos cumprindo com o seu/nosso dever?

O mundo é permeado de questões estúpidas assim, tão pequenas que são tão óbvias, e que de tão óbvias são invisíveis, que nos impedem de ver as questões maiores, que de tão próximas não enxergamos, e lançamos mão de soluções muito mais complexas, dispendiosas em energia e dinheiro, investimos tanto tempo em coisas tão fenomenais, mas nas pequenas coisas, nos detalhes, nas pequenas organizações, quase não perdemos tempo. Tipo: gastar dinheiro com médicos e milhões de coisas que nos fazem acreditar que são boas para nós, quando poderíamos simplesmente saber as coisas que são certas para nós.
E eu não me sinto limpa se não me enxugo com uma tolha seca, e não me sinto confortável pisando em lodo, e continuo com nervosinho na nuca se grudar muita poeira na sola do meu pé e também penso mentalmente numa senha eletrônica sempre errada no último algarismo, para se a pessoa ao lado estiver lendo a minha mente, não saber a minha senha. E não consigo fazer nada, não consigo me manifestar em brados e causar a mesma indignação nas pessoas a minha volta quando anunciam no metrô que a passagem vai aumentar de novo, e vai atrapalhar todo o meu orçamento, que já estava apertado.

E será que alguém pode ser vangloriado por ter nascido bonito? E será que podemos dizer que estamos em plena Era do desenvolvimento da comunicação? E será que o Lula acredita que ele seja realmente "o cara", e que tanto a Rainha da Inglaterra quanto o presidente Barak O. sejam super "gente boa", ao invés de perceber que todos esses líderes querem um pedaço do Brasil?

Não é você, senhor presidente, que está sentado naquela cadeira: SOMOS NÓS. E nós estamos cumpridos com os nossos deveres. Você é apenas uma toalha molhada (e em cima da cama!). - mais uma coisa felpuda que não é legal. Você é ilegal.

E mais um pedaço meu vai sendo levado embora pelas corporações quando todas as contas aumentam e eu preciso gastar o meu precioso tempo trabalhando ao invés de fazer as coisas que eu deveria estar fazendo para a minha própria sanidade, como ir gastar a minha agressividade movimentando as massas e causando tumultos contra essas corporações abusivas (Light, CEG, etc, etc, etc).